{"id":4302,"date":"2013-01-07T16:44:56","date_gmt":"2013-01-07T19:44:56","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=4302"},"modified":"2013-01-07T16:46:53","modified_gmt":"2013-01-07T19:46:53","slug":"palavrantiga-na-billboard-a-entrevista-que-rookmaaker-nao-leu-mas-gostaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2013\/01\/07\/palavrantiga-na-billboard-a-entrevista-que-rookmaaker-nao-leu-mas-gostaria\/","title":{"rendered":"Palavrantiga na Billboard. A entrevista que Rookmaaker n\u00e3o leu, mas gostaria"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2013\/01\/cd_palavrantiga.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-4302\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" data-lightview-title=\"cd_palavrantiga\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-4309\" title=\"cd_palavrantiga\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2013\/01\/cd_palavrantiga.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"87\" \/><\/a>O blog da Ultimato transcreve a entrevista com o m\u00fasico e compositor Marcos Almeida, postada por ele mesmo no seu blog, <a href=\"http:\/\/nossabrasilidade.com.br\/a-entrevista-para-a-billboard-edicao-37-na-integra\/\">Nossa Brasilidade<\/a>, e que serviu de base para a mat\u00e9ria publicada na edi\u00e7\u00e3o de dezembro-janeiro da <a href=\"http:\/\/www.billboard.br.com\/pt_br\/noticias\/confira-os-destaques-da-edicao-de-dezembrojaneiro-da-billboard-brasil\">Billboard<\/a> Brasil.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>A Entrevista para a Billboard, edi\u00e7\u00e3o 37, <em>por Marcos Almeida<\/em><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o 37 da Billboard Brasil traz na capa o m\u00fasico pop americano Bruno Mars, e l\u00e1 nas p\u00e1ginas 54 e 55 o jornalista Filipe Albuquerque anuncia: \u201cpara al\u00e9m de r\u00f3tulos e segmentos, artistas evang\u00e9licos buscam circular livremente no pop brasileiro\u201d.\u00a0Tanlan e Palavrantiga aparecem como personagens principais de um movimento n\u00e3o organizado, mas que toma for\u00e7a atrav\u00e9s de iniciativas diversas desenvolvidas por artistas que est\u00e3o a fim de transpor aquela velha oposi\u00e7\u00e3o gospel\/secular.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2013\/01\/Billboard-Brasil37-250x300.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-4302\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" data-lightview-title=\"Billboard-Brasil37-250x300\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-4303\" title=\"Billboard-Brasil37-250x300\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2013\/01\/Billboard-Brasil37-250x300.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2013\/01\/Billboard-Brasil37-250x300.jpg 250w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/2013\/01\/Billboard-Brasil37-250x300-125x150.jpg 125w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><em>Billboard Brasil &#8211; Ed. 37<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sem entrar nos m\u00e9ritos da identidade de cada banda e mais uma vez reconhecendo a falta de linha e linguagem definida para todos, deixo com voc\u00eas o que tenho pensado sobre o assunto. Segue a entrevista que o Filipe Albuquerque nos enviou e que respondi no dia 14 de Novembro de 2012. Ela foi base para o jornalista criar a mat\u00e9ria. Ainda volto em outro texto para falar da vis\u00e3o j\u00e1 alinhada com a Som Livre, t\u00e3o bem colocada pelo presidente da companhia \u2013 o querido Marcelo Soares. Mas por enquanto leiam na \u00edntegra a entrevista concedida ao Filipe.\u00a0 Fiquem a vontade para compartilhar e comentar. Feliz 2013!!!<\/p>\n<p><strong>1.Voc\u00eas, juntos com a Tanlan, o Aeroilis, o Adorelle e alguns outros nomes, sinalizam uma outra dire\u00e7\u00e3o pra m\u00fasica crist\u00e3 feita no Brasil, pra algo que j\u00e1 acontece nos EUA, onde esse modelo de mercado foi criado, e onde algumas bandas conseguem transitar entre os dois universos sem necessariamente estabelecer muros e divis\u00f5es, como fez o Catedral no in\u00edcio dos anos 2000 ao adotar o discurso de deixar um mercado para ir ao outro. Entendem que esse pode ser o modelo que de fato permita essa transi\u00e7\u00e3o de maneira natural e espont\u00e2nea: \u00c9 esse o objetivo de vcs?<\/strong><\/p>\n<p>Ol\u00e1, tudo bem? Antes de mais nada, muito obrigado pela gentileza da entrevista e por nos dar a oportunidade de compartilhar a vis\u00e3o da banda a respeito dos temas.<!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 importante, neste nosso primeiro encontro, come\u00e7ar dizendo que as categorias que utilizamos como fonte para a nossa identidade n\u00e3o s\u00e3o as mesmas que o mercado estabelece para definir suas prateleiras. Portanto, n\u00e3o faz sentido para n\u00f3s descrever personalidade art\u00edstica usando termos do mercado fonogr\u00e1fico tradicional. O que acontece \u00e9 que quando temos a oportunidade de desenvolver a nossa personalidade em volta de algo mais amplo, a nossa experi\u00eancia cotidiana se torna mais rica, mais cheia de temas, mais colorida. Ent\u00e3o, a facilidade que o nosso som tem de transitar nesses circuitos deve-se ao conte\u00fado humano, est\u00e9tico, espiritual \u00a0e po\u00e9tico do nosso fazer art\u00edstico \u2013 ou seja, aspectos reais anteriores ao mercado. Entende?<\/p>\n<p>Sobre o Catedral, n\u00e3o compartilhamos de suas inten\u00e7\u00f5es \u2013 no fundo desconhecidas para todos n\u00f3s. Ali\u00e1s, no inicio da caminhada cheguei a enviar um longo e-mail para o Kim, perguntando sobre alguns assuntos que at\u00e9 hoje beiram a lenda urbana, especificamente sobre essa migra\u00e7\u00e3o da banda para o secular. N\u00e3o tive resposta. Mas, de qualquer forma, conseguimos ver que \u00a0utilizar o pensamento de que \u00a0\u201c\u00e9 preciso deixar o religioso para ir ao secular\u201d- ou como voc\u00ea colocou, \u201cdeixar um mercado para ir ao outro\u201d, \u00e9 refor\u00e7ar certo manique\u00edsmo pr\u00f3ximo aos formatos partid\u00e1rios de esquerda e direita. Quem toma partido fica partido! \u00a0Inda mais se pensarmos que a experi\u00eancia do Evangelho nos permite enxergar o mundo sobre um \u00fanico ch\u00e3o de d\u00e1diva e beleza \u2013 um ch\u00e3o comum sobre o qual constroem-se partidos, cercas e muros, mas onde tamb\u00e9m podemos trilhar um caminho de liberdade. Pois bem, as escolhas musicais, acredito, devem ser feitas na dire\u00e7\u00e3o daquilo que nos torna inteiros e plenos, sem posi\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias ou esquizofr\u00eanicas.<\/p>\n<p>A\u00ed, voc\u00ea j\u00e1 deve estar querendo saber; mas como voc\u00eas se identificam? Gostamos de nos alinhar ao pensamento cl\u00e1ssico de cultura brasileira; tradi\u00e7\u00e3o constru\u00edda por intelectuais como Gilberto Freyre, Caio Prado Jr., Sergio Buarque de Holanda, Roberto DaMatta e Darcy Ribeiro, que s\u00e3o unanimes em dizer que n\u00e3o existe um Brasil, mas brasis. N\u00e3o existe uma brasilidade homog\u00eanea, mas muitas brasilidades. Ou seja, representamos a brasilidade dos que creem, onde a viv\u00eancia pessoal e comunit\u00e1ria da f\u00e9 se torna uma forte matriz \u00a0que sempre esteve imbu\u00edda e misturada nessa am\u00e1lgama chamada cultura brasileira (uma busca no cancioneiro popular comprova isso). A novidade est\u00e1 a\u00ed: n\u00e3o fazemos da nossa mensagem um fator de distin\u00e7\u00e3o estil\u00edstica, utilizamos par\u00e2metros musicais para fazer distin\u00e7\u00f5es musicais. \u00c9 por isso que nos sentimos mais a vontade com o termo \u201crock nacional\u201d.<\/p>\n<p>Qualquer modelo que fuja dessa proposta n\u00e3o-dicot\u00f4mica \u00e9 limitadora. \u00a0 Quanto aos amigos da Tanlan, acredito que se alinham com aquilo que pensamos. N\u00e3o s\u00f3 eles, mas podemos citar tamb\u00e9m a Lorena Chaves e a banda Crombie.<\/p>\n<p><strong>2.<\/strong>\u00a0<strong>Apesar de circularem bem nos dois ambientes, est\u00e3o bem ligados ao universo crist\u00e3o, ainda bem engessado em alguns aspectos, que s\u00f3 entendeu o que \u00e9 distribui\u00e7\u00e3o digital no ano passado. Como \u00e9 ser uma banda cheia de refer\u00eancia est\u00e9ticas pop, com a cabe\u00e7a pensando al\u00e9m dos muros da igreja, mas ter de lidar com algumas contradi\u00e7\u00f5es do segmento crist\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>A maior contradi\u00e7\u00e3o a ser vencida pelos l\u00edderes crist\u00e3os fica evidente quando vamos definir os limites e as possibilidades neste processo de aproxima\u00e7\u00e3o do Templo com a Rua. Como a Igreja deve se relacionar com a cultura? Ningu\u00e9m sabe muito bem. A for\u00e7a de um mercado religioso interno imp\u00f5e respeito \u2013 embora ainda engessado, como voc\u00ea colocou, ele \u00e9 muito rent\u00e1vel. Mas ser\u00e1 que exportar as viv\u00eancias do templo para a rua \u00e9 o melhor caminho? Tenho receio de que tudo isso se torne banal, artificial e sem o mist\u00e9rio precioso que envolve a experi\u00eancia comunit\u00e1ria. O que fazemos \u00e9 buscar respeitar a soberania dessas duas esferas e o modo de ser de cada uma delas.\u00a0 N\u00e3o transformar o palco num p\u00falpito, nem fazer do p\u00falpito um palco. Essa \u00e9 a regra.<\/p>\n<p><strong>3. Voc\u00eas fizeram o caminho natural \u2013 come\u00e7aram independentes e assinaram com uma major. O que a independ\u00eancia ensinou a voc\u00eas: Qual o n\u00edvel de liberdade dado pela gravadora \u00e0 banda? Em algum momento houve algum tipo de restri\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Aprendemos no independente a trabalhar em fam\u00edlia. As esposas, os amigos e parentes foram e ainda s\u00e3o os maiores interessados na divulga\u00e7\u00e3o do nosso trabalho. A aproxima\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico mais alternativo \u2013 a maioria bastante contr\u00e1ria a ideia de gravadora \u2013 nos foi muito \u00fatil para fortalecer os princ\u00edpios de liberdade art\u00edstica. E quando reconhecemos\u00a0 que n\u00e3o est\u00e1vamos dando conta de atender toda a demanda, tivemos que nos abrir para as parcerias. A Som Livre faz parte da hist\u00f3ria da m\u00fasica brasileira. Saber que nomes como Tim Maia, Novos Baianos, Gal Costa, Djavan e tantos outros artistas que admiramos fizeram boa parte de seus trabalhos em parceria com a companhia e que agora temos a oportunidade de ouvir dessa experi\u00eancia, \u00e9 muito legal. O contrato com a Som Livre chegou em hora oportuna. Al\u00e9m de suprir essas necessidades de distribui\u00e7\u00e3o num pais continental igual o nosso, a Som Livre nos deu a oportunidade de falar o que a gente pensa e trilhar esse caminho diferente que estamos propondo. Ela se mant\u00e9m viva ao respeitar e representar a diversidade cultural do nosso povo.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong>\u00a0<strong>Como voc\u00eas avaliam a entrada de companhias como a Sony e a Som Livre no segmento gospel? Entendem como algo natural, saud\u00e1vel pro segmento? N\u00e3o h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o, ainda que pequena, de que, pelo vis\u00edvel crescimento da popula\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica no pa\u00eds, as majors passaram a olhar para esse p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nSe uma grande companhia fonogr\u00e1fica tem a miss\u00e3o de exibir a realidade cultural de um povo, obviamente ela deve se adequar \u00e0s mudan\u00e7as naturais que qualquer cultura sofre no passar do tempo. Olhar para o p\u00fablico evang\u00e9lico \u00e9 ser coerente com a sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto ao modo de fazer as coisas, o jeito de operar essa inser\u00e7\u00e3o no mercado religioso, acredito que todos est\u00e3o a descobrir os limites e possibilidades. Tocar em s\u00edmbolos da f\u00e9 \u00e9 sempre perigoso. Justificar seus produtos com argumentos eclesi\u00e1sticos e ideol\u00f3gicos certamente encontra tens\u00f5es quando se tira vantagens comerciais sobre eles. Ent\u00e3o, tor\u00e7o para que t\u00e3o logo esses dilemas sejam solucionados. Aqui, estamos abrindo uma trilha que nos parece virar um novo caminho, onde os novos artistas crist\u00e3os ao fazer musica de rua se apropriam das regras da rua e jogam com ela, sem achatar a experi\u00eancia da f\u00e9 ou subjugar a cultura pop com argumentos proselitistas.<\/p>\n<p><strong>5. O p\u00fablico evang\u00e9lico, normalmente reticente quanto a novidades e experimenta\u00e7\u00f5es \u2013 ainda que com apelo pop \u2013 tem recebido bem o som de vcs? E quanto ao p\u00fablico n\u00e3o crist\u00e3o?\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Somos uma banda bem jovem, apesar do nome, rsrs. Juntamos os devaneios e as guitarras el\u00e9tricas em 2008. E nessa vontade de aprender e reconhecer a vida do jeito que ela \u00e9, fomos presenteados com muito carinho vindo de toda parte. Lembro da primeira vez que tocamos juntos em Belo Horizonte. No final, um amigo chegou perto e disse: \u201cMarquim, essa m\u00fasica que voc\u00ea fez d\u00e1 pra tocar no culto e no boteco aqui em baixo!\u201d hahaha. Rimos at\u00e9! Mas, ele acabou sendo um tipo de profeta, vamos dizer assim, porque sem querer, sem planejar, sem pretens\u00e3o alguma, as composi\u00e7\u00f5es foram indo e assumindo lugar na trilha sonora de r\u00e1dios religiosas e n\u00e3o religiosas, nos cultos e nos barzinhos.<\/p>\n<p><strong>6. Falem um pouco sobre o que voc\u00eas t\u00eam ouvido ultimamente e o que serve de refer\u00eancia pra voc\u00eas na hora de compor, gravar\u2026<\/strong><br \/>\nCada um tem suas refer\u00eancias; desde a guitarra do The Edge na forma de tocar do Josias, passando pelo groove do reggae nas linhas do Felipe, \u00e0 simplicidade pop da bateria de Lucas, at\u00e9 as harmonias mais brasileiras das minhas composi\u00e7\u00f5es. No disco \u201cSobre o mesmo ch\u00e3o\u201d que acabamos de lan\u00e7ar, voc\u00ea vai perceber essa qu\u00edmica. Vai encontrar Jorge Ben Jon, U2, Sigur R\u00f3s, Nelson Cavaquinho, Morais Moreira, Bon Iver e at\u00e9 Beethoveen, mas principalmente como as nossas limita\u00e7\u00f5es processaram essas informa\u00e7\u00f5es musicais. A m\u00fasica que expressamos na Igreja tamb\u00e9m \u00e9 outra influ\u00eancia \u00edmpar nesse dna musical. Quando entramos em studio n\u00e3o ouvimos nada. Fazemos alguma audi\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, para ir construindo os timbres, mas tentamos deixar a equipe t\u00e9cnica captar aquilo que surge ali na hora, quando estamos apenas tocando e interpretando as can\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<strong>7. Vejo em voc\u00eas uma preocupa\u00e7\u00e3o com timbres, com produ\u00e7\u00e3o, com estetica, com conex\u00e3o com o que acontece atualmente no rock hoje. Isso de fato parece uma marca dessas bandas que eu citei anteriormente, al\u00e9m do desejo (me parece) de evitar chav\u00f5es evang\u00e9licos e uma postura estereotipada. Voc\u00eas acreditam que isso \u00e9 o que diferencia voc\u00eas de duas gera\u00e7\u00f5es atr\u00e1s, de nomes como Rebanh\u00e3o, Katsbarnea, Resgate, Oficina G3, que ficaram presas demais a elementos religiosos e n\u00e3o conseguiram romper o muro entre o segmento crist\u00e3o e o n\u00e3o crist\u00e3o? Voces ouvem essas bandas? Elas servem de referencia pra voces?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que estamos cantando em portugu\u00eas brasileiro aquilo que se cantava apenas em<em>evangeliqu\u00eas tupiniquim.\u00a0<\/em>Estamos mostrando que \u00e9 poss\u00edvel essa tradu\u00e7\u00e3o. Dizer que realidades especificas na vida daquele que experimenta a Boa Nova s\u00f3 podem ser expostas em linguajar evang\u00e9lico n\u00e3o \u00e9 verdade. A l\u00edngua que usamos \u00e9 a l\u00edngua da rua, da literatura e da poesia \u2013 que em muito se aproxima da linguagem religiosa pois tamb\u00e9m trata do mist\u00e9rio, do invis\u00edvel e da alma.<\/p>\n<p>As bandas que voc\u00ea citou fizeram parte da nossa vivencia e encontrar recentemente o Resgate e Oficina G3 nos palcos foi sensacional. Admiramos a integridade com a vis\u00e3o que anunciam desde a d\u00e9cada de 80 e de fato, o que fazemos hoje s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque eles criaram uma plataforma anterior. Eles s\u00e3o o melhor exemplo de uma aspecto vivo dessa matriz crist\u00e3 que enriquece a nossa cultura. Nesse sentido estamos muito mais pr\u00f3ximos deles do que dos Tit\u00e3s ou Engenheiros, por exemplo. O que nos diferencia \u00e9 o conjunto de responsabilidades que uma nova banda deve assumir quando se reconhece que em muitos aspectos a guerra deles j\u00e1 foi ganha. Os desafios hoje s\u00e3o outros, n\u00e3o \u00e9 mais lutar para tocar rock na igreja, ou fazer uma programa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea e descolada para a juventude. Eles nos empurram pra trabalhar forte no sentido de descomplicar nosso lugar no mundo \u2013 ali no meio da rua. Sem partido, sem grife religiosa, fazendo o que um artista deve fazer.<\/p>\n<p><strong>8. Nos \u00faltimos 8, 10 anos, houve uma explos\u00e3o de cantores, cantoras e \u2018adora\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica\u2019 no universo crist\u00e3o no pa\u00eds, o que acabou criando um gesso e cansando at\u00e9 mesmo boa parte dos crist\u00e3os. Acham que j\u00e1 estava na hora de um respiro? Esse respiro representado pela gera\u00e7\u00e3o de voc\u00eas pode fazer com que um p\u00fablico resistente ao que se apresentou a ele como m\u00fasica crist\u00e3 possa se interessar por ela?<\/strong><\/p>\n<p>O movimento de \u201cadora\u00e7\u00e3o\u201d representado por David, Cirilo, Helo\u00edsa Rosa (ali\u00e1s, fomos banda de apoio dela durante 4 anos) , teve grande import\u00e2ncia no sentido de retirar um outro gesso que prendia o canto comunit\u00e1rio. Eles trouxeram uma liberdade carism\u00e1tica muito aguardada principalmente pelos jovens. Uma for\u00e7a espiritual singular brotou desse movimento, e quem experimentou dela de forma saud\u00e1vel, ainda hoje, reconhece suas marcas positivas. O lance aqui \u00e9 o mesmo que apontei acima, exportar a experi\u00eancia do Templo (ou das reuni\u00f5es crist\u00e3s ) para a Rua\u00a0 gera muitas tens\u00f5es.\u00a0 Justificar tudo isso com argumentos evangel\u00edsticos, mas sem o trabalho de tradu\u00e7\u00e3o, soa como uma l\u00edngua estranha, \u00e0s vezes como um discurso cheio de segundas inten\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, o fato da m\u00fasica estar subjugada por outros interesses a torna desinteressante para muitos ouvidos. Me parece que a m\u00fasica de adora\u00e7\u00e3o fora do ambiente de adora\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz muito sentido, ela \u00e9 uma m\u00fasica-experi\u00eancia. Da\u00ed, \u00e9 muito dif\u00edcil aprecia-la isoladamente como obra de arte.<br \/>\nTivemos a gra\u00e7a de fazer um som que reflete essa for\u00e7a espiritual e que tem certo interesse est\u00e9tico. Determinado ouvinte pode se apegar mais a sonoridade em si e outro se empolgar com a mensagem. Mas ainda n\u00e3o sabemos como isso acontece. O fato \u00e9 que nem todos v\u00e3o se abrir para o aspecto transcendente da nossa arte e nem por isso a sua experi\u00eancia deve ser desmerecida pois ela tamb\u00e9m \u00e9 v\u00e1lida. Acredito que nossa gera\u00e7\u00e3o tem a oportunidade de fazer musica brasileira que comunique a vida que a gente vive sem se preocupar em escolher ouvintes. O nosso cen\u00e1rio hoje \u00e9 muito promissor e devemos aproveitar essa jornada para refor\u00e7ar a liberdade de ser e criar. Assim seja!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O blog da Ultimato transcreve a entrevista com o m\u00fasico e compositor Marcos Almeida, postada por ele mesmo no seu blog, Nossa Brasilidade, e que serviu de base para a mat\u00e9ria publicada na edi\u00e7\u00e3o de dezembro-janeiro da Billboard Brasil.<br \/>\nA Entrevista para a Billboard, edi\u00e7\u00e3o 37, por Marcos Almeida<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\nA edi\u00e7\u00e3o 37 da Billboard Brasil traz na [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5153],"tags":[],"class_list":["post-4302","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-prateleira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4302","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4302"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4302\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4316,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4302\/revisions\/4316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4302"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4302"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4302"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}