{"id":7947,"date":"2016-08-17T10:57:23","date_gmt":"2016-08-17T13:57:23","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=7947"},"modified":"2016-09-14T13:25:02","modified_gmt":"2016-09-14T16:25:02","slug":"entrevista-com-julia-cameron","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2016\/08\/17\/entrevista-com-julia-cameron\/","title":{"rendered":"A Igreja, a Miss\u00e3o e os Livros (entrevista completa com J\u00falia Cameron)"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_8094\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8094\" class=\"wp-image-8094\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/08\/ult_362_entrevista.jpg\" alt=\"ult_362_entrevista\" width=\"400\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/08\/ult_362_entrevista.jpg 595w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/08\/ult_362_entrevista-300x210.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/08\/ult_362_entrevista-150x105.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-8094\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Liss\u00e2nder Dias<\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #993300;\">Julia E. M. Cameron, 62 anos, \u00e9 uma inglesa sorridente que ama livros. Na verdade, ela acredita que, mais do que entretenimento, a literatura pode ser usada para diminuir abismos e para ensinar e encorajar a Igreja na miss\u00e3o de Deus. Residente em Oxford, professou sua f\u00e9 por meio do Minist\u00e9rio de Billy Graham. Durante anos atuou na International Fellowship of Evangelical Students (IFES) e na OMF International. Julia edita livros e \u00e9 autora de tr\u00eas, entre os quais um sobre John Stott para crian\u00e7as e outro sobre Frances Whitehead, a fiel secret\u00e1ria de Stott por quase toda a vida ministerial do te\u00f3logo brit\u00e2nico (<em>John Stott\u2019s Right Hand \u2013 \u00a0the untold story of Frances Whitehead<\/em>). Julia come\u00e7ou escrevendo notas obitu\u00e1rias para a imprensa do Reino Unido e hoje ocupa o cargo de Diretora de Publica\u00e7\u00f5es do Movimento de Lausanne. Confira a seguir a vers\u00e3o completa da entrevista que Cameron concedeu \u00e0 revista <strong>Ultimato<\/strong> 362.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 o seu papel em Lausanne como diretora de publica\u00e7\u00f5es? E quais os planos do movimento nesta \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>Chefio a publica\u00e7\u00e3o de livros e atuo como editora s\u00eanior. Produzimos publica\u00e7\u00f5es tanto curtas como extensas e servimos a Igreja em 28 l\u00ednguas. Nossos livros menores mais divulgados s\u00e3o de autores consagrados como John Stott, Ajith Fernando e James Philip. Para o meio acad\u00eamico, estamos publicando livros de consultas globais, as quais re\u00fanem algumas das mais brilhantes mentes evang\u00e9licas para trabalhar temas chaves identificados em <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-compromisso-da-cidade-do-cabo\">O Compromisso da Cidade do Cabo<\/a>.<\/p>\n<p>Estamos estabelecendo um novo paradigma para as publica\u00e7\u00f5es Lausanne. Temos comit\u00eas editoriais regionais ao redor do mundo, o que implica decis\u00f5es tomadas por l\u00edderes que entendem o contexto local melhor do que eu ou outros de fora entender\u00edamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00eas pensam em alcan\u00e7ar as igrejas locais e que iniciativas esperam desenvolver para interagir, de forma din\u00e2mica, com elas?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s consideramos muito a igreja local e alguns de nossos t\u00edtulos menores j\u00e1 s\u00e3o usados para servir congrega\u00e7\u00f5es locais em diferentes culturas, inclusive no cora\u00e7\u00e3o dos mundos mu\u00e7ulmano, hindu e budista. Para mim isso \u00e9 um teste decisivo do valor daquilo que produzimos. Afinal, se o nosso minist\u00e9rio de publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiver utilidade em \u00e2mbito local, tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 \u00fatil em \u00e2mbito global.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As publica\u00e7\u00f5es t\u00eam o poder de manter a mem\u00f3ria dos conte\u00fados, resolu\u00e7\u00f5es, conceitos. Em portugu\u00eas nos beneficiamos muito da publica\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/pagina\/pacto-de-lausanne\">Pacto de Lausanne<\/a> e, mais recentemente, de <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-compromisso-da-cidade-do-cabo\">O Compromisso da Cidade do Cabo<\/a>. Voc\u00ea \u00e9 uma esp\u00e9cie de guardi\u00e3 das mem\u00f3rias do Movimento de Lausanne. Falta \u00e0 Igreja valorizar mais sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria? O que perdemos com isso?<\/strong><\/p>\n<p>Obrigada por essa importante pergunta. Ela se relaciona com os dois aspectos de Lausanne. Vou responder em duas partes: de fato, \u00e9 a palavra publicada, como voc\u00ea disse, que preserva o conte\u00fado. Eu sinto um grande senso de responsabilidade por garantir que seja assim, especialmente porque [o Movimento de] Lausanne \u00e9 guardi\u00e3o de riquezas raras. John Stott uma vez descreveu o movimento de forma muito bonita como sendo \u201cum compartilhar de presentes\u201d, como se a igreja de cada continente trouxesse o seu presente para a mesa para compartilhar. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante publicar materiais dos nossos encontros e nos esfor\u00e7ar para disponibiliz\u00e1-los em diversas l\u00ednguas.<\/p>\n<p>O segundo objetivo \u00e9 preservar a hist\u00f3ria. A igreja seria muito mais pobre se n\u00e3o aprendesse com sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria ao longo dos s\u00e9culos e das d\u00e9cadas. Por quarenta anos o Movimento de Lausanne, devido ao seu grande alcance, tem sido um instrumento catalizador de mudan\u00e7as em diversas frentes.<\/p>\n<p>Eu acredito que l\u00edderes da Am\u00e9rica Latina diriam que o Pacto de Lausanne de 1974 mudou o entendimento da ess\u00eancia da miss\u00e3o. Estima-se que possivelmente 70% das organiza\u00e7\u00f5es crist\u00e3s na Am\u00e9rica Latina mantenham o <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/pagina\/pacto-de-lausanne\">Pacto de Lausanne<\/a> em suas bases de f\u00e9. Mais especificamente, sabemos de duas grandes igrejas na Am\u00e9rica Latina em que a teologia da prosperidade distorcia o evangelho e cujos pastores t\u00eam mudado de percep\u00e7\u00e3o por terem ouvido a apresenta\u00e7\u00e3o de Femi Adeleye sobre o tema no Terceiro Congresso de Lausanne.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/o-compromisso-da-cidade-do-cabo\">O Compromisso da Cidade do Cabo<\/a> est\u00e1 aos poucos influenciando as prioridades de igrejas e ag\u00eancias mission\u00e1rias, trazendo assim novos assuntos para as pautas de reuni\u00e3o. S\u00e3o fatos not\u00e1veis na vida da Igreja que devem ser preservados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que a Igreja tem lido satisfatoriamente? H\u00e1 coisas e pessoas sobre as quais a Igreja precisa ler ou saber mais?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho visto l\u00edderes crist\u00e3os do Sul Global mergulhando em estandes de livros em eventos da IFES e de Lausanne; com certeza h\u00e1 uma sede de livros em algumas culturas. Infelizmente h\u00e1 muitas publica\u00e7\u00f5es sem peso que n\u00e3o servem bem aos leitores. Sempre defendi que crist\u00e3os leiam boas biografias para aprender mais sobre a vida de f\u00e9 e as dificuldades da f\u00e9 de grandes homens e mulheres de Deus; que leiam textos doutrin\u00e1rios para construir uma clara defini\u00e7\u00e3o de suas cren\u00e7as; e que leiam sobre a miss\u00e3o mundial \u2013 seja com foco em um campo espec\u00edfico, seja com interesse geral. Aqueles que servem em profiss\u00f5es seculares talvez se beneficiariam de ajuda para adquirir uma vis\u00e3o b\u00edblica sobre seu trabalho. Tamb\u00e9m sugiro que os crist\u00e3os adotem uma obra favorita para distribu\u00edrem de presente. No meu caso, adotei o belo e profundo livrinho de James Philip <a href=\"http:\/\/www.heritagebooks.org\/products\/the-glory-of-the-cross-exploring-the-meaning-of-the-death-of-christ-philip.html\">The Glory of the Cross \u2013 Exploring the Meaning of the Death of Christ<\/a> [A gl\u00f3ria da cruz \u2013 explorando o significado da morte de Cristo]. Carrego alguns exemplares comigo quando viajo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem um olhar privilegiado da igreja global. Como a Igreja est\u00e1 hoje? Quais s\u00e3o suas expectativas?\u00a0Quais s\u00e3o os maiores desafios que a Igreja deve enfrentar nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p>\n<p>Devo ressaltar que grande parte da minha vis\u00e3o passa pelos prismas de Lausanne e da IFES. Ao examinar alguns l\u00edderes mais jovens muito especiais, eu tenho esperan\u00e7a. Mas tamb\u00e9m sei que alguns dos l\u00edderes de igrejas mais experientes come\u00e7aram bem, mas depois relaxaram, de forma que nunca devemos ser complacentes. Quanto aos maiores desafios: Controv\u00e9rsias sobre g\u00eanero; a dissemina\u00e7\u00e3o do islamismo; migra\u00e7\u00f5es em massa; poucas vozes crist\u00e3s no meio acad\u00eamico que dialogam com o dia a dia do povo; menos motiva\u00e7\u00e3o para leituras com profundidade, o que diminui a habilidade para uma defesa forte. Tamb\u00e9m fico atenta \u00e0s vis persegui\u00e7\u00f5es que pairam sobre tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s nossos, aqueles de quem o mundo n\u00e3o \u00e9 digno. Seria muita inoc\u00eancia de nossa parte n\u00e3o perceber que isso vai piorar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual foi sua motiva\u00e7\u00e3o principal para contar a <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/john-stott\/2016\/07\/15\/a-mulher-por-tras-de-john-stott\/\">hist\u00f3ria de Frances Whitehead<\/a>?<\/strong><\/p>\n<p>Pieter Kwant me convidou a escrev\u00ea-la. Ap\u00f3s algumas pesquisas e conversas com Frances, descobri que o pr\u00f3prio John Stott tinha esperan\u00e7as de que a hist\u00f3ria fosse contada um dia. A parceria entre \u201ctio John e tia Frances\u201d, como eram conhecidos mundo afora, era \u00fanica e de grande valor para a Igreja. A rara bagagem familiar de Frances, sua mente esperta e seu grande comprometimento com Cristo foram fatores que tornaram poss\u00edvel o minist\u00e9rio de Stott. O trabalho dele n\u00e3o seria nem metade t\u00e3o bem-sucedido sem ela. A hist\u00f3ria dos dois juntos \u00e9 um testemunho tocante da provid\u00eancia de Deus, uma hist\u00f3ria que precisa ser preservada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea escreveu outros livros? Eles tamb\u00e9m s\u00e3o biogr\u00e1ficos ou tratam de outras tem\u00e1ticas?<\/strong><\/p>\n<p>Escrevi alguns outros livros, como <em>The Humble Leader <\/em>[O l\u00edder humilde], uma biografia de John Stott para crian\u00e7as e <em>Silhouettes and Skeletons <\/em>[Silhuetas e esqueletos], um pequeno livro sobre Charles Simeon, contempor\u00e2neo de William Wilberforce e um colosso na hist\u00f3ria evang\u00e9lica. Tamb\u00e9m editei muitos outros livros, o que me d\u00e1 a mesma satisfa\u00e7\u00e3o. Onde h\u00e1 conte\u00fado precioso que merece aten\u00e7\u00e3o para se tornar mais claro, eu amo trabalhar ali. Em 2008 lancei uma modesta s\u00e9rie de pequenos livros de grandes autores, os quais foram publicados em 24 l\u00ednguas. Assim, entendo que editar \u00e9 meu chamado tanto quanto o \u00e9 escrever.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Frances Whitehead foi descoberta por John Stott. Houve algum l\u00edder que descobriu seus dons e talentos e a encorajou a assumir essas responsabilidades?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, Edward England, da editora Hodder e Stoughton. Tudo aconteceu de um modo n\u00e3o esperado. Eu me lembro do culto f\u00fanebre de uma talentosa escritora, Phyllis Thompson, que, durante uma gera\u00e7\u00e3o e por meio de uns cinquenta livros, trouxe o tema da miss\u00e3o mundial para dentro dos lares de dezenas de milhares de crist\u00e3os. Ela se tornara uma amiga querida e eu havia estado com ela no momento de sua morte. Seu editor, Edward England, fez um discurso no culto f\u00fanebre em Londres sobre a dedica\u00e7\u00e3o e o minist\u00e9rio dela, como eu mesma j\u00e1 havia feito no vel\u00f3rio. Depois ele me disse: \u201cTalvez voc\u00ea devesse tomar esse manto agora, Julia\u201d. Essa declara\u00e7\u00e3o s\u00fabita me pegou de surpresa. Mas resolvi lev\u00e1-la a s\u00e9rio. Naquela \u00e9poca eu era a respons\u00e1vel pela \u00e1rea de publica\u00e7\u00f5es da OMF. De uma forma ou de outra, permaneci ativa em empreitadas editoriais desde ent\u00e3o. E, pela gra\u00e7a de Deus, acredito que esse privil\u00e9gio vai continuar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nesse desafio de alcan\u00e7ar as igrejas locais, que iniciativas voc\u00eas est\u00e3o considerando para atingir as igrejas mais pobres?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre haver\u00e1 uma ideia de que livros s\u00f3 alcan\u00e7am os escolarizados e, historicamente, o Movimento de Lausanne tem sido uma rede de l\u00edderes e pessoas influentes. Mas em termos de conte\u00fado, \u00e9 vital que os l\u00edderes se envolvam com os problemas da pobreza e busquem sua solu\u00e7\u00e3o a longo prazo. Um pequeno livro que j\u00e1 foi publicado em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es ao redor do mundo \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.lausanne.org\/content\/light-salt-and-the-world-of-business\">Light, Salt and the World of Business \u2013 Good practice can change nations<\/a> (Luz, sal e o mundo dos neg\u00f3cios \u2013 Boas pr\u00e1ticas podem mudar na\u00e7\u00f5es), de Fred Catherwood, pois sabe-se que a pobreza \u00e9 frequentemente causada por corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica. Nossa pr\u00f3xima grande publica\u00e7\u00e3o, que ser\u00e1 lan\u00e7ada em 2017, \u00e9 resultado da consulta global que aconteceu em Atibaia, S\u00e3o Paulo. Trata-se de um livro sobre o que \u00e9 comumente chamado de teologia da prosperidade e como esse \u201cevangelho\u201d insidioso, como sabemos, tem um grande apelo a igrejas pobres. Acreditamos que esse livro ajudar\u00e1 igrejas a perceber o que esse \u201cevangelho\u201d realmente \u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com o avan\u00e7o das novas tecnologias e redes sociais, a experi\u00eancia da leitura ganhou novas op\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 bom ou ruim na miss\u00e3o de edificar e ensinar a Igreja?<\/strong><\/p>\n<p>O importante \u00e9 que os crist\u00e3os que querem crescer continuem lendo. Nosso conte\u00fado sempre ser\u00e1 disponibilizado no Kindle ou no site <a href=\"http:\/\/lausanne.org\/\">lausanne.org<\/a>. Mas n\u00e3o nos esque\u00e7amos dos livros impressos. S\u00e3o estes que s\u00e3o passados adiante, comentados e emprestados a amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um movimento mundial e plural como Lausanne tem o gigantesco desafio de zelar pela identidade das organiza\u00e7\u00f5es que a ele se ligam, ao mesmo tempo que deve respeitar a diversidade de contextos t\u00e3o diferentes. Como lidar com este dilema, sem deixar de ser relevante globalmente?<\/strong><\/p>\n<p>Alguns dos mais importantes agentes no in\u00edcio do Movimento de Lausanne foram pessoas de pa\u00edses \u201cn\u00e3o ocidentais\u201d, como Samuel Escobar e Ren\u00e9 Padilla. Por outro lado, a influ\u00eancia de John Stott mostrou que todas as culturas s\u00e3o respeitadas. A IFES [Uni\u00e3o Internacional de Estudantes Evang\u00e9licos, sigla em ingl\u00eas] \u00e9 uma forte parceira em muitos pa\u00edses, e o seu comprometimento com a lideran\u00e7a nacional tamb\u00e9m tem refor\u00e7ado as ra\u00edzes nacionais do Movimento de Lausanne. Houve ocasi\u00f5es em que o n\u00famero de representantes de pa\u00edses \u201cocidentais\u201d em comit\u00eas centrais foi maior do que o de pa\u00edses \u201cn\u00e3o ocidentais\u201d, e \u00e9 importante garantir que isso n\u00e3o se repita. Lindsay Brown, ex-secret\u00e1rio geral da IFES, recentemente passou a responsabilidade para Las Newman (da Jamaica) como diretor associado global. Ambos t\u00eam profundas ra\u00edzes na IFES e s\u00e3o comprometidos com esse princ\u00edpio [de respeito cultural].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lausanne planeja alguma comemora\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito dos 500 anos da Reforma Protestante?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, temos uma s\u00e9rie de encontros planejados para junho de 2017, na Alemanha, com pensadores l\u00edderes sobre miss\u00e3o mundial. O plano \u00e9 estudar como dar continuidade ao trabalho para ver a verdade de Cristo conhecida entre todos os povos, l\u00ednguas, tribos e na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Movimento de Lausanne tem investido muito nos jovens l\u00edderes. Um exemplo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/categoria\/especial-encontro-de-lideres-jovens-de-lausanne\/\">Encontro de Jovens L\u00edderes<\/a>, em Jacarta, na Indon\u00e9sia. Qual \u00e9 a for\u00e7a da juventude na Igreja global? Como valoriz\u00e1-la sem ignorar os mais velhos? Como estimular a intergeracionalidade?<\/strong><\/p>\n<p>Os crist\u00e3os t\u00eam de ser contraculturais nessa e em muitas \u00e1reas. O modelo b\u00edblico \u00e9 o mais velho ensinando o mais novo, e queremos manter assim. Nana Yaw Offei-Awuku (de Ghana) lidera uma nova iniciativa que chamamos de YLGen (Gera\u00e7\u00e3o de L\u00edderes mais Jovens, sigla em ingl\u00eas), lan\u00e7ada no encontro de Jacarta. Seu objetivo \u00e9 atrair pessoas da gera\u00e7\u00e3o mais nova, equip\u00e1-las, trein\u00e1-las, incorpor\u00e1-las nas redes tem\u00e1ticas e oferecer-lhes mentores caso queiram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 dificuldades pr\u00f3prias de ser uma l\u00edder global mulher? Quais?<\/strong><\/p>\n<p>Eu evito usar o termo \u201cl\u00edder global\u201d, pois os \u00fanicos realmente \u201cl\u00edderes globais\u201d foram Billy Graham e John Stott. Certamente em algumas culturas a voz de um homem tem mais autoridade do que a de uma mulher, mas em meu pequeno papel no mundo de publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o tenho tido dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea tem estudado o movimento mission\u00e1rio feminino? Qual tem sido o papel das mulheres no avan\u00e7o da \u201cmiss\u00e3o de Deus\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho feito estudos espec\u00edficos sobre mulheres, mas muitos nomes v\u00eam prontamente \u00e0 minha mente \u2013 mulheres cujas hist\u00f3rias precisam ser recontadas para novas gera\u00e7\u00f5es. Lembro-me, por exemplo, do lend\u00e1rio trio da China Inland Mission (hoje OMF Internacional), tr\u00eas mulheres de mente extraordin\u00e1ria que atravessaram o deserto de Gobi cinco vezes como evangelistas itinerantes. Tamb\u00e9m, j\u00e1 em nosso tempo e num contexto totalmente diferente, temos as perseverantes assistentes pessoais de Billy Graham, Joni Eareckson Tada e George Verwer. Elas, assim como Frances Whitehead, possibilitaram o minist\u00e9rio de seus chefes atrav\u00e9s de seus talentos, dedica\u00e7\u00e3o e d\u00e9cadas de servi\u00e7o em conjunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>[Traduzido por Josu\u00e9 Bastos]<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nJulia E. M. Cameron, 62 anos, \u00e9 uma inglesa sorridente que ama livros. Na verdade, ela acredita que, mais do que entretenimento, a literatura pode ser usada para diminuir abismos e para ensinar e encorajar a Igreja na miss\u00e3o de Deus. Residente em Oxford, professou sua f\u00e9 por meio do Minist\u00e9rio de Billy Graham. 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