{"id":10510,"date":"2017-12-29T00:00:06","date_gmt":"2017-12-29T02:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=10510"},"modified":"2017-12-29T00:34:08","modified_gmt":"2017-12-29T02:34:08","slug":"afinal-do-que-trata-o-cristianismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/12\/29\/afinal-do-que-trata-o-cristianismo\/","title":{"rendered":"Afinal, do que trata o cristianismo?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp;Simplesmente Crist\u00e3o, por N. T. Wright<\/strong><\/span><\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4><em>Mesmo tendo boas inten\u00e7\u00f5es, \u00e9 dif\u00edcil evitar que fa\u00e7amos uma imagem de Jesus conforme a nossa pr\u00f3pria imagem<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Jesus: a chegada do reino de Deus<\/strong><\/h4>\n<p>O cristianismo diz respeito a algo que aconteceu. Algo que aconteceu a Jesus de Nazar\u00e9. Algo que aconteceu atrav\u00e9s de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o cristianismo n\u00e3o diz respeito a um novo ensino moral \u2014 embora estiv\u00e9ssemos moralmente perdidos e precis\u00e1ssemos de orienta\u00e7\u00f5es novas ou mais espec\u00edficas. N\u00e3o estamos negando que Jesus e alguns de seus primeiros seguidores deixaram li\u00e7\u00f5es morais revigorantes e racionais. Apenas insistimos que esse ensino moral faz parte de uma estrutura maior \u2014 a hist\u00f3ria de algo que aconteceu e transformou o mundo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/simplesmente-cristao\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-10512\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_simplesmente_cristao_site.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_simplesmente_cristao_site.jpg 618w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_simplesmente_cristao_site-213x300.jpg 213w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/><\/a>O cristianismo n\u00e3o se restringe ao exemplo moral oferecido por Jesus, como se nossa principal necessidade fosse observar uma vida de intenso amor e devo\u00e7\u00e3o a Deus para que pud\u00e9ssemos imit\u00e1-la. Se essa era a principal inten\u00e7\u00e3o de Jesus, pode ter produzido algum efeito. A vida de algumas pessoas tem realmente mudado simplesmente por observar e imitar o exemplo de Jesus. Mas, por outro lado, poder\u00edamos nos sentir frustrados. Posso observar Richter tocar piano ou Tiger Woods jogar golfe, mas isso n\u00e3o significa que eu possa imit\u00e1-los. S\u00f3 me faz perceber que n\u00e3o consigo e que jamais conseguirei.<\/p>\n<p>O cristianismo tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma nova rota estabelecida por Jesus para que as pessoas possam \u201cir para o c\u00e9u quando morrerem\u201d. Trata-se de um equ\u00edvoco baseado na no\u00e7\u00e3o medieval de que a finalidade principal de toda religi\u00e3o seria simplesmente garantir que voc\u00ea v\u00e1 para o c\u00e9u, que quando acabar a pe\u00e7a voc\u00ea ficar\u00e1 do lado certo na pintura da Capela Sistina (isto \u00e9, no c\u00e9u e n\u00e3o no inferno). Mais uma vez, n\u00e3o estamos negando que as a\u00e7\u00f5es que praticamos em vida ou nossas cren\u00e7as n\u00e3o tenham consequ\u00eancias futuras. Por\u00e9m, n\u00e3o era esse o prop\u00f3sito da obra de Jesus nem \u00e9 essa a \u201cfinalidade\u201d do cristianismo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por \u00faltimo, o cristianismo n\u00e3o veio dar ao mundo um novo conceito de Deus, embora, se a afirma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 for verdadeira, podemos aprender muito sobre Deus olhando para Jesus. O ponto principal n\u00e3o \u00e9 tanto o fato de que somos ignorantes e precisamos de mais informa\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o \u00e9 que estamos perdidos e precisamos de algu\u00e9m que venha nos socorrer; \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos afundando na areia movedi\u00e7a, esperando por algu\u00e9m que possa nos resgatar e nos dar uma nova vida.<\/p>\n<h4><strong>Mas, afinal, do que trata o cristianismo?<\/strong><\/h4>\n<p>O cristianismo fala do Deus vivo que, no cumprimento de suas promessas e como cl\u00edmax da hist\u00f3ria de Israel, nos encontrou, salvou e nos deu nova vida em Jesus. Atrav\u00e9s de Jesus, a opera\u00e7\u00e3o-resgate de Deus foi colocada em pr\u00e1tica de uma vez por todas. Uma grande porta se abriu, e jamais poder\u00e1 ser fechada. Trata-se da porta da pris\u00e3o onde viv\u00edamos acorrentados. Por\u00e9m, nos foi oferecida a liberdade: liberdade de experimentar o resgate de Deus, de passar pela porta aberta e explorar o novo mundo ao qual agora temos acesso. Todos n\u00f3s fomos especialmente convidados \u2014 ou melhor, convocados \u2014 a seguir Jesus e descobrir que esse novo mundo \u00e9, na verdade um lugar de justi\u00e7a, espiritualidade, relacionamento e beleza. N\u00e3o devemos apenas desfrutar de todas essas coisas, mas trabalhar para que elas se tornem evidentes, assim na terra como no c\u00e9u. Quando ouvimos a voz de Jesus, descobrimos que \u00e9 essa voz que ecoa no cora\u00e7\u00e3o e na mente de toda a ra\u00e7a humana.<\/p>\n<h4><strong>Romances e fic\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>No ultimo s\u00e9culo, a quantidade de livros escritos sobre Jesus apresentou um r\u00e1pido crescimento. Isso pode ser explicado em parte pelo fato de Jesus frequentar a mem\u00f3ria e o imagin\u00e1rio da cultura ocidental como poucas figuras do passado ou do presente. Nossa data\u00e7\u00e3o do tempo ainda usa como refer\u00eancia a data prov\u00e1vel do nascimento de Jesus. (Na verdade, o monge do sexto s\u00e9culo que fez o c\u00e1lculo errou em alguns anos; Jesus deve ter nascido no ano 4 antes de Cristo, o ano em que morreu Herodes, o Grande). Em meu pa\u00eds [USA], mesmo aqueles que pouco ou nada sabem sobre Jesus ainda usam seu nome como garantia em um juramento, numa esp\u00e9cie de reconhecimento indireto ao seu impacto cultural.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica, afirma\u00e7\u00f5es levianas a respeito de Jesus ainda produzem manchetes de jornais: talvez ele n\u00e3o fosse nada daquilo que consta nos evangelhos; talvez ele fosse casado, talvez n\u00e3o pensasse ser o Filho de Deus, e assim por diante. Alguns autores t\u00eam escrito romances e obras de fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com enredos fantasiosos a respeito de Jesus, como O C\u00f3digo Da Vinci, de Dan Brown, que insiste (entre outras coisas) que Jesus era casado com Maria Madalena e tinha um filho. O extraordin\u00e1rio sucesso desse livro n\u00e3o pode ser explicado simplesmente por ser um thriller inteligente e bem escrito. H\u00e1 muitos outros como ele. A possibilidade de descobrir algo novo sobre Jesus, algo que passou despercebido \u00e0 nossa cultura desperta nas pessoas um sentimento de novas possibilidades e perspectivas.<\/p>\n<p>Isso acontece, em parte, porque como qualquer outro personagem hist\u00f3rico, Jesus est\u00e1 sujeito a diferentes interpreta\u00e7\u00f5es. As pessoas escrevem biografias revisadas de Winston Churchill, do qual h\u00e1 muitas evid\u00eancias, ou de Alexandre, o Grande, do qual h\u00e1 bem menos. Na verdade, quanto maior o n\u00famero de evid\u00eancias, mais h\u00e1 para ser interpretado; quanto menor, mais suposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o levantadas, a fim de preencher as lacunas. Assim, tanto em rela\u00e7\u00e3o a um personagem recente, do qual h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o, quanto a um personagem antigo, do qual n\u00e3o h\u00e1 quase nada, h\u00e1 sempre trabalho de sobra para o historiador.<\/p>\n<p>Jesus, na verdade, tem um pouco de cada. \u00c9 claro que temos muito menos material a seu respeito do que temos, por exemplo, de Churchill ou J. F. Kennedy. Mas sabemos bem mais sobre Jesus do que sobre muitos personagens do mundo antigo, como Tib\u00e9rio, o imperador romano na \u00e9poca da morte de Jesus, ou Herodes Antipas, o governador judeu no mesmo per\u00edodo. Na verdade, temos tantas frases atribu\u00eddas a Jesus e tantos relatos de suas a\u00e7\u00f5es que podemos escolher apenas alguns deles para usarmos de forma sucinta neste cap\u00edtulo e no pr\u00f3ximo. Ao mesmo tempo, no entanto, h\u00e1 brechas inc\u00f4modas, n\u00e3o apenas em grande parte de sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, como tamb\u00e9m em algumas coisas que um bi\u00f3grafo contempor\u00e2neo gostaria de saber. Ningu\u00e9m fala nada sobre sua apar\u00eancia f\u00edsica, ou o que ele tomava no caf\u00e9 da manh\u00e3. Ningu\u00e9m, o que \u00e9 mais importante, nos diz como ele lia as Escrituras, ou \u2014 exceto em r\u00e1pidas men\u00e7\u00f5es \u2014 como ele orava. O segredo, portanto, \u00e9 procurar entender o mundo de Jesus, o mundo complicado e perigoso do Oriente M\u00e9dio no primeiro s\u00e9culo, de modo a fazer com que suas palavras e suas a\u00e7\u00f5es adquiram um sentido hist\u00f3rico, pessoal e teol\u00f3gico.<\/p>\n<h4><strong>O lugar do encontro entre a dimens\u00e3o de Deus e a nossa<\/strong><\/h4>\n<p>Mas, como j\u00e1 dissemos, h\u00e1 algo mais, algo que torna a tentativa de compreender Jesus muito mais complexa e contestada do que qualquer outro personagem na hist\u00f3ria antiga ou moderna. Os crist\u00e3os t\u00eam afirmado desde o in\u00edcio que apesar de Jesus n\u00e3o mais andar pela Palestina, onde qualquer um poderia encontr\u00e1-lo e conhec\u00ea-lo, ele est\u00e1 de fato \u201cconosco\u201d em sentido diferente, e podemos conhec\u00ea-lo de uma maneira n\u00e3o completamente diferente do modo como conhecemos outras pessoas.<\/p>\n<p>Isso acontece porque o elemento essencial para a experi\u00eancia crist\u00e3, n\u00e3o meramente para o dogma crist\u00e3o, est\u00e1 no fato de que em Jesus de Nazar\u00e9 o c\u00e9u e a terra se uniram para sempre. O lugar do encontro entre a dimens\u00e3o de Deus e a nossa n\u00e3o \u00e9 mais o Templo de Jerusal\u00e9m. \u00c9 o pr\u00f3prio Jesus. A mesma cosmologia que fez sentido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o sobre o Templo faz sentido tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a essa afirma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos esquecer que \u201cc\u00e9u\u201d, no pensamento judaico-crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um lugar quil\u00f4metros acima do firmamento, mas \u00e9, por assim dizer, a dimens\u00e3o de Deus em rela\u00e7\u00e3o ao cosmos. Assim, embora os crist\u00e3os creiam que Jesus est\u00e1 agora \u201cno c\u00e9u\u201d, ele est\u00e1 tamb\u00e9m no nosso mundo, acess\u00edvel e ativo. Para qualquer um que cr\u00ea nisso e tenta viver por isso, escrever a hist\u00f3ria de Jesus \u00e9 muito mais complicado que simplesmente documentar a vida de um personagem do passado. \u00c9 mais como escrever a biografia de um amigo que ainda est\u00e1 bem vivo e que ainda pode nos surpreender.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria mais simples, ent\u00e3o, dizer que dever\u00edamos abandonar a tentativa de escrever sobre Jesus como personagem hist\u00f3rico e passar a escrever a partir de nossa experi\u00eancia com Jesus? Atualmente, h\u00e1 muitas pessoas que defendem essa posi\u00e7\u00e3o vigorosamente, n\u00e3o s\u00f3 por estarem fartos das tolices escritas por estudiosos e autores populares. Mas eu n\u00e3o farei isso. J\u00e1 \u00e9 bastante dif\u00edcil, mesmo tendo boas inten\u00e7\u00f5es, evitar que fa\u00e7amos uma imagem de Jesus conforme a nossa pr\u00f3pria imagem. Quando deixamos de lado a hist\u00f3ria, perdemos o freio e o retrato passa a ser uma ilus\u00e3o.<\/p>\n<h6><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>\u2022 Trecho retirado do livro <a style=\"color: #ff0000;\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/simplesmente-cristao\">Simplesmente Crist\u00e3o<\/a>, de N. T. Wright (Editora Ultimato).<\/strong><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp;Simplesmente Crist\u00e3o, por N. T. 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