{"id":1450,"date":"2009-11-19T10:09:56","date_gmt":"2009-11-19T13:09:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/?p=1450"},"modified":"2009-11-19T10:09:56","modified_gmt":"2009-11-19T13:09:56","slug":"amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2009\/11\/19\/amar\/","title":{"rendered":"Amar"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Ketelyn Sanchez Costa <\/em><\/p>\n<p>&quot;Amar, Verbo Intransitivo&quot; &eacute; o t&iacute;tulo de livro de poesia de M&aacute;rio de Andrade. Sempre que lembro desse t&iacute;tulo tento entender o que se passou na cabe&ccedil;a do poeta. Dentro das normas gramaticais, amar &eacute; um verbo transitivo, e n&atilde;o intransitivo. Ent&atilde;o, por que &quot;Amar, Verbo Intransitivo&quot;? Pensemos&hellip; Verbo intransitivo &eacute; aquele que n&atilde;o &ldquo;pede&rdquo; objeto, pois a a&ccedil;&atilde;o que ele exprime est&aacute; completa. Por exemplo: &ldquo;A menina dorme&rdquo;. Compreendemos a a&ccedil;&atilde;o e isso basta. J&aacute; o verbo transitivo pede um objeto (&agrave;s vezes dois, quando s&atilde;o os objetos diretos e indiretos). Por exemplo: &ldquo;Maria comprou&rdquo;. Comprou o qu&ecirc;? &ldquo;Maria comprou livros&rdquo; (objeto direto: livros).<\/p>\n<p>Em Bali &eacute; cultural ter namorado(a). Logo pensam que o(a) solteiro(a) est&aacute; triste, quando ouvem que ele(a) n&atilde;o tem namorado(a). &Eacute; como se a felicidade suprema do ser estivesse relacionada em ter algu&eacute;m.&nbsp;<!--more--> Conhecendo mais Bali notei que aqui ama-se muito por interesse. Sempre est&atilde;o medindo as pessoas, perguntando quanto que pagou nisto ou naquilo, se voc&ecirc; tem isto ou aquilo. Para algumas pessoas, o &uacute;nico objetivo na vida &eacute; arrumar um(a) estrangeiro(a) rico(a). O amor de Bali &eacute; um verbo transitivo; pede objetos.<\/p>\n<p>N&atilde;o sei se posso generalizar; quem n&atilde;o tiver pecado que atire a primeira pedra.<\/p>\n<p>&ldquo;Por que desta forma de amar?&rdquo;, pensei. Seria cultural? Vamos &agrave;s psicologias. &Eacute; sabido que o primeiro lugar onde se aprende a amar &eacute; em casa, e depois nas organiza&ccedil;&otilde;es onde as pessoas s&atilde;o inseridas. Ent&atilde;o&#8230; Ser&aacute; que na casa dos balineses h&aacute; uma hierarquia de amor para com os filhos? Sei que o primeiro filho &eacute; considerado o mais importante, pois &eacute; encarregado de cuidar da crema&ccedil;&atilde;o (funeral) dos pais e estudar a filosofia hindu a fim de passar para a pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o. &Eacute; ele quem representa a fam&iacute;lia nas cerim&ocirc;nias. Todos podem faltar, exceto o primeiro filho. A cren&ccedil;a hindu &eacute; baseada em hierarquias. Ser&aacute; que os primeiros filhos s&atilde;o mais amados?<\/p>\n<p>Ent&atilde;o percebi que o foco est&aacute; na religi&atilde;o. Em Bali o hindu&iacute;smo molda a sociedade, ent&atilde;o, dentro da l&oacute;gica das coisas, molda tamb&eacute;m o comportamento.<\/p>\n<p>E qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o de amor dos balineses para com os seus deuses? Como os balineses s&atilde;o amados por seus deuses? Atrav&eacute;s de oferendas. Para eles receberem b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os e prote&ccedil;&atilde;o de seus deuses, t&ecirc;m que dar algo em troca, n&atilde;o podem aparecer no Pura (templo hindu) de m&atilde;os vazias, pois os deuses ficam bravos e podem mandar maldi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por isso h&aacute; muitas oferendas, todos os dias, de todos os modelos e cores. E mesmo com toda essa quantidade de oferendas, os deuses n&atilde;o os protegem totalmente. Por isso eles t&ecirc;m que fazer oferendas para os esp&iacute;ritos maus tamb&eacute;m. Normalmente s&atilde;o colocadas na frente do port&atilde;o das casas e nas encruzilhadas com cocos amarelos. As oferendas para os esp&iacute;ritos maus s&atilde;o para eles n&atilde;o ficarem com inveja dos deuses bons e travarem uma guerra espiritual que pode causar muitos infort&uacute;nios para os balineses.<\/p>\n<p>Sendo assim eles n&atilde;o t&ecirc;m prote&ccedil;&atilde;o dos deuses e nem amor genu&iacute;no, sempre t&ecirc;m que dar alguma coisa em troca, o que se torna uma pesada obriga&ccedil;&atilde;o: ficar agradando os deuses. E os deuses, por sua vez, os amam segundo a sua casta.<\/p>\n<p>Penso que amar por interesse &eacute; algo que est&aacute; no inconsciente dos balineses, porque &eacute; assim a rela&ccedil;&atilde;o deles com os seus deuses a import&acirc;ncia maior da vida dos balineses.<\/p>\n<p>Lembro dos anos universit&aacute;rios no qual estudei o amor na Hist&oacute;ria das Mentalidades. A tem&aacute;tica discutida foi o esfriamento do amor, e muitas foram as teorias estudadas. Uma dizia que o amor n&atilde;o existe por si s&oacute;, que sempre est&aacute; relacionado por interesses: sexual, est&eacute;tico e financeiro. Por isso tantos casais se separam, pois quando acabam os interesses ou estes mudam o amor se acaba e eles come&ccedil;am a ir em busca de novos interesses. Sendo assim , o caso n&atilde;o &eacute; s&oacute; de Bali, &eacute; geral. Mas aqui me pareceu mais vis&iacute;vel aos olhos. Por&eacute;m ainda quero acreditar que em Bali h&aacute; muitas pessoas que amam com o verbo intransitivo. Quero acreditar que ainda sejamos capazes de amar com o verbo intransitivo.<\/p>\n<p>\n<em>Ketelyn Sanchez Costa<\/em> &eacute; brasileira, graduada em Letras\/Portugu&ecirc;s e h&aacute; 14 meses mora em Bali, Indon&eacute;sia, onde &eacute; professora de portugu&ecirc;s. L&aacute; frequenta a Igreja Betel Indon&eacute;sia, a Igreja Internacional dos Estados Unidos e a JOCUM de Bali.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ketelyn Sanchez Costa<br \/>\n&quot;Amar, Verbo Intransitivo&quot; &eacute; o t&iacute;tulo de livro de poesia de M&aacute;rio de Andrade. Sempre que lembro desse t&iacute;tulo tento entender o que se passou na cabe&ccedil;a do poeta. Dentro das normas gramaticais, amar &eacute; um verbo transitivo, e n&atilde;o intransitivo. Ent&atilde;o, por que &quot;Amar, Verbo Intransitivo&quot;? 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