{"id":49,"date":"2017-05-15T15:40:48","date_gmt":"2017-05-15T18:40:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/?p=49"},"modified":"2017-05-04T23:44:38","modified_gmt":"2017-05-05T02:44:38","slug":"deslocando-se-para-servir-deslocados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2017\/05\/15\/deslocando-se-para-servir-deslocados\/","title":{"rendered":"Deslocando-se para servir deslocados"},"content":{"rendered":"<p>Ir para o outro lado do mundo servir as pessoas j\u00e1 \u00e9 um chamado desafiador. Imagina s\u00f3 ir para servir pessoas que n\u00e3o s\u00e3o de l\u00e1, verdadeiras miss\u00f5es transculturais em todos os sentidos. Karis Andrea fez isto. Ela deixou o Brasil e foi trabalhar no Sudeste da \u00c1sia com refugiados e deslocados, especialmente as crian\u00e7as, gente que deixou sua na\u00e7\u00e3o por diversos motivos e busca abrigo em outro lugar.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre uma brasileira e refugiados na \u00c1sia pode parecer grande, mas a identidade de &#8220;deslocados&#8221; e, especialmente, o chamado fazem a ponte entre ambos para que o amor de Deus acolha essas pessoas. Karis Andrea compartilhou sobre seu trabalho com o blog Caminhos da Miss\u00e3o, confira a entrevista:<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o trabalho que voc\u00ea tem desenvolvido?<\/strong><br \/>\nTrabalho com pessoas sem localidade, pessoas deslocadas, especialmente pedindo ref\u00fagio para ONU por terem fugido de persegui\u00e7\u00e3o religiosa em seus pa\u00edses de origem. Fa\u00e7o acompanhamento pastoral para as fam\u00edlias e facilita\u00e7\u00e3o de programas informais de educa\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as sem acesso \u00e0 escola.<\/p>\n<p><strong>Por que ir para a \u00c1sia para trabalhar com refugiados?<\/strong><br \/>\nVim para \u00c1sia trabalhar com povos n\u00e3o alcan\u00e7ados servindo atrav\u00e9s de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Crian\u00e7a numa regi\u00e3o do mundo com um dos maiores n\u00fameros de crian\u00e7as v\u00edtimas de tr\u00e1fico humano. Depois de morar um ano aqui, conheci a situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as refugiadas. Foi quando eu estava orando a Deus se deveria permanecer mais um ano ou voltar ao Brasil, e percebi natural e claramente Deus me guiando para ficar. Sou apaixonada por povos n\u00e3o alcan\u00e7ados. Pelo desafio de compartilhar o Amor com quem ainda n\u00e3o ouviu. E, paralelo a isso, tenho a paix\u00e3o de servir \u00e0 igreja perseguida e crian\u00e7as que sofrem. Esses chamados primeiro foram respondidos atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o. Passei anos orando e nem pensava que viria at\u00e9 aqui. Mas graciosamente houve um tempo que o Pai me convidou a n\u00e3o apenas orar, como vir!<\/p>\n<p><strong>Quando voc\u00ea decidiu trabalhar com miss\u00f5es transculturais, voc\u00ea pensava no pa\u00eds ou j\u00e1 pensava no grupo (refugiados)?<\/strong><br \/>\nQuando decidi, eu sabia que era \u00c1sia e com pouco tempo de ora\u00e7\u00e3o e pesquisa entendi que era o Sudeste da \u00c1sia. Lugar que amo! E sempre soube que era com as crian\u00e7as. Mas tamb\u00e9m com os vulner\u00e1veis, os que sofrem, as mulheres e meninas. Sei que Deus guia a minha vida para esses grupos.<\/p>\n<p><strong>Quais as dificuldades mais constantes de trabalhar com este grupo?<\/strong><br \/>\nParticularmente \u00e9 um grande desafio trabalhar com refugiados. \u00c9 uma agenda de Deus para esse tempo da hist\u00f3ria. Por\u00e9m, h\u00e1 muita vulnerabilidade, eles est\u00e3o totalmente desprovidos, falando uma nova l\u00edngua, em um novo pa\u00eds. Muito carentes de afeto e de quem se importe com eles, quem os acolha e atue com &#8220;advocacy&#8221; defendendo a causa deles.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea vivenciou ou presenciou alguma hist\u00f3ria que te fez encher de esperan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nSim!! \u00c9 um trabalho dif\u00edcil, mas h\u00e1 muita esperan\u00e7a, que o pr\u00f3prio Deus planta. Eles s\u00e3o cheios de f\u00e9 e esperan\u00e7a no meio de tanto desespero! Uma adolescente congolesa de 17 anos de idade chegou aqui s\u00f3 falando franc\u00eas e fez um curso de ingl\u00eas com a ONU. Logo depois, foi estudar numa escola do governo onde apenas falavam thai. Durante tr\u00eas meses ela n\u00e3o sabia nada, nem sequer como perguntar onde era o banheiro. Durante seis meses ela n\u00e3o entendia nada do que os professores ou colegas falavam, e durante um ano ela n\u00e3o podia escrever ou ler thai. Mas no segundo ano, ela j\u00e1 era apta e hoje \u00e9 fluente em tailand\u00eas, uma das l\u00ednguas mais dif\u00edceis do mundo, assim como fluente em ingl\u00eas. Ela e a fam\u00edlia tem uma resili\u00eancia e f\u00e9 que poucas vezes vi. Neste momento, essa mocinha est\u00e1 dando aula de ingl\u00eas por Skype para amigos meus (no Brasil &#8211; uma maneira de contribuir financeiramente com ela) e me ensina tailand\u00eas informalmente tamb\u00e9m. J\u00e1 vivenciei milagres de Deus abrir portas para uma outra fam\u00edlia congolesa ir embora quando a m\u00e3e estava prestes a morrer, muito doente. Foi um milagre de Deus. Tenho hist\u00f3rias bonitas no meu cora\u00e7\u00e3o que nos enchem de esperan\u00e7a, de resili\u00eancia para essas pessoas, essas crian\u00e7as! O nome do nosso projeto \u00e9 &#8220;Gra\u00e7a na Vulnerabilidade&#8221;. H\u00e1 muita gra\u00e7a na vulnerabilidade!!<\/p>\n<p><strong>Quais as maiores necessidades desse grupo?<\/strong><br \/>\nEles n\u00e3o podem trabalhar aqui no pa\u00eds, s\u00e3o ilegais. N\u00e3o tem dinheiro para pagar aluguel, vivem de total doa\u00e7\u00e3o, incluindo alimentos. Algumas crian\u00e7as conseguem ir para a escola ou ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mas a maioria n\u00e3o. Temos pessoas presas no Centro de Deten\u00e7\u00e3o dos Imigrantes. Eles s\u00e3o inclusive crist\u00e3os e l\u00edderes das igrejas crist\u00e3s nos pa\u00edses de origem. Uma situa\u00e7\u00e3o muito pesada, muito triste. Eles n\u00e3o est\u00e3o numa fase de readapta\u00e7\u00e3o da vida, est\u00e3o numa fase de transi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m sem saber quanto tempo e se a outra fase chegar\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Ser estrangeira a\u00ed te ajuda a conectar com os refugiados de alguma forma?<\/strong><br \/>\nSim, ser estrangeira, ter vivido alguns sentimentos comuns a quem est\u00e1 fora de sua p\u00e1tria, onde facilmente tudo \u00e9 estranho, diferente, inclusive ter que falar outra l\u00edngua que n\u00e3o \u00e9 a minha, assim como eles, contribui para a conex\u00e3o, empatia, para que eu saiba um pouquinho o que sentem e para que eles tenham confian\u00e7a em mim. N\u00e3o \u00e9 o principal, acredito que uma pessoa nacional (nativa), assim como os estrangeiros que n\u00e3o passam em grande escala o desafio da vida fora, possam se conectar bem com eles tamb\u00e9m, pois o chamado de Deus \u00e9 que deve ser o primeiro propulsor para essa conex\u00e3o. Mas minha hist\u00f3ria de &#8220;displaced person&#8221; (&#8220;pessoa deslocada&#8221;, em ingl\u00eas) ajuda, sim, na conex\u00e3o com essas outras &#8220;displaced persons&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea se conecta com eles?<\/strong><br \/>\nVisito suas casas, como com eles suas comidas (preparadas por eles quando vou visit\u00e1-los), visito o pres\u00eddio toda semana, oferecemos estudo b\u00edblico, ora\u00e7\u00e3o, aconselhamento. Abra\u00e7o, sorrio, ou\u00e7o com aten\u00e7\u00e3o. Frequentamos a igreja juntos, apresento meus amigos e \u00e0s vezes levo amigos em suas casas (com autoriza\u00e7\u00e3o) para que possam ter novos amigos, falar de outras hist\u00f3rias, ver que tem gente que se importa com eles. Eles usam internet e comunicamos por aplicativos e redes sociais para falar tamb\u00e9m durante os outros dias da semana. A igreja oferece alguns passeios e doa\u00e7\u00f5es, tivemos uma oficina de m\u00fasica para as crian\u00e7as. No Natal, oferecemos um almo\u00e7o com comida boa, fruto de ofertas do Brasil!<\/p>\n<p><strong>Quais as maiores necessidades de ora\u00e7\u00e3o que voc\u00ea e o grupo com o qual voc\u00ea trabalha t\u00eam?<\/strong><br \/>\nOra\u00e7\u00e3o por gra\u00e7a, sabedoria, resili\u00eancia. Que eles se sintam amados e percebam o valor que t\u00eam. Por suprimentos atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es e oportunidades para que eles estudem e produzam algo do seu pr\u00f3prio trabalho (informal, como por exemplo cozinhar comida de seus pa\u00edses para vender) para que se sintam \u00fateis, produtivos, e que Deus abra as portas para que consigam o que precisam especialmente para pagar o aluguel. Para que cada pessoa possa sentir paz, amor e cuidado de Deus apesar da situa\u00e7\u00e3o in\u00f3spita que passa neste momento. E para que Deus use nossa vida como mensageiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ir para o outro lado do mundo servir as pessoas j\u00e1 \u00e9 um chamado desafiador. Imagina s\u00f3 ir para servir pessoas que n\u00e3o s\u00e3o de l\u00e1, verdadeiras miss\u00f5es transculturais em todos os sentidos. Karis Andrea fez isto. 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