{"id":9301,"date":"2017-05-26T16:30:40","date_gmt":"2017-05-26T19:30:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=9301"},"modified":"2017-05-26T16:49:50","modified_gmt":"2017-05-26T19:49:50","slug":"9301","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/05\/26\/9301\/","title":{"rendered":"Os crist\u00e3os devem ser tolerantes. Mas, Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s quest\u00f5es de justi\u00e7a; ent\u00e3o, o que fazer?"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #808000;\"><strong>Livro da Semana &nbsp; | &nbsp;&nbsp;John Stott<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>O pluralismo se deve, principalmente, a tr\u00eas fatores: o decl\u00ednio da igreja como institui\u00e7\u00e3o, o crescimento de religi\u00f5es alternativas e a fragmenta\u00e7\u00e3o da natureza da cren\u00e7a.<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que faremos sobre isso?<\/p>\n<p>As duas respostas mais comuns a essa pergunta retratam extremos opostos. Uma \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o, a forte tentativa de coagir as pessoas a aceitarem o estilo de vida crist\u00e3o por meio das leis. A outra \u00e9 a laissez-faire*, a decis\u00e3o derrotista de deixar as pessoas em paz e n\u00e3o interferir ou n\u00e3o tentar influenci\u00e1-las de modo algum. Precisamos olhar cuidadosamente para essas alternativas, junto com alguns exemplos hist\u00f3ricos, antes de irmos para a terceira e melhor op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-8491\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/01\/capa_cristaos_desafios.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"230\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/01\/capa_cristaos_desafios.jpg 160w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/01\/capa_cristaos_desafios-104x150.jpg 104w\" sizes=\"auto, (max-width: 160px) 100vw, 160px\" \/>IMPOSI\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<p>Aqui est\u00e3o crist\u00e3os com um zelo por Deus louv\u00e1vel. Eles acreditam na revela\u00e7\u00e3o divina e se importam profundamente com a verdade e com a vontade de Deus reveladas nas Escrituras. Eles anseiam por ver a sociedade refletindo isso. Assim, o desejo de conseguir esse fim por meio da for\u00e7a \u00e9 uma tenta\u00e7\u00e3o compreens\u00edvel. Um exemplo disso foi a Inquisi\u00e7\u00e3o, que come\u00e7ou em 1252 e durou 300 anos. Durante esse tempo, a Igreja Cat\u00f3lica Romana procurava aqueles que eram considerados hereges e, usando a tortura e outros meios coercivos, tentava fazer com que eles confessassem as heresias. Caso n\u00e3o confessassem, eram levados a julgamento e depois eram mortos, muitas vezes na fogueira. Hoje ficamos envergonhados de tais m\u00e9todos, com raz\u00e3o, pois s\u00e3o incompat\u00edveis com a f\u00e9 crist\u00e3. J\u00e1 mencionei a incompatibilidade de qualquer regime autorit\u00e1rio com o cristianismo e a Inquisi\u00e7\u00e3o \u00e9 um outro exemplo disso.<\/p>\n<p>Por\u00e9m a pol\u00edtica de imposi\u00e7\u00e3o \u00e9 inaceit\u00e1vel para aqueles que defendem uma doutrina b\u00edblica dos seres humanos.<!--more--> Deus fez o homem e a mulher para serem respons\u00e1veis. Deus disse a eles para serem frut\u00edferos, isto \u00e9, exercerem seus poderes de procria\u00e7\u00e3o, para subjugarem a terra e dominarem suas criaturas, para trabalharem, descansarem e para obedec\u00ea-lo \u2013 \u201cfa\u00e7am isso\u201d, \u201cn\u00e3o fa\u00e7am aquilo\u201d. Todas essas prescri\u00e7\u00f5es n\u00e3o teriam sentido se Deus n\u00e3o tivesse dotado a ra\u00e7a humana de dois dons singulares \u2013 a consci\u00eancia, para discernir alternativas diferentes, e a liberdade, para escolher uma entre elas. Todo o resto da B\u00edblia confirma isso. Em toda a B\u00edblia, os seres humanos s\u00e3o considerados seres morais, respons\u00e1veis por suas a\u00e7\u00f5es. Eles conhecem as exig\u00eancias da lei moral, uma vez que elas est\u00e3o \u201cgravadas em seu cora\u00e7\u00e3o\u201d (Rm 2.14-15). Eles s\u00e3o exortados \u00e0 obedi\u00eancia e advertidos das penalidades da desobedi\u00eancia, mas nunca coagidos. Nenhuma coer\u00e7\u00e3o \u00e9 usada, somente a persuas\u00e3o, por meio de argumentos: \u201c\u2018Venham, vamos refletir juntos\u2019, diz o Senhor\u201d (Is 1.18).<\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o pode for\u00e7ar as pessoas a acreditar no que elas n\u00e3o acreditam ou a praticar o que elas n\u00e3o querem praticar. Seria semelhante a imaginar, hoje, que podemos for\u00e7ar as pessoas a terem convic\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es crist\u00e3os na Europa, o que \u00e9 totalmente fora da realidade. \u00c9 um desejo tolo e nost\u00e1lgico de ter uma cristandade que h\u00e1 muito tempo j\u00e1 desapareceu.<\/p>\n<h4>LAISSEZ-FAIRE<\/h4>\n<p>O oposto \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o, sugiro que seja o laissez-faire. O termo foi usado originalmente no s\u00e9culo 18, relacionado aos economistas que defendiam o livre com\u00e9rcio, e foi um conceito importante no debate econ\u00f4mico e na defini\u00e7\u00e3o de diretrizes pol\u00edticas do s\u00e9culo 19. Ele expressava uma cren\u00e7a no princ\u00edpio da n\u00e3o interfer\u00eancia do governo na economia.<\/p>\n<p>Em nossa era p\u00f3s-moderna, existe uma confus\u00e3o t\u00e3o grande entre toler\u00e2ncia e laissez-faire que algumas vezes acredita-se que discordar de algu\u00e9m \u00e9 ser intolerante com a pessoa. Considera-se que todas as cosmovis\u00f5es est\u00e3o em igualdade e que, portanto, nenhuma perspectiva tem o direito de achar que \u00e9 mais correta do que uma outra. Contudo, como j\u00e1 mencionei, se os crist\u00e3os acreditam que Deus revelou a verdade em Jesus Cristo, ent\u00e3o assumir essa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. O que tem acontecido \u00e9 que a verdadeira toler\u00e2ncia, que respeita outros pontos de vista enquanto discorda deles, tem se tornado uma toler\u00e2ncia falsa, ou vazia, que n\u00e3o se importa em se envolver e ent\u00e3o se iguala \u00e0 indiferen\u00e7a. Tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar que, em muitas ocasi\u00f5es, aqueles que se disp\u00f5em a ser tolerantes com todas as outras perspectivas acabam sendo intolerantes com as perspectivas crist\u00e3s e terminam, com isso, por entregar o jogo.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os devem ser tolerantes com as opini\u00f5es dos outros e devem mostrar respeito a todas as pessoas. Devem tamb\u00e9m ser socialmente tolerantes, no sentido de desejarem ver as minorias pol\u00edticas e religiosas aceitas na comunidade e protegidas pela lei, assim como uma minoria crist\u00e3, em um pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o, espera ser legalmente livre para professar, praticar e propagar o evangelho. Mas como n\u00f3s, crist\u00e3os, podemos ser intelectualmente tolerantes com opini\u00f5es que sabemos ser falsas ou com a\u00e7\u00f5es que sabemos ser m\u00e1s? Que tipo de indulg\u00eancia inescrupulosa \u00e9 essa? Deus n\u00e3o \u00e9 indiferente a quest\u00f5es de justi\u00e7a social; assim, como a Igreja pode o ser? Permanecer calado e inerte quando o erro ou o mal est\u00e1 em quest\u00e3o tem consequ\u00eancias muito s\u00e9rias, pois a op\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 colocada de lado pela omiss\u00e3o. Ser\u00e1 que nosso pa\u00eds n\u00e3o tem se desancorado e se afastado de seu porto crist\u00e3o em parte porque a Igreja n\u00e3o tem levantado a voz para Jesus Cristo?<\/p>\n<p>O exemplo moderno mais grave de laissez-faire crist\u00e3o \u00e9 a omiss\u00e3o das igrejas alem\u00e3s que n\u00e3o levantaram a voz contra o tratamento dado aos judeus pelos nazistas. Tal omiss\u00e3o foi muito bem documentada por Richard Gutteridge em seu livro Open Thy Mouth for the Dumb [Abra tua boca a favor do mundo].3 Depois da Primeira Guerra Mundial, houve v\u00e1rias tentativas de dar um fundamento teol\u00f3gico aos pontos de vista arianos associado ao movimento nacional-socialista. Essas tentativas citavam a necessidade de manter o cristianismo puro e separado de seus elos com o juda\u00edsmo. Somente algumas vozes corajosas, como as de Karl Barth e Paul Tillich, ergueram-se em protesto. Enquanto isso, o \u201cmovimento dos crist\u00e3os alem\u00e3es\u201d, sob prote\u00e7\u00e3o do Partido Nazista, ratificava a vis\u00e3o ariana.<\/p>\n<p>Depois que Hitler chegou ao poder, em 1933, uma lei foi publicada para tirar do servi\u00e7o civil os trabalhadores que n\u00e3o tivessem descend\u00eancia ariana e, por mais incr\u00edvel que possa ser, os \u201ccrist\u00e3os alem\u00e3es\u201d envolvidos com a quest\u00e3o racial queriam aplicar esse \u201crequisito ariano\u201d \u00e0 igreja. V\u00e1rios s\u00ednodos o adotaram, mesmo com a oposi\u00e7\u00e3o de homens como Martin Niem\u00f6ller, Walter K\u00fcnneth, Hans Lilje e Dietrich Bonhoeffer. Apesar de tudo isso, \u201ca igreja evang\u00e9lica nunca se manifestou oficialmente contra a legisla\u00e7\u00e3o ariana no geral\u201d. Bonhoeffer ficou profundamente chateado com o sil\u00eancio da igreja e frequentemente mencionava Prov\u00e9rbios 31.8: \u201cErga a voz em favor dos que n\u00e3o podem defender-se\u201d.4<\/p>\n<p>No terr\u00edvel massacre de novembro de 1938, dezenas de milhares de judeus sofreram de forma horr\u00edvel nas m\u00e3os de Hitler e seus seguidores. O p\u00fablico, em geral, estava aterrorizado e alguns l\u00edderes eclesi\u00e1sticos, ent\u00e3o, protestaram. Mas tanto a igreja evang\u00e9lica quanto a Igreja Cat\u00f3lica se mantiveram praticamente mudas. Foi apenas em 1943, dois anos depois do in\u00edcio da \u201csolu\u00e7\u00e3o final\u201d de Hitler, que uma confer\u00eancia de l\u00edderes da Igreja Luterana resolveu criticar o Reich devido \u00e0s suas atrocidades antijudaicas. Barth chamou essa omiss\u00e3o da Igreja em n\u00e3o denunciar o antissemitismo de \u201co pecado contra o Esp\u00edrito Santo\u201d e uma \u201crejei\u00e7\u00e3o \u00e0 gra\u00e7a de Deus\u201d.5 Alguns outros l\u00edderes eclesi\u00e1sticos foram igualmente ousados e pagaram caro por sua coragem. Contudo, quando os l\u00edderes da igreja evang\u00e9lica se encontraram, logo depois do final da guerra, publicaram a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Stuttgart\u201d e tiveram de reconhecer seu erro: \u201cAcusamos n\u00f3s mesmos de n\u00e3o termos feito uma profiss\u00e3o de f\u00e9 mais corajosa\u201d.6 \u00c9 claro que os l\u00edderes da igreja tiveram de assumir sua parcela de culpa, mas n\u00e3o houve, entre o restante do povo crist\u00e3o, express\u00e3o alguma de uma indigna\u00e7\u00e3o justa. Uma condena\u00e7\u00e3o abrangente teria sido levada a s\u00e9rio pela lideran\u00e7a nazista.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria que Richard Gutteridge conta fala por si. N\u00e3o precisa de coment\u00e1rios adicionais de minha parte. A cumplicidade dos \u201ccrist\u00e3os alem\u00e3es\u201d, que falharam em desenvolver uma cr\u00edtica b\u00edblica do descarado racismo nazista, deveria ser suficiente para declarar o laissez-faire errado para sempre. Eles n\u00e3o poderiam ter impedido o Holocausto?<\/p>\n<h4><strong>PERSUAS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Melhor do que os extremos imposi\u00e7\u00e3o e laissez-faire \u00e9 a estrat\u00e9gia de persuas\u00e3o pela argumenta\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a maneira como a mente crist\u00e3 advoga, pois \u00e9 resultado natural das doutrinas b\u00edblicas sobre Deus e sobre os seres humanos.<\/p>\n<h5><strong>A natureza de Deus<\/strong><\/h5>\n<p>O Deus vivo da revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica, que criou e sustenta o universo, planejou que os seres humanos que ele fez vivessem em comunidade de forma amorosa. Ele ama todas as pessoas independentemente de sua condi\u00e7\u00e3o e deseja que elas sejam salvas. N\u00f3s tamb\u00e9m devemos amar os outros. Devemos respeitar os homens e as mulheres, que foram criados \u00e0 imagem de Deus, procurar a justi\u00e7a, odiar a injusti\u00e7a, cuidar dos necessitados, conservar a dignidade do trabalho, reconhecer a necessidade de descanso, manter a santidade do casamento, zelar pela honra de Jesus Cristo e ansiar que todo joelho se dobre diante dele e toda l\u00edngua o confesse. Por qu\u00ea? Porque tudo isso \u00e9 interesse de Deus. Como podemos consentir com aquilo que o desagrada veementemente ou ser indiferente \u00e0quilo que tanto o interessa? A pol\u00edtica do laissez-faire \u00e9 inconceb\u00edvel para crist\u00e3os que defendem uma doutrina b\u00edblica de Deus.<\/p>\n<h5><strong>O respeito pela consci\u00eancia<\/strong><\/h5>\n<p>Um fundamento b\u00e1sico para isso \u00e9 que a consci\u00eancia humana deve ser tratada com o maior respeito poss\u00edvel. Paulo expressa sua determina\u00e7\u00e3o pessoal em \u201cconservar minha consci\u00eancia limpa diante de Deus e dos homens\u201d (At 24.16). Ele tamb\u00e9m tem muito a dizer sobre as consci\u00eancias das outras pessoas. Elas podem ser fortes, ou seja, bem ensinadas e livres, ou fracas, isto \u00e9, excessivamente escrupulosas e cheias de d\u00favidas e preocupa\u00e7\u00f5es sobre se o que a pessoa faz est\u00e1 certo ou n\u00e3o. Contudo, qualquer que seja a condi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia de uma pessoa, ainda que esteja errada, deve ser respeitada. Consci\u00eancias fracas devem ser fortalecidas e consci\u00eancias enganadas, ensinadas, mas n\u00e3o deve haver bullying de consci\u00eancias. Somente em circunst\u00e2ncias muito extremas, as pessoas devem ser incitadas a agir de modo contr\u00e1rio \u00e0s suas pr\u00f3prias consci\u00eancias. Em geral, as consci\u00eancias devem ser educadas, n\u00e3o violadas. Esse princ\u00edpio, que surge da doutrina crist\u00e3 sobre os seres humanos, deve influenciar nosso comportamento e nossas institui\u00e7\u00f5es sociais. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual os crist\u00e3os se op\u00f5em \u00e0 autocracia e apoiam a democracia. A autocracia esmaga as consci\u00eancias; a democracia, pelo menos na teoria, respeita-as, pois os governos democr\u00e1ticos obt\u00eam \u201cseus justos poderes do consentimento dos governados\u201d, como afirma a Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia dos Estados Unidos.7 No entanto, uma vez que as leis tenham sido promulgadas, seja na democracia ou seja na autocracia, todos os cidad\u00e3os ficam sob a restri\u00e7\u00e3o das leis, s\u00e3o obrigados a obedec\u00ea-las. Eles n\u00e3o podem fazer o que querem. Por\u00e9m, em quest\u00f5es de grande import\u00e2ncia, como o recrutamento militar em tempos de guerra, um governo civilizado permitir\u00e1 uma oposi\u00e7\u00e3o consciente. Essa provis\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fruto de um racioc\u00ednio crist\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, tanto a doutrina b\u00edblica sobre Deus quanto a doutrina sobre os seres humanos guiam nosso comportamento em uma sociedade pluralista, de forma que a primeira descarta o laissez-faire e a \u00faltima descarta a imposi\u00e7\u00e3o. Devido a Deus ser quem ele \u00e9, n\u00f3s n\u00e3o podemos ficar indiferentes quando a sua verdade e a sua lei s\u00e3o desrespeitadas, mas, por causa dos seres humanos serem quem eles s\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o podemos tentar imp\u00f4-las pela for\u00e7a.<\/p>\n<p>O que, ent\u00e3o, os crist\u00e3os devem fazer? N\u00f3s devemos procurar educar a consci\u00eancia p\u00fablica para conhecer e desejar a vontade de Deus. A Igreja deve buscar ser a consci\u00eancia da na\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o devemos impor a vontade de Deus pela legisla\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m n\u00e3o devemos convencer as pessoas a seu respeito meramente pela cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Ambas as abordagens s\u00e3o exemplos de autoridade que vem de cima, com a qual as pessoas se ofendem e ficam resistentes. Mais efetiva \u00e9 a autoridade que vem de baixo, a verdade intr\u00ednseca e o valor de algo, os quais s\u00e3o autoevidentes e, portanto, validam a si pr\u00f3prios. N\u00e3o que as duas autoridades sejam incompat\u00edveis; a autoridade de Deus est\u00e1, essencialmente, em ambas. Esse princ\u00edpio se aplica igualmente ao evangelismo e \u00e0 a\u00e7\u00e3o social.<br \/>\nNo evangelismo, n\u00e3o devemos tentar for\u00e7ar as pessoas a acreditarem no evangelho; tamb\u00e9m n\u00e3o devemos permanecer calados, como se f\u00f4ssemos indiferentes \u00e0 sua resposta, nem devemos confiar exclusivamente na proclama\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica dos textos b\u00edblicos \u2013 a qual \u00e9 vital, assim como a exposi\u00e7\u00e3o b\u00edblica competente. Antes, devemos, como os ap\u00f3stolos, argumentar com as pessoas sobre a natureza e sobre as Escrituras, recomendando o evangelho de Deus a elas por meio de argumentos racionais.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o social, semelhantemente, n\u00e3o devemos tentar impor, pela for\u00e7a, os padr\u00f5es crist\u00e3os a um p\u00fablico que seja relutante, nem devemos permanecer calados e passivos diante da decad\u00eancia contempor\u00e2nea; tamb\u00e9m n\u00e3o devemos confiar exclusivamente na afirma\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica de valores b\u00edblicos. Em vez disso, devemos argumentar com as pessoas sobre os benef\u00edcios da moralidade crist\u00e3, recomendando a eles a lei de Deus por meio de argumentos racionais. N\u00f3s cremos que as leis de Deus s\u00e3o boas em si mesmas e universais em sua aplica\u00e7\u00e3o, uma vez que, longe de serem arbitr\u00e1rias, elas s\u00e3o perfeitamente adequadas aos seres humanos que Deus criou. Essa \u00e9 a reivindica\u00e7\u00e3o de Deus a respeito de suas leis desde o princ\u00edpio. Ele as deu e disse: \u201c[&#8230;] para o seu pr\u00f3prio bem\u201d (Dt 10.13), e pediu ao povo que as obedecessem, \u201cassim tudo iria bem com eles e com seus descendentes para sempre\u201d (Dt 5.29). Deste modo, havia uma correspond\u00eancia essencial entre o que era \u201cbom e certo perante o Senhor\u201d e \u201ctudo [ir] bem com voc\u00eas\u201d (Dt 12.28). O bom e o bem coincidem. N\u00f3s acreditamos tamb\u00e9m que todos t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o disso, mas, por serem incapazes ou por serem relutantes em reconhec\u00ea-la, precisamos desenvolver argumentos que demonstrem que as leis de Deus visam ao nosso bem-estar enquanto indiv\u00edduos e enquanto sociedade.<\/p>\n<p>Portanto, precisamos de uma apolog\u00e9tica doutrin\u00e1ria no evangelismo \u2013 para debater a verdade do evangelho \u2013 e uma apolog\u00e9tica \u00e9tica na a\u00e7\u00e3o social \u2013 para argumentar a bondade da lei moral. Apologetas de ambos os tipos s\u00e3o procurados urgentemente nas igrejas do mundo hoje.<\/p>\n<p>Em muitos sentidos, esse livro proporciona um conjunto de exemplos de persuas\u00e3o pelo argumento. Desejo que, qualquer que seja o assunto que voc\u00ea discutir ou a campanha que voc\u00ea organizar, voc\u00ea descubra que os cap\u00edtulos seguintes fornecem uma mistura de crit\u00e9rios b\u00edblicos e an\u00e1lises sociais, a qual \u00e9 necess\u00e1ria para sermos crist\u00e3os informados e entrarmos nos debates atuais com confian\u00e7a.<\/p>\n<h6><strong>\u2022 Trecho retirado de <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/os-cristaos-e-os-desafios-contemporaneos\">Os Crist\u00e3os e os Desafios Contempor\u00e2neos<\/a>, de John Stott<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><strong>(Editora Ultimato)<\/strong><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Semana &nbsp; | &nbsp;&nbsp;John Stott<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO pluralismo se deve, principalmente, a tr\u00eas fatores: o decl\u00ednio da igreja como institui\u00e7\u00e3o, o crescimento de religi\u00f5es alternativas e a fragmenta\u00e7\u00e3o da natureza da cren\u00e7a.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO que faremos sobre isso?<br \/>\nAs duas respostas mais comuns a essa pergunta retratam extremos opostos. Uma \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o, a forte tentativa de coagir [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5153],"tags":[],"class_list":["post-9301","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-prateleira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9301"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9313,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9301\/revisions\/9313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}