{"id":9186,"date":"2017-05-08T16:02:58","date_gmt":"2017-05-08T19:02:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=9186"},"modified":"2017-05-12T17:58:46","modified_gmt":"2017-05-12T20:58:46","slug":"o-primeiro-casal-a-primeira-briga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/05\/08\/o-primeiro-casal-a-primeira-briga\/","title":{"rendered":"O primeiro casal, a primeira briga"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #808000;\"><strong>Livro da Semana &nbsp; | &nbsp;&nbsp;Carlos Catito Grzybowski e Jorge E. Maldonado<\/strong><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Quando uma decis\u00e3o \u00e9 tomada unilateralmente, frequentemente resulta em crise. O dif\u00edcil caminho do di\u00e1logo.<\/strong><\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-8941\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/04\/capa_acontece_familias_borda.jpg\" alt=\"\" width=\"164\" height=\"242\">A vida do primeiro casal n\u00e3o estava isenta de crises. A primeira e mais profunda delas acontece exatamente quando eles, em sua rotina, deixam de buscar a Deus como casal e passam a ouvir outras vozes que pretensamente t\u00eam instru\u00e7\u00f5es a lhes dar para a vida.<\/p>\n<p>A crise nesta vida paradis\u00edaca se inicia quando a serpente se encontra com a mulher, que est\u00e1 sozinha, sem a companhia do esposo. \u00c9 interessante observar que a serpente escolhe exatamente esse momento, pois quando estamos sozinhos ficamos mais vulner\u00e1veis. Por isso o s\u00e1bio afirma em Eclesiastes 4.9-10 que \u00e9 sempre melhor serem dois. O fato de estar sozinha faz com que a mulher tome uma decis\u00e3o sem consultar seu c\u00f4njuge \u2013 e essa decis\u00e3o se mostra equivocada.<\/p>\n<p><!--more-->O processo de tomada de decis\u00f5es entre casais \u00e9 sempre um processo dif\u00edcil quando n\u00e3o h\u00e1 um di\u00e1logo harm\u00f4nico entre marido e mulher. Nosso machismo cultural afirma que a \u00faltima palavra deve ser sempre do esposo, e, infelizmente essa modela\u00e7\u00e3o cultural entra pelos \u201cporos\u201d e acaba ganhando matizes de pseudo-espiritualidade em intepreta\u00e7\u00f5es da B\u00edblia dentro de nossas igrejas. Lemos Ef\u00e9sios 5.22 (\u201cmulheres, sujeitai-vos\u201d) e fechamos os olhos para o verso imediatamente anterior que prop\u00f5e a sujei\u00e7\u00e3o m\u00fatua (esposas aos maridos e maridos \u00e0s esposas).<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que o caminho mais dif\u00edcil \u2013 o estreito \u2013 aponta para a busca de unidade e harmonia e pressup\u00f5e, para alcan\u00e7ar este fim, que ser\u00e3o necess\u00e1rios muitos minutos de di\u00e1logo f\u00e9rtil e construtivo, com uma escuta respeitosa e de cora\u00e7\u00e3o aberto ao outro. \u00c9 preciso abrir-se \u00e0 criatividade para superarmos a imposi\u00e7\u00e3o ego\u00edsta do meu (que acredito que \u00e9 o certo) sobre o teu (que por ser distinto \u00e9 presumido como errado) e chegarmos ao nosso.<\/p>\n<p>Quando a decis\u00e3o \u00e9 tomada unilateralmente, frequentemente resulta em uma crise!<\/p>\n<p>Outro dado importante a ser observado nessa crise \u00e9 que ela passa essencialmente pelo sensorial, sem buscar elementos racionais para a avalia\u00e7\u00e3o da realidade. A mulher v\u00ea (\u00f3rg\u00e3o dos sentidos) que a \u00e1rvore era \u201catraente aos olhos\u201d e que parecia \u201cagrad\u00e1vel ao paladar\u201d (\u00f3rg\u00e3o dos sentidos). Ent\u00e3o, deixa-se levar por essas sensa\u00e7\u00f5es sem refletir (uso da raz\u00e3o) sobre o significado mais profundo de tudo aquilo. Atitude diferente da de Eva verificamos em outra mulher b\u00edblica de destaque, Maria, que refletia nos acontecimentos e buscava significado no que lhe era de dif\u00edcil compreens\u00e3o (Lc 2. 51).<\/p>\n<p>Tampouco Ad\u00e3o se det\u00e9m para refletir sobre o estava acontecendo e deixa-se levar pela mesma busca por prazer sensorial. Essa busca \u00e9 algo que afeta homens e mulheres desde os tempos mais remotos da humanidade. Em si, ela n\u00e3o \u00e9 negativa. Por\u00e9m, quando n\u00e3o \u00e9 equilibrada com a reflex\u00e3o racional, ela pode ter sequelas desastrosas. Hoje em dia, quando um c\u00f4njuge trai seu par em busca de um \u201calgo a mais\u201d (sensorial), acaba destruindo n\u00e3o s\u00f3 o relacionamento, mas tamb\u00e9m a autoestima do c\u00f4njuge e a constru\u00e7\u00e3o de valores dos filhos. Jovens que buscam sensa\u00e7\u00f5es org\u00e1sticas autocentradas \u201cficando\u201d com v\u00e1rios parceiros\/parceiras de forma inconsequente e descompromissada, sem o perceberem est\u00e3o transformando os relacionamentos em padr\u00f5es objetais (uso o outro para ter sensa\u00e7\u00f5es) e corroendo seu valor pessoal. Da mesma forma que eu uso o outro, torno-me objeto de uso do outro (coisa), deixando de ser uma pessoa na rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o \u00e0 posteriori (\u201couvindo os passos do Senhor [&#8230;] esconderam-se\u201d, Gn 3.8) leva a sentimentos de vergonha (3.10), nojo, medo, e tantos outros negativos. Isso \u00e9 muito comum em um processo de busca irrefletida pelo sensorial. Quantos jovens sentem-se mal ap\u00f3s sentirem-se usados e descartados por seus pares? Como Amnom que, de sentir-se intensamente apaixonado, passou a sentir repugn\u00e2ncia ap\u00f3s estuprar sua pr\u00f3pria irm\u00e3 (2Sm 13.15).<\/p>\n<p>A crise se intensifica com a troca de acusa\u00e7\u00f5es (Gn 3.12 e 13) e o n\u00e3o reconhecimento de responsabilidade. Em um processo de crise geralmente pensamos em que o outro \u00e9 culpado, em vez de nos humilharmos e reconhecermos a nossa parcela de responsabilidade. Sem a humilha\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de manifesta\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus (1Pe 5.6). O orgulho pr\u00f3prio impede que desfrutemos de uma vida plena, pois, paradoxalmente quando reconhecemos que erramos \u00e9 que crescemos. \u00c9 tamb\u00e9m quando o relacionamento cresce, mas isso \u00e9 dif\u00edcil, pois, como Ad\u00e3o e Eva que tentaram cobrir-se com fr\u00e1geis folhas em G\u00eanesis 3.7, tememos que, ao expormos nossas falhas, o outro nos rejeitar\u00e1, perder\u00e1 sua admira\u00e7\u00e3o por n\u00f3s.<\/p>\n<p>O desfecho da crise entre o casal se d\u00e1 no aprofundamento da dist\u00e2ncia relacional, com Deus \u201cpr\u00e9-vendo\u201d que cada um dos componentes do casal passaria a priorizar outros elementos, o que causaria profundos problemas \u2013 uma mudan\u00e7a de foco da unidade relacional para atividades que s\u00e3o consideradas \u201cmais importantes\u201d. A mulher passaria a valorizar mais a maternidade, quebrando a harmonia conjugal e gerando uma preval\u00eancia do marido nos processos decis\u00f3rios familiares (Gn 3.16; 20). O homem priorizaria o trabalho, atrav\u00e9s do qual tentaria restabelecer sua dignidade (Gn 3.17-19), mas sempre com sofrimento. O prazer sensorial que \u00e9 buscado transforma-se em desprazer e o v\u00ednculo harm\u00f4nico do \u00c9den \u00e9 perdido \u2013 j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais transpar\u00eancia entre o homem e sua esposa (Gn 3.21).<\/p>\n<h6><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u2022 Trecho retirado de <span style=\"color: #808000;\">Acontece nas Melhores Fam\u00edlias<\/span>, de&nbsp;<\/strong><strong>Carlos Catito Grzybowski e Jorge E. Maldonado&nbsp;<\/strong><strong>(Editora Ultimato)<\/strong><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Semana &nbsp; | &nbsp;&nbsp;Carlos Catito Grzybowski e Jorge E. Maldonado<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuando uma decis\u00e3o \u00e9 tomada unilateralmente, frequentemente resulta em crise. O dif\u00edcil caminho do di\u00e1logo.<br \/>\nA vida do primeiro casal n\u00e3o estava isenta de crises. 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