{"id":8930,"date":"2017-05-02T00:00:55","date_gmt":"2017-05-02T03:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=8930"},"modified":"2017-06-07T14:59:19","modified_gmt":"2017-06-07T17:59:19","slug":"a-familia-na-missao-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/05\/02\/a-familia-na-missao-de-deus\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia na miss\u00e3o de Deus"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"color: #808000;\"><strong>Por Dorothy F. de Quijada<\/strong><\/span><\/h6>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/familia-miss\u00e3o-de-deus.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9200 alignright\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/familia-miss\u00e3o-de-deus.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/familia-miss\u00e3o-de-deus.jpg 360w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/familia-miss\u00e3o-de-deus-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a>A palavra \u201cmiss\u00e3o\u201d vem da palavra latina <strong><em>missio<\/em><\/strong>, e significa \u201ca\u00e7\u00e3o de enviar; poder que se d\u00e1 a um enviado para fazer algo\u201d\u00b9. \u00c0s vezes implica deslocamento geogr\u00e1fico para cumprir com uma tarefa, mas n\u00e3o necessariamente. O termo n\u00e3o \u00e9 utilizado somente no meio religioso, mas tamb\u00e9m em outras esferas da vida.<\/p>\n<p>Note-se que falamos da miss\u00e3o de Deus, ou <strong><em>Missio Dei<\/em><\/strong>, para nos referimos, de forma ampla, a tudo que Deus faz para a comunica\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o e, de forma mais espec\u00edfica, a tudo que a Igreja \u00e9 enviada a ser e fazer. A express\u00e3o <strong><em>Missio Dei<\/em><\/strong>, geralmente usada em sua forma latina, surgiu nos anos 50, em c\u00edrculos anglicanos e protestantes do Conc\u00edlio Mission\u00e1rio Internacional, quando se discutiam as bases teol\u00f3gicas para a atividade mission\u00e1ria. Descreve uma a\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria: O Pai enviando o Filho, e o Pai com o Filho enviando o Esp\u00edrito Santo para a reden\u00e7\u00e3o da humanidade. A express\u00e3o tem sido adotada e utilizada tamb\u00e9m em c\u00edrculos cat\u00f3lico-romanos e ortodoxos, uma vez que a id\u00e9ia tem estado presente desde os pais da Igreja \u00b2.<\/p>\n<p>A palavra \u201cmiss\u00e3o\u201d, como tal, n\u00e3o aparece na B\u00edblia, certamente a id\u00e9ia j\u00e1 estava ali presente. Deus mesmo \u00e9 o autor da \u201cmiss\u00e3o\u201d. Deus Pai envia seu filho Jesus Cristo a este mundo. Cristo \u00e9 o Enviado e, por sua vez, envia a seus disc\u00edpulos \u00b3. O escritor ingl\u00eas John Stott escreve: \u201cA miss\u00e3o prim\u00e1ria corresponde a Deus, porque foi Ele quem mandou os profetas, seu Filho, seu Esp\u00edrito. De todas estas miss\u00f5es, a central \u00e9 a do Filho\u201d4. O missi\u00f3logo sul-africano David Bosch afirma: \u201cA miss\u00e3o tem sua origem no cora\u00e7\u00e3o de Deus Pai. Ele \u00e9 a fonte do amor que envia. Esta \u00e9 a fonte mais profunda da miss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel penetrar mais profundamente: miss\u00e3o existe porque Deus ama a humanidade\u201d5.<!--more--><\/p>\n<p>A miss\u00e3o da igreja n\u00e3o \u00e9 outra que levar \u00e0 cabo a miss\u00e3o de Deus. Entretanto o centro de gravidade ao redor do qual devem girar os esfor\u00e7os mission\u00e1rios n\u00e3o \u00e9 a igreja, mas a auto-revela\u00e7\u00e3o do Deus Trino e sua glorifica\u00e7\u00e3o. A <strong><em>Missio Dei <\/em><\/strong>certamente se revela na miss\u00e3o da igreja, mas n\u00e3o somente nela e nem somente atrav\u00e9s dela6.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao conte\u00fado da miss\u00e3o da igreja existe uma gama muito grande de opini\u00f5es. Num extremo temos uma postura evang\u00e9lica estreita que sustenta que a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 sin\u00f4nima de evangeliza\u00e7\u00e3o e consiste exclusivamente em ganhar almas para a eternidade. Noutro extremo est\u00e3o os que a definem como a renova\u00e7\u00e3o da sociedade, a humaniza\u00e7\u00e3o ou a reconcilia\u00e7\u00e3o de todas as coisas7. Nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 que a \u201cmiss\u00e3o\u201d da Igreja abrange, entre outras coisas, a tarefa evangelizadora. J\u00e1 que a miss\u00e3o \u00e9 a tarefa total para a qual Deus enviou a igreja ao mundo, em seu trabalho mission\u00e1rio ela sai de si mesma para cruzar toda classe de fronteiras: geogr\u00e1ficas, sociais, pol\u00edticas, \u00e9tnicas, culturais, religiosas e ideol\u00f3gicas. Em todas estas \u00e1reas, a igreja em miss\u00e3o leva a mensagem da salva\u00e7\u00e3o de Deus. Concluindo, miss\u00e3o significa estar envolvido na reden\u00e7\u00e3o do universo e na glorifica\u00e7\u00e3o de Deus8.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o da igreja, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o trabalhar com Deus Pai e com Jesus Cristo, seu Senhor, que a enviou ao mundo, para cumprir com seu projeto de reden\u00e7\u00e3o total. O evangelismo (ou evangeliza\u00e7\u00e3o) poderia ser definido como aquela atividade da miss\u00e3o da igreja que procura oferecer a cada pessoa, em qualquer lugar, uma oportunidade v\u00e1lida de ser desafiada pelo evangelho expl\u00edcito e a chamada \u00e0 f\u00e9 em Cristo, com a perspectiva de aceita-lo como seu salvador e senhor, chegar a ser um membro de sua igreja e participar na busca de reconcilia\u00e7\u00e3o, a paz e a justi\u00e7a sobre a terra.<\/p>\n<p>O missi\u00f3logo evang\u00e9lico porto-riquenho Orlando Costas, nesta mesma linha, descreve as facetas da miss\u00e3o da igreja como: proclama\u00e7\u00e3o, discipulado, mobiliza\u00e7\u00e3o, crescimento integral, liberta\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o9. Outro latino-americano, o pastor Rolando Guti\u00e9rrez-Cort\u00e9s, inclui em sua defini\u00e7\u00e3o de miss\u00e3o da Igreja, a adora\u00e7\u00e3o, a qual considera como a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria n\u00famero um, mediante a qual o mundo recebe o testamento mais profundo de dois ou tr\u00eas que est\u00e3o congregados no nome do Senhor10. Para ele \u201cn\u00e3o existe igreja sem miss\u00e3o, nem miss\u00e3o sem evangeliza\u00e7\u00e3o, nem evangeliza\u00e7\u00e3o sem ensino, nem ensino sem adora\u00e7\u00e3o\u201d11.<\/p>\n<p>A \u201cmiss\u00e3o\u201d nascida no cora\u00e7\u00e3o de Deus cobra vig\u00eancia e urg\u00eancia num ambiente de \u00edntima adora\u00e7\u00e3o e comunh\u00e3o com ele, se desenvolve em meio do louvor e da adora\u00e7\u00e3o, onde se escuta a Palavra de Deus e se recebe a ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo que guia a toda a verdade. O mesmo Esp\u00edrito d\u00e1 o poder e a dire\u00e7\u00e3o para que a Igreja seja agente ativa do Reino de Deus, e isto inclui a \u201cigreja em miniatura\u201d, a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Miss\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, refletir o amor de Deus com fatos concretos num mundo de dor, viol\u00eancia e morte. \u00c9 viver em paz com Deus e com o pr\u00f3ximo e procurar a paz para o mundo. \u00c9 atuar com eq\u00fcidade neste mundo e lutar pela justi\u00e7a. \u00c9 relacionar-se em estreita comunh\u00e3o, ajuda m\u00fatua e testemunho p\u00fablico com o Corpo de Cristo, a Igreja e com a comunidade humana. \u00c9 ser signo e agente do Reino de Deus, como prim\u00edcia da nova humanidade que Deus est\u00e1 formando em Cristo.<\/p>\n<p><strong>Abra\u00e3o e sua fam\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da fam\u00edlia da f\u00e9 come\u00e7a com a hist\u00f3ria de Abra\u00e3o. Abra\u00e3o e sua fam\u00edlia n\u00e3o sa\u00edram de Ur na Cald\u00e9ia em busca de \u00e1gua e pasto para seus animais, mas em obedi\u00eancia ao chamado de Deus. Quem obedeceu n\u00e3o foi somente o patriarca, o chefe do cl\u00e3, mas toda sua fam\u00edlia, incluindo um sobrinho (Gn 12.5), servos e outras pessoas (Gn 14.14).<\/p>\n<p>Abra\u00e3o recebeu a promessa de que nele \u201cseriam benditas todas as fam\u00edlias da terra\u201d (Gn 12.1-3). Na genealogia de Mateus 1, Jesus \u00e9 chamado \u201cfilho de Abra\u00e3o\u201d (Mt 1.1). O te\u00f3logo holand\u00eas Johannes Blauw disse que o chamado de Abra\u00e3o marcou o princ\u00edpio do processo de restaura\u00e7\u00e3o da humanidade comunh\u00e3o com Deus12. A hist\u00f3ria dos descendentes de Abra\u00e3o \u00e9 basicamente a continua\u00e7\u00e3o do relato do trato de Deus com todas as na\u00e7\u00f5es, ou seja, todos os homens e todas as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Deus manifestou sua gra\u00e7a nesta fam\u00edlia e a usou, com todas suas falhas e debilidades, como o meio pelo qual a salva\u00e7\u00e3o chegaria a ra\u00e7a humana. Sua gra\u00e7a pode-se ver em Seu direcionamento dado aos patriarcas, em Sua provis\u00e3o para eles e na forma pela qual os preservou em sua paci\u00eancia com eles e na forma pela qual os perdoou. Sua gra\u00e7a pode ser vista nas crises e acontecimentos de cada dia. Pode ser vista nos matrim\u00f4nios, porque \u00e9 por meio do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia que a salva\u00e7\u00e3o chegar\u00e1 ao fim, na pessoa do Salvador, que \u00e9 seu descendente13.<\/p>\n<p>No Novo Testamento surge um debate acerca de quem s\u00e3o os verdadeiros descendentes de Abra\u00e3o. Jesus, Jo\u00e3o Batista e o ap\u00f3stolo Paulo declaram que todos os que demonstram ter uma f\u00e9 como a de Abra\u00e3o s\u00e3o de sua fam\u00edlia (Lc 3.8; Jo\u00e3o 8.31ss e Gl 3.6-7). A ben\u00e7\u00e3o de Deus sobre Abra\u00e3o e seus descendentes n\u00e3o foi s\u00f3 um precioso presente, mas um chamado para um pacto com Deus, e uma comiss\u00e3o para participar na miss\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Existem muitos outros exemplos no Antigo Testamento de pessoas e suas fam\u00edlias salvas e usadas por Deus. Pessoas e fam\u00edlias que n\u00e3o eram israelitas encontram-se na lista dos her\u00f3is da f\u00e9 em Hebreus 11, como Raabe e sua fam\u00edlia que se salvaram ao ajudar os espias enviados por Josu\u00e9 (Josu\u00e9 2). Sua f\u00e9 \u00e9 celebrada no Salmo 87.4.<\/p>\n<p><strong>Israel na Miss\u00e3o de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Deus elegeu aos filhos de Israel para fazer um pacto com eles, a fim de que fosse um testemunho \u201cde palpitante atualidade\u201d entre as na\u00e7\u00f5es, ou seja, para revelar sua grandeza e senhorio na terra e atrair a todos os povos para ele. Israel n\u00e3o era o melhor nem o maior povo do mundo, mas Deus, em sua inescrut\u00e1vel miseric\u00f3rdia, o escolheu porque o amou (Deuteron\u00f4mio 7.6-8). \u201cAo escolher Israel como um setor da humanidade, Deus nunca tirou os olhos das outras na\u00e7\u00f5es; Israel foi&#8230; uma minoria chamada a servir a maioria\u201d14.<\/p>\n<p>Aqui podemos mencionar o que Blauw chama de <strong>miss\u00e3o centr\u00edpeta <\/strong>e <strong>miss\u00e3o centr\u00edfuga<\/strong>15. Em sua opini\u00e3o, Israel n\u00e3o estava chamado a sair proclamando a mensagem de Deus para as na\u00e7\u00f5es, mas a atrair as outras pessoas para conhecerem a Deus, atrav\u00e9s da manifesta\u00e7\u00e3o do Seu poder em seus feitos por Israel.<\/p>\n<p>Existem muitas passagens no Antigo Testamento que assinalam a vis\u00e3o da miss\u00e3o universal de Deus, e de Israel como seu instrumento. Verkuyl escreve que Deus escolheu a Israel para revelar suas \u201cinten\u00e7\u00f5es universais\u201d16. Israel n\u00e3o cumpriu com sua miss\u00e3o de \u201cfalar a outras na\u00e7\u00f5es\u201d. Pelo contr\u00e1rio, desviou-se por sua soberba. Ent\u00e3o Deus levantou a um Am\u00f3s, a um Jeremias ou a um Ezequiel para anunciar seu ju\u00edzo. Blauw, sobre \u00caxodo 19.6, comenta: \u201cIsto n\u00e3o significa que Israel ser\u00e1 um povo composto inteiramente por sacerdotes, mas que Israel cumprir\u00e1 um papel sacerdotal como povo em meio aos povos, representando a Deus entre o restante das na\u00e7\u00f5es\u201d. Que Israel seja \u201csanto\u201d&#8230; n\u00e3o alude \u00e0 sua qualidade \u00e9tica, mas \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que tem com Deus; est\u00e1 consagrado (ou seja, separado) para um servi\u00e7o especial17<\/p>\n<p>Os Salmos tamb\u00e9m cont\u00e9m muitas refer\u00eancias \u00e0 universalidade da miss\u00e3o de Deus no mundo (Sl 33.8; 67.17; 87.4-6; 96.9-13; 148.11-14).<\/p>\n<p>James Hurley afirma que cada israelita teve que cumprir uma parte da miss\u00e3o de Deus18. Cada pessoa, em sua vida di\u00e1ria, teve a responsabilidade de contribuir para a miss\u00e3o mostrando frutos da santidade e poder de Deus aos povos vizinhos. Por isso houve instru\u00e7\u00f5es para assegurar um tratamento justo aos d\u00e9beis e indefesos: o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o estrangeiro. \u201cA posi\u00e7\u00e3o do esposo e pai era um posto de responsabilidade e autoridade que esteve sujeito a muito abuso. As leis de Israel proveram a prote\u00e7\u00e3o da esposa e dos filhos, contra o abuso ego\u00edsta por parte dos maridos e pais\u201d19.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 interessante observar que existe um livro inteiro no Antigo Testamento que mostra a preocupa\u00e7\u00e3o universal de Deus: Jonas. O povo de N\u00ednive, ao confrontar-se com o ju\u00edzo do Deus Verdadeiro, se arrependeu de sua maldade. Um povo pag\u00e3o recebeu a gra\u00e7a de Deus. Ent\u00e3o, que papel teve cada fam\u00edlia israelita no cumprimento da miss\u00e3o de Deus? Examinemos o que nos relata o Antigo Testamento.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O culto, a adora\u00e7\u00e3o e o servi\u00e7o a Jeov\u00e1 foram o centro da vida em Israel. Nas assembl\u00e9ias de encontro entre Deus e seu povo participavam pessoas de diversas gera\u00e7\u00f5es, desde os anci\u00e3os at\u00e9 as crian\u00e7as (Deuteron\u00f4mios 29.10-15). Esperava-se que todos escutassem, aprendessem e obedecessem (Dt 31.12-13).<\/p>\n<p>Os lares eram centros de adora\u00e7\u00e3o, consagra\u00e7\u00e3o e ensino da f\u00e9 um Deus20. O pai da fam\u00edlia cumpria a fun\u00e7\u00e3o sacerdotal em cada lar. A P\u00e1scoa, a festa mais importante de Israel era, e continua sendo celebrada em fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em Israel houve toda uma cadeia de \u201cmestres\u201d, consagrados a fazer que cada gera\u00e7\u00e3o conhecesse a vontade de Deus e a obedecesse. Jeov\u00e1 foi o primeiro \u201cmestre\u201d de seu povo. Deus conduziu sua fam\u00edlia com o cuidado de um bom pai (Dt 1.31); a instruiu com carinho e disciplina (Dt 32.10-11); e colocou l\u00edderes (como Mois\u00e9s, Josu\u00e9 e Davi) para gui\u00e1-la. Parte importante desta cadeia de mestres que devia instruir a cada gera\u00e7\u00e3o, foram os pais e av\u00f3s de cada fam\u00edlia (Dt 6.1-9). Quando os filhos perguntavam sobre os mandamentos e testemunhos de Jeov\u00e1, o pai estava instru\u00eddo para responder com palavras e com seu exemplo.<\/p>\n<p>Aspecto fundamental da miss\u00e3o de Deus para Israel foi compartilhar e viver os mandamentos de Deus, gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, no seio da fam\u00edlia. Diariamente, em todas as circunst\u00e2ncias da vida, em todo lugar, em todo o tempo, os pais deviam amar e obedecer a Deus e amar ao pr\u00f3ximo; e deviam ensinar a seus filhos a fazer o mesmo (Dt 6.1-9).<\/p>\n<p>Deuteron\u00f4mio 6.1-9 cont\u00e9m a famosa ora\u00e7\u00e3o ou declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9 israelita, o <strong><em>shem\u00e1 <\/em><\/strong>judeu, o \u201cOuve Israel&#8230;\u201d (Dt 6.4, 5). As palavras do shem\u00e1 eram as primeiras que as crian\u00e7as judaicas aprendiam21. Jesus as citou (Mc 12.28-34) como o resumo da Lei e a base para a moral crist\u00e3. O livro de Deuteron\u00f4mio \u00e9 um dos mais citados no Novo Testamento, e nele \u201caparecem concentrados os elementos b\u00e1sicos da teologia do Antigo Testamento&#8230; O deuteronomista n\u00e3o encontra outro lugar mais importante para depositar o miolo da f\u00e9 b\u00edblica que o lar\u201d22. Estas palavras dirigidas a pais e m\u00e3es, sublinham que a vida e conversa\u00e7\u00e3o familiar s\u00e3o os ve\u00edculos mais importantes para transmitir a f\u00e9. Ali se passa a verdade de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o e se admoesta as pessoas acerca de sua responsabilidade para com a gera\u00e7\u00e3o seguinte23. O lugar mais adequado para passar a \u201cbandeira da verdade\u201d, de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, como em uma corrida de bast\u00f5es, \u00e9 o seio da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Outra passagem que enfoca a responsabilidade dos pais de ensinar a seus filhos as verdades de Deus \u00e9 o Salmo 78. Os israelitas deviam ensinar a seus filhos a ter f\u00e9 em Deus. Lembremos que n\u00e3o somente os indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m as fam\u00edlias e as tribos foram advertidas do castigo que receberiam se seguissem a falsos deuses (Dt 34.18).<\/p>\n<p>Todavia desobedeceram a Jeov\u00e1. Leia-se a hist\u00f3ria que narra o Salmo 78. Os pais mesmos ensinaram a seus filhos a seguir outros deuses (Sl 78.58; Jr 9.13-14). E, embora os pais tenham sido castigados por n\u00e3o corrigirem seus filhos (recorde-se Eli: I Sm 3.11-14); o castigo do pecado de \u201caborrecer\u201d a Jeov\u00e1 se estendeu at\u00e9 os netos e os bisnetos (Dt 5.9). Como fam\u00edlias pecaram e como fam\u00edlias foram castigadas (Dt 11.6). Fe Coolidge assinala uma verdade pertinente quando observa: \u201cNenhuma na\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor que a vida no lar de seu povo\u201d24.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias israelitas esqueceram de adorar o \u00fanico Deus, Jeov\u00e1 e se esqueceram de cumprir suas leis e instru\u00e7\u00f5es, que eram pautas para viver em comunidade. N\u00e3o se preocuparam com as vi\u00favas, os \u00f3rf\u00e3os, os estrangeiros, nem os pobres. Descuidaram de suas conversa\u00e7\u00f5es acerca de Deus em casa e na rua. Negociaram com pesos falsos, trataram mal a seus pr\u00f3ximos, em resumo, descuidaram de tudo aquilo que indicava para o verdadeiro Deus.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante \u00e0 situa\u00e7\u00e3o adversa, um grupo de israelitas seguiu os caminhos de Deus. Deste n\u00facleo, muitas vezes Deus levantou a um l\u00edder ou profeta para chamar o povo ao arrependimento (Hb 1.1).<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia e Miss\u00e3o no Novo Testamento<\/strong><\/p>\n<p>A miss\u00e3o de Cristo nasce da comunh\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o que existe entre Pai e seu Filho, caracterizada pelo amor (Jo\u00e3o 3.35), \u201cO amor, pois, \u00e9 a express\u00e3o mais profunda da rela\u00e7\u00e3o entre Aquele que se revela a si mesmo e seu instrumento\u201d25. Sabemos que \u00e9 o Filho que torna vis\u00edvel a Deus Pai (Jo\u00e3o 1.18; Cl 1.15). Por isso mesmo, o \u00fanico caminho para o Pai \u00e9 o Filho (Jo\u00e3o 14.6).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-9386 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2017\/05\/selo_familia-1.jpg\" alt=\"\" width=\"234\" height=\"257\">Jesus retoma a id\u00e9ia de Deus como esposo de Israel e compara sua pr\u00f3pria miss\u00e3o como um casamento (Mc 2.18). Bromiley nos lembra a cena nupcial do Cordeiro, Jesus Cristo (Ap 19.9-21; Lc 22.30), afirmando: \u201cSe o matrim\u00f4nio terreno n\u00e3o dura at\u00e9 a eternidade, o matrim\u00f4nio de Deus e seu povo sim, perdura&#8230; O retrata como o matrim\u00f4nio de Cristo e a Igreja. Aqui est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o perfeita \u2013 a rela\u00e7\u00e3o com e em Cristo \u2013 que suplanta a mais alta das rela\u00e7\u00f5es terrenas transcendental e ternamente\u201d26.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de seu ensino e pr\u00e1tica, Jesus ampliou o significado da palavra \u201cfam\u00edlia\u201d. Segundo ele, embora uma pessoa deva amar sua fam\u00edlia, este amor n\u00e3o deve tomar o lugar de seu amor para com Deus (Lc 14.26). Embora Jesus tenha valorizado a fam\u00edlia humana, ensinou que existe uma grande fam\u00edlia cujos v\u00ednculos s\u00e3o mais profundos. Os membros da fam\u00edlia de Cristo s\u00e3o os que fazem o que Deus deseja (Mc 3.31-35). O amor caracteriza esta \u201cfam\u00edlia extensa\u201d (Jo\u00e3o 13.34-35). O encargo de cumprir a miss\u00e3o de Deus vai do Pai ao Filho, Jesus Cristo, e deste \u00e0 Igreja, esta grande fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O livro de Atos mostra o papel da fam\u00edlia na expans\u00e3o da nascente Igreja de Cristo. Em seu in\u00edcio a Igreja se reunia n\u00e3o s\u00f3 no templo, mas tamb\u00e9m nos lares (Atos 2.46-47; 5.42).<\/p>\n<p>A comunidade caseira, <strong><em>oikomia<\/em><\/strong>, era a unidade b\u00e1sica da sociedade grega daqueles tempos27. Geralmente uma fam\u00edlia expressava sua unidade adotando a mesma religi\u00e3o. Quando o cabe\u00e7a do lar se convertia ao Evangelho, toda a fam\u00edlia seguia seu exemplo. Ilustra\u00e7\u00e3o disto \u00e9 a convers\u00e3o de Corn\u00e9lio com todos seus parentes, servos e amigos. Foi um grupo grande o que foi batizado com ele na nova f\u00e9 (Atos 10.24-48). Rogelio Greenway cita a respeito: \u201cOs contatos e a amizade pessoal distinguiam o nascimento de uma nova igreja, mas era atrav\u00e9s da casa grega que a nova f\u00e9 fazia sua r\u00e1pida expans\u00e3o no mundo de Paulo\u201d. A <strong><em>oikos <\/em><\/strong>ou a <strong><em>oikia <\/em><\/strong>do mundo grego era a unidade b\u00e1sica da sociedade, e era adequada para a extens\u00e3o da igreja. Em grego n\u00e3o existe um equivalente exato para o termo \u201cfam\u00edlia\u201d. A <strong><em>OIKOS <\/em><\/strong>ou casa era uma esp\u00e9cie de grande fam\u00edlia que mantinham juntos a muitos de seus membros. N\u00e3o s\u00f3 se compunha de membros (no sentido atual), mas tamb\u00e9m dos empregados, escravos, inquilinos e outros dependentes28.<\/p>\n<p>O livro de Atos menciona a outros homens e mulheres que foram instrumentos por meio dos quais fam\u00edlias inteiras entraram para o \u201cCaminho\u201d. A igreja em Filipos iniciou com a convers\u00e3o de L\u00eddia, o carcereiro e suas respectivas fam\u00edlias (Atos 16.15-33). A primeira fam\u00edlia corintia que se batizou foi a de Estefano, uma fam\u00edlia \u201cdedicada ao servi\u00e7o dos santos\u201d (I Co 1.16 e 16.15). Que lindo exemplo de convers\u00e3o familiar \u00e9 o de Crispo, dirigente da sinagoga de Corinto (Atos 18.8). Judge escreve: \u201cN\u00e3o somente a convers\u00e3o da comunidade caseira foi o natural ou a maneira necess\u00e1ria de estabelecer a nova f\u00e9 no ambiente estranho, mas o lar converteu-se na base mais s\u00f3lida das reuni\u00f5es dos crist\u00e3os\u201d29.<\/p>\n<p>Nas sauda\u00e7\u00f5es paulinas a igreja em Roma (16.5, 14-15) s\u00e3o mencionadas tr\u00eas comunidades caseiras. Existem outras sauda\u00e7\u00f5es que parecem ser para membros de outras casas (Rm 16.10-11). Que se fazia nestas reuni\u00f5es nos lares? Ensinava-se e pregava-se (Atos 5.42). Partia-se o p\u00e3o (refer\u00eancia \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Santa Ceia e a comunh\u00e3o entre irm\u00e3os), comiam juntos em um ambiente familiar alegre (Atos 2.46-47) e se orava (Atos 12.12). Greenway sustenta que: \u201cO primeiro golpe contra as barreiras pag\u00e3s, raciais e sociais, foi dado na mesa da ceia do Senhor, onde se sentavam juntos senhores e escravos, homens e mulheres, judeus e gentios. As primeiras e fundamentais li\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 igreja como \u201cfam\u00edlia de Deus\u201d (Gl 6.1; Ef 2.19) foram ensinadas no nascimento da miss\u00e3o paulina \u00e0s cidades, quando a f\u00e9 era estabelecida nas \u201cgrandes fam\u00edlias\u201d da casa grega\u201d 30. O estilo de vida deste microcosmo da igreja, a fam\u00edlia, \u00e9 diferente, sen\u00e3o oposto, ao mundo que o rodeia.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sabemos que Saulo, quando perseguia \u00e0 igreja, ia \u201cde casa em casa\u201d para arrastar homens e mulheres e leva-los presos (Atos 8.3). Assim observamos que n\u00e3o somente os crentes como indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m a fam\u00edlia e o lar tiveram um papel importante na evangeliza\u00e7\u00e3o e discipulado na igreja neotestament\u00e1ria. N\u00e3o foram somente homens, nem tampouco somente mulheres, que se ocuparam de propagar a f\u00e9 crist\u00e3. A igreja incluiu a \u201cigreja dom\u00e9stica\u201d, n\u00e3o foi s\u00f3 <strong>sinal <\/strong>do Reino, por sua presen\u00e7a, mas <strong>agente ativo <\/strong>de sua expans\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o estabelecimento da Igreja de Cristo, os temas sobre \u201cfam\u00edlia\u201d e \u201cigreja\u201d est\u00e3o entretecidos nas ep\u00edstolas. Por exemplo, em Ef\u00e9sios 5.21 a 6.9, ao falar das rela\u00e7\u00f5es familiares, mencionam a Igreja e sua rela\u00e7\u00e3o com Cristo. Sob o t\u00edtulo \u201cfam\u00edlia\u201d, a Enciclop\u00e9dia Zondervan diz: \u201cO conceito de fam\u00edlia aparentemente era t\u00e3o extenso que os ap\u00f3stolos o usaram em sua prega\u00e7\u00e3o para descrever, n\u00e3o s\u00f3 a Israel&#8230; mas tamb\u00e9m a Igreja de Cristo&#8230; O fato que as primeiras igrejas se reuniam em lares privados&#8230;, e que geralmente os primeiros convertidos foram grupos familiares, deu um car\u00e1ter peculiar de fam\u00edlia \u00e0 imagem da cristandade (Atos 16.31)&#8230; De todos os conceitos crist\u00e3os, aqueles que tinham a ver com fam\u00edlia&#8230; parece que tinham maior aceita\u00e7\u00e3o. At\u00e9 o amor de Cristo pela Igreja \u00e9 expresso como o amor de um esposo por uma esposa. A imagem de um noivo e sua noiva aparece na vis\u00e3o apocal\u00edptica final da Nova Jerusal\u00e9m (Ap 21.2; 22.17)\u201d31.<\/p>\n<p>O Ap\u00f3stolo Paulo menciona freq\u00fcentemente a fam\u00edlia em seus escritos e usa termos de carinho para expressar suas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia do Corpo de Cristo (II Co 1.8; Gl 1.2; I Tm 1.2; etc) incluindo a imagem de uma m\u00e3e nutrindo e cuidando de seus filhos (I Ts 2.7).<\/p>\n<p>No que diz respeito aos deveres crist\u00e3os, o ap\u00f3stolo Paulo desafia a \u201cfazer bem a todos e especialmente aos da fam\u00edlia da f\u00e9\u201d (Gl 6.10). Em Ef\u00e9sios 2.19 refere-se \u00e0 Igreja como a \u201cfam\u00edlia de Deus\u201d. Em Ef\u00e9sios 3.15-16, com rever\u00eancia ao Deus Pai, reconhece que \u00e9 dele quem \u201ctoma nome toda a fam\u00edlia nos c\u00e9us e na terra\u201d.<\/p>\n<p>Falando da lideran\u00e7a da Igreja, Paulo diz que a pessoa que n\u00e3o sabe administrar sua pr\u00f3pria fam\u00edlia n\u00e3o pode nem deve cuidar da igreja de Deus (I Tm 3.5). Aos que procuram se esquivar da responsabilidade de seu pr\u00f3prio lar, admoesta: \u201cSe algu\u00e9m n\u00e3o prov\u00ea para os seus e especialmente para os de sua casa, tem negado a f\u00e9 e \u00e9 pior que um incr\u00e9dulo\u201d (I Tm 5.8).<\/p>\n<p>Certamente o lar \u00e9 o lugar mais natural (pelas rela\u00e7\u00f5es permanentes), mas tamb\u00e9m o mais dif\u00edcil (pela intimidade e conhecimento m\u00fatuo), para dar testemunho do Reino de Deus. Entretanto, a mudan\u00e7a que Cristo traz para a vida individual pode mudar o ambiente do lar e fazer que uma fam\u00edlia seja luz em meio \u00e0s trevas. Opina o mission\u00e1rio William Goff: \u201cInsisto que a mudan\u00e7a amorosa que Cristo faz no cora\u00e7\u00e3o humano pode penetrar naquele crist\u00e3o e contagiar aqueles com os quais tem conviv\u00eancia constante, mesmo se s\u00e3o de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia\u201d, Cristo produz no homem o que C. S. Lewis chamava de \u201cboa infec\u00e7\u00e3o\u201d, que afeta a todos os que tenham contato com o \u201cinfectado\u201d 32.<\/p>\n<p>Por certo as rela\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia que Deus est\u00e1 formando est\u00e3o em processo de aperfei\u00e7oamento (Fl 1.16). Deus n\u00e3o terminou ainda! A fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9 o \u201claborat\u00f3rio\u201d onde Deus est\u00e1 formando o homem novo. \u00c9 no vaiv\u00e9m di\u00e1rio, vivendo aprendendo juntos, em fam\u00edlia, com a ajuda de Deus, que vem a maturidade em Cristo, e \u00e9 um processo (Ef 4.13).<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Paulo retoma o tema do Antigo Testamento, da responsabilidade dos pais com seus filhos (Ef 6.4). E, percebam que as m\u00e3es e as av\u00f3s participam nesta tarefa (II Tm 1.5). Ed\u00e9sio Sanch\u00e9z diz que o lar \u00e9&#8230; \u201co lugar mais l\u00f3gico para a forma\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. Ali as rela\u00e7\u00f5es intergeneracionais s\u00e3o mais espont\u00e2neas e significativas; os momentos pedag\u00f3gicos mais variados e ricos&#8230; No lar, inclusive a doutrina mais acad\u00eamica e esot\u00e9rica tem a oportunidade de converter-se em desafio e estilo de vida\u201d33.<\/p>\n<p>Os membros de uma fam\u00edlia, como pequena igreja, aprendem a fazer a obra e a vontade de Deus junto, por meio do poder do Esp\u00edrito Santo. Sua aprendizagem inclui preocupa\u00e7\u00e3o para com os esquecidos, os necessitados: as vi\u00favas, os \u00f3rf\u00e3os e os pobres, tal como foi mandado a Israel s\u00e9culos antes (I Tm 5.3; Ef 4.28; Rm 12.13; I Co 16.1; II Co 8.1-7, 14; 9.6-15; etc). Parte da miss\u00e3o da fam\u00edlia crist\u00e3 como igreja em miniatura \u00e9 prover lar para os que carecem dele. A hospitalidade \u00e9 um dos atributos de um bom crist\u00e3o (Rm 12.13) e cremos que inclui ajudar a m\u00e3e abandonada, ao homem preso, \u00e0 crian\u00e7a desamparada (Mt 25.35-36).<\/p>\n<p>Em Romanos 16 existem ind\u00edcios que as fam\u00edlias crist\u00e3s tiveram um papel na expans\u00e3o do Evangelho e no minist\u00e9rio que Paulo desempenhou. Entre as sauda\u00e7\u00f5es que Paulo manda, est\u00e3o inclu\u00eddos \u00c1quila e Priscila, um casal dedicado ao minist\u00e9rio e companheiros em miss\u00e3o, dirigindo junto uma igreja caseira (Rm 16.4-5), e Andr\u00f4nico e Junias, chamados \u201cparentes\u201d e \u201ccompanheiros de pris\u00f5es\u201d (16.7). Existem sauda\u00e7\u00f5es para a \u201ccasa de Arist\u00f3bulo\u201d (16.14), e Fil\u00f3logo, Julia e Nereu e sua irm\u00e3 (16.15).<\/p>\n<p>Os outros ap\u00f3stolos, como Paulo, inclu\u00edram em suas ep\u00edstolas, ensinos sobre a fam\u00edlia. Temos, por exemplo, as instru\u00e7\u00f5es do Ap\u00f3stolo Pedro sobre o que fazer quando o esposo n\u00e3o \u00e9 crente (I Pe 3.1-6). Sua tamb\u00e9m \u00e9 a express\u00e3o \u201cco-herdeiras da gra\u00e7a\u201d (I Pe 3.7), que ele usa para explicar a eleva\u00e7\u00e3o da mulher a uma posi\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria em Cristo, orientando os esposos a honr\u00e1-las e a viver \u201csabiamente\u201d com elas.<\/p>\n<p>A Primeira Ep\u00edstola de Jo\u00e3o est\u00e1 cheia de express\u00f5es de carinho familiar: \u201cfilhinhos\u201d, \u201camados\u201d, \u201cirm\u00e3os\u201d. A Segunda Ep\u00edstola de Jo\u00e3o est\u00e1 escrita a uma \u201csenhora eleita e seus filhos\u201d (II Jo\u00e3o 1.1). Deste fato existem v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es: a) que foi escrita para uma mulher e seus filhos; b) que estava dirigida a uma igreja espec\u00edfica, visto que menciona \u201cos filhos de tua irm\u00e3, a eleita\u201d. Acrescentamos uma terceira opini\u00e3o: c) que foi dirigida a uma senhora espec\u00edfica e seus filhos em cujo lar se reunia uma igreja caseira.<\/p>\n<p><strong>A Fam\u00edlia e a Miss\u00e3o de Deus Hoje<\/strong><\/p>\n<p>A Igreja Cat\u00f3lica tem realizado ultimamente valiosas publica\u00e7\u00f5es nesta \u00e1rea, muito embora a reflex\u00e3o teol\u00f3gica sobre a fam\u00edlia pare\u00e7a ser um assunto relativamente novo. No passado foram feitos estudos profundos sobre o matrim\u00f4nio, mas a fam\u00edlia como tal n\u00e3o recebeu a devida aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 agora34.<\/p>\n<p>A frase chave que resume o conceito cat\u00f3lico da fam\u00edlia em miss\u00e3o. Por exemplo, Santo Agostinho convidou aos pais de fam\u00edlia a exercerem o minist\u00e9rio de bispos em seus lares36. Cris\u00f3stomo desafiou aos crist\u00e3os a fazerem de suas casas uma igreja. Esta \u00e9 uma id\u00e9ia que vinha da igreja primitiva, mas que parece ter passado \u201cdespercebida\u201d por s\u00e9culos37.<\/p>\n<p>Que \u00e9 a \u201cigreja dom\u00e9stica\u201d? Jos\u00e9 Romam Flecha a define da seguinte maneira: \u201cA ess\u00eancia da fam\u00edlia crist\u00e3, como igreja dom\u00e9stica, parece exigir sua miss\u00e3o como igreja mission\u00e1ria e evangelizadora, como igreja que ora e celebra; como igreja que serve e liberta. A fam\u00edlia e o homem n\u00e3o s\u00e3o fins em si mesmos\u201d38.<\/p>\n<p>A III Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-americano ocorrida em Puebla, M\u00e9xico, em 1979, expressa tamb\u00e9m sua preocupa\u00e7\u00e3o pela fam\u00edlia nas seguintes palavras: \u201cPassados 10 anos (de Medell\u00edn), a Igreja na Am\u00e9rica Latina sente-se feliz por tudo que pode realizar em favor da fam\u00edlia. Mas reconhece com humildade o quanto lhe falta para fazer, enquanto que percebe que a Pastoral Familiar, longe de ter perdido seu car\u00e1ter priorit\u00e1rio, surge hoje como elemento muito importante da Evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d39.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disto, existe um documento oficial do Vaticano que \u00e9 chave para entender o ponto de vista cat\u00f3lico atual. \u00c9 a <strong><em>Exhortaci\u00f3n apost\u00f3lica Familiaris Consortio do Papa Jo\u00e3o Paulo II ao episcopado, ao clero e aos fi\u00e9is de toda a Igreja sobre la fam\u00edlia crist\u00e3 no mundo atual<\/em><\/strong>40. Ali se observa a import\u00e2ncia que Jo\u00e3o Paulo II d\u00e1 \u00e0 fam\u00edlia. Diz: \u201cEm verdade a fam\u00edlia crist\u00e3 \u00e9 a primeira comunidade chamada a anunciar o Evangelho \u00e0 pessoa humana em desenvolvimento e a conduzi-la \u00e0 plena maturidade humana e crist\u00e3, mediante uma progressiva educa\u00e7\u00e3o e catequese&#8230; Queridos por Deus com a mesma cria\u00e7\u00e3o, matrim\u00f4nio e fam\u00edlia est\u00e3o internamente ordenados a realizar-se em Cristo e tem necessidade de sua gra\u00e7a para serem curados das feridas do pecado e serem devolvidos \u201cao seu princ\u00edpio\u201d, ou seja, ao conhecimento pleno e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o integral do des\u00edgnio de Deus\u201d41.<\/p>\n<p>O Papa demonstra compreens\u00e3o diante do dif\u00edcil contexto que vive muitas fam\u00edlias do Terceiro Mundo. Reconhece que muitas vezes faltam os \u201cmeios fundamentais para a sobreviv\u00eancia, como o alimento, o trabalho, a casa, os rem\u00e9dios, as liberdades mais elementares\u201d42. Percebe que a fam\u00edlia \u00e9 objeto de \u201cfor\u00e7as\u201d que procuram \u201cdestru\u00ed-la ou deforma-la\u201d43. Reconhece que a boa marcha da sociedade e da igreja mesma depende \u201cprofundamente\u201d da sa\u00fade da fam\u00edlia. Dia que s\u00e3o as fam\u00edlias crist\u00e3s as que est\u00e3o \u201cchamadas a acolher e a viver no projeto de Deus\u201d44.<\/p>\n<p>A Fam\u00edlia \u00e9 vista como a \u201ccunha\u201d da igreja, por ser o lugar onde cada nova gera\u00e7\u00e3o pode inserir-se na Igreja. Diz assim: \u201cPor isso a fam\u00edlia recebe a miss\u00e3o de custodiar, revelar e comunicar o amor, como reflexo vivo e participa\u00e7\u00e3o real do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja, sua esposa\u201d.45 Familiaris Consortio assinala a necessidade de \u201crecuperar&#8230; a primazia dos valores morais\u201d: \u201cTodos os membros da fam\u00edlia, cada um segundo seu pr\u00f3prio dom, tema gra\u00e7a e a responsabilidade de construir, dia a dia, a comunh\u00e3o das pessoas, fazendo da fam\u00edlia uma \u201cescola de humanidade mais rica\u201d; \u00e9 o que sucede com o cuidado e o amor para com os pequenos, os enfermos e os anci\u00e3os; com o servi\u00e7o rec\u00edproco de todos os dias, compartilhando bens, alegrias e sofrimentos\u201d46.<\/p>\n<p>Guilhermo Cook escreveu um extenso livro baseado em sua investiga\u00e7\u00e3o das comunidades eclesiais de base (CEBs) e as implica\u00e7\u00f5es deste movimento, para cat\u00f3licos e evang\u00e9licos47. Cook escreve que entre as igrejas caseiras e as CEBs existe algo comum com a Igreja de Jerusal\u00e9m, onde a doutrina, a liturgia, a ora\u00e7\u00e3o, a comida e as posses eram compartilhadas. Ali menciona que Marins chama as igrejas do Novo Testamento de \u201ccomunidades dom\u00e9sticas de base\u201d, as quais s\u00e3o as principais respons\u00e1veis da r\u00e1pida expans\u00e3o da Igreja por todo o imp\u00e9rio Romano.<\/p>\n<p>No mundo protestante latino-americano existe muito pouca reflex\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria sobre a fam\u00edlia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o de Deus e a miss\u00e3o da igreja, embora na pr\u00e1tica, o acelerado crescimento das igrejas protestantes atrav\u00e9s dos grupos caseiros e do testemunho nos lares \u00e9 uma evid\u00eancia de sua pertin\u00eancia. J\u00e1 ao final da d\u00e9cada de 60, comprovou-se a efic\u00e1cia da evangeliza\u00e7\u00e3o a partir dos lares. Dayton Roberts percebeu que nas c\u00e9dulas de ora\u00e7\u00e3o muitas delas dom\u00e9sticas, muitas pessoas se convertiam. Seus informes indicavam que familiares e vizinhos se entregavam a Cristo por este meio, e que os preconceitos religiosos desaparecem quando a fam\u00edlia evang\u00e9lica abre as portas de sua casa48. Um recente estudo antropol\u00f3gico dos protestantes nesta regi\u00e3o assegura que: \u201c&#8230;o \u00eaxito dos estudos b\u00edblicos familiares e das igrejas nas casas&#8230; demonstra que os lares s\u00e3o a chave para a expans\u00e3o evang\u00e9lica\u201d49. \u00c9 prov\u00e1vel que n\u00e3o fa\u00e7amos justi\u00e7a a todo o trabalho das igrejas protestantes neste campo, isto por n\u00e3o haver muito testemunho escrito do que ocorre.<\/p>\n<p>Na busca de trabalhos protestantes em ingl\u00eas sobre o tema, revisamos uma enorme estante repleta de livros sobre a fam\u00edlia em Miami, Fl\u00f3rida. Havia muito sobre o matrim\u00f4nio e como resolver os problemas que atingem os lares. Apenas uns poucos livros eram relativos ao nosso tema50. Isto \u00e9 um reflexo da sa\u00fade da fam\u00edlia crist\u00e3 no mundo de fala inglesa? Ou reflete antes um vazio teol\u00f3gico-pastoral no que diz respeito \u00e0 fam\u00edlia? Em castelhano tamb\u00e9m existem publica\u00e7\u00f5es evang\u00e9licas que se ocupam da fam\u00edlia, mas a grande maioria s\u00e3o tradu\u00e7\u00f5es do ingl\u00eas. Seu enfoque tamb\u00e9m aponta para a melhoria das rela\u00e7\u00f5es familiares e raras vezes tratam o conceito de miss\u00e3o. Existem cursos sobre o lar e a fam\u00edlia, mas quase nada sobre sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>O Congresso Latino-americano de Evangeliza\u00e7\u00e3o CLADE II, realizado em 1979 em Lima, Peru, numa palestra de Rolando Guti\u00e9rrez-Cort\u00e9s, o tema foi abordado da seguinte maneira: \u201cTemos que orar por cada fam\u00edlia crist\u00e3 em nosso continente, para que o Senhor a cubra com sua gra\u00e7a e a transforme em luz viva de seu evangelho em cada lugar onde tem sua esfera de influ\u00eancia. Existe quem pensa que pode ser crist\u00e3o e testemunho aut\u00eantico, descuidando da piedade familiar, mas o amor ao pr\u00f3ximo come\u00e7a com os da pr\u00f3pria casa\u201d51.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A pequena comunidade crist\u00e3, a fam\u00edlia, pode ser o modelo do que Deus quer fazer para outras pessoas e fam\u00edlias. Em \u00edntima comunh\u00e3o com o Senhor da fam\u00edlia e da miss\u00e3o, com o Filho Jesus Cristo como centro do lar e por meio do poder e dire\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a fam\u00edlia crist\u00e3 pode ser e fazer a perfeita vontade de Deus. \u201cN\u00e3o existe nada mais natural e mais poderoso para a dissemina\u00e7\u00e3o do Evangelho que o testemunho forte e piedoso do lar crist\u00e3o. \u00c9 uma pe\u00e7a em miniatura da Igreja plantada em cada vizinhan\u00e7a e em cada rua\u201d52.<\/p>\n<p>Parece demasiado idealista? \u00c9 poss\u00edvel a fam\u00edlia cumprir com a miss\u00e3o que Deus lhe confiou? Continua v\u00e1lida a responsabilidade entregue aos pais em Deuteron\u00f4mio de ensinar de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o? Hoje em dia, quando v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es assumem responsabilidades que eram dos pais, o que corresponde a estes? A igreja local deve estimular e apoiar o ensino nos lares e, visto que a metade da popula\u00e7\u00e3o latino-americana \u00e9 composta por crian\u00e7as e jovens, esta tarefa \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>Cada igreja local deve conhecer sua congrega\u00e7\u00e3o e sua vizinhan\u00e7a a fim de detectar suas necessidades. Existem fam\u00edlias incompletas que carecem de ajuda e amor? Existem pessoas sem fam\u00edlia? Existem problemas comunit\u00e1rios que a igreja pode ajudar a solucionar? Existem membros na igreja que tem capacita\u00e7\u00e3o e\/ou recursos para ajudar a outros? Existem crian\u00e7as e jovens que n\u00e3o tem pais que lhes ensinem a respeito de Jesus Cristo? Existem pessoas que n\u00e3o conseguem sentir o amor de Deus?<\/p>\n<p>Nas cidades existe cada vez mais suspeita, temor, viol\u00eancia e solid\u00e3o e, entretanto, qualquer humilde lar crist\u00e3o, conhecido pelos vizinhos, pode romper estas barreiras para que Cristo possa entrar. Em edif\u00edcios multifamiliares, a melhor maneira de alcan\u00e7ar as pessoas que ali habitam \u00e9 atrav\u00e9s de uma fam\u00edlia crist\u00e3 que viva no mesmo bloco. Quantos membros de fam\u00edlias extensas s\u00e3o ganhos para Jesus quando observam e se beneficiam da mudan\u00e7a que Deus realizou em seus parentes?<\/p>\n<p>Ross Bender expressa o prop\u00f3sito de Deus para a fam\u00edlia nestes termos: \u201cSe afirmamos que as fam\u00edlias crist\u00e3s s\u00e3o agentes ativos e n\u00e3o objetos passivos na sociedade, perguntamos qual \u00e9 a natureza da miss\u00e3o que Deus lhes confiou. Esta miss\u00e3o \u00e9 principalmente ser uma pequena comunidade na qual Deus, em seu amor faz pactos e se encarna nas rela\u00e7\u00f5es humanas. \u00c9 uma comunidade constru\u00edda sobre um pacto no qual o amor e a fidelidade s\u00e3o princ\u00edpios fundamentais. Tamb\u00e9m \u00e9 uma comunidade que se estende para compartilhar seus recursos com pessoas e fam\u00edlias com as quais entra em contato. \u00c9 uma comunidade com um verdadeiro, radical \u201cestilo de vida\u201d. \u00c9 um lugar onde as necessidades \u00edntimas mais profundas de cada membro podem ser cumpridas e onde as pessoas s\u00e3o preparadas para as rela\u00e7\u00f5es humanas e liberadas para dar-se a si mesmas a outros, como Cristo a si mesmo se entregou. 53<\/p>\n<p>\u201cMas voc\u00eas s\u00e3o uma fam\u00edlia escolhida, um sacerd\u00f3cio ao servi\u00e7o do rei uma na\u00e7\u00e3o santa, um povo adquirido por Deus. E isto \u00e9 assim para que anunciem as obras maravilhosas de Deus, o qual os chamou para sair da escurid\u00e3o e entrar em sua maravilhosa luz\u201d (I Pe 2.9, Vers\u00e3o Popular Castelhana).<\/p>\n<p><strong>Dorothy de Quijada<\/strong> \u00e9 jornalista. Trabalha em Lima na evangeliza\u00e7\u00e3o urbana. Coordenou, junto com seu esposo, por v\u00e1rios anos o Centro Latino-americano de Est\u00fadios Pastorales del Peru (CELEP-P) na Pastoral Familiar. O presente trabalho \u00e9 um extrato de seu livro de mesmo nome publicado por EIRENE INTERNACIONAL.<\/p>\n<p>Texto originalmente publicado no livro <em>Fundamentos B\u00edblico-Teol\u00f3gico do Casamento e da Fam\u00edlia<\/em>, Jorge Maldonado (org.), S\u00e3o Paulo: Eirene.<\/p>\n<p class=\"Default\"><strong>Notas Bibliogr\u00e1ficas<br \/>\n<\/strong><span style=\"font-size: 11.5pt;\">1. Claude e Paul Auge e Miguel de Toro e Sisbert, ed., Nuevo Peque\u00f1o Larousse, Paris, Libraria Larousse, 1964, p. 631.<br \/>\n2. Tom Stransky, \u201cMissio Dei\u201d, em Dictionary of the Ecumenical Movement, editado por Nicholas Lossky, Jos\u00e9 Miguez Bonino e outros, Genebra, WCC Publications, 1991, p. 637-689.<br \/>\n3. Johannes Verkuil, Contemporary Missiology, Bran Rapids, Mich., Wa B. Eerdmans Publishing Co., 1978, p. 3.<br \/>\n4. John W. Stott, La misi\u00f3n cristana hoy, Buenos Aires, Ediciones Certeza, 1977, p. 26.<br \/>\n5. David J. Bosch, Witness to the world, Atlanta, 8a.; John Knox Pres, 1980, p. 240<br \/>\n6. Tom Stransky, op. cit., p. 688.<br \/>\n7. Ver David J. Bosch, \u201cEvangelism: Theological Currents and Cross-Currents of our Time\u201d, palestra apresentada no semin\u00e1rio sobre The Relevance of Evangelism in south Africa Today, Hammanskvaal, Transval, 1986.<br \/>\n8. Ibid., p. 5.<br \/>\n9. Orlando Costas, Compromisso y Misi\u00f3n, San Jos\u00e9, Costa Rica, Editorial Caribe, 1979, t\u00edtulos dos cap\u00edtulos.<br \/>\n10. Rolando Guti\u00e9rrez-Cort\u00e9s, \u201cLa naturaleza de la iglesia: Misi\u00f3n y accion pastoral\u201d, Boletin Teol\u00f3gico, Tomo 9, 1983, M\u00e9xico, Fraternidad Teol\u00f3gica Latino-americana, p. 11-16.<br \/>\n11. Rolando Guti\u00e9rrez-Cort\u00e9s, Educacin teol\u00f3gica y acci\u00f3n pastoral en Am\u00e9rica Latina hoy, M\u00e9xico, 1984, p. 54.<br \/>\n12. Johannes Blauw, The Missionary Nature of the Church, A Survey of the Biblical Theology of Mission, New York, Mcoraw Hill Book Company, Inc., 1962, p. 4.<br \/>\n13. Beoffrey W. Bromiley, Bod and Marriage, Grand Rapids, Mich., Wa. B. Eerdmans Publishing Co., inc. 1962, p. 11.<br \/>\n14. Verkuyl, op. cit., p. 92.<br \/>\n15. Blauw, op. cit., p. 34-35.<br \/>\n16. Verkuyl, op. cit., p. 92.<br \/>\n17. Blauw, op. cit., p. 24-25.<br \/>\n18. James B. Hurley, Man and Woman in Biblical Perspective, Brand Rapids, Mich., Zondervan Publishing House, 1981, p. 32, 22.<br \/>\n19. Ibid., p. 37.<br \/>\n20. Ver o cap\u00edtulo sobre \u201cA fam\u00edlia educadora da f\u00e9\u201d.<br \/>\n21. Professores da Companhia de Jesus, La Sagrada Escritura, Antiguo Testamento, vol. 1, Pentateuco Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1967, p. 804.<br \/>\n22. Sanch\u00e9z, op. Cit., p. 2, 25.<br \/>\n23. Edith Schasffer, Wath is a Family? Kansas City, Mo., Casa Nazarena de Publicaciones, s.f., p. 5.<br \/>\n24. F\u00ba C. de Coolidge, Com Cristo em el Hogar, Kansas City, Mo., Casa Nazarena de Publiciones, s.f., p. 5.<br \/>\n25. Gottlob Schrenk, \u201cThe father concept in Later Judism\u201d, Theological Dictionary of the New Testament, vol. V, Grand Rapids, Mich., Wm. S. Eerdmans Publishing Co., 1967, p. 999.<br \/>\n26. Bromiley, op. cit., p. 41-42.<br \/>\n27. Judge, op. cit., p. 30.<br \/>\n28. Rogerio Greenway, Uma estrat\u00e9gia Urbana para evangelizer Am\u00e9rica Latina, El Paso, Tx., Casa bautista de Publicaciones, 1977, p. 96-97, cita a Joseph A Grassi, A World to Win: The Missionary Mathods of Paul, Maryknoll, N. Y., Maryknoll Publications, 1965, p. 85.<br \/>\n29. Jodge, op. cit., p. 36.<br \/>\n30. Breenway, op. cit., p. 98.<br \/>\n31. W. White, \u201cFamily\u201d, The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible, Vol. II, Grand Rapids, Mich., Zondervan Publishing House, 1975, p. 500.<br \/>\n32. William Boff, El Matrimonio y la familia Cristiana, los Teques, Venezuela, Semin\u00e1rio Teol\u00f3gico Bautista de Venezuela, 1980, p. 175.<br \/>\n33. Sanch\u00e9z, op. Cit., p. 37.<br \/>\n34. Jos\u00e9 Romam Flecha, La Fam\u00edlia: Lugar de Evangelizaci\u00f3n, Madrid, PPC, Colecci\u00f3n Vida y Amor, 1983, p. 34. Este livro \u00e9 uma pequena j\u00f3ia liter\u00e1ria, cheio de boas id\u00e9ias, para a fam\u00edlia que quer participar na miss\u00e3o de Deus.<br \/>\n35. Ibid., p. 52.<br \/>\n36. Ibid., p. 53, cita a Santo Agostinho, Serm\u00e3o 94: PL 38, 580-581 e seu coment\u00e1rio sobre S\u00e3o Jo\u00e3o, tr 51, 13; PL 35, 1768.<br \/>\n37. Ibid., p. 54.<br \/>\n38. Ibid., p. 61 e cita a A. Suqu\u00eda, Misi\u00f3n de la Fam\u00edlia, em F. J. Elizari, El S\u00ednodo de la Fam\u00edlia, Madrid, 1981, p. 46.<br \/>\n39. Puebla, La evangelizaci\u00f3n en el presente y en el futuro de Am\u00e9rica Latina, III Conferencia General del Episcopado Latino-americano, Lima, Secretariado Nacional del Episcopado Peruano, CEEC e Edi\u00e7\u00f5es Paulinas, 1979, p. 156, cita a Jo\u00e3o Paulo II, Homilia Puebla 2, AAs Lxxi, p. 154.<br \/>\n40. Jo\u00e3o Paulo II, Exhortaci\u00f3n Apost\u00f3lica Familiaris Consortio, de sua santidade Jo\u00e3o Paulo II ao episcopado, ao clero e aos fi\u00e9is de toda a igreja sobre a miss\u00e3o da fam\u00edlia crist\u00e3 no mundo atual, Lima, Editorial Salesiana e Ediciones Paulinas, 1981.<br \/>\n41. Ibid., p. 4-7.<br \/>\n42. Ibid., p. 13.<br \/>\n43. Ibid., p. 6, 7.<br \/>\n44. Ibid., p. 8.<br \/>\n45. Ibid., p. 3.<br \/>\n46. Ibid., p. 40.<br \/>\n47. Guilhermo Cook, The Expectation of the Poor: Latin American Base Communities in Protestant Perspective, Maryknoll, New York, Orbis Books, 1985, p. 71.<br \/>\n48. W. Dayton Roberts, Los Autenticos Revolucion\u00e1rios, San Jos\u00e9, Costa Rica, Editorial Caribe, 1969, p. 79.<br \/>\n49. David Stoll, Is Latin America Turning Protestant? The Politics of Evangelical Browth, Berkeley, University of California Press, 1990, p. 318.<br \/>\n50. Em nossa opini\u00e3o, o livro de Bromiley, Sod and Marriage (op. cit.) \u00e9 especialmente recomend\u00e1vel por seu estudo do pano de fundo b\u00edblico do matrim\u00f4nio e da fam\u00edlia. O livro de Edith Schasffer, What is a Family? (op. cit.) \u00e9 muito bom e pr\u00e1tico. Os livros faith and Families, por Lindell Sawyers (The Geneva Press, Philadelphia, 1986), e Christians and Families, Ross T. Bender (Herald Press, Scottdale, Pa., 1982), tem cap\u00edtulos relacionados com a fam\u00edlia e sua miss\u00e3o.<br \/>\n51. Rolando Guti\u00e9rrez-Cort\u00e9s, \u201cEspiritu y la palabra en la comunidad evangelizadora\u201d, 3 nov., 1979, CLADE II, Lima, p. 1-2.<br \/>\n52. Bob Mumford, \u201cEl var\u00f3n renegado\u201d, Vino Nuevo, enero\/febrero, 1983, San Jos\u00e9, Costa rica, Centro para Desarolio Cristiano, p. 7.<br \/>\n53. Ross T. Bender, Christians and Families: Genesis and Exodus, Scottdala, Pa., Herald Press, 1982, p. 14. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dorothy F. de Quijada<br \/>\nA palavra \u201cmiss\u00e3o\u201d vem da palavra latina missio, e significa \u201ca\u00e7\u00e3o de enviar; poder que se d\u00e1 a um enviado para fazer algo\u201d\u00b9. \u00c0s vezes implica deslocamento geogr\u00e1fico para cumprir com uma tarefa, mas n\u00e3o necessariamente. O termo n\u00e3o \u00e9 utilizado somente no meio religioso, mas tamb\u00e9m em outras esferas da [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5153],"tags":[8441,32231,32244],"class_list":["post-8930","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-prateleira","tag-familia","tag-mais-na-internet","tag-ult-365"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8930"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9388,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8930\/revisions\/9388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}