{"id":7970,"date":"2016-09-03T15:36:15","date_gmt":"2016-09-03T18:36:15","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=7970"},"modified":"2016-09-13T15:20:57","modified_gmt":"2016-09-13T18:20:57","slug":"mais-reportagem-362","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2016\/09\/03\/mais-reportagem-362\/","title":{"rendered":"Quilombolas: mais sobre a reportagem da revista Ultimato 362"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8086\" style=\"width: 890px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8086\" class=\"size-full wp-image-8086\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/09\/Fotolia_58567534_Subscription_Monthly_M-880x380.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: @fotolia\/jotajornalismo\" width=\"880\" height=\"380\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/09\/Fotolia_58567534_Subscription_Monthly_M-880x380.jpg 880w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/09\/Fotolia_58567534_Subscription_Monthly_M-880x380-300x130.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/09\/Fotolia_58567534_Subscription_Monthly_M-880x380-768x332.jpg 768w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/09\/Fotolia_58567534_Subscription_Monthly_M-880x380-150x65.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 880px) 100vw, 880px\" \/><p id=\"caption-attachment-8086\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: @fotolia\/jotajornalismo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Quilombos cada vez menos invis\u00edveis&#8221; \u00e9 um t\u00edtulo da reportagem especial da revista <strong>Ultimato<\/strong> 362 (setembro\/outubro 2016). O &#8220;Mineiro com Cara de Matuto&#8221; visitou <em>in loco<\/em> alguns quilombos, entrevistou moradores e conheceu alguns evang\u00e9licos quilombolas. A reportagem de 3 p\u00e1ginas continua aqui no blog da Ultimato. Leia a seguir tr\u00eas textos extras sobre o assunto que n\u00e3o foram publicados na edi\u00e7\u00e3o impressa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Quilombos de ref\u00fagio<\/strong><\/p>\n<p>No passado, os quilombos eram aglomerados de seguran\u00e7a para os escravos fugitivos. Assemelhavam-se muito com as famosas seis cidades de ref\u00fagio determinadas por Mois\u00e9s para abrigar aqueles que cometiam crime de morte acidental ou planejadamente. Fora dessas cidades, eles estariam sem prote\u00e7\u00e3o e poderiam ser mortos pelo \u201cvingador de sangue\u201d. Para ficar ao alcance de qualquer pessoa necessitada de abrigo, tr\u00eas cidades ficavam do lado leste e tr\u00eas, do lado oeste do rio Jord\u00e3o, uma mais ao norte, outra mais ao sul e a terceira mais ou menos entre as duas primeiras. Era uma provid\u00eancia de cima para baixo muito bem organizada para ser aproveitada por pessoas em situa\u00e7\u00e3o de risco. Essas cidades poderiam ser chamadas de quilombos de ref\u00fagio (Nm 35.9-29; Js 20.1-9).<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre as cidades de ref\u00fagio dos israelitas e os quilombos de ref\u00fagio dos escravos \u00e9 que os refugiados se valiam de uma lei estabelecida da parte de Deus por instrumentalidade de Mois\u00e9s, enquanto os quilombolas se valiam de uma provid\u00eancia tomada por eles mesmos. Os israelitas procuravam os seus abrigos por terem cometido crime de morte. Os negros procuravam os seus abrigos por terem cometido \u201ccrime\u201d de fugir de seus donos.<\/p>\n<p>As terras ocupadas pelos negros fugitivos podiam ser doadas, compradas pelos pr\u00f3prios escravos \u2013 possibilitada pela desestrutura\u00e7\u00e3o do sistema escravista \u2013, conquistadas por meio da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, bem como simplesmente apropriadas por eles mesmos. Entre os doadores estariam os ex-senhores, os abolicionistas, pessoas sens\u00edveis \u00e0 causa abolicionista e as ordens religiosas.<\/p>\n<p><strong>Nota:<\/strong> O Mineiro fez quest\u00e3o de ler um coment\u00e1rio sobre as cidades de ref\u00fagio de prop\u00f3sito no <em>Coment\u00e1rio B\u00edblico Africano<\/em> (Mundo Crist\u00e3o, 2010). A autora do coment\u00e1rio \u00e9 Anastasia Boniface Malle, ministra luterana negra, da Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O clamor dos profetas<\/strong><\/p>\n<p>Os escravos n\u00e3o tiveram tempo suficiente para agradecer a colabora\u00e7\u00e3o isolada ou coletiva de alguns brasileiros brancos que participaram do movimento abolicionista e que se concretizou tardiamente nas d\u00e9cadas de 70 e 80 do s\u00e9culo 19. Os profetas tinham que oferecer resist\u00eancia ao \u201cabuso da escravid\u00e3o sustentada pelo homem ladr\u00e3o, tolerada pelos governos covardes, em benef\u00edcio da sociedade que n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o clara de justi\u00e7a\u201d (A. J. Macedo Soares, 1892). Cabe aos quilombolas de hoje reconhecer o papel dos intelectuais, juristas e poetas que abra\u00e7aram o movimento abolicionista, inclusive aquelas fam\u00edlias que esconderam escravos fugitivos.<\/p>\n<p>O preconceito racial precisa acabar, n\u00e3o tanto por for\u00e7a da lei, mas por for\u00e7a de uma consci\u00eancia moral e religiosa. O Mineiro com Cara de Matuto se lembrou de um professor evang\u00e9lico que, ao chegar de um doutorado no exterior, disse-lhe: \u201cO preto quando n\u00e3o suja na entrada, suja na sa\u00edda\u201d. A confiss\u00e3o do primeiro presidente americano negro \u00e9 muito oportuna: \u201cNenhum de n\u00f3s \u00e9 totalmente inocente. Nenhuma institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 totalmente imune, e isso inclui a pol\u00edcia. Sabemos disso. Negros de todo o pa\u00eds mostram um desespero crescente com o tratamento desigual\u201d.<\/p>\n<p>Em seu artigo intitulado <em>Quilombos e quilombolas \u2013 resist\u00eancia e preserva\u00e7\u00e3o<\/em>, o professor Beto Braga, de Passa Tempo, MG, cita Nelson Mandela: \u201cNingu\u00e9m nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religi\u00e3o. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os verbos da tortura do negro<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 no <em>Dicion\u00e1rio da Escravid\u00e3o<\/em>, de Ala\u00f4r Eduardo Scis\u00ednio, encontram-se sete verbos que expressam a a\u00e7\u00e3o de punir e maltratar o negro, todos come\u00e7ando com a letra \u201ca\u201d:<\/p>\n<p>A\u00e7oitar \u2013 vergastar com a\u00e7oite<\/p>\n<p>Acorrentar \u2013 prender com correntes<\/p>\n<p>Aferrolhar \u2013 prender, aprisionar<\/p>\n<p>Algemar \u2013 prender pelos pulsos<\/p>\n<p>Algozar \u2013 martirizar, torturar, supliciar<\/p>\n<p>Atazanar \u2013 apertar as carnes com tenaz ardente<\/p>\n<p>Azorragar \u2013 bater com azorrague (a\u00e7oite de uma ou mais correias entrela\u00e7adas e unido de cabo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n&#8220;Quilombos cada vez menos invis\u00edveis&#8221; \u00e9 um t\u00edtulo da reportagem especial da revista Ultimato 362 (setembro\/outubro 2016). 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