{"id":10796,"date":"2018-03-08T10:30:07","date_gmt":"2018-03-08T12:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=10796"},"modified":"2018-03-08T11:05:39","modified_gmt":"2018-03-08T13:05:39","slug":"deus-e-o-meu-empregador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2018\/03\/08\/deus-e-o-meu-empregador\/","title":{"rendered":"Deus \u00e9 o meu empregador"},"content":{"rendered":"<h6><strong><span style=\"color: #808000;\">Por Denise Araujo<\/span><\/strong><\/h6>\n<blockquote><p>Muitas vezes, n\u00f3s queremos que a nossa voca\u00e7\u00e3o seja uma f\u00f3rmula, uma carreira, uma profiss\u00e3o com descri\u00e7\u00e3o de cargo, um &#8216;minist\u00e9rio&#8217;, mas n\u00e3o \u00e9. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a obra da nossa vida.<br \/>\n[Denise Araujo]<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cMeu sonho era ser mission\u00e1ria, mas Deus me chamou para ter uma atividade profissional.\u201d N\u00e3o estava esperando ouvir isso? Nem eu. Cresci em um lar crist\u00e3o, mas s\u00f3 fui me entregar totalmente ao Senhor quando eu tinha treze anos. Foi nessa \u00e9poca que senti Deus me atraindo e mostrando que a minha vida deveria ser para conhec\u00ea-lo e torn\u00e1-lo conhecido. Minha experi\u00eancia de convers\u00e3o foi bastante radical. N\u00e3o demorou muito para sentir queimar em mim o chamado para miss\u00f5es transculturais. Fui volunt\u00e1ria com a Cru, no movimento entre estudantes secundaristas e universit\u00e1rios. Participei de tr\u00eas projetos mission\u00e1rios de f\u00e9rias e v\u00e1rios semin\u00e1rios de evangelismo de final de semana. Al\u00e9m disso, fui int\u00e9rprete volunt\u00e1ria dos treze aos vinte anos com grupos de americanos que vinham fazer miss\u00f5es aqui no Rio de Janeiro, atrav\u00e9s de parceria com a Conven\u00e7\u00e3o Batista Carioca.<\/p>\n<div id=\"attachment_10802\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10802\" class=\"wp-image-10802 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/Denise-interpretando-cbm.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/Denise-interpretando-cbm.jpg 380w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/Denise-interpretando-cbm-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><p id=\"caption-attachment-10802\" class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita: Michael W. Goheen, Denise Araujo e Paulinho Degaspari, no VIII Congresso Brasileiro de Miss\u00f5es | Foto: AMTB<\/p><\/div>\n<p>Eu desejava cursar Teologia, mas tamb\u00e9m fazer uma faculdade. Acabei entrando no semin\u00e1rio decidida a cursar outra faculdade ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o quando terminasse.&nbsp; Importante dizer que em 2005 comecei a trabalhar no escrit\u00f3rio da Junta de Miss\u00f5es Mundiais, como assistente do Projeto Radical \u2013 Volunt\u00e1rios sem Fronteiras. Na \u00e9poca, o projeto tinha apenas tr\u00eas turmas e s\u00f3 enviava volunt\u00e1rios para a \u00c1frica. Meu trabalho consistia em ser o suporte dos mission\u00e1rios ali no escrit\u00f3rio. O grande diferencial do projeto era que equipes eram enviadas para aldeias quase 100% mu\u00e7ulmanas, testemunhando o amor de Cristo da forma mais encarnacional poss\u00edvel. A conviv\u00eancia com esse molde de miss\u00f5es encarnacional foi me conquistando&#8230; Aos poucos fui percebendo que Deus estava abrindo outra porta para mim, porta pela qual eu nem imaginava passar.<\/p>\n<p>Quando conclu\u00ed o curso de Teologia, comecei a procurar outra faculdade ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que fosse profissionalizante. Nessa minha busca lembrei de como gostava de fazer interpreta\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria quando era adolescente. Eu nem sabia se ser int\u00e9rprete era profiss\u00e3o ou n\u00e3o, se era necess\u00e1rio ter forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Fiz uma busca r\u00e1pida no Google, achei um curso e me inscrevi para receber mais informa\u00e7\u00f5es. Fui selecionada e comecei a estudar, conciliando com meu trabalho na JMM. Com o tempo fui me identificando cada vez mais com a profiss\u00e3o e vendo como ela casava com a minha personalidade. Semestre a semestre eu era desafiada a me aprimorar, estudar mais e desenvolver minhas habilidades.<!--more--><\/p>\n<p>Quando me formei como int\u00e9rprete, comecei a entender que Deus estava abrindo uma porta para que eu servisse a ele com a minha profiss\u00e3o \u2013 \u201cfazendo tendas\u201d. Meu marido, que \u00e9 m\u00e9dico, j\u00e1 estava convencido disso h\u00e1 um tempo. Havia chegado o meu tempo de perceber que era com isso que Deus queria que eu me envolvesse. Tive que tomar a decis\u00e3o muito dif\u00edcil de pedir demiss\u00e3o do meu trabalho na Junta de Miss\u00f5es. Nossa, como foi dif\u00edcil lutar com esse paradigma \u201centranhado\u201d em mim sobre o que Deus desejava que eu fizesse! Esse foi um dos momentos decisivos. Por mais improv\u00e1vel que fosse, eu precisei crer que quem estava abrindo aquela porta era Deus e crer que aquela seria a maneira dele de me sustentar; me dar mais tempo para servi-lo no minist\u00e9rio e tamb\u00e9m para me conectar a pessoas que n\u00e3o conheciam a Jesus.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, est\u00e1vamos servindo em nossa comunidade local e equipe ministerial. Minha nova atividade profissional me permitiu estar mais envolvida, por ser freelancer, e ter mais tempo livre para me dedicar ao minist\u00e9rio. Mal sabia eu que essa profiss\u00e3o tamb\u00e9m seria estrat\u00e9gica para que eu pudesse ter mais tempo com meus filhos, quando eles nascessem.<\/p>\n<div id=\"attachment_10803\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10803\" class=\"wp-image-10803 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/Denise-interpretando-Vocare2015.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/Denise-interpretando-Vocare2015.jpg 380w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/Denise-interpretando-Vocare2015-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><p id=\"caption-attachment-10803\" class=\"wp-caption-text\">Denise Araujo interpretando Darrow Miller durante o encontro Vocare, em 2015<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 estou nessa caminhada h\u00e1 dez anos e ser obediente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Infelizmente, n\u00f3s, muitas vezes, queremos uma \u201clinha de chegada\u201d, que a nossa voca\u00e7\u00e3o seja uma f\u00f3rmula, uma carreira, uma profiss\u00e3o com descri\u00e7\u00e3o de cargo, um \u201cminist\u00e9rio\u201d, e n\u00e3o \u00e9. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a obra da nossa vida, o que ela produz. Hoje, vejo que se trata de um chamado para, sob a dire\u00e7\u00e3o de Deus, desenvolver tudo o que ele nos entregou: nossos talentos, caracter\u00edsticas, temperamento, dificuldades, pontos fortes e pontos fracos.<\/p>\n<p>Um dos oradores que tive o privil\u00e9gio de interpretar no Vocare 2015, Darrow Miller, me ensinou sobre isso. Em seu livro \u201cVoca\u00e7\u00e3o: escreva sua assinatura no universo\u201d, ele diz: \u201cchamados por Deus, temos um empregador digno de nossos esfor\u00e7os\u201d (p. 196). Como mulher, que trabalha fora e dentro de casa, tenho dias muito variados. H\u00e1 dias em que trabalho o dia todo fora, em um congresso de Petr\u00f3leo e G\u00e1s, traduzindo palestras bem t\u00e9cnicas. H\u00e1 dias em que meu maior desafio \u00e9 convencer meu filho de dois anos a n\u00e3o jogar um brinquedo eletr\u00f4nico na banheira. Meu empregador continua sendo o mesmo: aquele Deus que se revelou a mim aos treze anos e que todos os dias me chama para servi-lo de forma radical, custe o que custar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10797 size-thumbnail alignleft\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/P10_07_03_18_denise-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\"><strong>\u2022 Denise de Vasconcelos Araujo<\/strong> \u00e9 casada com M\u00e1rio e m\u00e3e do Theodoro e do Otto. Formada em Teologia pela Faculdade Teol\u00f3gica Sul-Americana, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em interpreta\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias e mestrado em Estudos da Linguagem na PUC-Rio. Int\u00e9rprete de confer\u00eancia h\u00e1 10 anos e membro desde 2011 da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Int\u00e9rpretes de Confer\u00eancia (AIIC), da Associa\u00e7\u00e3o Profissional de Int\u00e9rpretes de Confer\u00eancia (APIC) e do Sindicato Nacional de Tradutores (Sintra). Desde 2012 \u00e9 professora do curso de Forma\u00e7\u00e3o de Int\u00e9rpretes da PUC-Rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Denise Araujo<br \/>\nMuitas vezes, n\u00f3s queremos que a nossa voca\u00e7\u00e3o seja uma f\u00f3rmula, uma carreira, uma profiss\u00e3o com descri\u00e7\u00e3o de cargo, um &#8216;minist\u00e9rio&#8217;, mas n\u00e3o \u00e9. A voca\u00e7\u00e3o \u00e9 a obra da nossa vida.<br \/>\n[Denise Araujo]<br \/>\n\u201cMeu sonho era ser mission\u00e1ria, mas Deus me chamou para ter uma atividade profissional.\u201d N\u00e3o estava esperando ouvir isso? Nem eu. 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