{"id":796,"date":"2020-10-15T18:39:07","date_gmt":"2020-10-15T21:39:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/?p=796"},"modified":"2020-10-15T18:47:40","modified_gmt":"2020-10-15T21:47:40","slug":"causas-de-estresse-entre-missionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2020\/10\/15\/causas-de-estresse-entre-missionarios\/","title":{"rendered":"Causas de estresse entre mission\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<div id=\"mk-page-title-box-8\" class=\"mk-page-title-box \" data-mk-img-set=\"{&quot;responsive&quot;:&quot;true&quot;}\">\n<div class=\"mk-page-title-box-content\">\n<div class=\"mk-grid\">\n<div class=\"mk-page-title-box-subtitle\" style=\"text-align: center;\">\n<p>Por medo de perder o apoio ou por vergonha, muitos adoecem e n\u00e3o buscam ajuda<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wpb_row vc_inner vc_row vc_row-fluid attched-false \">\n<div class=\"wpb_column vc_column_container vc_col-sm-3\">\n<div class=\"vc_column-inner \">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<p>* Por Lorraine Oliveira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"padding-13\" class=\"mk-padding-divider clearfix\">O estresse faz parte da vida dos seres humanos. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, trata-se de uma atitude biol\u00f3gica necess\u00e1ria para a adapta\u00e7\u00e3o a novas situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma rea\u00e7\u00e3o natural do organismo a um est\u00edmulo, e gera altera\u00e7\u00f5es emocionais e f\u00edsicas \u2013 h\u00e1 libera\u00e7\u00e3o de uma complexa mistura de horm\u00f4nios e subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como adrenalina, cortisol e norepinefrina (tamb\u00e9m chamada de noradrenalina).<\/div>\n<div class=\" vc_custom_1601056720801\">\n<div id=\"text-block-14\" class=\"mk-text-block \">\n<p>Situa\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas, recorrentes e\/ou agudas de estresse, contudo, podem levar ao esgotamento f\u00edsico e emocional, reduzindo (ou at\u00e9 eliminando) a capacidade laborativa de uma pessoa. Quando esses fatores estressores est\u00e3o ligados a situa\u00e7\u00f5es de trabalho desgastantes, pode ocorrer a S\u00edndrome de Burnout ou S\u00edndrome do Esgotamento Profissional, dist\u00farbio ps\u00edquico registrado no grupo 24 do Cid-11 (Classifica\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica Internacional de Doen\u00e7as e Problemas Relacionados \u00e0 Sa\u00fade). Adiante foram relacionados sintomas para os quais devemos atentar.<\/p>\n<p>J\u00e1 foram feitos estudos com diversas classes de profissionais, principalmente aquelas cujas atividades exigem envolvimento\u00a0interpessoal direto e intenso: professores, enfermeiros, agentes penitenci\u00e1rios, religiosos etc. No entanto, ainda \u00e9 pequeno o n\u00famero de estudos com mission\u00e1rios, um grupo cujo trabalho re\u00fane in\u00fameras dificuldades, agravadas pelo fato de os obreiros transculturais viverem em locais isolados (na maior parte dos casos), sem o apoio necess\u00e1rio. O mission\u00e1rio frequentemente muda de terra e de cultura, deixando para tr\u00e1s amizades e estruturas sociais j\u00e1 estabelecidas. Al\u00e9m disso, muitas vezes vive em ambiente hostil, como \u00e1reas de conflito nas quais h\u00e1 at\u00e9 risco de vida. O presente estudo identifica fatores preponderantes que levam esse grupo ao estresse, bem como sugere algumas formas de reduzir o estresse entre os mission\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como parte do presente estudo, foi feita uma pesquisa de campo de 2016 a 2018 com oito cuidadores de mission\u00e1rios, a maioria brasileiros, em contextos transculturais. Por meio dela, identificaram-se quais s\u00e3o as queixas mais frequentes entre os mission\u00e1rios: falta de suporte financeiro apareceu em 62,5% dos relatos; falta de apoio da igreja, em 50% dos casos. Outros fatores apontados foram: dificuldade de relacionamento com a equipe, expectativas n\u00e3o atingidas e problemas de sa\u00fade. Com respeito a barreiras observadas na rela\u00e7\u00e3o cuidador-mission\u00e1rio, 62,5% dos cuidadores responderam que o medo de se abrir e, por consequ\u00eancia, perder o apoio era o principal obst\u00e1culo a ser trasposto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da investiga\u00e7\u00e3o de campo, pesquisa bibliogr\u00e1fica sobre o tema em \u00e2mbito nacional e internacional com registros dos \u00faltimos 30 anos identificou alguns estudos importantes. O realizado pela\u00a0<a href=\"https:\/\/missoesnacionais.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Junta de Miss\u00f5es Nacionais<\/a>\u00a0da Conven\u00e7\u00e3o Batista Brasileira em 2016, por exemplo, traz a percep\u00e7\u00e3o de 146 mission\u00e1rios sobre pontos de estresse no campo. A seguir est\u00e3o alguns dados desse estudo.<\/p>\n<ul>\n<li>Vida emocional foi considerado o fator que mais gera estresse no \u00e2mbito pessoal.<\/li>\n<li>Ainda no \u00e2mbito pessoal, ritmo de trabalho intenso foi citado por 47,5% dos participantes, e dificuldade em praticar exerc\u00edcios f\u00edsicos regularmente, por 65,2%.<\/li>\n<li>Na dimens\u00e3o financeira, controle e administra\u00e7\u00e3o dos recursos (or\u00e7amento pessoal ou familiar) apareceu em 55,6% das respostas.<\/li>\n<li>No aspecto familiar, tempo de qualidade com o c\u00f4njuge e os filhos foram os itens mais citados: 55,3 e 35,8% respectivamente.<\/li>\n<li>No \u00e2mbito do trabalho, relacionamento com a lideran\u00e7a local, denominacional ou equipe mission\u00e1ria foi apontado como fator de estresse em 40,9% das respostas.<\/li>\n<li>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ag\u00eancia mission\u00e1ria, o item sustento financeiro e benef\u00edcios (sal\u00e1rio, conv\u00eanio m\u00e9dico, aluguel, encargos sociais) foi citado em 40,9% dos casos.<\/li>\n<li>Quanto \u00e0 igreja enviadora, o t\u00f3pico mais apontado foi acompanhamento e pastoreio da fam\u00edlia, presente em 34,3% das respostas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Outro estudo \u2013 este realizado pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ministeriooasis.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Minist\u00e9rio O\u00e1sis<\/a>, um centro de aconselhamento crist\u00e3o \u2013 buscou identificar os principais motivos de os mission\u00e1rios procurarem tratamento psicol\u00f3gico. O artigo \u201cA luta com as crises diversas\u201d, de Bacheler, foi escrito a partir dos dados coletados (MEER, 2011, p. 145-161). A investiga\u00e7\u00e3o incluiu 118 mission\u00e1rios, e, nas respostas, as queixas principais eram conjugais (54%) e pessoais (27%); elas inclu\u00edam autoimagem negativa, s\u00edndrome do ninho vazio, questionamento do chamado ministerial, luto por morte de um membro da fam\u00edlia, problemas sexuais ou falta de perd\u00e3o. Em terceiro lugar apareceu crise ministerial (citada por 23% dos mission\u00e1rios), manifestada pelo desejo de mudan\u00e7a de minist\u00e9rio, de ag\u00eancia, de campo geogr\u00e1fico ou de fun\u00e7\u00e3o. No entanto, durante o processo de aconselhamento, o terapeuta identificou como causas mais frequentes para os transtornos os conflitos n\u00e3o resolvidos com a equipe e a lideran\u00e7a do trabalho.<\/p>\n<p>Mais abrangente, a investiga\u00e7\u00e3o conduzida pela organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.heartstreamresources.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Heartstream Resources<\/a>\u00a0e denominada \u201cPersonalidade, sintomas de estresse e fatores estressores na vida transcultural\u201d verificou os n\u00edveis de estresse em cada momento da carreira de um mission\u00e1rio. Foram avaliados 582 obreiros transculturais por aproximadamente 20 anos. Para pontuar os n\u00edveis de estresse, utilizou-se uma vers\u00e3o modificada da escala Holmes-Rahe, ferramenta muito difundida que verifica a probabilidade de um indiv\u00edduo adoecer por estresse levando em conta os acontecimentos que vivenciou nos \u00faltimos 12 meses. A lista original de eventos estressores padr\u00e3o foi modificada, adicionando-se eventos t\u00edpicos da vida transcultural (veja tabela no anexo a seguir). De acordo com o instrumento Holmes-Rahe, metade dos que se submetem ao teste e obt\u00e9m pontua\u00e7\u00e3o 200 seriam hospitalizados nos dois anos subsequentes; dentre aqueles que alcan\u00e7am 300 pontos, 90% seriam hospitalizados nos dois anos subsequentes. O resultado \u00e9 alarmante: a m\u00e9dia obtida junto aos mission\u00e1rios foi de 439,5 pontos. Os cinco primeiros anos da carreira s\u00e3o considerados como o per\u00edodo mais cr\u00edtico (541 pontos), que em geral coincide com a fase de candidatura, treinamentos diversos e aprendizado da l\u00edngua. O segundo pico foi observado no per\u00edodo de 16 a 20 anos de carreira (451 pontos), no qual frequentemente est\u00e3o presentes a s\u00edndrome do ninho vazio, a crise de meia idade e as necessidades dos pais idosos.<\/p>\n<p>Apesar desses relatos apontarem para n\u00edveis maiores de estresse no in\u00edcio da carreira e na fase tardia, dados mostram que esses per\u00edodos ainda s\u00e3o pouco priorizadas pelos cuidadores. Em 2017, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.amtb.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">AMTB \u2013Associa\u00e7\u00e3o de Miss\u00f5es Transculturais Brasileiras<\/a>\u00a0observou que, em um universo de 594 mission\u00e1rios entrevistados:<\/p>\n<ul>\n<li>11% deles foram enviados ao campo sem nenhum tipo de treinamento pr\u00e9vio;<\/li>\n<li>79% das organiza\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias n\u00e3o se envolvem com os custos de plano de sa\u00fade de seus obreiros;<\/li>\n<li>71% das organiza\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias n\u00e3o se envolvem com os custos com previd\u00eancia social de seus obreiros.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m disso, constatou-se que o \u00edndice de cuidados por parte dos enviadores durante o servi\u00e7o no campo \u00e9 grande (71%), contudo, h\u00e1 uma queda dr\u00e1stica quando o mission\u00e1rio regressa ao seu pa\u00eds ou cidade (26,3%). Sobre isso Antonia Leonora Van Der Meer, no livro\u00a0<em>Perspectivas do cuidado mission\u00e1rio<\/em>, alerta que o cuidado n\u00e3o termina quando o mission\u00e1rio fica doente ou volta para o pa\u00eds de origem. Ela lamenta o fato de que os mission\u00e1rios d\u00e3o suas vidas no campo e, quando voltam, est\u00e3o doentes ou mudam de campo, param de receber ofertas para sua sobreviv\u00eancia (MEER, 2011, p. 21).<\/p>\n<p>Outro grande projeto chamado ReMAP \u2013 Reducing Missionary Attrition Project [Projeto de Redu\u00e7\u00e3o do Retorno de Mission\u00e1rios] foi feito no per\u00edodo de 1992-1994 pela\u00a0<a href=\"https:\/\/weamc.global\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Comiss\u00e3o de Miss\u00f5es da World Evangelical Alliance (WEA)<\/a>\u00a0[Alian\u00e7a Evang\u00e9lica Mundial]. A pesquisa foi registrada no livro\u00a0<em>Valioso demais para que se perca: Um estudo das causas e curas do retorno prematuro de mission\u00e1rios<\/em>. Tinha como objetivo avaliar quantos mission\u00e1rios realmente estavam retornando para casa e por quais raz\u00f5es. Constatou-se que, em m\u00e9dia, 5,1% da for\u00e7a mission\u00e1ria abandona o campo por ano. Desses retornos, 70% eram por causas evit\u00e1veis (aposentadoria normal, morte, fuga por motivos pol\u00edticos) (TAYLOR, 1998, p. 108). No Brasil, no entanto, a taxa de retorno \u00e9 de 7% ao ano. As ag\u00eancias brasileiras mencionam os seguintes fatores como principais causas de retorno de mission\u00e1rios:<\/p>\n<ol>\n<li>Sustento financeiro<\/li>\n<li>Raz\u00f5es pessoais\n<ul>\n<li>Imaturidade espiritual<\/li>\n<li>Problemas de sa\u00fade<\/li>\n<li>Compromisso inadequado<\/li>\n<li>Chamado<\/li>\n<li>Vida imoral<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Ag\u00eancia enviadora (19% dos casos)\n<ul>\n<li>Falta de apoio<\/li>\n<li>Desentendimento<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>No ReMAP, solicitou-se que os l\u00edderes brasileiros de Miss\u00f5es listassem os tr\u00eas fatores que eles consideram mais importantes para minimizar o retorno prematuro de mission\u00e1rios. Foram citados: (1) chamado claro de Deus para obra mission\u00e1ria; (2) supervis\u00e3o \u2013 cuidado pastoral e apoio regulares; e (3) capacidade para manter uma vida espiritual sadia sem apoio externo. Em contrapartida, os tr\u00eas fatores considerados menos importantes foram: (1) contatos regulares com amigos \u2013 igreja de origem e parceiros de ora\u00e7\u00e3o; (2) promo\u00e7\u00e3o de treinamento apropriado regularmente; e (3) bom relacionamento com os supervisores e a miss\u00e3o. Com respeito a essas afirma\u00e7\u00f5es, Ted Limpic comenta:<\/p>\n<p><em>Encorajador ver que se reconhecem a import\u00e2ncia de supervis\u00e3o, cuidado pastoral e apoio regulares, por\u00e9m podemos detectar a tend\u00eancia das miss\u00f5es brasileiras de dar muita \u00eanfase no indiv\u00edduo: chamado pessoal, capacidade para manter uma vida espiritual sadia sem apoio externo e capacidade para ministrar sem contatos regulares com amigos, igreja de origem e parceiros de ora\u00e7\u00e3o. Surpreendeu-nos a descoberta de que nenhuma das ag\u00eancias mission\u00e1rias no Brasil com as melhores porcentagens de retorno citou \u201ccapacidade para manter uma vida espiritual sadia sem apoio externo\u201d como um dos fatores mais importantes para reduzir o retorno prematuro. Mas todas as ag\u00eancias com as piores porcentagens o fizeram!\u00a0<\/em>(TAYLOR, 1998, p. 139).<\/p>\n<h3>Como evitar o estresse na vida dos mission\u00e1rios?<\/h3>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o de sintomas do estresse \u00e9 o marco do limite emocional e f\u00edsico do corpo. Identific\u00e1-los \u00e9 fundamental para iniciar o processo de tentar aliviar a tens\u00e3o. A psic\u00f3loga Marilda Lipp afirma: \u201cO corpo fala\u201d. Devemos, ent\u00e3o, compreender a sua linguagem em vez de nos desesperarmos. Alguns desses sinais (falas) s\u00e3o: falha de mem\u00f3ria para coisas pequenas e corriqueiras, acordar cansado ap\u00f3s um bom per\u00edodo de sono, tens\u00e3o muscular excessiva, hiperacidez g\u00e1strica sem causa aparente, irritabilidade excessiva, ansiedade, vontade de sumir, sensa\u00e7\u00e3o de incompet\u00eancia e dist\u00farbios do sono (LIPP, 2013, p. 14).<\/p>\n<p>Podemos (ou melhor, devemos!) dividir a responsabilidade de evitar o estresse na vida do mission\u00e1rio entre o pr\u00f3prio obreiro transcultural e as institui\u00e7\u00f5es enviadoras. Cada mission\u00e1rio deve ser o principal respons\u00e1vel por sua sa\u00fade. O ap\u00f3stolo Paulo j\u00e1 aconselhava Tim\u00f3teo, seu cooperador no trabalho mission\u00e1rio: \u201cFique atento a seu modo de viver e a seus ensinamentos. Permane\u00e7a fiel ao que \u00e9 certo, e assim salvar\u00e1s a si mesmo e \u00e0queles que o ouvem\u201d (1Tm 4.16 \u2013 NVT). Cabe ao indiv\u00edduo cultivar uma boa sa\u00fade mental por meio de boa alimenta\u00e7\u00e3o, atividades f\u00edsicas, disciplinas espirituais, tempo de descanso, al\u00e9m de perceber suas necessidades individuais e buscar aux\u00edlio quando necess\u00e1rio. Kelly O\u2019Donnell, no livro\u00a0<em>Cuidado integral do mission\u00e1rio<\/em>, afirma que, no n\u00edvel mais alto do cuidado mission\u00e1rio, est\u00e1 o cuidado do Mestre. O relacionamento com Jesus, cultivado por disciplinas espirituais, proporciona, como diz a autora: \u201cCorrer com resist\u00eancia e entrar no seu descanso\u201d (baseado nos textos de Hebreus 12.1-2 e 4.9-11).<\/p>\n<p>Will Walls, no seu artigo \u201cLidando com o estresse e\u00a0<em>burnout<\/em>\u00a0no campo mission\u00e1rio\u201d (p. 2), afirma: \u201cA forma como um indiv\u00edduo avalia uma situa\u00e7\u00e3o determinar\u00e1 se \u00e9 estressante ou n\u00e3o\u201d. Em primeiro lugar, ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1ria a compreens\u00e3o correta do papel do mission\u00e1rio: ele \u00e9 cooperador na divulga\u00e7\u00e3o do evangelho, na Miss\u00e3o de Deus, n\u00e3o o respons\u00e1vel direto pelos resultados. A cobran\u00e7a por frutos vis\u00edveis por parte do pr\u00f3prio mission\u00e1rio ou do enviador pode gerar sentimento de frustra\u00e7\u00e3o, e devemos lembrar que a adapta\u00e7\u00e3o a uma nova cultura e o aprendizado da l\u00edngua levam tempo. A press\u00e3o pode ser vista com mais frequ\u00eancia no trabalho entre povos n\u00e3o alcan\u00e7ados, onde os resultados podem demorar ainda mais para serem percebidos.<\/p>\n<p>Cristo \u00e9 o maior exemplo de viver livre de estresse, afirma Charles Swindoll. Ainda havia milh\u00f5es de escravos no Imp\u00e9rio Romano, centenas de pessoas cegas, coxas e doentes que n\u00e3o haviam sido curadas, al\u00e9m de muitas regi\u00f5es onde ele n\u00e3o tinha sido ouvido (SWINDOW, 2002, p. 19). Mas, apesar das necessidades, o Salvador tinha consci\u00eancia de miss\u00e3o cumprida. Em Jo\u00e3o 17.4, lemos: \u201cEu te glorifiquei aqui na terra, completando a obra que me deste para realizar\u201d.<\/p>\n<p>Cabe aqui ressaltar o papel fundamental da igreja enviadora em todas as fases da carreira mission\u00e1ria.\u00a0 Ela deve ter o compromisso de avaliar se o mission\u00e1rio possui:<\/p>\n<ol>\n<li>Fundamento de f\u00e9 s\u00f3lido, que evite a desestrutura\u00e7\u00e3o face ao primeiro desafio que encontrar;<\/li>\n<li>Motiva\u00e7\u00e3o correta e um chamado genu\u00edno de Deus;<\/li>\n<li>Car\u00e1ter crist\u00e3o \u2013 ser obediente, fiel, estar pronto a servir e saber trabalhar em conjunto.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Aliado ao trabalho da igreja, s\u00e3o fundamentais a avalia\u00e7\u00e3o e o treinamento feitos pelas ag\u00eancias mission\u00e1rias. A avalia\u00e7\u00e3o pr\u00e9via ao envio para o campo tem por objetivos estabelecer o melhor tempo e condi\u00e7\u00f5es para a partida, a melhor \u00e1rea para se atuar, bem como o apoio que o candidato ir\u00e1 precisar no campo. Entrevistas, testes psicol\u00f3gicos, exames de sa\u00fade e outras ferramentas podem ajudam a tra\u00e7ar um perfil, e avaliar a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o do candidato, detectando poss\u00edveis quest\u00f5es que podem ser tratadas previamente \u00e0 partida. Marjory Foyle observou em uma pesquisa com 121 mission\u00e1rios que 54% deles queixaram-se de problemas que existiam muito antes de eles entrarem no processo de sele\u00e7\u00e3o. Somente um quarto dos que tinham problemas anteriores \u00e0 sua sele\u00e7\u00e3o tinham recebido algum tipo de ajuda, geralmente m\u00ednima (TAYLOR, 1998, p. 154).<\/p>\n<p>Conclu\u00edmos, portanto, que os fatores mais prevalentes em nossa pesquisa de campo foram compat\u00edveis com os dados encontrados no ReMAP. Em ambos, o principal fator estressor foi a falta de apoio financeiro, mostrando que a Igreja brasileira ainda investe pouco em Miss\u00f5es. Em segundo lugar, estavam as causas pessoais (expectativas n\u00e3o atingidas, problemas de sa\u00fade, falta de preparo, imaturidade espiritual, compromisso inadequado, chamado e vida imoral), tamb\u00e9m presentes na pesquisa feita pelo Minist\u00e9rio O\u00e1sis. A partir da\u00ed, entendemos a import\u00e2ncia de uma boa sele\u00e7\u00e3o e de um bom preparo, que deve incluir desenvolvimento do car\u00e1ter crist\u00e3o, conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a realidade do campo e solidifica\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o ministerial, n\u00e3o apenas elementos de conhecimento, como focam ainda alguns enviadores. Al\u00e9m disso, observa-se a necessidade de maior investimento em cuidado preventivo \u2013 fortalecimento da personalidade e espiritual \u2013, sem deixar de intervir nas crises. Atentando para esses fatores, consideramos que teremos mission\u00e1rios mais saud\u00e1veis e fortes para cumprirem a sua carreira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Lorraine Oliveira \u00e9 m\u00e9dica cardiologista. Esse artigo \u00e9 um resumo do Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) realizado pela autora para o <a href=\"http:\/\/www.servodecristo.org.br\/curso\/psm-postgraduate-studies-on-missiology-missoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">POS \u2013 Postgraduate Studies on Missiology (Miss\u00f5es)<\/a>\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.servodecristo.org.br\/\">Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Servo de Cristo<\/a>. Publicado originalmente no site do <a href=\"https:\/\/www.martureo.com.br\/\">Centro de Reflex\u00e3o Missiol\u00f3gica Martureo<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por medo de perder o apoio ou por vergonha, muitos adoecem e n\u00e3o buscam ajuda &nbsp; * Por Lorraine Oliveira &nbsp; O estresse faz parte da vida dos seres humanos. 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