{"id":6384,"date":"2015-04-10T15:59:38","date_gmt":"2015-04-10T18:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=6384"},"modified":"2015-05-12T10:41:23","modified_gmt":"2015-05-12T13:41:23","slug":"ciganos-uma-etnia-invisivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2015\/04\/10\/ciganos-uma-etnia-invisivel\/","title":{"rendered":"Ciganos: uma etnia invis\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>\u201cImagine um mundo em que as pessoas n\u00e3o tenham endere\u00e7o fixo, documentos, conta em banco, carteira assinada nem hist\u00f3ria. E que a vida deles passe despercebida, como se n\u00e3o existisse. Que a \u00fanica certeza \u00e9 que nunca faltar\u00e1 preconceito e ignor\u00e2ncia, medo e fasc\u00ednio, injusti\u00e7as e alegrias ao longo de sua intermin\u00e1vel jornada. Bem-vindo ao mundo cigano.\u201d Essa \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o que a Super Interessante (set\/2008) faz do povo cigano. Ali\u00e1s, da imagem que se tem dele.<\/p>\n<p>Segundo a mat\u00e9ria da Super, o universo cigano \u00e9 t\u00e3o antigo e extenso, t\u00e3o cheio de cren\u00e7as e hist\u00f3rias que nem mesmo seu pr\u00f3prio povo conhece bem o limite entre verdade e lenda. \u00c9 uma hist\u00f3ria toda baseada em suposi\u00e7\u00f5es, por um simples motivo: faltam documentos. Os ciganos n\u00e3o possuem escrita, portanto, nunca deixaram nenhum registro que pudesse explicar suas origens e costumes. Suas tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o transmitidas oralmente. A dificuldade em se fixar, o conceito quase inexistente de propriedade e a forma com que lidam com a morte, s\u00e3o fatores que dificultam muito o trabalho profundo de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>E o que \u00e9 ser cigano?<\/strong><\/p>\n<p>Definir a identidade cigana \u00e9 mais dif\u00edcil do que parece, pois n\u00e3o constituem um povo homog\u00eaneo e nem todos s\u00e3o n\u00f4mades ou falam romani. Nem todos dan\u00e7am ao redor da fogueira e usam roupas coloridas. N\u00e3o possuem uma religi\u00e3o \u00fanica. O que faz deles um povo \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o comum de n\u00e3o serem <em>gadg\u00e9s<\/em> \u2013 como eles chamam os n\u00e3o-ciganos \u2013 e de se identificarem como rom, calon ou sinti. O termo \u2018cigano\u2019 s\u00f3 funciona nessa oposi\u00e7\u00e3o\u201d, diz o pesquisador Frans Moonen, autor do livro Anticiganismo \u2013 Os Ciganos na Europa e no Brasil.<\/p>\n<p>Embora haja muitas as diverg\u00eancias, algumas caracter\u00edsticas permitem tra\u00e7ar um perfil comum aos grupos ciganos. A primeira delas \u00e9 o esp\u00edrito viajante. Apesar de nem todos serem n\u00f4mades, os ciganos n\u00e3o se sentem pertencentes a um \u00fanico lugar, n\u00e3o criam ra\u00edzes e n\u00e3o t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o concreta de propriedade. Eles n\u00e3o gostam de se submeter a leis e a regras que n\u00e3o sejam as deles. Prezam, acima de tudo, a liberdade. Assim, podem at\u00e9 se estabelecer por muito tempo em um mesmo lugar, mas, nesse caso, procuram morar em uma mesma rua ou, de prefer\u00eancia, em acampamentos onde possam preservar sua autonomia e manter a unidade familiar.<\/p>\n<p><strong>Os ciganos no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro grupo de ciganos a chegar ao Brasil veio deportado de Portugal no s\u00e9culo 16, a maioria era calon. Os rom vieram de forma volunt\u00e1ria a partir da segunda metade do s\u00e9culo 19. Os mais recentes, \u00e0s vezes bem pobres, vieram do Leste Europeu ap\u00f3s a derrocada da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Todos sofrem com desconfian\u00e7as e preconceitos.<\/p>\n<p>A cidade de Sousa, no interior da Para\u00edba, \u00e9 um caso cl\u00e1ssico. Os cerca de 450 ciganos fixados h\u00e1 anos por l\u00e1 n\u00e3o recebiam entregas de correio nem tinham o lixo coletado em seu acampamento. Curiosamente, muitas escolas recusavam a matr\u00edcula de crian\u00e7as ciganas. O caso ficou bem conhecido na regi\u00e3o: foi necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o da Procuradoria da Rep\u00fablica da Para\u00edba para resolver a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>O analfabetismo entre os ciganos \u00e9 alto, tanto no Brasil quanto na Europa. Segundo a historiadora Isabel Fonseca, no Brasil 3 em cada 4 mulheres ciganas s\u00e3o analfabetas. Na Europa, escolas que s\u00f3 aceitam ciganos t\u00eam os piores n\u00edveis de qualidade. A falta de estudo e a vida \u00e0 margem os empurram cada vez mais para a criminalidade.<\/p>\n<p><strong>Os 3 principais grupos ciganos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Rom ou Roma &#8212; <\/strong>Predominantes nos pa\u00edses balc\u00e2nicos, principalmente na Rom\u00eania, falam romani, a mais conhecida das l\u00ednguas ciganas, e s\u00e3o o grupo mais estudado pelos pesquisadores. S\u00e3o divididos em subgrupos: kalderash, matchuaia, curcira, entre outros. Consideram-se os \u201cciganos aut\u00eanticos\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sinti &#8212; <\/strong>Tamb\u00e9m chamados de <em>manouch.<\/em> S\u00e3o mais numerosos na It\u00e1lia, no sul da Fran\u00e7a e na Alemanha. Falam a lingua sint\u00f3; para alguns pesquisadores, uma varia\u00e7\u00e3o do romani. N\u00e3o h\u00e1 estudos que apontem a presen\u00e7a significativa desse grupo no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Calon ou Kal\u00e9 &#8212; <\/strong>Conhecidos por \u201cciganos ib\u00e9ricos\u201d, j\u00e1 que viviam na Espanha e em Portugal antes de se espalhar pelo resto da Europa e da Am\u00e9rica do Sul. S\u00e3o os criadores do flamenco e respons\u00e1veis pela populariza\u00e7\u00e3o da figura da dan\u00e7arina cigana. Falam a l\u00edngua cal\u00f3 e s\u00e3o o grupo mais numeroso do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Maiores concentra\u00e7\u00f5es de ciganos no Mundo:<\/strong><\/p>\n<p>Alemanha : 100.000<\/p>\n<p>Alb\u00e2nia: 70.000<\/p>\n<p>Argentina: 317.000<\/p>\n<p>B\u00f3snia 17.000<\/p>\n<p>Brasil: 678.000<\/p>\n<p>Bulg\u00e1ria: 700.000 &#8211; 800.000<\/p>\n<p>Cro\u00e1cia: 9.463<\/p>\n<p>Espanha : 600.000\u2013800.000<\/p>\n<p>Finl\u00e2ndia: 10.000<\/p>\n<p>Gr\u00e9cia: 300.000-350.000<\/p>\n<p>Hungria: 190.046 (2001 censos)<\/p>\n<p>Ir\u00e3o: 110.000<\/p>\n<p>Maced\u00f4nia: 53.879<\/p>\n<p>Montenegro: 2.601<\/p>\n<p>Pol\u00f3nia: 15.000\u201350.000<\/p>\n<p>Portugal: 40.000<\/p>\n<p>Reino Unido: 40.000<\/p>\n<p>Rep\u00fablica Checa: 120,000 &#8211; 220,000<\/p>\n<p>Rom\u00e9nia: 535.140 (2002 censos), outros censos calculam entre 1.500.000 &#8211; 2.000.000<\/p>\n<p>R\u00fassia: 183.000<\/p>\n<p>S\u00e9rvia: 108.193<\/p>\n<p>Eslov\u00e1quia: 92.500<\/p>\n<p>Turquia : n\u00e3o oficial 500.000 &#8211; 2 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Ucr\u00e2nia: 48.000<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.cm-mirandela.pt\/?oid=3907\">http:\/\/www.cm-mirandela.pt\/?oid=3907<\/a><\/p>\n<p><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/super.abril.com.br\/cultura\/saga-cigana-447715.shtml\">A saga cigana<\/a> &#8212; Super Interessante (set\/2008).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dhnet.org.br\/direitos\/sos\/ciganos\/index.html\">Anticiganismo &#8212; Os Ciganos na Europa e no Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria do Povo Cigano. Angus Fraser, Teorema (Portugal), 1997.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Por Phelipe Reis<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cImagine um mundo em que as pessoas n\u00e3o tenham endere\u00e7o fixo, documentos, conta em banco, carteira assinada nem hist\u00f3ria. E que a vida deles passe despercebida, como se n\u00e3o existisse. Que a \u00fanica certeza \u00e9 que nunca faltar\u00e1 preconceito e ignor\u00e2ncia, medo e fasc\u00ednio, injusti\u00e7as e alegrias ao longo de sua intermin\u00e1vel jornada. 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