{"id":2656,"date":"2011-07-20T14:31:39","date_gmt":"2011-07-20T17:31:39","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=2656"},"modified":"2011-08-22T12:35:12","modified_gmt":"2011-08-22T15:35:12","slug":"cantando-o-tempo-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2011\/07\/20\/cantando-o-tempo-5\/","title":{"rendered":"Cantando o tempo 5"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><strong>Sobre o Tempo, Crombie<\/strong><\/p>\n<p>Quase tudo \u00e9 temporal<br \/>\nTemporal porque est\u00e1 sujeito<br \/>\nAo sujeito chamado Tempo<br \/>\nQue \u00e9 mais que momento<\/p>\n<p>Que n\u00e3o se confessa<br \/>\nPois n\u00e3o sente culpa de nada<br \/>\nN\u00e3o v\u00ea minha pressa<br \/>\nEm displicente caminhada<\/p>\n<p>Segue a p\u00e9 passeando<br \/>\nDeve ser por isso que demora<br \/>\nParece que t\u00e1 brincando<br \/>\nPensando que n\u00e3o tem hora<\/p>\n<p>O tempo que vivo aqui<br \/>\nO tempo de agora<br \/>\nO tempo que est\u00e1 por vir<br \/>\nQue venha sem demora<\/p><\/blockquote>\n<p><img src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-content\/plugins\/lightview-plus\/img\/novideo.png\" width=\"300\" height=\"168\" alt=\"Video not available\" \/><br \/><\/p>\n<p>A m\u00fasica <em>Sobre o Tempo<\/em>, do grupo Crombie, \u00e9 uma del\u00edcia de ser escutada. Al\u00e9m da melodia que nos embala, as ambiguidades e personifica\u00e7\u00f5es presentes na letra da can\u00e7\u00e3o tratam de forma leve de um assunto que geralmente nos \u00e9 pesado.<!--more--><\/p>\n<p>Logo na primeira frase h\u00e1 um jogo de sentido com a palavra \u201ctemporal\u201d. Quase tudo pode ser tempestade, duro de se viver. Por\u00e9m, ainda que dif\u00edcil, \u201ctemporal\u201d \u00e9 tamb\u00e9m passageiro. A efemeridade da vida \u00e9 resultado da a\u00e7\u00e3o do tempo que, na can\u00e7\u00e3o e qui\u00e7\u00e1 na vida, apresenta-se como sujeito e n\u00e3o predicado, senhor e n\u00e3o servo. Na ilus\u00e3o de que o temos, como muitas vezes dizemos, \u201cestou com pouco tempo\u201d, somos, na verdade, submetidos a ele.<\/p>\n<p>Ao seguirmos cantarolando, entretanto, percebemos que o Tempo n\u00e3o \u00e9 um inimigo. \u00c9 certo que anda em sentido contr\u00e1rio \u00e0queles que se preocupam tanto com ele, \u201csegue \u00e0 p\u00e9 passeando\u201d enquanto v\u00ea os pobres humanos em ritmo apressado. Contudo, ele est\u00e1 mais para amigo gozador que para tirano. Quem sabe, ri da loucura humana, desconhecedor que \u00e9 dos ponteiros do rel\u00f3gio que os rege, como dele se diz: \u201cparece que t\u00e1 brincando\u201d. Ou, talvez, sejam os pr\u00f3prios humanos que veem ironia naquele que, diferentemente deles, n\u00e3o pode sentir culpa por nada, pois simplesmente passa, sem muito sofrer.<\/p>\n<p>Tempo e ser humano andam em caminhos opostos na can\u00e7\u00e3o, est\u00e3o dissociados um do outro. Enquanto aquele vive plenamente, \u201cpensando que n\u00e3o tem hora\u201d, este segue \u201cem displicente caminhada\u201d, sem prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida que deveria ser vivida.<\/p>\n<p>Na \u00faltima estrofe, todavia, o homem assume seu papel de sujeito da hist\u00f3ria. Ele vive o tempo do aqui e do agora. Mais do que isso, faz as pazes com o seu \u201crival\u201d, e diz a ele que \u201cvenha sem demora\u201d. Seu \u201csem demora\u201d talvez seja mais um desejo de que ele aconte\u00e7a de modo pleno do que um simples n\u00e3o tardar da sua chegada.A letra faz-nos refletir sobre o atropelo das atividades cotidianas que muitas vezes podem sufocar o verdadeiro sentido de se viver. Para Paulo, esse sentido \u00e9 bem claro: \u201cPara mim o viver \u00e9 Cristo, e o morrer \u00e9 lucro (Fp 1.21)\u201d. Precisamos viver o tempo do aqui e do agora voltados para Cristo. N\u00e3o apenas na expectativa da sua volta, mas de modo que nossas a\u00e7\u00f5es sejam cristoc\u00eantricas. Ainda que n\u00e3o nos tornemos mission\u00e1rios como o ap\u00f3stolo de Tarso ou que nossas tarefas cotidianas n\u00e3o estejam diretamente relacionadas com a propaga\u00e7\u00e3o do reino, carregar o t\u00edtulo de crist\u00e3o \u00e9 viver diariamente como um \u201cpequeno Cristo\u201d.\u00a0Jesus soube aproveitar as oportunidades. Nas conversas que travava, nas festas e nos jantares em que participou ele manifestou a gl\u00f3ria de Deus. Sabia que chegaria a sua hora. Entretanto, n\u00e3o viveu na ang\u00fastia da cruz, sofrendo por antecipa\u00e7\u00e3o. Que inspirados nele vivamos para servir a nossa gera\u00e7\u00e3o, independente do que nos espera, e confiantes que este \u00e9 o tempo que Deus nos deu.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n__________<br \/>\n<b>Mariana Furst<\/b> tem 29 anos, \u00e9 mestre em Teoria Liter\u00e1ria pela UFMG, assistente editorial de Ultimato e estuda no Centro Evang\u00e9lico de Miss\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o Tempo, Crombie<br \/>\nQuase tudo \u00e9 temporal<br \/>\nTemporal porque est\u00e1 sujeito<br \/>\nAo sujeito chamado Tempo<br \/>\nQue \u00e9 mais que momento<br \/>\nQue n\u00e3o se confessa<br \/>\nPois n\u00e3o sente culpa de nada<br \/>\nN\u00e3o v\u00ea minha pressa<br \/>\nEm displicente caminhada<br \/>\nSegue a p\u00e9 passeando<br \/>\nDeve ser por isso que demora<br \/>\nParece que t\u00e1 brincando<br \/>\nPensando que n\u00e3o tem hora<br \/>\nO tempo que vivo aqui<br \/>\nO tempo de agora<br \/>\nO tempo que est\u00e1 [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9525],"tags":[],"class_list":["post-2656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-no-melhor-ritmo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2656"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2656\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2726,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2656\/revisions\/2726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}