{"id":618,"date":"2019-09-23T17:54:11","date_gmt":"2019-09-23T20:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/?p=618"},"modified":"2019-09-25T09:06:52","modified_gmt":"2019-09-25T12:06:52","slug":"o-jovem-cristao-na-visao-de-um-jovem-lider","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2019\/09\/23\/o-jovem-cristao-na-visao-de-um-jovem-lider\/","title":{"rendered":"O jovem crist\u00e3o na vis\u00e3o de um jovem l\u00edder"},"content":{"rendered":"<p><em>* Por D\u00e9lnia Bastos e Antonia Leonora van der Meer<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">[Vers\u00e3o ampliada]<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A se\u00e7\u00e3o Caminhos da Miss\u00e3o, da edi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/379\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">setembro\/outubro<\/a> de 2019 de\u00a0<b>Ultimato<\/b>,\u00a0 entrevistou Rodrigo Gomes, coordenador nacional do Movimento Vocare. Rodrigo tem 41 anos, \u00e9 casado e tem dois filhos. A fam\u00edlia mora no Rio de Janeiro. Abaixo voc\u00ea pode ler a vers\u00e3o expandida da entrevista publicada na revista.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-624\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2019\/09\/Caminhos_missao_379_IMG_7118-2-238x300.jpg\" alt=\"\" width=\"238\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2019\/09\/Caminhos_missao_379_IMG_7118-2-238x300.jpg 238w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2019\/09\/Caminhos_missao_379_IMG_7118-2.jpg 350w\" sizes=\"auto, (max-width: 238px) 100vw, 238px\" \/><\/p>\n<p><b>Rodrigo, voc\u00ea transita entre a gera\u00e7\u00e3o jovem e a adulta. Acredita que Jesus \u00e9 visto da mesma forma por elas?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, eu acho que existem diferen\u00e7as entre o jovem quando olha para Jesus e o adulto quando olha para Jesus. Isso tem muito a ver com a forma\u00e7\u00e3o e com o tipo de gera\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea v\u00ea o olhar da gera\u00e7\u00e3o mais adulta, dos mais idosos: quando olham para Jesus, eles veem um ser numa hierarquia, com muita rever\u00eancia, com muito temor, um ser onipotente, um ser que voc\u00ea tem que ter cuidado ao se referir a ele, que voc\u00ea precisa estar bem vestido diante dele. Quando voc\u00ea olha para a gera\u00e7\u00e3o mais jovem \u2013 at\u00e9 mesmo pela caracter\u00edstica dessa nova gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o lida muito bem com hierarquia, que se relaciona mais de uma maneira horizontal \u2013, ela olha para Jesus como um grande amigo, como algu\u00e9m que ama, acolhe, que se relaciona com ela; ela pode orar de olho aberto, pode conversar com Jesus usando g\u00edria, usando at\u00e9 um palavreado mais pesado, mas ela olha para Jesus. Isso n\u00e3o significa que esta gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha temor, que n\u00e3o reconhe\u00e7a o ser soberano que ele \u00e9 e que, por isso, exige de n\u00f3s rever\u00eancia. Como eu disse, ela olha para Jesus numa rela\u00e7\u00e3o mais horizontal, de algu\u00e9m que caminha ao lado dela, algu\u00e9m com quem ela pode abrir o cora\u00e7\u00e3o, chorar, reclamar, brigar. At\u00e9 mesmo por ser uma gera\u00e7\u00e3o mais mimada, que n\u00e3o est\u00e1 acostumada a lidar com crises, com problemas, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que olha para Jesus dessa forma horizontalizada. Isso \u00e9 bom, por um lado, e ruim, por outro, porque diminui a quest\u00e3o do temor. A gente banaliza, \u00e0s vezes, o relacionamento com Deus, o relacionamento com Jesus; este relacionamento tende a ser mais superficial porque reflete o relacionamento virtual que hoje \u00e9 caracter\u00edstico desta gera\u00e7\u00e3o. Por outro lado, esta gera\u00e7\u00e3o enxerga Jesus como um amigo presente. Repetindo, ela tem mais dessa maneira horizontal e n\u00e3o tanto vertical quanto a gera\u00e7\u00e3o anterior (e quanto a minha pr\u00f3pria gera\u00e7\u00e3o, que ainda tem muito disso). Eu vejo isso hoje na cria\u00e7\u00e3o do meu filho; quando a gente vai orar e ele est\u00e1 deitado, ele ora deitado e eu tenho a tend\u00eancia de ficar sentado ou orar de joelhos, pois fui ensinado assim. Para o meu filho, Jesus n\u00e3o vai ficar chateado se ele n\u00e3o ficar de joelhos; ele pode orar deitado, de olho aberto, usando o linguajar pr\u00f3prio dele e n\u00e3o h\u00e1 crise nenhuma com isso.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-620\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/2019\/09\/Caminhos_missao_379_IMG_7118-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" \/><\/p>\n<p><b>Como voc\u00ea v\u00ea o compromisso do jovem crist\u00e3o com Cristo? E com a igreja?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A resposta vai refletir um pouco do que falamos na primeira pergunta. Por ter essa vis\u00e3o mais horizontal, o relacionamento dessa gera\u00e7\u00e3o com Jesus vai refletir o relacionamento dele com o pr\u00f3ximo e com a igreja. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o conectada com o mundo, com milhares de seguidores nas redes sociais, mas, ao mesmo tempo, seus relacionamentos s\u00e3o superficiais. Uma vida virtual diferente da vida real. A tend\u00eancia \u00e9 uma espiritualidade mais rasa. Um relacionamento \u00edntimo com Deus, o estudo profundo da B\u00edblia e uma vida de ora\u00e7\u00e3o s\u00e3o verdadeiros desafios para a grande maioria. Nas igrejas, \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o movida por grandes eventos e grandes acontecimentos, em que a emo\u00e7\u00e3o faz parte desse relacionamento. Ela quer viver grandes aventuras, quer se emocionar, quer ser impactada, e a\u00ed, por isso, o discurso triunfalista tem um grande apelo. Como n\u00e3o reconhece muito mais a hierarquia verticalizada, ela fica \u00e0 procura de uma posi\u00e7\u00e3o em que se sinta relevante, busca desesperadamente por sentido, por significado. Ela quer se sentir parte de algo, quer se sentir importante, se sentir reconhecida; quer perceber que a presen\u00e7a e a a\u00e7\u00e3o dela fazem diferen\u00e7a naquele meio. Ela vai procurar uma igreja que a acolha, uma igreja em que possa participar ativamente das decis\u00f5es, possa falar e ser ouvida. Como n\u00e3o est\u00e1 muito acostumada a receber um \u201cn\u00e3o\u201d, a n\u00e3o ser contrariada, pode se magoar facilmente com a lideran\u00e7a. \u00c9 normal voc\u00ea ver um volume muito grande de jovens que v\u00e3o de igreja em igreja, sem criar v\u00ednculos, ou que est\u00e3o fora das igrejas e est\u00e3o envolvidos em eventos, em movimentos, mas n\u00e3o congregam, n\u00e3o est\u00e3o enraizados numa comunidade de f\u00e9. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o superficial com a igreja local. O contraponto desse cen\u00e1rio \u00e9 que vejo um ex\u00e9rcito de jovens que Deus tem levantado para transtornarem esse mundo \u2013 jovens que est\u00e3o indo na contram\u00e3o da sociedade, levando Deus a s\u00e9rio, buscando uma vida de ora\u00e7\u00e3o, de devo\u00e7\u00e3o e que querem mudar esse mundo com a sua voca\u00e7\u00e3o. Isso me d\u00e1 esperan\u00e7a e alegria. O VOCARE \u00e9 uma grande prova disso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como l\u00edder de miss\u00f5es, voc\u00ea tem experimentado espa\u00e7os abertos para a juventude se expressar?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu acho que sim. Olhando um pouco para a minha gera\u00e7\u00e3o, o contexto em que a gente cresceu era de muita luta para que os jovens se firmassem dentro das igrejas. Era comum aquele embate entre um pastor titular e a lideran\u00e7a dos jovens, de voc\u00ea lutar pelo culto jovem, de usar uma apresenta\u00e7\u00e3o no culto com cara mais jovem. O povo discutia o papel do jovem. Ali\u00e1s, ainda se faz muito isso hoje. Mas, convivendo principalmente em ambientes como o Vocare, a AMTB e tantos outros espa\u00e7os, a gente v\u00ea muitos movimentos de jovens relevantes que est\u00e3o fazendo diferen\u00e7a e que est\u00e3o encontrando espa\u00e7o para se expressar. Vejo com bons olhos este momento, porque acho que boa parte da antiga lideran\u00e7a tem investido significativamente para que uma nova gera\u00e7\u00e3o possa assumir, possa continuar o trabalho que foi come\u00e7ado l\u00e1 atr\u00e1s. Claro que ainda existe resist\u00eancia em \u201cpassar o bast\u00e3o\u201d de uma parte dessa lideran\u00e7a mais velha. Mesmo assim, vejo muito mais espa\u00e7o para o jovem, para ele crescer, poder desenvolver os dons e talentos dele do que via no passado. \u00c9 comum hoje em dia voc\u00ea ver igrejas com minist\u00e9rios de jovens que s\u00e3o exponenciais e que est\u00e3o na m\u00eddia e que acabam trazendo muita visibilidade para a igreja como um todo. Voc\u00ea n\u00e3o via isso no passado. Assim tamb\u00e9m dentro do movimento mission\u00e1rio brasileiro: h\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias hoje que t\u00eam na sua lideran\u00e7a jovens abaixo de 40 anos, movimentos de jovens expressivos como VOCARE, DUNAMIS, MOVIDA e tantos outros. Acredito que hoje o meio mission\u00e1rio e eclesi\u00e1stico est\u00e1 mais aberto a dar oportunidades para os jovens poderem trabalhar. \u00c9 claro que n\u00e3o estou falando na sua totalidade: principalmente quando voc\u00ea vai para regi\u00f5es mais do interior, aquela quest\u00e3o de uma sociedade mais patriarcal, de uma hierarquia mais bem definida, isso continua prevalecendo e o jovem ainda tem pouca voz. Mas nos grandes centros urbanos, nas grandes cidades voc\u00ea j\u00e1 v\u00ea um acesso do jovem a movimentos, a minist\u00e9rios, a ambientes em que ele possa crescer e desenvolver.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O Vocare parece estar contribuindo para a descoberta da voca\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o na miss\u00e3o de Deus da juventude de algumas de nossas igrejas&#8230;<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das coisas que precisa ficar bem clara \u00e9 que o Movimento VOCARE quer servir as igrejas locais com ferramentas que ajudem o jovem crist\u00e3o a entender e se conectar com a sua voca\u00e7\u00e3o. Acreditamos na import\u00e2ncia da comunidade de f\u00e9 na vida desses jovens para que eles desenvolvam as suas voca\u00e7\u00f5es de maneira saud\u00e1vel e efetiva. \u00c9 na igreja que ele vai crescer, \u00e9 na igreja que ele vai desenvolver seus dons, seus talentos. \u00c9 na igreja que ele vai ser discipulado e pastoreado, assim como discipular e pastorear outros. Nosso desejo \u00e9 trabalharmos juntos com a igreja, ajudando os jovens a descobrirem a sua voca\u00e7\u00e3o, a entenderem que Deus tem um prop\u00f3sito na vida de cada um deles e que esse prop\u00f3sito tem a ver com aquilo que Deus est\u00e1 fazendo no mundo. Cremos que, antes de fazerem diferen\u00e7a no mundo, eles precisam fazer diferen\u00e7a na sua comunidade. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Por D\u00e9lnia Bastos e Antonia Leonora van der Meer [Vers\u00e3o ampliada] &nbsp; A se\u00e7\u00e3o Caminhos da Miss\u00e3o, da edi\u00e7\u00e3o de setembro\/outubro de 2019 de\u00a0Ultimato,\u00a0 entrevistou Rodrigo Gomes, coordenador nacional do Movimento Vocare. Rodrigo tem 41 anos, \u00e9 casado e tem dois filhos. A fam\u00edlia mora no Rio de Janeiro. 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