{"id":7427,"date":"2016-04-05T07:44:26","date_gmt":"2016-04-05T10:44:26","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=7427"},"modified":"2016-05-19T14:58:31","modified_gmt":"2016-05-19T17:58:31","slug":"a-arte-precisa-de-justificativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2016\/04\/05\/a-arte-precisa-de-justificativa\/","title":{"rendered":"A arte precisa de justificativa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_7578\" style=\"width: 508px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Viewing-Machine_Olafour-Eliason.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-7427\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7578\" class=\"wp-image-7578 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Viewing-Machine_Olafour-Eliason.jpg\" alt=\"Viewing Machine, autor da obra: Olafour Eliason| foto de Liz Valente\" width=\"498\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Viewing-Machine_Olafour-Eliason.jpg 498w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Viewing-Machine_Olafour-Eliason-300x199.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Viewing-Machine_Olafour-Eliason-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 498px) 100vw, 498px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7578\" class=\"wp-caption-text\">Viewing Machine, autor da obra: Olafour Eliason| foto de Liz Valente<\/p><\/div>\n<p><em>Por Liz Valente<\/em><\/p>\n<p>Tudo o que os cr\u00edticos e pensadores ousam afirmar com seguran\u00e7a sobre a arte contempor\u00e2nea \u00e9 que n\u00e3o se pode afirmar nada com seguran\u00e7a sobre a arte contempor\u00e2nea. Sendo assim, ela parece uma corrida de barquinhos exc\u00eantricos navegando em um mar de incertezas. N\u00e3o h\u00e1 largada, nem trajet\u00f3ria demarcada e muito menos chegada. Mas o que a f\u00e9 crist\u00e3 tem a dizer sobre isso?<\/p>\n<p>Para in\u00edcio de conversa, n\u00e3o \u00e9 tarefa simples demarcar historicamente o que vem a ser \u201ccontempor\u00e2neo\u201d; h\u00e1 quem n\u00e3o fa\u00e7a distin\u00e7\u00e3o entre \u201ccontempor\u00e2neo\u201d e \u201cp\u00f3s-moderno\u201d, j\u00e1 outros identificam uma virada. Para estes, o p\u00f3s-moderno ainda continha um canal de debate com o movimento moderno, enquanto o contempor\u00e2neo flutua descomprometido e se satisfaz simplesmente em ser \u201ccontempor\u00e2neo\u201d. Apesar dos debates, podemos identificar historicamente o \u201ccontempor\u00e2neo\u201d nos movimentos experimentais da arte a partir da d\u00e9cada de 1950, nos Estados Unidos, que lidavam com a tridimensionalidade n\u00e3o escultural da arte e com o consequente surgimento de novas categorias dentro das artes pl\u00e1sticas.<\/p>\n<div id=\"attachment_7568\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Opi_17_05_16_Pintura-HOME.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-7427\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7568\" class=\"wp-image-7568 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Opi_17_05_16_Pintura-HOME.jpg\" alt=\"Opi_17_05_16_Pintura-HOME\" width=\"340\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Opi_17_05_16_Pintura-HOME.jpg 340w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Opi_17_05_16_Pintura-HOME-300x221.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Opi_17_05_16_Pintura-HOME-150x110.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7568\" class=\"wp-caption-text\">Pintura: Abstraction (1949-1950), de Willem de Kooning.<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 que n\u00e3o se pode dizer o que a arte contempor\u00e2nea \u00e9, pode-se procurar o que ela n\u00e3o \u00e9. Temos uma s\u00e9rie de obras que lidam com espa\u00e7o, que est\u00e3o debaixo do guarda-chuva das artes pl\u00e1sticas, mas n\u00e3o s\u00e3o esculturas e tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o pintura, nem drama, nem dan\u00e7a. E, embora possam fazer uso da tinta e do corpo humano, n\u00e3o o fazem nos modos tradicionais dessas categorias. Parece charada da cartola do coelho branco. E assim mesmo! \u00c0 primeira vista a arte contempor\u00e2nea \u00e9 confusa. Mas mesmo sem poder coincidi-las em um \u00fanico recipiente \u00e9 poss\u00edvel identificar que todas possuem discurso, justificativa. O que permite essa falta de compromisso formal \u00e9 a compensa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica; ou seja, a justificativa te\u00f3rica da express\u00e3o art\u00edstica ganhou destaque em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria obra art\u00edstica. Ali\u00e1s, o uso do termo \u201cexpress\u00e3o art\u00edstica\u201d em lugar de \u201cobra de arte\u201d ocorre na literatura justamente para refor\u00e7ar que \u00e9 o abstrato (a express\u00e3o) e n\u00e3o o concreto (a obra em si) que tem maior aten\u00e7\u00e3o hoje.<\/p>\n<p>Ainda que seja algo vol\u00e1til como \u201cdo-what-ever\u201d (fa\u00e7a qualquer coisa), os artistas dedicam-se ao conceito por tr\u00e1s de sua express\u00e3o art\u00edstica. A justificativa n\u00e3o \u00e9, simplesmente, uma explica\u00e7\u00e3o da obra, mas um enredo do qual a obra resulta. Por isso, \u00e0s vezes, aparecem obras que parecem mais aberra\u00e7\u00f5es naturais do que \u201carte\u201d, e que ainda assim s\u00e3o aclamadas pela cr\u00edtica demonstrando que a teoria passou a valer mais do que a obra de arte em si; e o artista passou a ser aquele que tem as ideias, e n\u00e3o necessariamente aquele que as executa.<\/p>\n<div id=\"attachment_7579\" style=\"width: 406px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Sem-titulo_Edgard-de-Souza.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-7427\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-7579\" class=\"size-full wp-image-7579\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Sem-titulo_Edgard-de-Souza.jpg\" alt=\"Obra sem t\u00edtulo | autor da obra: Edgard de Souza | foto de Liz Valente\" width=\"396\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Sem-titulo_Edgard-de-Souza.jpg 396w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Sem-titulo_Edgard-de-Souza-300x199.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2016\/04\/Arte_cultura_360_Liz_Sem-titulo_Edgard-de-Souza-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-7579\" class=\"wp-caption-text\">Obra sem t\u00edtulo | autor da obra: Edgard de Souza | foto de Liz Valente<\/p><\/div>\n<p>Para que haja uma resposta crist\u00e3 \u00e0 arte contempor\u00e2nea, \u00e9 necess\u00e1rio o mesmo tipo de comprometimento te\u00f3rico. Caso contr\u00e1rio, correr\u00e1 s\u00e9rio risco de ser irrelevante. A f\u00e9 crist\u00e3 apresenta justificativas para a arte, a come\u00e7ar com a gl\u00f3ria de Deus. O artista crist\u00e3o deve trazer \u00e0 mem\u00f3ria a orienta\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cpara que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de voc\u00eas, que est\u00e1 nos c\u00e9us&#8221; (Mt 5.16). Sim, isso inclui as obras de arte, as obras pl\u00e1sticas e as express\u00f5es puramente est\u00e9ticas. Se o dada\u00edsmo dizia que a arte \u00e9 qualquer coisa, em qualquer ordem, n\u00f3s vemos diferente. A arte \u00e9 muita coisa, em muitas ordens, e o crit\u00e9rio \u00e9 a gloria Deus.<\/p>\n<p>Talvez o leitor esteja lembrando-se de Rookmaaker que dizia que \u201ca arte <em>n\u00e3o<\/em> precisa de justificativas\u201d, mas Rookmaaker referia-se a ideia de que a arte n\u00e3o precisa de fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica como ornamenta\u00e7\u00e3o. Ele queria dizer que a arte pode simplesmente ser arte. Na verdade, essa afirmativa de Rookmaaker \u00e9 extremamente atual. \u00c9 como se ele dissesse: \u201cdeixe a arte ser o que ela \u00e9\u201d. Qualquer cr\u00edtico atual apoiaria esse discurso. O que Rookmaaker dizia na d\u00e9cada de 1970, a igreja brasileira ainda est\u00e1 caminhando lentamente para entender.<\/p>\n<p>Para que a arte tenha liberdade formal ela n\u00e3o pode cumprir exig\u00eancias de fun\u00e7\u00e3o, e nem ter compromisso com linguagens est\u00e9ticas previamente estabelecidas. Ela precisa simplesmente ser arte. E para que haja coer\u00eancia te\u00f3rica com a cosmovis\u00e3o crist\u00e3 ela tamb\u00e9m n\u00e3o pode ter um fim em si mesma, mas deve ter seu fim na beleza da gl\u00f3ria de Deus.<\/p>\n<p>\u2022 <strong>Liz Valente<\/strong> \u00e9 mestra em arquitetura e urbanismo onde investiga as interrela\u00e7\u00f5es entre espa\u00e7o e arte no museu de arte contempor\u00e2nea. Tamb\u00e9m \u00e9 cantora, compositora e autora de 4 pe\u00e7as teatrais. Casada com Pedro Paulo e m\u00e3e do pequeno Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<span style=\"color: #ff6600;\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M<\/strong><\/span><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/revista\/artigos\/360\/arte-contemporanea\">Arte Contempor\u00e2nea<\/a> [exclusivo para assinantes da revista <strong>Ultimato<\/strong>]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Liz Valente<br \/>\nTudo o que os cr\u00edticos e pensadores ousam afirmar com seguran\u00e7a sobre a arte contempor\u00e2nea \u00e9 que n\u00e3o se pode afirmar nada com seguran\u00e7a sobre a arte contempor\u00e2nea. Sendo assim, ela parece uma corrida de barquinhos exc\u00eantricos navegando em um mar de incertezas. N\u00e3o h\u00e1 largada, nem trajet\u00f3ria demarcada e muito menos chegada. 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