{"id":1423,"date":"2009-11-11T07:37:31","date_gmt":"2009-11-11T10:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/?p=1423"},"modified":"2009-11-11T07:37:31","modified_gmt":"2009-11-11T10:37:31","slug":"obama-esta-soprando-velinhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2009\/11\/11\/obama-esta-soprando-velinhas\/","title":{"rendered":"Obama est\u00e1 soprando velinhas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"190\" border=\"0\" align=\"right\" width=\"147\" src=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/image\/euavisei\/2009\/blog_11_11_obama.jpg\" class=\"direita\" alt=\"\" \/>Ol&aacute; meus amigos Ulti-Nautas,<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, perdoem-me pelo meu desaparecimento por tantas semanas. Para compensar-lhes, aqui vai um post mais longo do que o de costume. <\/p>\n<p>H&aacute; doze meses (05\/11\/2008), sa&iacute;a de cena o senador americano por Illinois e nascia o candidato eleito para a presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama. Um ano depois, Obama sopra as velinhas numa festa decorada com temas de guerra, bal&otilde;es coloridos com figurinhas da reforma do sistema de sa&uacute;de americano, bolo em formato da pris&atilde;o de Guant&aacute;namo, e tudo, &eacute; claro, preparado de forma ecologicamente correta a fim de evitar o aquecimento global. <!--more--><\/p>\n<p>&Eacute; &oacute;bvio que ainda n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel fazer uma an&aacute;lise mais acurada das a&ccedil;&otilde;es do presidente Obama, at&eacute; porque a elei&ccedil;&atilde;o por si s&oacute; n&atilde;o transfere automaticamente o poder de governar (Leia tamb&eacute;m &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/2009\/01\/21\/euavisei\/45-anos-depois.html\" target=\"_blank\">45 anos depois<\/a>&rdquo;). Vale lembrar que muitas das reformas estruturais prometidas por Barack Obama dependem de ampla aprova&ccedil;&atilde;o do Legislativo americano, que &eacute; composto por 535 &ldquo;representatives&rdquo; (deputados) e senadores. <\/p>\n<p>N&atilde;o menos importante, &eacute; preciso levar em conta a &ldquo;heran&ccedil;a&rdquo; de oito anos de (des)governan&ccedil;a deixada por seu antecessor: uma d&iacute;vida interna de um trilh&atilde;o de d&oacute;lares, crise pol&iacute;tica interna, crise econ&ocirc;mica compar&aacute;vel apenas &agrave; de 1929, indisposi&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica internacional com a pol&iacute;tica externa dos Estados Unidos (sobretudo nos pa&iacute;ses da Liga &Aacute;rabe e do Sudeste Asi&aacute;tico), uma falida e infrut&iacute;fera guerra no Iraque, al&eacute;m de infind&aacute;veis den&uacute;ncias de tortura contra os prisioneiros da &ldquo;Guerra contra o Terrorismo&rdquo; (&ldquo;War on Terror&rdquo;) em Abu Ghraib e Guant&aacute;namo.<br \/>\nDeixando a enrola&ccedil;&atilde;o de lado, indico aqui algumas das minhas impress&otilde;es do anivers&aacute;rio da elei&ccedil;&atilde;o do presidente norte-americano e de algumas de suas decis&otilde;es tomadas no &ldquo;Oval Room&rdquo;:<\/p>\n<p><font color=\"#808000\">Ups<\/font><br \/>\nBarack Obama ainda &eacute; visto por boa parte dos americanos como um grande l&iacute;der (Leia &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/blog\/2009\/02\/25\/euavisei\/obama-meu-heroi-numero-1.html\" target=\"_blank\">Obama: meu her&oacute;i n&uacute;mero 1<\/a>&rdquo;). Seu poder de persuas&atilde;o, uso da ret&oacute;rica e carisma parecem n&atilde;o ter se empoeirado muito nesta estrada de um ano. Suas conquistas pol&iacute;ticas desde a sua posse s&atilde;o bastantes significativas, se consideradas as in&uacute;meras variantes negativas do cen&aacute;rio pol&iacute;tico-econ&ocirc;mico americano que citei anteriormente. <\/p>\n<p>O pacote de recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mico implementado pelo atual governo, embora n&atilde;o tenha ainda revelado seus efeitos positivos na curva do emprego, ajudou a evitar uma depress&atilde;o ainda maior no mercado financeiro, econ&ocirc;mico e de im&oacute;veis. O governo Obama &ldquo;baixou&rdquo; tamb&eacute;m uma s&eacute;rie regulamenta&ccedil;&otilde;es que aumentaram o rigor na fiscaliza&ccedil;&atilde;o das financeiras, seguradoras e bancos. De certa forma, tal a&ccedil;&atilde;o contribuiu para estancar a bolha superavit&aacute;ria do mercado imobili&aacute;rio americano, bem como para estancar o esquema de &ldquo;sub-primes&rdquo; que deflagrou a crise econ&ocirc;mico-finaceira nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Barack Obama tem tido consider&aacute;vel sucesso em convocar a popula&ccedil;&atilde;o e o Congresso Americano para discutir e implementar mudan&ccedil;as no ca&oacute;tico sistema de sa&uacute;de dos Estados Unidos, no sistema educacional, bem como no sistema de pol&iacute;ticas de imigra&ccedil;&atilde;o. Suas pol&iacute;ticas de fomento &agrave; pesquisa e implementa&ccedil;&atilde;o de novas matrizes energ&eacute;ticas t&ecirc;m sido not&aacute;veis. Ressalto aqui, tamb&eacute;m, que foi Obama quem indicou a primeira mulher hisp&acirc;nica para ocupar assento na mais alta corte de justi&ccedil;a do pa&iacute;s (&ldquo;The Supreme Court&rdquo;). <\/p>\n<p>No &acirc;mbito de suas pol&iacute;ticas externas, &eacute; v&aacute;lido mencionar a aproxima&ccedil;&atilde;o do atual governo dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, a abertura de negocia&ccedil;&otilde;es com Cuba, a ordem de retirada de v&aacute;rias tropas do Iraque, a press&atilde;o para estancar a corrida armamentista nuclear &ndash; sobretudo contra o Ir&atilde; &ndash; e a ordem para o fechamento de Guant&aacute;namo at&eacute; janeiro de 2010.    <\/p>\n<p><font color=\"#808000\">Downs<\/font><br \/>\nAlgumas contradi&ccedil;&otilde;es e alguns pontos negativos do governo Obama colocam em xeque sua trajet&oacute;ria, ideologia e plano de a&ccedil;&atilde;o. Mais do que isso, tais contradi&ccedil;&otilde;es pintam o presidente numa tela de &ldquo;m&eacute;nage &agrave; trois&rdquo;, fazendo concess&otilde;es e acordos com deuses e diabos ao mesmo tempo, a fim de colocar em pr&aacute;tica seu projeto pol&iacute;tico de Am&eacute;rica (algo parecido com o que o nosso presidente tupiniquim de barbas brancas afirmou a&iacute; no Brasil h&aacute; tr&ecirc;s semanas: &ldquo;Se Jesus estivesse entre n&oacute;s hoje e quisesse vencer as elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, faria acordo at&eacute; com Judas&rdquo;).<\/p>\n<p>Concentro-me aqui nos dois pontos negativos que considero mais melindrosos da pol&iacute;tica externa &ldquo;Obam&iacute;stica&rdquo;:<\/p>\n<p>1. Guerra no Afeganist&atilde;o: Aqui, me limito a dizer que nos Estados Unidos h&aacute; uma esp&eacute;cie de m&atilde;o invis&iacute;vel que move o pa&iacute;s para aventuras b&eacute;licas. Vou mais al&eacute;m, acredito que aqui h&aacute; v&aacute;rios disc&iacute;pulos de Goebbles repetindo a todo tempo um sem-n&uacute;mero de mentiras para fazer crer como verdadeira a assertiva de que a Guerra no Afeganist&atilde;o &eacute; v&aacute;lida, necess&aacute;ria e pass&iacute;vel de sucesso. Ao mover os soldadinhos de chumbo do Iraque para o Afeganist&atilde;o, Barack Obama repete o mesmo erro hist&oacute;rico de seu antecessor. Ali&aacute;s, de seus antecessores, pois que n&atilde;o foi diferente assim com o Vietn&atilde;, com o Golfo Persa, e muito menos com a B&oacute;snia.<\/p>\n<p>2. Ir&atilde;: Acredito que, desde o Terceiro Reich, n&atilde;o houve algu&eacute;m que atacasse t&atilde;o abertamente e t&atilde;o veementemente os judeus (leia-se o estado de Israel) quanto o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Ahmadinejad n&atilde;o apenas nega o holocausto, como amea&ccedil;a destruir o Estado judeu. E n&atilde;o parece estar para brincadeira, haja visto os reiterados testes de foguetes de m&eacute;dio e longo alcance, al&eacute;m do enriquecimento de ur&acirc;nio. Barack Obama, entretanto, tem estado silente ou pouco incisivo quanto a essa quest&atilde;o at&eacute; o presente momento. Esse sil&ecirc;ncio pode lhe custar caro.<\/p>\n<p>&Eacute; Ulti-Nautas, EUAvisei que n&atilde;o seria moleza! Podem jogar as pedras! Se preferirem, podem me twittar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ol&aacute; meus amigos Ulti-Nautas,<br \/>\nEm primeiro lugar, perdoem-me pelo meu desaparecimento por tantas semanas. Para compensar-lhes, aqui vai um post mais longo do que o de costume.<br \/>\nH&aacute; doze meses (05\/11\/2008), sa&iacute;a de cena o senador americano por Illinois e nascia o candidato eleito para a presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama. 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