{"id":434,"date":"2018-12-03T12:00:42","date_gmt":"2018-12-03T14:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/?p=434"},"modified":"2018-11-29T16:57:50","modified_gmt":"2018-11-29T18:57:50","slug":"analise-global-de-lausanne-nos-tambem-fomos-estrangeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/2018\/12\/03\/analise-global-de-lausanne-nos-tambem-fomos-estrangeiros\/","title":{"rendered":"An\u00e1lise Global de Lausanne: N\u00f3s tamb\u00e9m fomos estrangeiros"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Texto originalmente publicado por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros\">An\u00e1lise Global de Lausanne<\/a>.\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>Reproduzido com permiss\u00e3o.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por Cindy M. Wu*<\/em><\/strong><\/p>\n<div class=\"\">\n<div id=\"wpcf-field-first_paragraph\" class=\"wpcf-field-wysiwyg wpcf-field-first_paragraph\">\n<div class=\"wpcf-field-value wpcf-field-wysiwyg-value wpcf-field-first_paragraph-value\">\n<div class=\"pf-content\">\n<p class=\"initialcap\">A minha amiga Abeer \u00e9 uma ex-refugiada do Iraque. Uma crist\u00e3 ortodoxa, a Abeer fugiu do Estado Isl\u00e2mico, temendo pela sua seguran\u00e7a pessoal enquanto igrejas na sua vizinhan\u00e7a eram queimadas. A sua fam\u00edlia se reinstalou nos Estados Unidos. Foi a\u00ed que nos conhecemos atrav\u00e9s de um programa de amizade com refugiados. Os nossos filhos tornaram-se amigos imediatamente.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"initialcap\">\n<div class=\"pf-content\">\n<p>No Iraque, Abeer era cientista e o marido engenheiro, mas aqui, em Houston, Texas, contentam-se com qualquer trabalho pago \u00e0 hora para sustentar os seus filhos e lhes dar uma vida que j\u00e1 n\u00e3o podem almejar para si pr\u00f3prios. Eles juntam-se \u00e0s dezenas de milh\u00f5es como eles que deixaram para tr\u00e1s casa, sustento, e a vida como a conheciam na esperan\u00e7a de um novo come\u00e7o. A hist\u00f3ria da Abeer \u00e9 mais comum do que gostar\u00edamos de imaginar.<\/p>\n<div class=\"stats-right\">\n<h2>Um problema global sem precedentes<\/h2>\n<p>De acordo com o\u00a0<em>Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (ACNUR)<\/em>, vivemos um momento em que mais de 28.000 pessoas s\u00e3o deslocadas \u00e0 for\u00e7a todos os dias. Mais de 65 milh\u00f5es de pessoas \u2014 o equivalente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do Reino Unido \u2014 fugiram de suas casas.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o destes (22 milh\u00f5es) classifica-se como \u00abrefugiado\u00bb uma pessoa fora do seu pa\u00eds de origem que \u00abreceando com raz\u00e3o ser perseguida em virtude da sua ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade, filia\u00e7\u00e3o em certo grupo social ou das suas opini\u00f5es pol\u00edticas, se encontre fora do pa\u00eds de que tem a nacionalidade e n\u00e3o possa ou, em virtude daquele receio, n\u00e3o queira pedir a prote\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds\u00bb.<sup><a id=\"post-129541-endnote-ref-1\" href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-1\">[1]<\/a><\/sup>\u00a0Esta crise de refugiados \u00e9 a pior crise humanit\u00e1ria desde a II Guerra Mundial, ultrapassando o que foi na altura a maior desloca\u00e7\u00e3o humana em massa na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A maioria dos refugiados s\u00e3o mulheres e crian\u00e7as, metade com menos de 18 anos. Milh\u00f5es de refugiados vivem em situa\u00e7\u00f5es de desloca\u00e7\u00e3o prolongada, esperando d\u00e9cadas por uma resolu\u00e7\u00e3o. Um quarto dos refugiados de hoje s\u00e3o s\u00edrios, com metade da sua popula\u00e7\u00e3o pr\u00e9-guerra morta ou deslocada \u00e0 for\u00e7a nos \u00faltimos seis anos.<sup><a id=\"post-129541-endnote-ref-2\" href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-2\">[2]<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Muitas pessoas se questionam sobre as causas deste surto de migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada. Guerra e conflito \u2014 especialmente guerras de longa dura\u00e7\u00e3o \u2014 s\u00e3o as causas principais, mas existem outros fatores:<\/p>\n<ul>\n<li>Confrontados com priva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, os trabalhadores mudam-se em busca de oportunidades.<\/li>\n<li>Desastres naturais e degrada\u00e7\u00e3o ambiental podem levar a desloca\u00e7\u00e3o em larga escala, especialmente quando exacerbados por tens\u00f5es pol\u00edticas.<\/li>\n<li>A persegui\u00e7\u00e3o expulsa as pessoas da sua terra-natal, que partem em busca de seguran\u00e7a e liberdade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No nosso mundo interligado, n\u00e3o s\u00f3 temos mais conhecimento sobre estas situa\u00e7\u00f5es, como tamb\u00e9m somos mais diretamente afetados por elas. Perante este fen\u00f3meno global, como devem os crist\u00e3os responder?<\/p>\n<h2>Caridade e hospitalidade<\/h2>\n<p>A B\u00edblia ordena caridade e hospitalidade ao estranho residente ou viajante, bem como cuidado pelos abatidos e oprimidos. Como consequ\u00eancia, pessoas que seguem Jesus e levam a sua Palavra a s\u00e9rio t\u00eam um mandato especial para responder \u00e0 crise de refugiados. No entanto, as complexidades do sistema de refugiados e a preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a nacional muitas vezes suplantam o apelo \u00e0 justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia. De facto, os crist\u00e3os contam-se entre aqueles que pedem aos seus pa\u00edses para fechar as portas aos imigrantes.<\/p>\n<div class=\"pullquote-right\">\n<p>Em nenhum lugar \u00e9 talvez isto mais ir\u00f4nico do que nos Estados Unidos, que h\u00e1 muito tempo se orgulha da sua identidade como uma terra fundada por refugiados \u00e0 procura de liberdade religiosa. Como a \u00abterra dos livres e lar dos bravos\u00bb, reinstalamos mais refugiados todos os anos do que qualquer outro pa\u00eds. O nosso \u00edcone nacional, a Est\u00e1tua da Liberdade, tem uma inscri\u00e7\u00e3o de boas-vindas no seu pedestal:<\/p>\n<blockquote><p>Dai-me os vossos fatigados, os vossos pobres,<br \/>\nAs vossas massas amontoadas que anseiam por respirar em liberdade,<br \/>\nO refugo infeliz da vossa costa apinhada.<br \/>\nEnviai-me esses sem-abrigo assolados pela tormenta,<br \/>\nEu ergo o meu farol junto ao portal dourado.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar disso, o debate acerca da imigra\u00e7\u00e3o nos EUA continua aceso sobre imigrantes sem documentos, refugiados e mu\u00e7ulmanos, com o nosso presidente a implementar restri\u00e7\u00f5es de viagem e a estabelecer um limite historicamente baixo de admiss\u00e3o de refugiados para o ano fiscal de 2018. No meio desta tempestade, os crist\u00e3os americanos encontram-se pol\u00edtica e eticamente divididos sobre este assunto controverso.<\/p>\n<div class=\"pullimage-right\">\n<p class=\"photo\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/www.lausanne.org\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/statue-of-liberty.jpg\" alt=\"\" width=\"auto\" height=\"500\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Independentemente da sua opini\u00e3o sobre imigra\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os deviam reconhecer que t\u00eam um papel naquela que \u00e9 a principal quest\u00e3o humanit\u00e1ria do nosso tempo. Por onde come\u00e7amos? Eu sugiro que comecemos com a nossa imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Formando a nossa imagina\u00e7\u00e3o sobre o estrangeiro<\/h2>\n<p>Quando ouvimos a palavra \u00abrefugiado\u00bb, que imagens nos v\u00eam \u00e0 mente? A de uma mulher molhada vestida de hijabe a arrastar-se at\u00e9 \u00e0 costa? Uma crian\u00e7a coberta de poeira numa velha tenda no deserto? Ou um cientista que desenvolveu a teoria da relatividade? Um artista premiado? Um filantropo?<\/p>\n<p>A nossa imagem mental dos refugiados afeta a nossa atitude para com eles. Desde o primeiro esfor\u00e7o internacional para resolver a crise de refugiados do in\u00edcio do s\u00e9culo XX que cidad\u00e3os expressam preocupa\u00e7\u00e3o acerca do impacto dos imigrantes na cultura e economia local; refugiados s\u00e3o estrangeiros, que muitas vezes n\u00e3o falam a l\u00edngua local nem conhecem costumes e pr\u00e1ticas locais. Nos \u00faltimos anos, a seguran\u00e7a nacional tem sido a coisa mais importante quando se pesa a compaix\u00e3o pelas pessoas mais vulner\u00e1veis do mundo contra a prote\u00e7\u00e3o daqueles que nos s\u00e3o queridos, fazendo a reinstala\u00e7\u00e3o parecer arriscada, at\u00e9 insensata, para alguns. A acelera\u00e7\u00e3o de tecnologias de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a e infiltra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o tornam tudo mais amea\u00e7ador.<\/p>\n<h2>Informando biblicamente a nossa imagina\u00e7\u00e3o sobre o estrangeiro<\/h2>\n<p>Apesar de a nossa natureza humana nos fazer desconfiar de estrangeiro, h\u00e1 momentos em que Deus nos chama para, em vez disso, os acolhermos. Para fazer isso, temos de permitir que Deus molde a nossa imagina\u00e7\u00e3o de quem o estrangeiro \u00e9, especialmente uma vez que \u00abreceber o estrangeiro\u00bb \u00e9 um dos mandamentos mais frequentemente repetidos nas Escrituras hebraicas.<\/p>\n<p>Os estrangeiros entre os israelitas deviam ser tratados com igualdade, como se fossem nativos (N\u00fam. 15:15-16). Israel recebia convidados estrangeiros e era esperado que protegesse, servisse, amasse e cuidasse deles (Lev. 19:34, Deut. 26:12, Eze. 47: 21-23). Deus decretou que os estrangeiros tinham direito ao seu amor e preocupa\u00e7\u00e3o, por isso cuidar de refugiados hoje n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de compaix\u00e3o ou pena \u2014 \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Muitos refugiados s\u00e3o crist\u00e3os sendo perseguidos pela sua f\u00e9, fazendo deles nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor, e portanto membros da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Muitos refugiados s\u00e3o crist\u00e3os sendo perseguidos pela sua f\u00e9, fazendo deles nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor, e portanto membros da fam\u00edlia. Quando estes refugiados v\u00eam, eles mudam a paisagem, n\u00e3o s\u00f3 das nossas na\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m das nossas igrejas. De formas significativas, as igrejas est\u00e3o sendo revitalizadas pelos refugiados.<sup><a id=\"post-129541-endnote-ref-3\" href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-3\">[3]<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Cada crist\u00e3o, al\u00e9m de pertencer \u00e0 fam\u00edlia global crist\u00e3, tamb\u00e9m pertence a outra fam\u00edlia \u2014 a fam\u00edlia global humana.<sup><a id=\"post-129541-endnote-ref-4\" href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-4\">[4]<\/a><\/sup>\u00a0Com mais de 7 bilh\u00f5es de pessoas no globo hoje, temos de nos lembrar que todos pertencemos \u00e0 mesma fam\u00edlia humana. Esta perspetiva humaniza os refugiados, lembrando-nos de que eles s\u00e3o mais do que estat\u00edsticas \u2014 s\u00e3o pessoas feitas \u00e0 imagem de Deus, merecedoras da nossa compaix\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Voc\u00eas foram estrangeiros<\/h2>\n<p>Finalmente, talvez o argumento mais convincente para cuidar de refugiados seja que, como eles, n\u00f3s somos estrangeiros. Desde o patriarca Abra\u00e3o a Jesus e os seus disc\u00edpulos, \u00e0 igreja global, a met\u00e1fora do estrangeiro est\u00e1 profundamente enraizada na nossa hist\u00f3ria e teologia, e portanto, na nossa pr\u00f3pria identidade:<\/p>\n<div class=\"pullimage-right\">\n<p class=\"photo\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/www.lausanne.org\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/tissot_the_caravan_of_abraham.jpg\" alt=\"\" width=\"auto\" height=\"500\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p>Finalmente, talvez o argumento mais convincente para cuidar de refugiados seja que, como eles, n\u00f3s somos estrangeiros. Desde o patriarca Abra\u00e3o a Jesus e os seus disc\u00edpulos, \u00e0 igreja global, a met\u00e1fora do estrangeiro est\u00e1 profundamente enraizada na nossa hist\u00f3ria e teologia, e portanto, na nossa pr\u00f3pria identidade:<\/p>\n<ul>\n<li>Deus escolheu aben\u00e7oar Abra\u00e3o tornando-o estrangeiro, n\u00e3o como castigo mas como parte do seu plano para a salva\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es (Atos 7:6).<\/li>\n<li>Antes de Cristo, as na\u00e7\u00f5es estavam separadas de Cristo (Ef. 2:12), mas depois Deus adotou-nos na sua fam\u00edlia atrav\u00e9s de Jesus Cristo, e j\u00e1 n\u00e3o somos \u00abestrangeiros nem visitantes\u00bb (Ef. 2:14, 2:19).<\/li>\n<\/ul>\n<p>O tema do estrangeiro tamb\u00e9m descreve a nossa rela\u00e7\u00e3o com o nosso lar celestial. Como refugiados, todos os que est\u00e3o em Cristo s\u00e3o considerados estrangeiros, viajantes e peregrinos na Terra (1 Cr\u00f3n. 29:15, Heb. 11, 1 Pe. 1:17). Contudo, como estrangeiros e exilados n\u00e3o andamos sem dire\u00e7\u00e3o; estamos s\u00f3 \u00e0 espera de um pa\u00eds melhor \u2014 um pa\u00eds celestial (Heb. 11:16); e por isso fixamos os olhos no c\u00e9u, onde reside a verdadeira cidadania: \u00abN\u00f3s, por\u00e9m, somos cidad\u00e3os do c\u00e9u e de l\u00e1 esperamos que venha o nosso Salvador, o Senhor Jesus Cristo.\u00bb (Fil. 3:20). Em algumas formas, conseguimos identificar-nos com refugiados porque n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o temos um lar permanente nesta vida. Estamos em uma jornada partilhada, iguais aos olhos do Senhor, inteiramente dependentes da sua gra\u00e7a.<\/p>\n<h2>A resposta da igreja com uma mentalidade global<\/h2>\n<p>Tendo em conta a magnitude da crise de refugiados, as igrejas de todo o mundo precisam de saber como lidar com trauma e identidade numa sociedade cada vez mais globalizada. Crist\u00e3os com uma mentalidade global devem abra\u00e7ar uma identidade global combinada com uma doutrina de hospitalidade. Esta perspetiva deve informar a forma como vemos as pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o do governo, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a refugiados.<\/p>\n<p>O termo \u00abrefugiado\u00bb tem sido aplicado genericamente a v\u00e1rios tipos de migrantes afetados por qualquer fator negativo, seja econ\u00f3mico ou ambiental. Contudo, ao discutir o fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o global, o termo refere-se especificamente a pessoas que fogem da guerra ou persegui\u00e7\u00e3o e que podem provar o perigo de voltar ou ficar na sua terra, como vimos acima.<\/p>\n<p>Os refugiados s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis, porque n\u00e3o saem por escolha; uma vez fora das fronteiras do seu pa\u00eds, perdem qualquer prote\u00e7\u00e3o de cidadania que tinham e est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea (e com direito \u00e0 assist\u00eancia) do regime de prote\u00e7\u00e3o internacional. Embora a hospitalidade b\u00edblica n\u00e3o precise de distinguir entre pessoas, os refugiados apresentam um caso particularmente convincente para hospitalidade e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>Quando conseguimos usar a nossa imagina\u00e7\u00e3o b\u00edblica para ver os refugiados, percebemos que muitas vezes deix\u00e1mos o patriotismo e o medo sobrep\u00f4r-se \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 a\u00e7\u00e3o, e acreditamos que experimentamos Deus atrav\u00e9s da hospitalidade a estrangeiros. Esta realidade espiritual desafia-nos a ver refugiados n\u00e3o como um fardo, mas como um atributo valioso para as nossas comunidades, e a ver quest\u00f5es de imigra\u00e7\u00e3o como quest\u00f5es morais, n\u00e3o apenas econ\u00f3micas e pol\u00edticas. O professor de semin\u00e1rio Christine Pohl escreve:<\/p>\n<blockquote><p>O acolhimento de refugiados \u00e9 um dos poucos lugares em pol\u00edtica moderna onde a linguagem expl\u00edcita de hospitalidade ainda \u00e9 usada. As pessoas ainda associam no\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas de santu\u00e1rio, cidades de ref\u00fagio, e cuidado pelo estranho com as necessidades das pessoas deslocadas de hoje. Os crist\u00e3os t\u00eam um papel vital em garantir que as necessidades dos refugiados s\u00e3o levadas a s\u00e9rio pelos governos nacionais. Mas a nossa resposta tem de se estender para al\u00e9m das pol\u00edticas p\u00fablicas para um envolvimento mais pessoal em ag\u00eancias de volunt\u00e1rios, comunidades, igrejas e casas onde atos de acolhimento oferecem ref\u00fagio e uma nova vida a algumas das pessoas mais vulner\u00e1veis do mundo.<sup><a id=\"post-129541-endnote-ref-5\" href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-5\">[5]<\/a><\/sup><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"pullquote-right\">\n<div class=\"initialcap\">\n<div class=\"pf-content\">\n<p>Podemos acolher atrav\u00e9s da t\u00edpica hospitalidade de refei\u00e7\u00f5es e comunh\u00e3o, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s da defesa de direitos e educa\u00e7\u00e3o. Muito do medo \u00e0 volta da crise de refugiados \u00e9 baseado em informa\u00e7\u00f5es erradas. Quando as igrejas est\u00e3o informadas, t\u00eam oportunidade de dissipar medos e empoderar as suas comunidades para se envolverem.<\/p>\n<p>Os refugiados s\u00e3o perseguidos por causa da sua ra\u00e7a, religi\u00e3o, nacionalidade e afilia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou social. Que n\u00f3s que seguimos Cristo possamos acolher refugiados sem olhar a essas categorias. Temos uma oportunidade tremenda de partilhar o amor de Deus e a luz de Cristo com pessoas de terras distantes que de outra forma poderiam n\u00e3o receber desse minist\u00e9rio. O sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel louvou os \u00abgentios justos\u00bb que arriscaram as suas vidas para proteger refugiados judeus. Para os crist\u00e3os, andar com pessoas desenraizadas no processo de restaurarem as suas vidas \u00e9 um ato vic\u00e1rio de gra\u00e7a, uma vez que tamb\u00e9m n\u00f3s, uma vez, fomos estrangeiros.<\/p>\n<div class=\"endnote\">\n<h3>Notas de fim<\/h3>\n<ol>\n<li id=\"post-129541-endnote-1\">Defini\u00e7\u00e3o oficial do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados; por exemplo, ver\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unhcr.org\/afr\/publications\/brochures\/3b779dfe2\/protecting-refugees-questions-answers.html\">http:\/\/www.unhcr.org\/afr\/publications\/brochures\/3b779dfe2\/protecting-refugees-questions-answers.html<\/a>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-ref-1\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-129541-endnote-2\"><em>Ver artigo intitulado \u2018The Refugee and the Body of Christ\u2019, de Arthur Brown, na edi\u00e7\u00e3o de setembro de 2016 da An\u00e1lise Global de Lausanne<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lausanne.org\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2016-09\/the-refugee-and-the-body-of-christ\">https:\/\/www.lausanne.org\/content\/lga\/2016-09\/the-refugee-and-the-body-of-christ<\/a>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-ref-2\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-129541-endnote-3\">Ver o artigo intitulado \u2018Is God Reviving Europe Through Refugees?\u2019 (Ser\u00e1 que Deus est\u00e1 renovando a Europa atrav\u00e9s dos refugiados?) de Sam George, na edi\u00e7\u00e3o de maio de 2017 da An\u00e1lise Global de Lausanne.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2017-05-pt-br\/sera-que-deus-esta-renovando-a-europa-atraves-dos-refugiados\">https:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2017-05-pt-br\/sera-que-deus-esta-renovando-a-europa-atraves-dos-refugiados<\/a>.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-ref-3\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-129541-endnote-4\">Para reflex\u00e3o sobre identidade global, ver Todd M. Johnson e Cindy M. Wu,\u00a0<em>Our Global Families: Christians Embracing Common Identity in a Changing World\u00a0<\/em>(Grand Rapids: Baker Academic, 2015).\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-ref-4\">\u2191<\/a><\/li>\n<li id=\"post-129541-endnote-5\">Christine Pohl,\u00a0<em>Making Room: Recovering Hospitality as a Christian Tradition<\/em>\u00a0(Grand Rapids: Eerdmans, 1999), 166.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lausanne.org\/pt-br\/recursos-multimidia-pt-br\/agl-pt-br\/2018-05-pt-br\/nos-tambem-fomos-estrangeiros#post-129541-endnote-ref-5\">\u2191<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"bio\">\n<p><em>*Cindy M. Wu \u00e9 esposa e m\u00e3e educadora de ensino domiciliar residente em Houston, Texas. \u00c9 co-autora do livro Our Global Families: Christians Embracing Common Identity in a Changing World (Baker Academic, 2015) com Todd M. Johnson, e autora de A Better Country: Embracing the Refugees in Our Midst (William Carey Library Publishers, June 2017), um recurso que desafia crist\u00e3os a responder \u00e0 crise de refugiados global.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"subscribe\" class=\"lga-bottom\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto originalmente publicado por\u00a0An\u00e1lise Global de Lausanne.\u00a0Reproduzido com permiss\u00e3o. Por Cindy M. Wu* A minha amiga Abeer \u00e9 uma ex-refugiada do Iraque. Uma crist\u00e3 ortodoxa, a Abeer fugiu do Estado Isl\u00e2mico, temendo pela sua seguran\u00e7a pessoal enquanto igrejas na sua vizinhan\u00e7a eram queimadas. A sua fam\u00edlia se reinstalou nos Estados Unidos. Foi a\u00ed que nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[114],"tags":[],"class_list":["post-434","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=434"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":435,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions\/435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/caminhosdamissao\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}