{"id":1710,"date":"2010-03-10T09:40:33","date_gmt":"2010-03-10T12:40:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/?p=1710"},"modified":"2010-11-19T08:38:48","modified_gmt":"2010-11-19T11:38:48","slug":"1960-%e2%80%94-um-ano-explosivo-na-historia-de-vicosa-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2010\/03\/10\/1960-%e2%80%94-um-ano-explosivo-na-historia-de-vicosa-iv\/","title":{"rendered":"1960 \u2014 um ano explosivo na hist\u00f3ria de Vi\u00e7osa IV"},"content":{"rendered":"<p><strong><span>1960 \u2014 Vi\u00e7osa inaugura o primeiro templo protestante<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Os meses foram passando e ningu\u00e9m nos alugava um im\u00f3vel para realizarmos os nossos cultos. De repente, soubemos que havia um terreno desocupado na avenida Bueno Brand\u00e3o, de propriedade do mec\u00e2nico de autom\u00f3veis Luiz Pimentel. Mesmo n\u00e3o tendo de fato a menor possibilidade de construirmos um templo, pois \u00e9ramos poucos e a maior parte da membresia era formada de estudantes, cujo d\u00edzimo, embora fiel, n\u00e3o representava muito dinheiro, resolvemos corajosamente adquirir o terreno por 120 mil cruzeiros. S\u00f3 t\u00ednhamos 10 mil em caixa. Mas, com o empr\u00e9stimo de outros 10 mil da Igreja Presbiteriana de Ub\u00e1, pagamos a entrada do im\u00f3vel (30 de maio). <!--more--><\/p>\n<p>Em junho, a estudantada da igreja abra\u00e7ou com entusiasmo a ideia de construir imediatamente o templo. O tal piloto-mission\u00e1rio de Montes Claros, que havia sido estudante de engenharia antes de abra\u00e7ar o minist\u00e9rio, fez o anteprojeto e os estudantes Osmar Ribeiro e Daison Olzany Silva elaboraram a planta definitiva, que foi assinada graciosamente pelo projetista Jos\u00e9 Ubirajara Euclides, um homem admir\u00e1vel.<\/p>\n<p>Contratamos o construtor licenciado Vicente da Paix\u00e3o para assinar a planta e ceder a placa de responsabilidade. Como havia uma min\u00fascula marquise na fachada, convidamos certo engenheiro e professor de matem\u00e1tica da UREMG (parece-me que na ocasi\u00e3o era o \u00fanico engenheiro residente em Vi\u00e7osa) para fazer os c\u00e1lculos e ser o respons\u00e1vel por eles.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 m\u00e3o-de-obra, resolvemos que alguns dos rapazes passariam as suas f\u00e9rias de julho aqui trabalhando oito horas por dia como serventes de pedreiro (pagar\u00edamos s\u00f3 o pedreiro) e que algumas das mo\u00e7as tentariam levantar ofertas em suas igrejas durante as f\u00e9rias. Como os estudantes n\u00e3o poderiam permanecer no alojamento em per\u00edodo n\u00e3o letivo, minha esposa e as duas filhas foram para a casa do sogro, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, SP, gra\u00e7as a uma carona dada gentilmente pelo dr. Walter Brune, luterano, que era professor da universidade, e eu hospedei a turma em nossa casa. O caf\u00e9 da manh\u00e3 e uma boa sopa de legumes \u00e0 noitinha ficaram por minha conta, al\u00e9m da compra do material da constru\u00e7\u00e3o. Almo\u00e7amos no Pr\u00edncipe Hotel (o gerente fez um pre\u00e7o especial e permitiu que n\u00f3s f\u00f4ssemos comer l\u00e1 com a roupa suja da constru\u00e7\u00e3o). A prefeitura deu o necess\u00e1rio alvar\u00e1, ainda que fic\u00e1ssemos devendo a assinatura do engenheiro.<\/p>\n<p>No dia primeiro de julho de 1960, h\u00e1 50 anos, demos in\u00edcio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do primeiro templo n\u00e3o cat\u00f3lico de Vi\u00e7osa. Parecia-nos que tudo estava finalmente resolvido. Mas tivemos alguns surpreendentes imprevistos. A prefeitura me enviou uma carta informando que o construtor havia cancelado a sua responsabilidade t\u00e9cnica. E o tal engenheiro mandou outra carta com a informa\u00e7\u00e3o de que, como cat\u00f3lico, n\u00e3o deveria colaborar com outra religi\u00e3o (as cartas est\u00e3o arquivadas).<\/p>\n<p>Para quebrar esses galhos, fiz duas pequenas viagens: em Ub\u00e1 consegui a assinatura do construtor Jo\u00e3o Campanha, minha ex-ovelha (antes de vir para Vi\u00e7osa, passei cinco anos em Ub\u00e1, onde organizei a Igreja Presbiteriana), e em Ponte Nova consegui a assinatura do engenheiro Orlando Fonseca, cuja esposa era membro da Igreja Presbiteriana daquela cidade.<\/p>\n<p>E quanto aos recursos para pagar o terreno e construir o templo? Quando n\u00e3o h\u00e1 dinheiro, muitos de n\u00f3s lan\u00e7amos m\u00e3o de um expediente que costuma dar certo, quando h\u00e1 muito cuidado e responsabilidade, e depois de muita ora\u00e7\u00e3o. Chama-se, na linguagem evang\u00e9lica, fazer esse e aquele empreendimento pela f\u00e9 na provid\u00eancia de Deus, sem, no entanto, cruzar os bra\u00e7os. Todos revigoramos nossa confian\u00e7a em Deus e nosso entusiasmo quando recebemos tr\u00eas ofertas cada uma no valor de dez mil cruzeiros, exatamente nos dias 2, 3 e 4 de julho (duas delas n\u00e3o solicitadas!).<\/p>\n<p>Gastamos tr\u00eas meses e uma semana para construir o templo, que comportava cerca de 120 pessoas. Na parede de tr\u00e1s do p\u00falpito fizemos quest\u00e3o de afixar com letras de Eucatex, o querido vers\u00edculo de Zacarias: \u201cN\u00e3o por for\u00e7a nem por viol\u00eancia, mas pelo meu Esp\u00edrito, diz o Senhor dos Ex\u00e9rcitos\u201d. No dia 9 de outubro de 1960, o templo foi inaugurado e consagrado a Deus. Na aus\u00eancia do prefeito dr. Raymundo Alves Torres, o delegado Jos\u00e9 Sime\u00e3o desatou a fita simb\u00f3lica. Gastamos com o terreno, a constru\u00e7\u00e3o e a mob\u00edlia, pouco mais de 500 mil cruzeiros. Desse montante, ficamos devendo a dois bancos e ao com\u00e9rcio aproximadamente 200 mil cruzeiros. Quando nos mudamos para o templo atual, na av. P. H. Rolfs, anos depois, vendemos o templo da av. Bueno Brand\u00e3o, 12, onde fica hoje a Pizzaria Bala\u00fastre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1960 \u2014 Vi\u00e7osa inaugura o primeiro templo protestante<br \/>\nOs meses foram passando e ningu\u00e9m nos alugava um im\u00f3vel para realizarmos os nossos cultos. De repente, soubemos que havia um terreno desocupado na avenida Bueno Brand\u00e3o, de propriedade do mec\u00e2nico de autom\u00f3veis Luiz Pimentel. 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