{"id":8198,"date":"2016-10-17T07:26:23","date_gmt":"2016-10-17T10:26:23","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=8198"},"modified":"2016-10-17T07:30:49","modified_gmt":"2016-10-17T10:30:49","slug":"homenagem-ao-reverendo-elben","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2016\/10\/17\/homenagem-ao-reverendo-elben\/","title":{"rendered":"Homenagem ao Reverendo Elben"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>Por Br\u00e1ulia Ribeiro<\/strong><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/10\/foto_reve.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-8198\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-8199 size-medium\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/10\/foto_reve-201x300.jpg\" alt=\"foto_reve\" width=\"201\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/10\/foto_reve-201x300.jpg 201w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/10\/foto_reve-101x150.jpg 101w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/10\/foto_reve.jpg 250w\" sizes=\"auto, (max-width: 201px) 100vw, 201px\" \/><\/a>Eu morava numa casinha de madeira na selva atr\u00e1s do centro mission\u00e1rio do Summer Institute of Linguistics em Porto Velho, que alguns anos depois vir\u00edamos a comprar para sediar a Jocum Minist\u00e9rio Transcultural. Na \u00e9poca nem sonhar com propriedades ou crescimento da miss\u00e3o era poss\u00edvel de t\u00e3o pobres \u00e9ramos.<\/p>\n<p>Minha vida n\u00e3o era simples. Eu ia para a porta dos mercados da cidade pegar folhas externas de repolhos e verduras considerados muito estragadas para serem vendidas. Trazia, feliz da vida, a carga no \u00fanico carro que a comunidade, um opala velho, que transportava desde a feira semanal para 40 pessoas, at\u00e9 caix\u00e3o com gente morta para devolver ao solo materno nas tribos. Eu preparava as refei\u00e7\u00f5es para os novos alunos com arroz integral que no meu ponto de vista era como melhor pod\u00edamos alimentar a todos. Ningu\u00e9m gostava. Al\u00e9m disto dava aulas, me ocupava da correspond\u00eancia nacional e internacional da miss\u00e3o, acompanhava meu marido em seus compromissos com igrejas na cidade, e em visitas \u00e0s tribos, sentava-me em longu\u00edssimas reuni\u00f5es de ora\u00e7\u00e3o e aconselhamentos, porque nossa turma de jovens insistia em \u201cpisar na bola\u201d sem parar.<\/p>\n<p>Enfim, t\u00ednhamos uma vida intensa e amalucada marcada pelo sonho de ter alguma relev\u00e2ncia no gigantismo de necessidades que a Amaz\u00f4nia representava.<\/p>\n<p>Foi ali que conheci o Rev. Elben que viajava em uma de suas expedi\u00e7\u00f5es do \u201cmineiro com cara de matuto.\u201d A cordialidade, o esp\u00edrito franco, de quem j\u00e1 tinha deixado para tr\u00e1s os preconceitos denominacionais, me conquistaram. Ele olhava para o corpo de Cristo no Brasil n\u00e3o s\u00f3 com o ar curioso de pesquisador, mas com carinho, como um pai, ou um irm\u00e3o mais velho, ansioso para ver como os \u201cfilhos\u201d iriam crescer. Conversamos, percorri com ele o terreno da miss\u00e3o explicando projetos e sonhos. Contei tamb\u00e9m sobre meu pai, escritor mineiro, que havia deixado uma imensa obra liter\u00e1ria n\u00e3o publicada que me assombrava sempre. Tomamos caf\u00e9 em x\u00edcaras de pl\u00e1stico, e em algum momento me atrevi a mostrar-lhe um texto que havia escrito sobre a quest\u00e3o do sustento mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ele se mostrou curioso, em nenhum momento me desencorajou, s\u00f3 disse, me d\u00e1 o texto, vou analisar com calma e te escrevo. A\u00ed meses depois, n\u00e3o me lembro se pela lenta internet discada que t\u00ednhamos na cidade ou se pelo correio f\u00edsico, me chegou a not\u00edcia de que a revista Ultimato iria publicar meu artigo. A publica\u00e7\u00e3o me serviu de incentivo e \u00e0 partir da\u00ed de vez em quando eu escrevia ao Rev. Elben. \u201cOlha Pastor Elben, veja se gosta deste texto.\u201d Alguns anos mais tarde ele me convida a fazer parte do quadro de contribuidores permanentes da revista. N\u00e3o entedi como nem porqu\u00ea. Entre tantos escritores no Brasil ele me escolheu, tirando da obscuridade a quest\u00e3o mission\u00e1ria ind\u00edgena, e a mineira missin\u00e1ria com alma de escritora. Muito obrigada por isto, reverendo.<\/p>\n<p>O Brasil vai sentir falta de sua mente arguta, do seu amor pelas letras, pela hist\u00f3ria do evangelho em nosso pa\u00eds, mas principalmente por sua capacidade de semear a unidade nos setores mais diversos da igreja, Cat\u00f3licos, Protestantes, Pentecostais novos e antigos, Batistas, Jocumeiros, mission\u00e1rios, todos n\u00f3s fomos tratados com dec\u00eancia pela revista fundada pelo mineiro com cara de matuto.<\/p>\n<p>Descanse em paz, reverendo. O c\u00e9u e n\u00f3s temos muito para celebrar em sua passagem por aqui.<\/p>\n<p>Texto publicado originalmente em www.braulia.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Br\u00e1ulia Ribeiro<br \/>\nEu morava numa casinha de madeira na selva atr\u00e1s do centro mission\u00e1rio do Summer Institute of Linguistics em Porto Velho, que alguns anos depois vir\u00edamos a comprar para sediar a Jocum Minist\u00e9rio Transcultural. Na \u00e9poca nem sonhar com propriedades ou crescimento da miss\u00e3o era poss\u00edvel de t\u00e3o pobres \u00e9ramos.<br \/>\nMinha vida n\u00e3o era simples. 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