{"id":1697,"date":"2010-03-10T09:33:40","date_gmt":"2010-03-10T12:33:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/?p=1697"},"modified":"2010-11-19T08:39:09","modified_gmt":"2010-11-19T11:39:09","slug":"1960-%e2%80%94-um-ano-explosivo-na-historia-de-vicosa-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2010\/03\/10\/1960-%e2%80%94-um-ano-explosivo-na-historia-de-vicosa-ii\/","title":{"rendered":"1960 \u2014 um ano explosivo na hist\u00f3ria de Vi\u00e7osa II"},"content":{"rendered":"<p><strong><span>1960 \u2014 Uma Vi\u00e7osa de fato tridentina<\/span><\/strong><\/p>\n<p>No primeiro trimestre de 1960, para dar in\u00edcio \u00e0s reuni\u00f5es da igreja presbiteriana, precis\u00e1vamos alugar um im\u00f3vel apropriado e mais ou menos no centro da cidade. Logo apareceu um sal\u00e3o enorme na pra\u00e7a Silviano Brand\u00e3o, onde hoje est\u00e1 o Loj\u00e3o das F\u00e1bricas. O propriet\u00e1rio concordou em nos alugar e me deu duas vias para eu preencher e devolver a ele no dia seguinte, quando ent\u00e3o eu receberia as chaves. Como eu era um rec\u00e9m-chegado a Vi\u00e7osa, ele exigiu um avalista. Procurei imediatamente o sr. Jacy Ferreira, gerente do Banco de Cr\u00e9dito Real de Minas Gerais e membro da congrega\u00e7\u00e3o presbiteriana. Ele assinou o documento e, no dia, hora e local aprazados, procurei o dono do im\u00f3vel para acertarmos tudo. Mas quem estava \u00e0 minha espera era a esposa dele, simplesmente para dizer que o marido havia mudado de ideia.<!--more--><\/p>\n<p>Comecei a \u201cnamorar\u201d um outro sal\u00e3o, pertinho da pra\u00e7a, na rua Virg\u00edlio Val, que estava para desocupar. O propriet\u00e1rio era um fazendeiro, soube do nosso interesse e disse que o alugaria para n\u00f3s. Pouco depois, por\u00e9m, mandou-nos uma carta voltando atr\u00e1s a pedido veemente da m\u00e3e. Para comprovar o motivo da recusa, anexou a carta da progenitora, na qual se l\u00ea: \u201cDurante a missa o padre falou sobre o aluguel de casas para os protestantes. Logo lembrei de lhe pedir para n\u00e3o alugar a sua casa para esse fim. Este \u00e9 um pedido da sua m\u00e3e. Conto certo de que serei atendida. Atenda-me, sim, meu filho!\u201d (Estas cartas est\u00e3o arquivadas bem como as duas vias do contrato de loca\u00e7\u00e3o do im\u00f3vel anterior).<br \/>\nNa mesma \u00e9poca, tentei comprar um hor\u00e1rio na R\u00e1dio Montanhesa de Vi\u00e7osa, mas o diretor, um advogado, achou por bem n\u00e3o me atender. Pouco depois, o dono da casa da rua dos Passos onde eu morava me procurou e me pediu que a desocupasse porque precisaria dela. Mudei-me ent\u00e3o para uma casa rec\u00e9m-constru\u00edda, na rua Papa Jo\u00e3o XXIII, de propriedade do sr. Naz\u00e1rio, a\u00e7ougueiro e coveiro.<\/p>\n<p>No dia 10 de mar\u00e7o, na companhia de quatro estudantes de agronomia (Osmar Ribeiro, Am\u00e9rico Jos\u00e9 da Silveira, Daison Silva e Otto Mozzer), fomos fazer a proje\u00e7\u00e3o de um &#8220;filmstrip&#8221; religioso ao ar livre no bairro Pau de Paina. Previamente, eu havia conseguido permiss\u00e3o de um comerciante para projetar os quadros na parede externa de sua padaria (ou bar, n\u00e3o me lembro com certeza). Ele tamb\u00e9m permitiu que n\u00f3s us\u00e1ssemos sua energia el\u00e9trica. Fomos de bicicleta. Havia lama no local por causa de uma chuva anterior. Reunimos um bom grupo de pessoas. De repente, uma mulher (disseram-me que ela era professora prim\u00e1ria) alertou o povo que \u00e9ramos protestantes. Todos come\u00e7aram a rasgar os folhetos que hav\u00edamos distribu\u00eddo, a nos vaiar e a jogar lama em n\u00f3s. Nesse \u00ednterim, algu\u00e9m havia esvaziado os pneus de nossas bicicletas. Tivemos que interromper a reuni\u00e3o e ir embora. Surpresos, fomos todos para minha casa, onde oramos e tomamos um lanche qualquer. Na ida, paramos na casa do delegado Jos\u00e9 Sime\u00e3o, tamb\u00e9m na rua dos Passos, contamos o ocorrido e nos mostramos sujos de lama a ele.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, aconteceu outra coisa inusitada. Algu\u00e9m procurou em Belo Horizonte o dr. Joel de Paiva Cortes, presidente do Banco do Cr\u00e9dito Real de Minas Gerais, e solicitou a ele a transfer\u00eancia do gerente de Vi\u00e7osa para outra ag\u00eancia, embora estivesse na cidade por um curto per\u00edodo de tempo. O banco atendeu o pedido e o sr. Jacy Ferreira foi para Tr\u00eas Cora\u00e7\u00f5es, MG. Perdemos a companhia de uma fam\u00edlia inteira, muito querida, que n\u00e3o se envergonhava do evangelho, mesmo quando \u00e9ramos uma minoria em Vi\u00e7osa.<\/p>\n<p>Diante de tanta e surpreendente adversidade, tomamos a decis\u00e3o de n\u00e3o cedermos de forma alguma \u00e0s press\u00f5es de uma cidade tridentina, isto \u00e9, uma cidade disposta a impedir a presen\u00e7a e a prega\u00e7\u00e3o de qualquer igreja filha da Reforma Protestante do s\u00e9culo 16. Mas resistir\u00edamos de forma \u00e9tica, com o temor do Senhor, e valendo-nos do recurso da ora\u00e7\u00e3o. De fato, desde o in\u00edcio das aulas, come\u00e7amos a orar uma semana por m\u00eas, de manh\u00e3 bem cedo num lugar apraz\u00edvel da UREMG, naquele ponto onde havia uma represa e muitos pinheiros, na dire\u00e7\u00e3o do atual Recanto das Cigarras, mas na parte baixa. Renovamos a nossa confian\u00e7a na promessa de que Deus faz com que todas as coisas concorram para o bem daqueles que o amam (Rm 8.28). Al\u00e9m disso, adotamos como regra de conduta aquele conselho b\u00edblico: \u201c\u2018N\u00e3o por for\u00e7a nem por viol\u00eancia, mas pelo meu Esp\u00edrito\u2019, diz o Senhor do Ex\u00e9rcitos\u201d (Zc 4.6).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1960 \u2014 Uma Vi\u00e7osa de fato tridentina<br \/>\nNo primeiro trimestre de 1960, para dar in\u00edcio \u00e0s reuni\u00f5es da igreja presbiteriana, precis\u00e1vamos alugar um im\u00f3vel apropriado e mais ou menos no centro da cidade. Logo apareceu um sal\u00e3o enorme na pra\u00e7a Silviano Brand\u00e3o, onde hoje est\u00e1 o Loj\u00e3o das F\u00e1bricas. 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