{"id":6464,"date":"2015-05-06T09:18:03","date_gmt":"2015-05-06T12:18:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=6464"},"modified":"2015-05-07T07:28:40","modified_gmt":"2015-05-07T10:28:40","slug":"com-a-bola-na-mao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2015\/05\/06\/com-a-bola-na-mao\/","title":{"rendered":"Com a bola na m\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_6465\" style=\"width: 346px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2015\/05\/BlogUlt_06_05_15_Bola.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-6464\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6465\" class=\"wp-image-6465 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2015\/05\/BlogUlt_06_05_15_Bola.jpg\" alt=\"BlogUlt_06_05_15_Bola\" width=\"336\" height=\"252\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2015\/05\/BlogUlt_06_05_15_Bola.jpg 336w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2015\/05\/BlogUlt_06_05_15_Bola-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2015\/05\/BlogUlt_06_05_15_Bola-150x113.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6465\" class=\"wp-caption-text\">freeimages.com\/photo\/1330576<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Um olhar materno sobre o crescimento do filho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje sou eu quem quica a bola da vez, filho. \u00c0 medida que ela bate no ch\u00e3o e volta \u00e0s minhas m\u00e3os, refa\u00e7o idas e vindas, ataques e defesas de um jogo que come\u00e7ou a dezenove janeiros atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Lembro de voc\u00ea enterrado em uma cesta, em rede l\u00edquida e maternal, ultrapassando em muito o ritmo das batidas do meu cora\u00e7\u00e3o, correndo entre os caminhos do meu ventre. Quando achava que estava aqui, voc\u00ea j\u00e1 aparecia ali.<\/p>\n<p>E assim irrequieto, acabou dando mais passes do que devia no cord\u00e3o que nos unia, quase estourou o tempo. Deu trabalho na hora de irromper quadra a fora, pra vida. J\u00e1 nasceu chorando seus direitos. Mas como o mundo \u00e9 redondo, do jeito que voc\u00ea gosta, se sentiu em casa e repousou quase quietinho na esfera da minha barriga, \u00e0s quatro horas da manh\u00e3 de um dia festivo. Dois pontos: coragem.<\/p>\n<p>Lembro de como sua agilidade e imperman\u00eancia eram presentes em tudo. Ningu\u00e9m conseguia bloquear suas jogadas. Colocar fralda e roupa em voc\u00ea era um jogo r\u00e1pido. Uma m\u00e3o equilibrando uma bola, e a outra arremessando logo outra, pra n\u00e3o deixar o ritmo cair. At\u00e9 pra mamar, voc\u00ea era voraz e insaci\u00e1vel, arremessando sobras de leite pra todo lado, e eu, na minha pouca esperteza, n\u00e3o tinha como me defender. Dois pontos: identidade.<\/p>\n<p>Lembro de como voc\u00ea escolhia se lan\u00e7ar pelas janelas da sala no maternal, ao inv\u00e9s de entrar pela porta, como todos os outros jogadores. E a professora j\u00e1 nem achava ruim, at\u00e9 gostava, porque voc\u00ea driblava todo mundo com esse sorriso franco, at\u00e9 estranhos na rua. Voc\u00ea sempre foi mesmo de encantar qualquer torcida. Dois pontos: carisma.<\/p>\n<p>Lembro de sua mania de voar no garraf\u00e3o de portas de arm\u00e1rios, \u00e1rvores, muros e eu sempre lhe dava assist\u00eancia nas bolas que cresciam na testa, na nuca, na sobrancelha, no p\u00e9. Mas voc\u00ea logo sa\u00eda ventando com outras bolas na m\u00e3o, pra se posicionar em novas tabelas. Dois pontos: supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabe uma lembran\u00e7a que quica baixinho aqui e agora no peito: seu cuidado com os companheiros de time mais fr\u00e1geis e especiais. Cedia a vez, dava muitas assist\u00eancias e por isso sempre foi amigo de tantos. Todo mundo gritava seu nome e esperava de voc\u00ea essas jogadas fenomenais. Dois pontos: bondade.<\/p>\n<p>Lembro tamb\u00e9m que sua adrenalina e raiva quicavam t\u00e3o forte quanto o sorriso, quando entrava numa disputa de bola ou os ju\u00edzes da vida estavam equivocados. O \u00fanico jeito era lhe dar um tempo at\u00e9 a bola baixar e voc\u00ea dar conta de me ouvir por alguns segundos, pra logo sair quicando alegre outra vez. Mais dois pontos: sensibilidade.<\/p>\n<p>Voc\u00ea sempre quicou alegre com tudo na vida, filho. Sua alegria contagia times e torcidas e atrai pontos e mais pontos no jogo. Seus pontos j\u00e1 chegam a dez. Voc\u00ea \u00e9 dez, mesmo. Mas vai aumentar o scout, tenho certeza.<\/p>\n<p>Hoje, voc\u00ea anda quicando bolas pelo Brasil afora, e eu fico mais aqui na arquibancada. O cord\u00e3o que nos une est\u00e1 cada vez mais extenso, mas ainda ou\u00e7o forte a cada dia os quiques do seu cora\u00e7\u00e3o bem pertinho do meu, sempre muito mais veloz e acelerado. Eu, na minha calma, assisto a seus jogos e lhe vejo como um vencedor. Voc\u00ea \u00e9 um campe\u00e3o, mesmo. Tenha certeza disso, mesmo quando no fim de um jogo o placar n\u00e3o for a favor.<\/p>\n<p>Agora, lhe devolvo a bola. Sai quicando na vida, filho. A bola \u00e9 sua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2022 Silvana Pinheiro <\/strong>\u00e9 educadora e escritora. Autora do \u00fanico livro infantil que a Editora Ultimato j\u00e1 publicou (\u201cDe Bichos Pequenos e Grandes\u201d), e que est\u00e1 esgotado h\u00e1 anos. Escreveu tamb\u00e9m o livro de poemas &#8220;Femear&#8221;, com foco no retrato feminino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nUm olhar materno sobre o crescimento do filho<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nHoje sou eu quem quica a bola da vez, filho. \u00c0 medida que ela bate no ch\u00e3o e volta \u00e0s minhas m\u00e3os, refa\u00e7o idas e vindas, ataques e defesas de um jogo que come\u00e7ou a dezenove janeiros atr\u00e1s.<br \/>\nLembro de voc\u00ea enterrado em uma cesta, em rede l\u00edquida e [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5151],"tags":[20353,5732],"class_list":["post-6464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outros-papos","tag-cronica","tag-mae"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6464"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6470,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6464\/revisions\/6470"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}