{"id":944,"date":"2022-05-17T12:18:58","date_gmt":"2022-05-17T15:18:58","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/?p=944"},"modified":"2022-05-17T12:18:58","modified_gmt":"2022-05-17T15:18:58","slug":"o-cuidado-e-a-mulher-em-ministerio-transcultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2022\/05\/17\/o-cuidado-e-a-mulher-em-ministerio-transcultural\/","title":{"rendered":"O cuidado e a mulher em minist\u00e9rio transcultural"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Valeska Petrelli<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-945\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-300x172.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-300x172.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-1024x586.jpg 1024w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-768x440.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-1536x879.jpg 1536w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-2048x1172.jpg 2048w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-732x419.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_iurii-melentsov-7iKuB62CQBU-unsplash-1140x652.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Falar sobre a mulher servindo em campo transcultural \u00e9 uma das maiores alegrias que Deus tem compartilhado ao meu cora\u00e7\u00e3o. Para a gl\u00f3ria dele, tenho trabalhado na orienta\u00e7\u00e3o, apoio e cuidado da mulher e da fam\u00edlia mission\u00e1ria desde 2012, quando minha fam\u00edlia ainda servia em Madagascar. Deixamos o Brasil no ano de 2010, vivemos na \u00c1frica do Sul, em Madagascar, em Uganda e atualmente moramos no Qu\u00eania.<\/p>\n<p>No tempo em que servimos em Uganda, recebi uma orienta\u00e7\u00e3o de Deus bem espec\u00edfica para al\u00e9m do trabalho na capacita\u00e7\u00e3o e cuidado de obreiros de nossa organiza\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, tamb\u00e9m compartilhar apoio e cuidado para mission\u00e1rias de fala portuguesa servindo mundo a fora. Foi assim que nasceu o CMM, primeiramente nomeado como Confiss\u00f5es de uma M\u00e3e Mission\u00e1ria e que, com o tempo, se tornou CMM \u2013 Confiss\u00f5es de uma Mulher Multicultural, expandindo sua abrang\u00eancia \u00e0 mulher multicultural solteira, casada, m\u00e3e: mulheres em miss\u00e3o transcultural ou em preparo.<\/p>\n<p>Foi na solid\u00e3o natural do minist\u00e9rio e da dist\u00e2ncia de nosso pa\u00eds que surgiu o desejo de compartilhar sobre os desafios da fam\u00edlia transcultural e, com alguns v\u00eddeos, comecei publicando, em 2018. A partir da\u00ed, enquanto v\u00e1rias mulheres se identificavam com minhas experi\u00eancias, um relacionamento de acolher e trocas foi se construindo e firmando com muitas delas. E, meses depois, em per\u00edodo de pandemia, <strong>Deus foi me orientando a ampliar o projeto para proporcionar uma rede de apoio mais efetiva, um espa\u00e7o para trocas, mentoria e cuidado para mulheres no servi\u00e7o ministerial entre culturas. E hoje, o CMM \u00e9 uma comunidade on-line, que alcan\u00e7a obreiras em mais de 30 pa\u00edses<\/strong>.<\/p>\n<p>Como resultado das minhas experi\u00eancias pessoais no campo transcultural, o meu hist\u00f3rico como psic\u00f3loga, somados \u00e0 jornada de acolhimento a mulheres mundo afora; senti-me desafiada a refletir e estudar sobre a import\u00e2ncia do cuidado espec\u00edfico da mulher multicultural e sua fam\u00edlia, especialmente enquanto brasileiras. Ao longo deste processo surgiram quest\u00f5es intrigantes como: Quais os principais motivos para abordar uma perspectiva espec\u00edfica no cuidado da mulher em minist\u00e9rio multicultural? Ser\u00e1 que independente de qual seja o minist\u00e9rio da mulher, os desafios e as necessidades n\u00e3o seriam os mesmos? Quais as diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades da mulher que serve em seu contexto de origem (o que chamamos de viv\u00eancia monocultural) em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades da mulher que serve fora de sua cultura?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-947\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-TROCA_alexis-brown-omeaHbEFlN4-unsplash-300x173.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-TROCA_alexis-brown-omeaHbEFlN4-unsplash-300x173.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-TROCA_alexis-brown-omeaHbEFlN4-unsplash-768x442.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-TROCA_alexis-brown-omeaHbEFlN4-unsplash-732x422.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-TROCA_alexis-brown-omeaHbEFlN4-unsplash.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Entendo que uma das primeiras diferen\u00e7as com rela\u00e7\u00e3o ao chamado monocultural X transcultural, seria os diferentes caminhos para o processo de compreens\u00e3o do que de fato envolve o chamado espec\u00edfico e as consequ\u00eancias da decis\u00e3o pela obedi\u00eancia<u>.<\/u> Deus nos chama de formas diferentes para lugares e minist\u00e9rios diferentes. Todo chamado ministerial \u00e9 importante e tem os seus desafios e pre\u00e7os, bem como os privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>No caso da jornada ao minist\u00e9rio transcultural, como crist\u00e3os brasileiros, embora estejamos crescendo no cuidado e preparo de nossos mission\u00e1rios, ainda somos bastante limitados e, de forma geral, n\u00e3o temos oferecido capacita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica necess\u00e1ria aos nossos obreiros, principalmente em \u00e1reas espec\u00edficas como, por exemplo, \u00e0 mulher em minist\u00e9rio multicultural, o que ainda est\u00e1 em descoberta e em processo de compreens\u00e3o, especialmente no contexto brasileiro. Um processo longo e ainda desconhecido pela maioria de nossa lideran\u00e7a crist\u00e3 evang\u00e9lica brasileira.<\/p>\n<p>Lembro-me de quando o Senhor me chamou, e de como Ele compartilhou comigo sobre o chamado de Abra\u00e3o: \u201cSai da sua terra, da tua parentela, e da casa do teu pai, para a terra que eu te mostrarei\u201d (Gn 12.1). <strong>A maior parte dos mission\u00e1rios transculturais recebe o chamado sem o conhecimento dos pr\u00f3ximos passos e, sim, com apenas a disposi\u00e7\u00e3o em obedecer, de deixar a sua terra, de partir de seu lugar de seguran\u00e7a, de partir de sua zona de conforto para uma terra distante, um povo desconhecido, em obedi\u00eancia ao Deus que nos chama \u00e0s na\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/p>\n<p>Neste ponto de partida n\u00e3o sabemos o que esperar e, na verdade, hoje entendo que ser\u00e3o anos de jornada em dire\u00e7\u00e3o a esta compreens\u00e3o, em especial quanto \u00e0s ren\u00fancias que envolvem esta tomada de decis\u00e3o. Junto com a paz e a alegria que nos sustentam na decis\u00e3o, existe um processo de vislumbrar as perdas que vivenciamos e das que estar\u00e3o por vir. Como por exemplo: o entregar dos pr\u00f3prios sonhos como profissional, talvez a ren\u00fancia de um casamento, o sacrif\u00edcio do sonho de criar os filhos pr\u00f3ximos a uma rede de apoio, a inseguran\u00e7a de viver na depend\u00eancia de Deus por meio do levantamento de ofertas etc.<\/p>\n<p>Como mulher, compreendo que para que todo este processo aconte\u00e7a de maneira saud\u00e1vel \u00e9 necess\u00e1rio preparo, capacita\u00e7\u00e3o e apoio intencional para a mulher que serve entre culturas. N\u00e3o somente para partida, como tamb\u00e9m na manuten\u00e7\u00e3o e no cont\u00ednuo cuidado em cada fase do ciclo da vida missional (decis\u00e3o de chamado, levantamento de sustento, preparo para partir, envio, adapta\u00e7\u00e3o, aprendizado da l\u00edngua e cultura, carreira solo, maternidade e casamento entre culturas, desenvolvimento do minist\u00e9rio, visitas ao pa\u00eds de origem, retorno e aposentadoria).<\/p>\n<p>Na minha experi\u00eancia, passei alguns anos processando algumas das fases que j\u00e1 tivemos a oportunidade de viver pessoalmente. Em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es fomos pioneiros como brasileiros em nossa organiza\u00e7\u00e3o, em alguns casos pude buscar ajuda por meio de amigas mission\u00e1rias mais experientes, e ainda assim, em v\u00e1rios aspectos, at\u00e9 hoje n\u00e3o encontro todas as respostas que gostaria.<\/p>\n<p>A paz de Deus que excede todo entendimento, que habitou o meu cora\u00e7\u00e3o desde o momento da decis\u00e3o, tem sido suficiente para a escolha cont\u00ednua por deixar minha pr\u00f3pria cultura e lan\u00e7ar-me ao desconhecido. Ainda assim, quero enfatizar aqui que esta paz n\u00e3o exclui a necessidade do cuidado pr\u00f3prio, do cuidado m\u00fatuo e da responsabilidade de apoio da igreja e ag\u00eancias no cuidado de seus mission\u00e1rios; agindo como corpo de Cristo, todos ajustados, servindo para a expans\u00e3o do Reino de Deus.<\/p>\n<p>Entender o tempo correto para partir \u00e9 um grande desafio na sa\u00edda para o campo transcultural. Em 2002 Rodrigo e eu nos casamos. Logo depois ele se tornou pastor batista no Brasil e eu a esposa do pastor, enquanto tamb\u00e9m trabalhava como psic\u00f3loga. Ao compartilhar o nosso desejo de servir na \u00c1frica, submetemo-nos \u00e0 nossa lideran\u00e7a para plantar e pastorear uma igreja at\u00e9 o per\u00edodo de nossa sa\u00edda do Brasil para a \u00c1frica, como parte de nosso preparo.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que aguardamos o tempo de partida, s\u00e3o importantes o preparo e o suporte emocional s\u00f3lido. <strong>O tempo de aguardar tamb\u00e9m \u00e9 um momento para compreender e para partilhar expectativas da realidade vindoura.<\/strong> Deve ser um tempo para explorar e conhecer um pouco do lugar e das pessoas que nos esperam, das quest\u00f5es burocr\u00e1ticas e log\u00edsticas necess\u00e1rias, para fazer descobertas sobre a realidade do campo, para o estudo da hist\u00f3ria do povo que desejamos alcan\u00e7ar, para avaliar possibilidades de minist\u00e9rio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-946\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_oscar-omondi-Xz5kTUYAu9A-unsplash-260x300.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_oscar-omondi-Xz5kTUYAu9A-unsplash-260x300.jpg 260w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_oscar-omondi-Xz5kTUYAu9A-unsplash-886x1024.jpg 886w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_oscar-omondi-Xz5kTUYAu9A-unsplash-768x888.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_oscar-omondi-Xz5kTUYAu9A-unsplash-732x846.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_MULHER-SOLTEIRA_oscar-omondi-Xz5kTUYAu9A-unsplash.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Nesta fase de preparo, entendo que a mulher solteira e a mulher casada enfrentam desafios diferentes e bem espec\u00edficos, que s\u00e3o leg\u00edtimos e necessitam ser processados. De um lado temos aquelas que o Senhor chama para a carreira solo e que enfrentam os medos normais de um futuro desconhecido longe de sua rede de apoio, na total depend\u00eancia de um chamado complexo e sobrenatural. Aceitando os riscos da miss\u00e3o bem como o de aumentar as chances de permanecer solteira por conta da natureza da miss\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 a ren\u00fancia da vida pr\u00f3xima aos familiares, como tamb\u00e9m o risco da ren\u00fancia da constru\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia. Tenho visto a gra\u00e7a de Deus sobre as minhas irm\u00e3s solteiras em miss\u00e3o transcultural, o quanto o Senhor trabalha, usa e cuida de cada uma delas. Contudo, tamb\u00e9m tenho visto alguns casos que mostram como a falta de preparo e cuidado para com elas que servem em realidade transcultural, pode trazer feridas profundas e impactar nos resultados e frutos do minist\u00e9rio, culminando por vezes no retorno precoce.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podemos falar sobre alguns dos desafios das casadas. Como o de trabalhar em unidade com o marido, por exemplo, na decis\u00e3o de partir, na maneira como exercer o minist\u00e9rio, na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, no chamado e tantas decis\u00f5es da caminhada missional. In\u00fameros problemas podem ocorrer no campo, enraizados \u00e0 falta de preparo e unidade em rela\u00e7\u00e3o ao chamado como casal. \u00c9 importante que as similaridades e ren\u00fancias sejam avaliadas antes de partir. Pois muitas vezes, a mulher mission\u00e1ria pode sentir-se na obriga\u00e7\u00e3o de se anular, ou de ser totalmente dependente da miss\u00e3o do marido, e isto pode parecer at\u00e9 rom\u00e2ntico no in\u00edcio, mas nada saud\u00e1vel, trazendo s\u00e9rias consequ\u00eancias futuras. A falta de uma compreens\u00e3o sobre aspectos espec\u00edficos da miss\u00e3o enquanto casal, pode ser grave para o casamento, impedindo o sucesso do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Falando em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia transcultural e \u00e0 maternidade, percebo que duas coisas s\u00e3o consideradas como uma das principais fontes de preocupa\u00e7\u00e3o e estresse: as transi\u00e7\u00f5es e a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. \u00c9 preciso conhecer antecipadamente e definir as possibilidades como a escola (local ou internacional) e ou educa\u00e7\u00e3o domiciliar. Al\u00e9m das quest\u00f5es de lingu\u00edstica de alfabetiza\u00e7\u00e3o, e a influ\u00eancia da cultura local na educa\u00e7\u00e3o dos filhos. Estes s\u00e3o conhecimentos importantes que v\u00e3o auxiliar os pais no apoio aos filhos nestes processos dif\u00edceis e nas suas diferentes fases. \u00c9 relevante que a m\u00e3e entre culturas, considere as quest\u00f5es de desenvolvimento e identidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o transcultural. \u00c9 preciso tomar conhecimento e se preparar para a realidade de que levar um filho para se desenvolver fora de sua cultura por anos significativos de sua inf\u00e2ncia e\/ou adolesc\u00eancia, tamb\u00e9m exigir\u00e1 dos pais um conhecimento espec\u00edfico quanto a forma\u00e7\u00e3o deste filho que ter\u00e1 caracter\u00edsticas e desafios bem espec\u00edficos consequentes da vida transcultural, e que por isso s\u00e3o chamados de filhos de terceira cultura.<\/p>\n<p>Cheguei no campo e, pela falta de preparo, cometi erros s\u00e9rios, como o de, no primeiro ano fora do Brasil, focar prioritariamente no &#8220;minist\u00e9rio&#8221; e para isso deixar meus filhos na escolinha. Minha cabe\u00e7a ainda n\u00e3o pensava transculturalmente e eu n\u00e3o poderia avaliar o fato de que no primeiro ano a m\u00e3e precisa estar 100% presente para auxiliar os filhos na transi\u00e7\u00e3o enquanto ela e toda a fam\u00edlia tamb\u00e9m est\u00e3o em fase de adapta\u00e7\u00e3o. Precisamos estar cientes e sem culpa de que este deve ser o nosso primeiro minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Quando aceitamos o chamado, o romantizamos como que apaixonados, agimos como se o &#8220;trabalho&#8221; em si fosse o mais importante, e que porque estamos na miss\u00e3o, Deus cuidar\u00e1 de nossos filhos, o que \u00e9 de fato verdade, contudo, Ele mesmo nos delega responsabilidades como pais que s\u00e3o intransfer\u00edveis, e devemos assumir o nosso papel diante Dele. O cuidado dos filhos \u00e9 tamb\u00e9m nosso minist\u00e9rio e deve ser exercido com amor e excel\u00eancia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-948 alignright\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-CUIDADO-_rosie-sun-rTwhmFSoXC8-unsplash-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"233\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-CUIDADO-_rosie-sun-rTwhmFSoXC8-unsplash-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-CUIDADO-_rosie-sun-rTwhmFSoXC8-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-CUIDADO-_rosie-sun-rTwhmFSoXC8-unsplash-732x488.jpg 732w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2022\/05\/blog_cm_valeska_COMUNHAO-CUIDADO-_rosie-sun-rTwhmFSoXC8-unsplash.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/>Exaustivamente falando da import\u00e2ncia do preparo como parte do cuidado mission\u00e1rio, vejo ainda que n\u00e3o d\u00e1 para ficarmos nos preparando para o resto da vida e que, na cultura brasileira, acabamos perdendo o <em>timing<\/em> de jovens que poderiam ser enviados, sabendo que precisamos sim de uma base, mas que o nosso maior aprendizado vai acontecer na pr\u00e1tica. <strong>Precisamos reconhecer que jamais estaremos completamente preparadas e que a experi\u00eancia transcultural de cada uma de n\u00f3s \u00e9 e ser\u00e1 \u00fanica, singular, ao mesmo tempo que comum.<\/strong> Perceber esta realidade nos ajuda no apoio e no cuidado m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ar-nos a viver em uma nova cultura \u00e9 recome\u00e7ar, \u00e9 lan\u00e7ar -se a uma vida de riscos e incertezas em v\u00e1rios aspectos, ainda mais nos primeiros anos, at\u00e9 que haja maior aprendizagem da l\u00edngua, da cultura e do compreender de como agir e viver naquele local. <strong>O fundamento mais s\u00f3lido que podemos ter rumo \u00e0 obedi\u00eancia ao chamado transcultural \u00e9 estarmos seguras no Senhor que nos chama e nos capacita. Ele \u00e9 fiel e jamais nos abandona.<\/strong> O seu amor perfeito lan\u00e7a fora o medo, e por isso Nele podemos prosseguir e frutificar, mesmo em meio \u00e0s nossas limita\u00e7\u00f5es e desafios.<\/p>\n<p>Neste prop\u00f3sito de capacita\u00e7\u00e3o, cuidado e apoio, o CMM tem trabalhado acolhendo e abra\u00e7ando mulheres multiculturais ao redor do mundo. Conectando tantas mulheres que servem em contexto transcultural (ou em preparo), promovendo oportunidades de troca e cuidado m\u00fatuo de forma org\u00e2nica e efetiva, por meio de nossos pequenos grupos, do compartilhar, da produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados e do caminhar em mentoria em v\u00e1rias \u00e1reas de necessidades espec\u00edficas no apoio desta mulher.<\/p>\n<p>Deus tem usado esta ferramenta para auxiliar centenas de mulheres mission\u00e1rias enviadas ao campo por diferentes denomina\u00e7\u00f5es, servindo por meio de diversas ag\u00eancias. Para a gl\u00f3ria de Deus, no CMM, encontramos um lugar seguro e neutro para compartilhar realidades desafiadoras, e que tamb\u00e9m traz conte\u00fados relevantes que capacitam a perseverar em meio ao servi\u00e7o entre culturas. Sabemos que isso vem impactando n\u00e3o somente no apoio da mulher multicultural, como tamb\u00e9m o de suas fam\u00edlias e minist\u00e9rio. Porque o nosso lema \u00e9: <em>Mulher Multicultural saud\u00e1vel, fam\u00edlia relevante, minist\u00e9rio eficaz!<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Valeska Petrelli<\/strong>, idealizadora e gestora do Confiss\u00f5es de uma Mulher Multicultural (CMM). Brasileira, sul-mato-grossense, casada com Rodrigo desde 2002, m\u00e3e de Jo\u00e3o Pedro e de Asafe. Deixou o Brasil em 2010 e vive no continente africano desde ent\u00e3o. Morou na \u00c1frica do Sul, em Madagascar, Uganda e, atualmente, mora no Qu\u00eania. Serve com a MIAF (Miss\u00e3o Para o Interior da \u00c1frica) no cuidado integral de mission\u00e1rios transculturais. \u00c9 psic\u00f3loga especialista em gest\u00e3o de pessoas. @confissoes.mulhermulticultural.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Leia mais:<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb <a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/retiro-irmas-amigas-cuidando-de-missionarias-brasileiras-que-atuam-em-campo-transcultural\">Retiro \u201cIrm\u00e3s Amigas\u201d: cuidando de mission\u00e1rias brasileiras que atuam em campo transcultural<\/a><br \/>\n\u00bb <a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2018\/11\/27\/revista-como-tenho-vivido-a-realidade-de-missionaria-solteira\/\">Como tenho vivido a realidade de mission\u00e1ria solteira?<\/a><br \/>\n\u00bb <a href=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/estudos-biblicos\/assunto\/missoes\/crises-e-sucesso-na-jornada-missionaria\/\">Crises e sucesso na jornada mission\u00e1ria<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Valeska Petrelli Falar sobre a mulher servindo em campo transcultural \u00e9 uma das maiores alegrias que Deus tem compartilhado ao meu cora\u00e7\u00e3o. Para a gl\u00f3ria dele, tenho trabalhado na orienta\u00e7\u00e3o, apoio e cuidado da mulher e da fam\u00edlia mission\u00e1ria desde 2012, quando minha fam\u00edlia ainda servia em Madagascar. 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