{"id":8932,"date":"2017-05-05T00:00:04","date_gmt":"2017-05-05T03:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=8932"},"modified":"2017-06-07T14:59:58","modified_gmt":"2017-06-07T17:59:58","slug":"a-familia-nos-tempos-biblicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/05\/05\/a-familia-nos-tempos-biblicos\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia nos tempos b\u00edblicos"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"color: #808000;\"><strong>Por Jorge E. Maldonado<\/strong><\/span><\/h6>\n<div id=\"attachment_9203\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/fam\u00edlia-tempos-biblicos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9203\" class=\"size-full wp-image-9203\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/fam\u00edlia-tempos-biblicos.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/fam\u00edlia-tempos-biblicos.jpg 380w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/fam\u00edlia-tempos-biblicos-300x193.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9203\" class=\"wp-caption-text\">Ap\u00f3stolo Paulo na casa de \u00c1quila e Priscila, por J. Sadeler sobre a obra de Jodocus Winghe<\/p><\/div>\n<p>O prop\u00f3sito deste artigo \u00e9 considerar as diferentes formas nas quais se organizava a vida familiar nos tempos b\u00edblicos, seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es. Esperamos que o exerc\u00edcio sirva como uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 discuss\u00e3o teol\u00f3gica dos artigos que seguintes. \u00c9 prov\u00e1vel que o que chamamos hoje de \u201cfam\u00edlia\u201d, tenha muito pouco a ver com as express\u00f5es culturais da \u00e9poca b\u00edblica. Uma compreens\u00e3o destas diferen\u00e7as nos ajudar\u00e1 a retomar a tarefa sempre nova de encontrar nas Escrituras \u2013 em meio aos elementos culturais na qual esta foi escrita \u2013 os princ\u00edpios e valores necess\u00e1rios para orientar nosso trabalho teol\u00f3gico e pastoral hoje em dia em nosso contexto.<\/p>\n<p>O grupo social chamado fam\u00edlia encontra-se presente em todas as culturas, desde a antiguidade at\u00e9 os dias atuais. Cientistas sociais que tem estudado os diferentes povos ao redor do mundo parecem concordar na observa\u00e7\u00e3o de que em toda sociedade conhecida, quase cada pessoa vive submersa em uma rede de direitos e obriga\u00e7\u00f5es familiares\u00b9. O termo descreve uma diversidade de realidades sociais, desde a rede externa de parentes, encontrada especialmente nas sociedades agr\u00e1rias, at\u00e9 a fam\u00edlia nuclear contempor\u00e2nea e suas varia\u00e7\u00f5es, peculiar das \u00e1reas urbanas e industrializadas do mundo.<\/p>\n<p>As defini\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia se forjam cultural e historicamente. Na parte norte-ocidental do mundo onde se tem experimentado por mais tempo os efeitos da industrializa\u00e7\u00e3o, a fam\u00edlia nuclear tende a ser normativa. Na parte sul do mundo, onde outros modos de produ\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o social coexistem e a sobreviv\u00eancia depende em grande parte das redes de parentesco, o termo fam\u00edlia tem um sentido mais amplo. Mesmo que todos tenhamos uma no\u00e7\u00e3o bastante universal e normativa.<!--more--><\/p>\n<p>O que distingue a fam\u00edlia de outros sociais \u00e9 sua fun\u00e7\u00f5es: um lugar comum de resid\u00eancia, a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades sexuais e afetivas, a unidade prim\u00e1ria de coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a procria\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es. Entretanto, estas fun\u00e7\u00f5es, tradicionalmente desempenhadas pela fam\u00edlia, descrevem melhor a tribo, ao cl\u00e3 ou a fam\u00edlia extensa. Historicamente, e esse \u00e9 o caso das fam\u00edlias na B\u00edblia, a ra\u00e7a humana existiu primeiramente em grupos sociais mais extensos que a fam\u00edlia nuclear. Quando a conviv\u00eancia cresceu em sua complexidade, tribos e cl\u00e3s deram lugar \u00e0 fam\u00edlia extensa e a um <strong>sem <\/strong>n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es sociais secund\u00e1rias. A fam\u00edlia nuclear \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o posterior. Isto n\u00e3o quer dizer que o n\u00facleo constitu\u00eddo por homem, mulher e filhos n\u00e3o existia antes da era industrial, mas que n\u00e3o era considerado como fam\u00edlia se estivesse apartado destas redes mais extensas e entretecidas de rela\u00e7\u00f5es familiares. Hoje em dia se considera fam\u00edlia tanto \u201ca unidade social b\u00e1sica formada ao redor de dois ou mais adultos que vivem juntos na mesma casa e cooperam em atividades econ\u00f4micas, sociais e protetoras e no cuidado dos filhos, pr\u00f3prios ou adotados\u201d\u00b2, como \u201ca rede mais extensa de rela\u00e7\u00f5es estabelecidas por matrimonio, nascimento ou ado\u00e7\u00e3o\u201d\u00b3. Em todo caso as maneiras pelas quais estas rela\u00e7\u00f5es se estabelecem, os direitos e obriga\u00e7\u00f5es determinados aos sexos, e o numero de pessoas que a foram diferem grandemente de um lugar ao outro de acordo com a cultura, classe social, religi\u00e3o e a regi\u00e3o do mundo onde se vive.<\/p>\n<p>Conhecer alguns dados sobre as fam\u00edlias dos tempos b\u00edblicos nos ajudar\u00e1, por exemplo, a entendermos que muito do ensino da igreja acerca da fam\u00edlia tem sido uma combina\u00e7\u00e3o indiscriminada dos conceitos de pessoa, casal e lar (ou casa). Com o reconhecimento alcan\u00e7ado hoje pela pessoa como indiv\u00edduo, com a crescente distin\u00e7\u00e3o entre casal e fam\u00edlia, com a justa afirma\u00e7\u00e3o da mulher como pessoa diferente do homem e o controle sobre a procria\u00e7\u00e3o, nos encontramos diante de um processo inevit\u00e1vel e irrevers\u00edvel da clara distin\u00e7\u00e3o entre pessoa, casal, fam\u00edlia e casa (como unidade \u2013 \u201chousehold\u201d<sup>4<\/sup>. Este processo, entretanto, n\u00e3o tem que ser visto com pessimismo. Pelo contr\u00e1rio, as fam\u00edlias contempor\u00e2neas t\u00eam o potencial para desenvolver rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas mais justas e equitativas; a intimidade pode florescer a medida que as formas autorit\u00e1rias desaparecem; a igualdade dos sexos pode prover um melhor sentido de identidade e apoio para as novas gera\u00e7\u00f5es; a procria\u00e7\u00e3o (ao ser considerada como opcional antes que essencial para a fam\u00edlia) pode estar dotada de um sentido mais rico e pleno de realiza\u00e7\u00e3o e solidariedade humanas.<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia no Antigo Testamento<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma tarefa imposs\u00edvel comprimir em uns poucos par\u00e1grafos a enorme variedade de express\u00f5es familiares e sua evolu\u00e7\u00e3o ao longo de milhares de anos que cobre o Antigo Testamento. Durante este per\u00edodo ocorreram muitas mudan\u00e7as. Abra\u00e3o viveu uma vida semin\u00f4made. Seus descendentes, que se estabeleceram em Cana\u00e3, constru\u00edram cidades e interagiram com as pessoas da regi\u00e3o. Quando decidiram ter um rei ao inv\u00e9s de ju\u00edzes locais, experimentaram a prosperidade, mas tamb\u00e9m trabalhos for\u00e7ados, impostos e a divis\u00e3o entre ricos e pobres. Ap\u00f3s a divis\u00e3o do pa\u00eds em dois reinos, as invas\u00f5es da S\u00edria, Egito, Ass\u00edria e Babil\u00f4nia, bem como os 70 anos de ex\u00edlio e a seguir o controle pol\u00edtico por parte da P\u00e9rsia, Gr\u00e9cia e Roma, imprimiram marcas profundas e induziram mudan\u00e7as significativas na vida familiar das pessoas do Antigo Testamento.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a fam\u00edlia foi de vital import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o das sociedades veterotestament\u00e1rias. \u201cSem d\u00favida que outros fatores estiveram presentes na forma\u00e7\u00e3o das sociedades dos per\u00edodos mais remotos que vemos no Antigo Testamento, mas nenhum deles teve um papel mais importante que a fam\u00edlia&#8230; Todos os assuntos p\u00fablicos foram, at\u00e9 certo ponto, assuntos familiares; estavam regulados pelos anci\u00e3os, ou seja, os cabe\u00e7as de fam\u00edlia dos cl\u00e3s\u201d<sup>5<\/sup>.<\/p>\n<p>No tempo da peregrina\u00e7\u00e3o de Israel pelo deserto sua estrutura se definiu. Uma tribo era formada por v\u00e1rios cl\u00e3s, os quais por sua vez eram grupos de fam\u00edlias unidas por la\u00e7os consangu\u00edneos (Josu\u00e9 7.14-18). Nesta estrutura social Israel via a cada individuo como membro de uma fam\u00edlia. Cada fam\u00edlia por sua vez estava unida a outras fam\u00edlias que formavam um cl\u00e3. O cl\u00e3, por sua vez, estava unido em grupos mais extensos, formando as tribos, de tal forma que todas a na\u00e7\u00e3o de Israel era, efetivamente, uma grande fam\u00edlia de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia no Antigo Testamento era definitivamente patriarcal. Um dos termos para designa-la era \u201ccasa paterna\u201d (bet ab). As genealogias s\u00e3o sempre apresentadas atrav\u00e9s da linhagem paterna. O pai possu\u00eda sobre os filhos, inclusive os casados, se viviam com ele, e sobre suas mulheres, uma autoridade total, que antigamente chegava at\u00e9 ao direito de vida ou morte. A desobedi\u00eancia e a maldi\u00e7\u00e3o aos pais eram castigadas com a morte (Ex 1.15; Lv 20.9; Pv 20.20). A medida que o sistema legal evoluiu, este direito do pai foi transferido para as cortes, mas em ess\u00eancia n\u00e3o mudou: diante da queixa de um pai, a corte geralmente pronunciava senten\u00e7a de morte<sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>Outro termo em hebraico usado no Antigo Testamento para fam\u00edlia \u00e9 \u201cmishpahah\u201d, que significa fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m cl\u00e3, tribo, povo e descreve o grupo de pessoas que habitam em um mesmo lugar ou em v\u00e1rias aldeias, que tem interesses e deveres comuns e cujos membros s\u00e3o conscientes dos la\u00e7os de sangue que os unem pelos quais se chamam de \u201cirm\u00e3os\u201d (I Samuel 20.29)<sup>7<\/sup>.<\/p>\n<p>Ainda no Antigo Testamento utilizava-se a palavra \u201ccasa\u201d (bet ou bay\u00edt)<sup>8<\/sup>. A palavra \u00e9 utilizada para denotar vivenda e, figurativamente, o lugar onde Jeov\u00e1 habita (especialmente com refer\u00eancia ao tabern\u00e1culo ou ao templo. Tamb\u00e9m significa fam\u00edlia, descend\u00eancia e at\u00e9 um povo inteiro, como a \u201ccasa de Israel\u201d (Js 2.15 e Ez 20.40). A palavra casa aparece mais de duas mil vezes em toda a B\u00edblia<sup>9<\/sup>.<\/p>\n<p>Os patriarcas Hebreus seguiam os costumes de seus vizinhos no que diz respeito a ter mais de uma esposa, ou seja, eram pol\u00edgamos. Uma fam\u00edlia daqueles tempos, frequentemente, inclu\u00eda o esposo, suas esposas e seus filhos, suas concubinas e seus filhos, os filhos casados, as noras, os netos, escravos de ambos os sexos e seus filhos nascidos sob este teto, os estrangeiros residentes no mesmo pr\u00e9dio, as vi\u00favas, os \u00f3rg\u00e3os e todos quantos se abrigavam sob a prote\u00e7\u00e3o do chefe de fam\u00edlia<sup>10<\/sup>. Quando L\u00f3 foi feito prisioneiro pelos reis de Cana\u00e3, Abra\u00e3o \u201cjuntou aos criados de confian\u00e7a que haviam nascido em sua casa, que eram 318 homens ao todo\u201d (Gn 14.14) e foi resgatar seu sobrinho.<\/p>\n<p>Um termo importante para nossa reflex\u00e3o \u00e9 \u201cpai\u201d (\u2018ab)<sup>11<\/sup>. Foi usado para referir-se n\u00e3o somente ao pai, mas tamb\u00e9m aplicou-se a homens de muito respeito, sem a necessidade de parentesco algum. O pai cumpria obriga\u00e7\u00f5es sacerdotais. Religi\u00e3o e fam\u00edlia estavam entretecidos com as mesmas fibras. A comunidade de adora\u00e7\u00e3o b\u00e1sica que mantinha a coes\u00e3o social da \u00e9poca era a fam\u00edlia. Da mesma forma que outros grupos humanos ao seu redor, entre os hebreus o pai da casa era tamb\u00e9m o sacerdote que vigiava as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas de sua casa e Deus (J\u00f3 1.5). Isto torna-se muito mais evidente ap\u00f3s o \u00caxodo, quando o pai ocupa o lugar predominante no ritual da P\u00e1scoa (Ex 12-13.8). Os membros da fam\u00edlia estavam sob a estrita obriga\u00e7\u00e3o de reunir-se no santu\u00e1rio familiar (I Sm 20.29)<sup>12<\/sup>. Quem cumpria esta fun\u00e7\u00e3o religiosa em lugar de um pai, adquiria a mesma dignidade. Assim Mois\u00e9s foi chamado \u201cpai\u201d dos filhos de Ar\u00e3o (Nm 3.1) O profeta era chamado \u201cpai\u201d por seus disc\u00edpulos (II Reis 2.12). Mais tarde os rabinos tamb\u00e9m foram chamados de pais<sup>13<\/sup>.<\/p>\n<p>O povo de Israel tamb\u00e9m usou a palavra \u201cpai\u201d para referir-se a Deus. A B\u00edblia a usa para fazer refer\u00eancia \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de Deus com seu povo (Dt 14.1; Isa\u00edas 64.8; Pv 3.12). Na rela\u00e7\u00e3o de Jeov\u00e1 com o povo de Israel, este \u00e9 chamado filho e filha e \u00e0s vezes esposa (Os\u00e9ias 11.1; Jr 3.22; 31.18-20; Isa\u00edas 54.6). Em Isa\u00edas 66.13 a imagem an\u00e1loga para Jeov\u00e1 \u00e9 de uma m\u00e3e e em Isa\u00edas 54.5 \u00e9 \u201cmarido\u201d.<\/p>\n<p><strong>A condi\u00e7\u00e3o da mulher<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das mulheres fazerem grande parte dos trabalhos duros da casa e do campo, tinham uma posi\u00e7\u00e3o pouco privilegiada, tanto na sociedade como na fam\u00edlia. As solteiras estavam sob a tutela de seu pai ou de um guardi\u00e3o. Ao que tudo indica elas eram tratadas mais como prendas de valor, que eram \u201ccompradas\u201d por seus futuros esposos e, inclusive, vendidas como escravas (Ex 21.7). Por norma, somente os filhos var\u00f5es tinham direito \u00e0 heran\u00e7a e o filho mais velho tinha direito a uma dupla por\u00e7\u00e3o da propriedade de seu pai. Somente se n\u00e3o houvesse var\u00f5es na fam\u00edlia \u00e9 que as filhas podiam herdar algo de seus pais. Se uma fam\u00edlia n\u00e3o tivesse filhos, a propriedade passava ao parente var\u00e3o mais pr\u00f3ximo<sup>14<\/sup>.<\/p>\n<p>No compromisso nupcial (ato de noivado, comprometendo-se ao casamento), de dois jovens \u2013 um contrato que era feito diante de duas testemunhas \u2013 o casal trocava an\u00e9is ou braceletes. Uma soma em dinheiro denominada <strong><em>mohar<\/em><\/strong>, tinha que ser paga pelo noivo ou sua fam\u00edlia ao pai da noiva. \u00c0s vezes esta import\u00e2ncia podia ser paga em forma de trabalho (Gn 29.15-30). O pai parece que s\u00f3 podia gastar os dividendos deste capital, sendo que o \u201c<strong><em>mohar<\/em><\/strong>\u201d devia ser devolvido as filhas quando o pai morresse ou se elas enviuvassem. Lab\u00e3o parece haver quebrado este costume (Gn 31.15). O pai da mo\u00e7a, em troca, devia lhe dar um dote que podia consistir-se de serventes, presentes ou terras. O matrim\u00f4nio era um evento civil (familiar e comunal) antes que religioso. A boda celebrava-se quando o noivo tivesse sua casa pronta. Com seus amigos ia \u00e0 casa da noiva, onde ela o esperava ataviada com seu vestido especial para a ocasi\u00e3o e com um punhado de moedas que ele lhe havia entregue anteriormente. Dali o noivo a levava para sua nova casa ou para a casa dos pais, onde comemorava-se a festa com os convidados. No trajeto, amigos, vizinhos e convidados formavam um cortejo com m\u00fasicas e dan\u00e7as<sup>15<\/sup>.<\/p>\n<p>No casamento no Antigo Testamento, o marido era o senhor (baal) de sua esposa. Por meio do matrim\u00f4nio a mulher passava a ser propriedade do esposo. As mulheres eram valorizadas como m\u00e3es em potencial, destinadas a dar ao cl\u00e3 o mais precioso dos dons: filhos, especialmente var\u00f5es. Disto resulta que a esterilidade, geralmente atribu\u00edda a uma falta da esposa, era um estigma e considerada como um castigo de Deus (Gn 3.1-2; I Sm 1.6). Somente quando a mulher chegava a ser m\u00e3e de um filho var\u00e3o, \u00e9 que obtinha sua completa dignidade no lar (Gn 16.4; 30.1). O n\u00e3o ter um filho var\u00e3o era uma carga pesada para o esposo; sua casa (sua descend\u00eancia) estava amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o; as filhas se casavam e iam embora; somente os var\u00f5es podiam encarregar-se do culto familiar, de discutir a lei e de portar armas. A falta de filhos em um casamento podia conduzir a um div\u00f3rcio ou \u00e0 poligamia. Entre os hebreus, assim como entre os demais povos da antiguidade, ter uma prole numerosa era um desejo bastante generalizado. Uma ben\u00e7\u00e3o muito apreciada tinha que ver com a abund\u00e2ncia de filhos (Gn 24.60), os quais eram considerados, conforme o salmista, como \u201csetas na m\u00e3o do valente\u201d. Mais tarde, quando adotou-se a forma mais sedent\u00e1ria de vida, as mulheres passaram a ser apreciadas tamb\u00e9m por sua efici\u00eancia no trabalho dom\u00e9stico (Pv 31.11-30).<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que, apesar de tratar-se de uma sociedade patriarcal, muitos textos b\u00edblicos mencionam o pai e a m\u00e3e num mesmo plano. Um primeiro exemplo \u00e9 G\u00eanesis 1, onde os dois s\u00e3o feitos \u00e0 imagem de Deus, ambos recebem o mandato cultural de procriar e senhorear a terra. Outro exemplo \u00e9 o quinto mandamento, que fala sobre a honra que os filhos devem a ambos os progenitores (Ex 20.12; Dt 5.1-6). O livro de Prov\u00e9rbios fala v\u00e1rias vezes da necessidade de respeitar e obedecer aos ensinos do pai e da m\u00e3e (Prov\u00e9rbios 1.8; 6.20). Tamb\u00e9m em Israel houve mulheres que se sobressa\u00edram, como D\u00e9bora, conhecida como \u201cm\u00e3e em Israel\u201d (Ju\u00edzes 5.7), obviamente um t\u00edtulo de muita honra. Falar mal do pai ou caluniar a m\u00e3e era castigado com a morte.<\/p>\n<p>Nos escritos dos profetas se observa que a fam\u00edlia, chamada a ser o altar da f\u00e9 e da instru\u00e7\u00e3o espiritual, se convertia \u00e0s vezes no foco de desorienta\u00e7\u00e3o (Jr 9.13-14; Am\u00f3s 2.4). O deterioramento da fam\u00edlia era um poderoso fator de lembran\u00e7a para voltar-se para Deus (Miqu\u00e9ias 7.6-7). V\u00e1rios dos profetas levantaram suas vozes para fazer o povo voltar a uma rela\u00e7\u00e3o familiar mais justa e satisfat\u00f3ria, como parte de seu compromisso com Deus. Os\u00e9ias foi um testemunho vivo da preocupa\u00e7\u00e3o de Deus pela monogamia. Miqu\u00e9ias empenhou-se pelo amor na fam\u00edlia e o respeito pelos progenitores. Isa\u00edas proclamou a fidelidade conjugal e Yahweh, o esposo, para com Israel. Ezequiel continuou favorecendo o casamento monog\u00e2mico e o reconhecimento de uma posi\u00e7\u00e3o mais elevada para a mulher, tanto na fam\u00edlia como na sociedade.<\/p>\n<p>Com o passar dos tempos, a estrutura da fam\u00edlia em Israel evoluiu. A vida urbana trouxe mudan\u00e7as. O tipo de vida em aldeias e cidades restringiu o n\u00famero de pessoas que podiam viver sob um mesmo teto. Diminuiu o n\u00famero de escravos em cada casa. O ju\u00edzo de um filho rebelde passou para as m\u00e3os dos anci\u00e3os da cidade (Dt 21.18-21). \u00c9 precisamente a \u00e9poca p\u00f3s-ex\u00edlio quando a fam\u00edlia judia parece-nos mais humanizadas, segundo os livros sapiensais, onde o amor marital e a educa\u00e7\u00e3o dos filhos s\u00e3o preocupa\u00e7\u00f5es constantes e onde se sup\u00f5e a monogamia como forma corrente de rela\u00e7\u00e3o conjugal<sup>16<\/sup>.<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia nos tempos de Jesus<\/strong><\/p>\n<p>A primeira p\u00e1gina do Novo Testamento posiciona a Jesus, o Messias, como membro da fam\u00edlia de Davi e de Abra\u00e3o (Mateus 1.1). O culminar e cumprimento das promessas do Pacto feitas no Antigo Testamento est\u00e3o na pessoa e obra de Jesus Cristo, nascido na trajet\u00f3ria de uma fam\u00edlia (Mateus 1.1; Lucas 3.23; Atos 3.25-30; Romanos 4.13; G\u00e1latas 3.6-7, 16). Todos estes textos s\u00e3o uma continua\u00e7\u00e3o da forma na qual o Antigo Testamento se aproxima do cumprimento das promessas no contexto da fam\u00edlia. De modo que, tanto no Antigo como no Novo Testamento, as declara\u00e7\u00f5es acerca do matrimonio e da fam\u00edlia est\u00e3o ligadas com a mensagem total das Escrituras que d\u00e3o testemunho de Cristo (Jo\u00e3o 5.39).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Novo Testamento usa o termo \u201ccasa\u201d (oikos em grego) para descrever a fam\u00edlia<sup>17<\/sup>. Fala-se por exemplo, da \u201ccasa de Israel\u201d (Mateus 10.6; Atos 2.36; Hebreus 8.8-10) e da \u201ccasa de Davi\u201d (Lucas 1.27, 69; 2.4) para indicar a linhagem familiar.<\/p>\n<p>As mulheres, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento, tampouco eram consideradas \u201ciguais\u201d aos homens. A mulher estava obrigada a obedecer a seu marido como a um dono, e esta obedi\u00eancia era um dever religioso. Al\u00e9m disso estavam exclu\u00eddas da vida p\u00fablica. Joaquim Jeremias escreve: \u201cAs filhas, na casa paterna, deviam andar atr\u00e1s dos rapazes; sua forma\u00e7\u00e3o se limitava \u00e0 aprendizagem dos trabalhos dom\u00e9sticos, cozinhar, costurar; cuidar dos irm\u00e3os e irm\u00e3s menores. No que diz respeito ao pai, tinham com certeza os mesmos deveres que os filhos homens, mas n\u00e3o tinham os mesmos direitos; com respeito \u00e0 heran\u00e7a, por exemplo, os filhos homens e seus descendentes precediam as filhas mulheres. Antes de seu casamento estavam totalmente sob o poder de seu pai<sup>18<\/sup>.<\/p>\n<p>Tanto os direitos como os deveres religiosos das mulheres estavam limitados. As mulheres s\u00f3 podiam entrar no templo at\u00e9 o \u00e1trio dos gentios e das mulheres. Haviam rabinos que sustentavam que n\u00e3o se devia ensinar o Torah (o livro religiosos dos judeus) \u00e0s mulheres. As escolas onde, al\u00e9m de ensinar-se a ler e a escrever, ensinava-se a lei, eram exclusivamente para os var\u00f5es. Somente algumas filhas de fam\u00edlias de elevado grau social podiam estudar. Nas sinagogas havia uma separa\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres. No culto a mulher somente escutava. O ensino era proibido a ela. Em casa a mulher n\u00e3o podia dar gra\u00e7as pela comida. Em geral a mulher, na cultura judia esteve segregada a um segundo plano, similar ao das mulheres das culturas vizinhas da \u00e9poca<sup>19<\/sup>.<\/p>\n<p>Nos tempos do Novo Testamento j\u00e1 imperavam a monogamia. O esposo\/pai era o chefe da fam\u00edlia. A fam\u00edlia inclu\u00eda aos pais e os filhos, a parentes e, entre os mais abastados, aos servos (Ef 5.21.6-9).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-9386 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/selo_familia-1.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"257\">Como se desenvolveu o minist\u00e9rio de Jesus neste ambiente? Jesus validou a institui\u00e7\u00e3o familiar. Ele mesmo chegou ao mundo atrav\u00e9s de uma fam\u00edlia onde al\u00e9m de pais, teve irm\u00e3os e irm\u00e3s (Mateus 13.55-57). Jesus experimentou uma inf\u00e2ncia de crescimento integral, tanto f\u00edsico como intelectual, social e espiritual (Lucas 2.52). Como adulto, ainda que como rabino itinerante, sem lar fixo (Lucas 9.58), soube desfrutar da hospitalidade de um lar (Mateus 8.14; Lucas 10.38-42). Seu primeiro milagre foi realizado em um casamento (Jo\u00e3o 2.12). Fez muitos outros milagres que demonstram sua preocupa\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia (Mateus 8.14-15; Lucas 7.12-16; Jo\u00e3o 11.5-44). Ensinou-nos a chamar a Deus de \u201cPai Nosso\u201d (Mateus 6.9) e o apresentou como o pai que esperava alerta o retorno do filho pr\u00f3digo (Lucas 15.11-32). Na cruz preocupou-se com a seguran\u00e7a de sua m\u00e3e, encarregando o disc\u00edpulo que ele amava de cuidar-lhe (Jo\u00e3o 19.26). Parece que n\u00e3o somente sua m\u00e3e, mas tamb\u00e9m seus irm\u00e3os estavam entre os disc\u00edpulos no aposento depois de sua ascens\u00e3o (Atos 1.14).<\/p>\n<p>Ainda que Jesus questionasse o conceito de que a descend\u00eancia biol\u00f3gica judia era suficiente para a membresia no Reino de Deus (Mateus 12.48-50), muito de seu minist\u00e9rio p\u00fablico esteve voltado para a fam\u00edlia. Ensinou enfaticamente que o quarto mandamento, de honrar pai e m\u00e3e, permanecia v\u00e1lido, acima at\u00e9 das obriga\u00e7\u00f5es culturais (Mateus 15.3-6; Marcos 7.10-13). Restabeleceu claramente a igualdade de direitos entre o homem e a mulher no matrimonio ao negar o direito de rep\u00fadio e a poligamia (Mateus 19.3-8; Marcos 10.2-9), privil\u00e9gios patriarcais geralmente reconhecidos no mundo antigo<sup>20<\/sup>. Em seu trato com as mulheres e as crian\u00e7as, gente de segunda categoria naquela \u00e9poca, Jesus n\u00e3o seguiu os costumes de seus contempor\u00e2neos. Segundo Jesus, as crian\u00e7as tinham um alto valor como membros de seu Reino (Marcos 10.13-16). Entre suas palavras de maior impacto est\u00e3o as que t\u00eam a ver com atitudes e a\u00e7\u00f5es de adultos que fazem trope\u00e7ar a um pequenino (Mateus 19.2-6). Discutiu temas espirituais com mulheres (Lucas 10.38-42; Jo\u00e3o 4; Jo\u00e3o 11). Isto representava um acontecimento sem, par\u00e2metros na \u00e9poca. Jesus n\u00e3o somente colocou a mulher num patamar mais elevado, mas a colocou diante de Deus em igualdade ao homem<sup>21<\/sup>.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Paulo e os demais escritores do Novo Testamento estavam familiarizados com os padr\u00f5es de autoridade familiar que prevaleciam no ambiente de seu tempo. Aparentemente aceitaram as normas existentes e n\u00e3o advogaram por mudan\u00e7as na estrutura social. Todavia por meio de seus ensinos e suas a\u00e7\u00f5es, fizeram evidente sua convic\u00e7\u00e3o a respeito do valor das mulheres e das crian\u00e7as. Em um ambiente no qual os judeus faziam suas ora\u00e7\u00f5es matinais dando gra\u00e7as a Deus por n\u00e3o terem nascido nem gentios, nem mulheres, nem escravos, os ap\u00f3stolos falavam com as mulheres, davam-lhes instru\u00e7\u00f5es a respeito do Reino de Deus, ministra\u00e7\u00e3o \u00e0s suas necessidades e um espa\u00e7o na obra do Reino de Deus (Atos 1.14; 16.13-14 etc).<\/p>\n<p>A estrutura social patriarcal n\u00e3o foi desconsiderada por Jesus e os ap\u00f3stolos. A estrutura familiar daquela \u00e9poca, como a comunidade de pessoas relacionadas por v\u00ednculos de matrimonio e parentesco e regidas pela autoridade do pai<sup>22<\/sup> foi reconhecida e colocada a servi\u00e7o do Reino de Deus e da edifica\u00e7\u00e3o da Igreja no Novo Testamento. O livro de Atos narra casos de fam\u00edlias inteiras que aceitaram o Evangelho e foram batizadas (Atos 10.24-48; 16.31; 18.8). Isto d\u00e1 testemunhos n\u00e3o s\u00f3 da unidade familiar dos que se convertiam ao Senhor, mas tamb\u00e9m que o pai de fam\u00edlia era o porta-voz de toda sua casa diante de Deus e da comunidade (Jo\u00e3o 4.53; Lucas 19.9; Filemon 1-2).<\/p>\n<p>Alguns dos ap\u00f3stolos eram homens de fam\u00edlia (I Co 9.5). Ainda que Paulo preferiu permanecer s\u00f3 por causa do Evangelho, honrou o casamento de outros (I Co 7.7-10; I Tm 4.1-5). Aconselhou \u00e0s esposas crist\u00e3s a permanecerem unidas a seus esposos, mesmo que estes n\u00e3o fossem crentes (I Co 7.10-16). O comportamento da fam\u00edlia foi uma das maneiras de reconhecer presb\u00edteros e di\u00e1conos (I Tm 3.1-13; Tito 1.5-7). A hospitalidade nos lares crist\u00e3os era uma virtude muito apreciada (Rm 12.13; I Pe 4.9). As rela\u00e7\u00f5es crist\u00e3s nos c\u00edrculos familiares dos crentes era um poderoso testemunho aos n\u00e3o convertidos (I Pe 3.1-7). Na fam\u00edlia, os frutos do Esp\u00edrito como amor, perd\u00e3o, gozo, paz, benignidade, dom\u00ednio pr\u00f3prio (G\u00e1latas 5.22), tinham a oportunidade de tornar-se realidades concretas e n\u00e3o somente meros conceitos abstratos.<\/p>\n<p>Isto tudo indica que o Evangelho n\u00e3o arrancou bruscamente aos primeiros crist\u00e3os de seu sistema habitual de fam\u00edlia, nem os isolou inutilmente da sociedade na qual vivam, antes reconheceu os valores da fam\u00edlia (da mesma forma que reconheceu os valores da cultura) quando estes correspondiam aos princ\u00edpios determinados por Deus. Ao mesmo tempo, o evangelho avaliou e julgou tanto o ambiente social como o familiar, quando estes n\u00e3o estavam de acordo com a vontade de Deus.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tudo isto, o vocabul\u00e1rio que o Novo Testamento usa para referir-se \u00e0 reden\u00e7\u00e3o \u00e9 tomado das rela\u00e7\u00f5es familiares. Por crer em Jesus Cristo, somos feitos filhos do Pai celeste (Jo\u00e3o 1.11-13). Ao sermos partes da Igreja, estamos na comunidade de irm\u00e3os, na qual Cristo \u00e9 o \u201cprimog\u00eanito entre muitos irm\u00e3os\u201d (Rm 8.29). Uma evidencia de pertencer \u00e0 \u201cfam\u00edlia de Deus\u201d (Ef 2.19; G\u00e1latas 6.10) \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o do amor na comunidade dos irm\u00e3os (I Jo\u00e3o 3.14-16).<\/p>\n<p><strong>Jorge E. Maldonado<\/strong> \u00e9 pastor, soci\u00f3logo e terapeuta familiar. \u00c9 membro fundador da Asociacion Latino-americana de Asesoramiento y Pastoral Familiar EIRENE. Trabalha atualmente em Genebra como educador familiar e na \u00e1rea de evangeliza\u00e7\u00e3o no Conselho Mundial de Igrejas.<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado no livro <em>Fundamentos B\u00edblico-Teol\u00f3gico do Casamento e da Fam\u00edlia<\/em>, Jorge Maldonado (org.), S\u00e3o Paulo: Eirene.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>William J. Goode, The Family, Englewood-Cliffg; Pertince Hill, 1976, p. 1. Ver tamb\u00e9m Berta Corredor, La Familia en Am\u00e9rica Latina, Bogot\u00e1, Centro de Investigaciones Sociales, 1982. Um trabalho mais atual e transcultural \u00e9 o de Wan-Shing Tseng e Jin Heu, Culture and Family, Problems and Therapy, New York, The Haworth Press, 1991.<\/li>\n<li>Bernard Faber, \u201cFamily\u201d en Enciclop\u00e9dia Americana, International Edition, New York, Americana Corporation, 1982, vol II, p. 218.<\/li>\n<li>Jorge E. Maldonado, \u201cFamily\u201d em Dictionary of Ecumenical Movement, editado por Nicholas Lossky, Jos\u00e9 Miguez-Bonino e outros, Genebra, WCC Publications, 1991, p. 415.<\/li>\n<li>William Everestt, Blessed be the Bond: Christian Perspectivas on Marriage and Family, Philadelphia, fortress, 1985.<\/li>\n<li>T. K. Cheyne e J. Shuterland-Black, editores, Enciclop\u00e9dia B\u00edblica, Londres, Adam and Charles Black, 1914, p. 1498<\/li>\n<li>Ibid.<\/li>\n<li>Rolando De Vaux, Instituiciones del Antigo Testamento, Barcelona, Editorial Herder, 1976, p. 50-51.<\/li>\n<li>C. Caverno, \u201cFamily\u201d, The International Standart Bible Encyclopedia, vol. II, Grand Rapids, Michigan, Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1960, p. 1094; e Arch E. Dichie, \u201cHouse\u201d, ISBE, vol III, p. 1434<\/li>\n<li>Roy B. Wyatt, \u201cCasa\u201d, Diccionario ilustrado de la Biblia, Miami, Florida, Editorial Caribe, 1974, p. 106-107.<\/li>\n<li>Rolando de Vaux, op. Cit. P. 50-51.<\/li>\n<li>Philip Wendell Crannel, \u201cFather\u201d, The International Standart Bible Encyclopedia, Vol. II, Grand Rapids, Michigan, Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1960, p. 1100.<\/li>\n<li>T.K. Cheyne y J. Sutherland-Black, op. cit., p. 1100<\/li>\n<li>Gottfried Quell, \u201cThe Father Concept in the Old Testament\u201d, Theological Dictionary of the New Testament, vol. V, Grand Rapids, Michigan, WM. B. Eerdmans Publishing Co., 1967, p. 969-972.<\/li>\n<li>Cl\u00e1udio Gancho, \u201cFam\u00edlia\u201d, Enciclop\u00e9dia de la B\u00edblia, vol. III, 2\u00aa ed. Barcelona, Ediciones Garriga S. A., 1969, p. 4431-433<\/li>\n<li>Pat Alexander, org. editor, Eerdmans Family Enciclop\u00e9dia of the Bible, Grand-Rapids; W. B. Eerdmans, 1978, p. 196.<\/li>\n<li>Pat Alexander, op. cit., p. 198.<\/li>\n<li>Gerhard Kittel, Theological Dictionary of the New Testament, Grand-Rapids, Eerdmans, 1967, citado por Dorothy Flory de Quijada en la Familia en la Mision de Dios, Quito, EIRENE, 1988.<\/li>\n<li>Joaquim Jeremias, Jerusal\u00e9m en Tiempos de Jesus, Madrid, Ediciones Cristianidad, 1969, p. 380-384.<\/li>\n<li>Ibid.<\/li>\n<li>Haring, Bernhard., El Matrimonio en Nuestro Tiempo, Editorial Herder. Barcelona, 1973, p. 128.<\/li>\n<li>Joaquim Jeremias, op. Cit., p. 387.<\/li>\n<li>The Interpreters Dictionary of the Bible, Nashville, Tenesse, Abingdon Press, 1962, Art. \u201cFamily\u201d.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jorge E. Maldonado<br \/>\nO prop\u00f3sito deste artigo \u00e9 considerar as diferentes formas nas quais se organizava a vida familiar nos tempos b\u00edblicos, seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es. Esperamos que o exerc\u00edcio sirva como uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 discuss\u00e3o teol\u00f3gica dos artigos que seguintes. \u00c9 prov\u00e1vel que o que chamamos hoje de \u201cfam\u00edlia\u201d, tenha muito pouco a ver [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9536,5153],"tags":[8441,32231,32244],"class_list":["post-8932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-do-editor","category-prateleira","tag-familia","tag-mais-na-internet","tag-ult-365"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8932"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9389,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8932\/revisions\/9389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}