{"id":538,"date":"2019-04-29T19:24:42","date_gmt":"2019-04-29T22:24:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/?p=538"},"modified":"2019-04-30T15:44:54","modified_gmt":"2019-04-30T18:44:54","slug":"a-profissao-para-a-missao-entrevista-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2019\/04\/29\/a-profissao-para-a-missao-entrevista-parte-1\/","title":{"rendered":"Entrevista (parte 1): A profiss\u00e3o para a miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Origin\u00e1rio do Mato Grosso do Sul, Matt Mattos (nome usado por seguran\u00e7a) \u00e9 mestre em zootecnia e trabalha com miss\u00f5es entre povos n\u00e3o-alcan\u00e7ados pelo mundo. Ele lidera a base americana da <\/em><a href=\"http:\/\/worldnationsusa.org\/\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/worldnationsusa.org\/&amp;source=gmail&amp;ust=1556653527930000&amp;usg=AFQjCNEcGfVSlRlO2KO-I1i1-O5ix80pag\"><em>World Nations<\/em><\/a><em>, da qual \u00e9 um dos fundadores. A miss\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 combater a fome e a pobreza por meio da agricultura sustent\u00e1vel, de projetos de desenvolvimento comunit\u00e1rio e do acesso \u00e0 sa\u00fade, sendo estas plataformas para abrir portas entre povos n\u00e3o alcan\u00e7ados. Conversamos com ele sobre chamado mission\u00e1rio, o campo transcultural e povos n\u00e3o alcan\u00e7ados e neg\u00f3cios em miss\u00f5es. Confira abaixo a primeira parte desta entrevista.<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-543 alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/Matt-Mattod-215x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"215\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/Matt-Mattod-215x300.jpeg 215w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/files\/Matt-Mattod.jpeg 597w\" sizes=\"auto, (max-width: 215px) 100vw, 215px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea percebeu que tinha um chamado?<\/strong><\/p>\n<p>Eu me converti quando tinha 14 anos, era de uma fam\u00edlia cat\u00f3lica n\u00e3o praticante, fiz catequese e tudo mais. Mas encontrei Deus atrav\u00e9s de Jesus, uma amiga de 13 anos compartilhou sobre o evangelho e era tudo o que eu estava procurando. Sempre senti aquele desejo de servir, quanto tinha 15 anos comecei a servir na minha igreja local, passando pratinho de oferta, limpando a igreja no s\u00e1bado, lavando os banheiros. Tive um tempo na universidade que foi bem dif\u00edcil, mas a\u00ed voltei quando estava no mestrado: <em>\u201cSenhor, n\u00e3o tem mais nada que eu posso fazer, n\u00e3o tem para onde eu correr, realmente s\u00f3 o Senhor tem as palavras de vida eterna e eu quero viver isso, mas n\u00e3o quero ser crente de banco, eu quero servir\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele ano, quando eu tinha 22 anos, come\u00e7ou um processo de transforma\u00e7\u00e3o muito grande no meu cora\u00e7\u00e3o de servir e realmente servir com a minha profiss\u00e3o. Sou formado em zootecnia, com mestrado na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o animal, produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Fui convidado numa confer\u00eancia mission\u00e1ria a usar a minha profiss\u00e3o para ajudar um projeto no exterior. Eu neguei de come\u00e7o. Achava uma loucura viajar para o exterior. Eu n\u00e3o tinha passaporte, nunca peguei d\u00f3lar na minha m\u00e3o. Recebi o convite em junho de 2011 e em novembro de 2011 eu estava num avi\u00e3o para viajar para alguns pa\u00edses do Sudeste da \u00c1sia e amar o povo de l\u00e1. Ali eu estava come\u00e7ando a assumir meu chamado transcultural, por causa da minha profiss\u00e3o. Deus sempre colocou no meu cora\u00e7\u00e3o que seria atrav\u00e9s da profiss\u00e3o que eu serviria \u00e0s pessoas, como um jovem profissional em miss\u00f5es. Quando eu percebi que tinha um chamado, ele veio acompanhando de uma convers\u00e3o. Se eu encontrei Jesus e ele \u00e9 t\u00e3o maravilhoso, transformou minha vida, esse testemunho \u00e9 t\u00e3o real que n\u00e3o tem como n\u00e3o responder <em>\u201csim, Senhor, quero compartilhar desse amor que encontrei em voc\u00ea com outras pessoas, ver pessoas sendo transformadas\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea identificou que era especificamente um chamado transcultural e para povos n\u00e3o alcan\u00e7ados?<\/strong><\/p>\n<p>Naquele per\u00edodo, na \u00e9poca do Natal de 2011, quando eu estava viajando por 30 dias pelo Sudeste da \u00c1sia, fui para v\u00e1rios pa\u00edses usar minha profiss\u00e3o para montar granja de frango, consultoria na \u00e1rea de gado de corte, produ\u00e7\u00e3o de animais. Lembro que o Senhor come\u00e7ou a me mostrar que eu poderia realmente usar o treinamento que eu tinha para montar plataformas que dariam acesso ao evangelho para pessoas que nunca tinham ouvido falar de Jesus. Lembro de uma noite, numa reuni\u00e3o com obreiros locais e mission\u00e1rios, uma das mission\u00e1rias falou: <em>\u201cN\u00f3s chamamos esse pa\u00eds como p\u00e9rola, porque estava fechado por tantos anos, e agora por meio dessa iniciativa de produ\u00e7\u00e3o de animais, projetos com agricultura, ele est\u00e1 se abrindo. Estamos vendo que o Senhor est\u00e1 nos dando em nossa m\u00e3o essa oportunidade de entrar nesse lugar, nessa p\u00e9rola perdida, p\u00e9rola de grande valor. \u00c9 como Jesus que, achando essa p\u00e9rola de grande valor, vendeu tudo o que tinha para compr\u00e1-la\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu lembro que ela falou que precis\u00e1vamos entregar a p\u00e9rola para ser colocada na coroa do Rei da Gl\u00f3ria. Aquilo foi como fogo que incendiou meu cora\u00e7\u00e3o. Eu fiquei t\u00e3o impactado que chorei na mesa. Voltei para o quarto naquela noite, me ajoelhei sozinho e falei: <em>\u201cSenhor, eu tenho tudo o que preciso. O Senhor me deu educa\u00e7\u00e3o, fam\u00edlia, e me encontrou l\u00e1 entre as malhadas onde moro, e esse povo nunca ouviu falar do Senhor. Eu n\u00e3o posso viver a minha vida apenas para mim mesmo. Eu preciso servi-lo e entregar essa p\u00e9rola para ser colocada na sua coroa\u201d.<\/em> E ali eu decidi e ouvi o chamado de trabalhar com povos n\u00e3o alcan\u00e7ados, povos que tem muito pouco acesso ao evangelho de Jesus Cristo, quase nenhuma presen\u00e7a de trabalhadores crist\u00e3os, n\u00e3o tem igrejas locais, ou s\u00e3o igrejas escondidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Primeiro eu mudei para um destes pa\u00edses, esperando abrir o projeto que n\u00e3o se abriu por muitos anos. Mas estamos servindo l\u00e1 desde ent\u00e3o. E o Senhor come\u00e7ou a me levar para v\u00e1rios outros pa\u00edses e lugares n\u00e3o alcan\u00e7ados, eu ia para vilas fechadas, no meio de florestas, muito rurais, muito ind\u00edgenas. E comecei a perceber que o Senhor estava me dando um chamado muito espec\u00edfico para povos n\u00e3o alcan\u00e7ados e, n\u00e3o s\u00f3 isso, como um chamado para ser mobilizador, uma voz entre aqueles que levantariam uma bandeira para mobilizar pessoas na nossa gera\u00e7\u00e3o, jovens profissionais com a miss\u00e3o de Deus no cora\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar povos n\u00e3o alcan\u00e7ados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquela viagem de 30 dias, muitas coisas estavam em jogo: eu estava terminando o mestrado, lembro que at\u00e9 abri m\u00e3o de me inscrever para o doutorado e continuar a carreira acad\u00eamica para ir nessa viagem. Eu sempre falo: n\u00e3o existe viagem mission\u00e1ria que n\u00e3o v\u00e1 lhe custar alguma coisa. Que n\u00e3o seja de alguma forma algum tipo de sacrif\u00edcio. E Deus sempre nos honra. Voltei t\u00e3o impactado, com meu cora\u00e7\u00e3o aprofundado em conhecer a transforma\u00e7\u00e3o que o evangelho pode causar na vida das pessoas em meio a lugares t\u00e3o assolados, e as pessoas est\u00e3o buscando mesmo, querendo encontrar a gra\u00e7a de um deus, procurando nesses falsos \u00eddolos e em coisas que n\u00e3o podem ajud\u00e1-las. Vivi aquele choque de voltar para a realidade e ver no Brasil a cada rua uma igreja evang\u00e9lica, e como h\u00e1 muita gente ainda ap\u00e1tica, n\u00e3o querendo receber. Isto pesou muito fundo no meu cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Foi o choque reverso do retorno do campo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea se preparou para voltar ao campo de vez?<\/strong><\/p>\n<p>Sentei com meu pastor e com o pessoal do conselho mission\u00e1rio da minha igreja e falei: <em>\u201cN\u00e3o vejo eu mesmo fazendo outra coisa. N\u00e3o tem como viver se eu n\u00e3o fizer isso, \u00e9 realmente para isso que eu fui chamado\u201d<\/em>. Meu pastor falou que me apoiava, mas que precisavam saber como isso iria acontecer, entender melhor o projeto. Para mim foi uma surpresa, porque a igreja estava reconhecendo meu chamado de uma forma muito surpreendente. Ela \u00e9 um grande testemunho de uma igreja que abra\u00e7ou a causa dos povos n\u00e3o alcan\u00e7ados junto comigo. S\u00e3o at\u00e9 hoje a principal parceira do projeto. E hoje em dia temos 84 pessoas envolvidas em tudo isso. Come\u00e7ou comigo indo como um jovem profissional solteiro para o campo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2012 fui fazer o treinamento de miss\u00f5es transculturais com a AME em S\u00e3o Paulo. Tr\u00eas meses de internato e imers\u00e3o na l\u00edngua e cultura do pa\u00eds para onde eu ia, antropologia cultural, teologia sistem\u00e1tica, vida do mission\u00e1rio, vida devocional. Foi uma base muito forte, e hoje eu tento replicar muito do que eu aprendi ali para todos os que veem em nossas viagens mission\u00e1rias. Tamb\u00e9m fiz imers\u00e3o em ingl\u00eas por dois meses nos Estados Unidos. E em dezembro de 2012 mudei para o campo. Foi desafiador. O choque cultural \u00e9 real, voc\u00ea tem de aprender como viver sem usar sua l\u00edngua, aprender a l\u00edngua do povo, tentar imitar o povo local, aprender tudo com eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Leia o restante da entrevista no dia 06\/05.\u00a0<\/em><em>Se quiser entrar em contato com Matt, mande um e-mail para matt@worldnationsusa.org.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Origin\u00e1rio do Mato Grosso do Sul, Matt Mattos (nome usado por seguran\u00e7a) \u00e9 mestre em zootecnia e trabalha com miss\u00f5es entre povos n\u00e3o-alcan\u00e7ados pelo mundo. Ele lidera a base americana da World Nations, da qual \u00e9 um dos fundadores. 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