{"id":10486,"date":"2017-12-15T14:19:25","date_gmt":"2017-12-15T17:19:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=10486"},"modified":"2017-12-15T17:05:55","modified_gmt":"2017-12-15T20:05:55","slug":"o-papel-profetico-da-igreja-nas-relacoes-igreja-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/12\/15\/o-papel-profetico-da-igreja-nas-relacoes-igreja-estado\/","title":{"rendered":"O papel prof\u00e9tico da Igreja nas rela\u00e7\u00f5es Igreja-Estado"},"content":{"rendered":"<h4><span style=\"color: #808000;\"><strong>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp;A Igreja, o Pa\u00eds e o Mundo<\/strong><\/span><\/h4>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4><em>Os conflitos entre Estado e Igreja s\u00e3o inevit\u00e1veis; e a colabora\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, uma necessidade poss\u00edvel de atender. \u00c9 preciso discernimento para o modo de conflitar e o modo de colaborar. Por outro lado, nos debilitamos para a tarefa prof\u00e9tica em virtude dos nossos pr\u00f3prios conflitos internos.<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos os povos se organizam politicamente: um dos eixos da vida social \u00e9 o poder. O poder se faz presente, tamb\u00e9m, na esfera privada (fam\u00edlia, empresas, clubes etc.), mas \u00e9 peculiar ao poder pol\u00edtico o monop\u00f3lio legal do uso da for\u00e7a: a coercibilidade. Para o cientista pol\u00edtico franc\u00eas Maurice Duverger, os povos viveram tr\u00eas etapas hist\u00f3ricas quanto \u00e0 forma de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica: a) o poder difuso, dos povos primitivos; b) o poder personalizado, que vai desde as chefias tribais mais simples at\u00e9 o absolutismo mon\u00e1rquico da Idade Moderna; e c) o poder institucionalizado, representado contemporaneamente pelo Estado.<\/p>\n<h4><strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/a-igreja-o-pais-e-o-mundo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-10488\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_Igreja_Pais_mundo-web.jpg\" alt=\"\" width=\"230\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_Igreja_Pais_mundo-web.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_Igreja_Pais_mundo-web-197x300.jpg 197w\" sizes=\"auto, (max-width: 230px) 100vw, 230px\" \/><\/a>O Estado<\/strong><\/h4>\n<p>Com a decad\u00eancia do poder temporal do papa, o decl\u00ednio do Sacro-Imp\u00e9rio Germ\u00e2nico-Romano e o fim da autoridade dos senhores feudais, o Estado emerge como o ator pol\u00edtico principal dos \u00faltimos s\u00e9culos, com suas caracter\u00edsticas de: a) soberania: est\u00e1 acima de todos os poderes internos e \u00e9 igual a todos os poderes externos (independ\u00eancia); b) governo: capacidade de autogest\u00e3o de seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios internos, ou capacidade de elabora\u00e7\u00e3o legal; c) popula\u00e7\u00e3o fixa de cidad\u00e3os, detentores de direitos e deveres legais; d) territ\u00f3rio delimitado por fronteiras internacionalmente reconhecidas.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, o Estado chama a aten\u00e7\u00e3o por seus aspectos simb\u00f3licos: bandeira, hino, selo, representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica etc. Em um segundo momento, chama a aten\u00e7\u00e3o para a diferen\u00e7a do peso de cada um no conjunto dos Estados: tamanho do territ\u00f3rio, tamanho da popula\u00e7\u00e3o, recursos naturais, tecnologia, poderio militar. Um terceiro aspecto diz respeito \u00e0 estratifica\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o (castas, classes, estamentos), ao controle sobre os bens da produ\u00e7\u00e3o, seu acesso ao poder, \u00e0 propriedade, \u00e0 renda e ao saber. Um quarto aspecto inclui a dimens\u00e3o legal\/pol\u00edtica dos sistemas de for\u00e7a do estado constitucional de direito, em que os s\u00faditos s\u00e3o substitu\u00eddos pelos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Como h\u00e1 uma distribui\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica da popula\u00e7\u00e3o na escala social, os Estados expressam em cada \u00e9poca, um pacto de domina\u00e7\u00e3o, em que os de baixo aceitam ser dominados pelos de cima, como se tal situa\u00e7\u00e3o fosse do seu interesse. Isso ocorre em virtude da ideologia hegem\u00f4nica, em que os de baixo pensam segundo as ideias dos de cima. Os pactos de domina\u00e7\u00e3o expressam a legitima\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico. Max Weber v\u00ea na hist\u00f3ria tr\u00eas processos de legitima\u00e7\u00e3o: a) tradicional; b) carism\u00e1tica; c) racional\/legal, esta pr\u00f3pria dos estados de direito.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX viu ruir os grande imp\u00e9rios (inclu\u00eddos imp\u00e9rios \u201ccrist\u00e3os\u201d). Com o nacionalismo e o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o, especialmente ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, presenciamos a multiplica\u00e7\u00e3o do n\u00famero de Estados at\u00e9 as centenas que hoje t\u00eam assento na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>As diversas igrejas crist\u00e3s vivem dentro de fronteiras nacionais, e os crist\u00e3os s\u00e3o cidad\u00e3os dos v\u00e1rios Estados.<\/p>\n<h4><strong>A Igreja e o Estado<\/strong><\/h4>\n<p>Em seus 2 mil anos de hist\u00f3ria, a Igreja tem vivido uma diversidade de situa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com o poder pol\u00edtico: a) uma situa\u00e7\u00e3o de minoria fr\u00e1gil e de escassa influ\u00eancia sob o poder imperial de Roma; b) uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade tutelada no cesaropapismo do Imp\u00e9rio Bizantino; c) uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade tutelante com o poder temporal do papa no Sacro- Imp\u00e9rio do Ocidente; d) uma rela\u00e7\u00e3o de intimidade amb\u00edgua com os Estados confessionais (cat\u00f3licos, protestantes e ortodoxos) a partir da Idade Moderna; e) uma rela\u00e7\u00e3o de minoria oprimida e, ou, discriminada sob Estados confessionais n\u00e3o-crist\u00e3os ou ateus; f) uma rela\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia declinante, como uma organiza\u00e7\u00e3o social entre v\u00e1rias, nos Estados n\u00e3o-confessionais secularizados.<br \/>\nAo longo da nossa hist\u00f3ria, temos tido op\u00e7\u00f5es teocr\u00e1ticas, temos optado pela aliena\u00e7\u00e3o e a n\u00e3o-influ\u00eancia, temos lutado por uma cidadania plena, temos sido martirizados, temos sido n\u00e3o levados a s\u00e9rio, temos tido de concorrer com outras correntes de opini\u00e3o dentro da l\u00f3gica do pluralismo.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a Igreja vive a tens\u00e3o permanente entre a sua origem divina e a sua viv\u00eancia humana hist\u00f3rica e que cada crist\u00e3o \u00e9 portador de passaportes de dois reinos. E o \u201cdai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, e a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d (Mt 22.21) continua a ser um desafio para cada gera\u00e7\u00e3o nos diversos contextos.<\/p>\n<p>A Reforma nos legou uma tradi\u00e7\u00e3o aristocr\u00e1tico-nacionalista com o luteranismo e o anglicanismo, uma tradi\u00e7\u00e3o liberal-burguesa com o calvinismo e uma tradi\u00e7\u00e3o reformista-revolucion\u00e1ria popular com o anabatismo.<\/p>\n<p>Condutas diferentes s\u00e3o exigidas da Igreja, conforme seja ela uma maioria ou uma minoria, ou se vive em um Estado confessional crist\u00e3o, um Estado confessional n\u00e3o-crist\u00e3o ou um Estado laico.<br \/>\nEm todas as \u00e9pocas, por\u00e9m, se exige da Igreja uma teologia do poder pol\u00edtico e uma \u00e9tica social para interagir com esse poder, dentro de uma doutrina de mandato cultural, que procura promover os valores do reino de Deus, dentro de uma perspectiva mais ampla do que seja a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos tido a tenta\u00e7\u00e3o da cristandade, quando procuramos sacralizar certas ordens pol\u00edticas como equivalentes ao reino. Temos tido a tenta\u00e7\u00e3o da neocristandade, quando procuramos sacralizar ordens pol\u00edticas alternativas (tanto milenarismos religiosos quanto utopias seculares) com o reino. Temos tido a tenta\u00e7\u00e3o da subservi\u00eancia, da covardia e do sil\u00eancio culposo diante de diversos poderes, sob o falso argumento da obedi\u00eancia ao que prescreve Romanos 13. Temos tido a tenta\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a diante da (des)ordem social do pecado, sob o argumento de que \u201cnosso reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d.<\/p>\n<h4><strong>Problemas do Estado<\/strong><\/h4>\n<p><strong>A quest\u00e3o das nacionalidades.<\/strong><br \/>\n\u00c9 preciso saber que: a) h\u00e1 Estados integrados por uma s\u00f3 nacionalidade; b) h\u00e1 Estados formados por v\u00e1rias nacionalidades em distintos espa\u00e7os regionais; c) h\u00e1 nacionalidades fragmentadas em v\u00e1rios espa\u00e7os estatais; d) h\u00e1 nacionalidades que nunca conseguiram seus Estados; e) h\u00e1 Estados vivenciando distintos processos de integra\u00e7\u00e3o multicultural.<br \/>\nAs fronteiras de alguns Estados mais novos foram arbitrariamente delimitadas pelas antigas pot\u00eancias imperiais, desrespeitando-se as unidades \u00e9tnicas e nacionais, subsistindo quest\u00f5es como tentativas de secess\u00e3o e opress\u00e3o de na\u00e7\u00f5es sobre outras dentro do mesmo Estado, ora estando a Igreja em ambos os lados, ora estando apenas de um dos lados, seja da na\u00e7\u00e3o opressora, seja da na\u00e7\u00e3o oprimida.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o dos direitos humanos.<\/strong><br \/>\nA no\u00e7\u00e3o do estado de direito tem implicado atribu\u00edrem-se aos cidad\u00e3os direitos pol\u00edticos, direitos sociais e direitos econ\u00f4micos. Nos primeiros, estaria a igualdade perante a lei, o direito de votar e ser votado, de ter respeitada a integridade f\u00edsica, a liberdade de reuni\u00e3o e de opini\u00e3o, entre outros. Na segunda, estaria o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 seguran\u00e7a, ao saneamento b\u00e1sico, ao transporte de massas etc. Entre as \u00faltimas, estaria o direito ao trabalho e a uma participa\u00e7\u00e3o justa na produ\u00e7\u00e3o e no usufruto da riqueza nacional.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria consci\u00eancia desses direitos \u00e9, em muito, resultado da a\u00e7\u00e3o did\u00e1tica da Igreja, que torna poss\u00edveis sinais e antecipa\u00e7\u00f5es do reino. Como atestado do pecado, esses direitos (no todo ou em algumas de suas partes) n\u00e3o t\u00eam sido atingidos ou s\u00e3o violados, at\u00e9 mesmo em Estados nominalmente de maioria crist\u00e3 ou governados por pol\u00edticos que confessam a f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o da moralidade p\u00fablica.<\/strong><br \/>\nA aus\u00eancia de valores morais \u00e9 outro atestado do pecado na vida p\u00fablica: a desonestidade, a corrup\u00e7\u00e3o, a mentira, a falta de transpar\u00eancia e de presta\u00e7\u00e3o de contas. Na vida social, presencia-se o aumento da prostitui\u00e7\u00e3o (muitas vezes relacionada \u00e0 pobreza), da viol\u00eancia urbana, do alcoolismo, da pornografia nas artes, do alto \u00edndice de div\u00f3rcio, que s\u00e3o sinais preocupantes, que requerem respostas tanto em formas de pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas quanto da voz prof\u00e9tica da Igreja.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nAbandonando a forma comunit\u00e1ria de produ\u00e7\u00e3o, a humanidade conheceu tr\u00eas sistemas econ\u00f4micos fundados no princ\u00edpio da desigualdade, da exclus\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o: o escravismo, a servid\u00e3o e o capitalismo. O tamanho da igreja, a composi\u00e7\u00e3o social dos seus membros e sua rela\u00e7\u00e3o com o poder pol\u00edtico condicionaram a sua atua\u00e7\u00e3o, no conjunto ou entre os seus segmentos, em termos de apoio, condena\u00e7\u00e3o ou indiferen\u00e7a a esses sistemas.<\/p>\n<p>No caso particular e mais recente do capitalismo, dois fatores inibiram tanto o resgate (ou a atualiza\u00e7\u00e3o) da rica heran\u00e7a crist\u00e3 de condena\u00e7\u00e3o a esse sistema, quanto a sinaliza\u00e7\u00e3o de alternativas pertinentes. Tais fatores s\u00e3o: uma identifica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica mais estreita e o predom\u00ednio, por algumas d\u00e9cadas, da alternativa de inspira\u00e7\u00e3o marxista (materialista e totalit\u00e1ria).<\/p>\n<p>Encontramos, na atualidade, tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas em rela\u00e7\u00e3o ao capitalismo: a) os profetas do capitalismo, representados, em especial, pela teologia da prosperidade, legitimando-o como o modelo mais condizente com o reino; b) os profetas no capitalismo, apenas cr\u00edticos de seus sintomas e problemas, procurando reform\u00e1-lo, humaniz\u00e1-lo ou cristianiz\u00e1-lo (democratascrist\u00e3os, sociais-democratas, liberais keynesianos); c) os profetas ao capitalismo, representados pelos que julgam que o fracasso circunstancial de um rem\u00e9dio inadequado ou de danosos efeitos colaterais (o comunismo) n\u00e3o transforma a enfermidade (o capitalismo) em sanidade, mas que a doen\u00e7a deve continuar sendo combatida, pesquisando-se novos rem\u00e9dios \u00e0 luz da experi\u00eancia acumulada. Os \u201cde baixo\u201d devem ser convertidos da aspira\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio \u00e0 causa da justi\u00e7a, e os \u201cde cima\u201d devem se conscientizar do car\u00e1ter transit\u00f3rio, dispens\u00e1vel e danoso de sua classe social, procurando n\u00e3o s\u00f3 humaniz\u00e1-la de imediato, mas interceder e trabalhar por sua extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os problemas entre os Estados ou dentro dos Estados desafiam o reino de justi\u00e7a, paz, liberdade, honestidade e amor.<\/p>\n<h4><strong>Mudan\u00e7as na p\u00f3s-modernidade<\/strong><\/h4>\n<p>As mudan\u00e7as que ocorrem no cen\u00e1rio pol\u00edtico s\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>O enfraquecimento do Estado.<\/strong><br \/>\nA forma\u00e7\u00e3o de grandes blocos regionais (Comunidade Econ\u00f4mica Europeia, NAFTA, Tigres Asi\u00e1ticos) e a expans\u00e3o das empresas multinacionais, bem como o fortalecimento de entidades internacionais (FMI, Banco Mundial), al\u00e9m do capital especulativo sem fronteiras, t\u00eam resultado no enfraquecimento do Estado como ente pol\u00edtico, restringindo ou limitando o pr\u00f3prio conceito de soberania.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 um enfraquecimento para fora, h\u00e1, por outro lado, um enfraquecimento para dentro: o localismo, ou a busca do fortalecimento das regi\u00f5es, prov\u00edncias, municipalidades e comunidades.<\/p>\n<p><strong>A recorr\u00eancia cultural. <\/strong><br \/>\nO vazio deixado pela crise das utopias tem levado a uma tentativa de volta \u00e0 pr\u00e9-modernidade (tradi\u00e7\u00e3o, ordem, autoridade), como resposta \u00e0 inseguran\u00e7a provocada pelas mudan\u00e7as r\u00e1pidas e profundas. O nacionalismo exacerbado, o racismo, o extremismo religioso provocam conflitos entre os pa\u00edses ou dentro deles, amea\u00e7ando a paz e a seguran\u00e7a mundiais, a unidade nacional e as pr\u00f3prias conquistas do estado de direito.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio religioso, t\u00eam-se as seguintes mudan\u00e7as:<\/p>\n<p><strong>A revaloriza\u00e7\u00e3o do sagrado. <\/strong><br \/>\nFala-se em um \u201creencantamento\u201d do mundo, uma \u201crelegitima\u00e7\u00e3o\u201d do sagrado. Deus e a religi\u00e3o estariam de volta e seriam, outra vez, levados a s\u00e9rio. Mas essa revaloriza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 pela volta ao cristianismo hist\u00f3rico (no Ocidente) mas a um \u201cmercado\u201d competitivo de religi\u00f5es, com especial \u00eanfase no esoterismo e em espiritualidades m\u00edsticas e subjetivistas, que resultem em paz interior e prosperidade pessoal.<\/p>\n<p><strong>O presente como futuro do passado.<\/strong><br \/>\nO vazio das utopias rompe com a ideia de valores universais, caindo-se na diversidade cultural em si. O fanatismo ou extremismo religioso totalit\u00e1rio (inadequadamente denominado de fundamentalismo), com sua vis\u00e3o est\u00e1tica da hist\u00f3ria, seu dogmatismo, sua intoler\u00e2ncia, recha\u00e7a a contribui\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias humanas. Presencia-se uma certa contrarrevolu\u00e7\u00e3o cultural antiiluminista, em que a \u201cidade de ouro\u201d est\u00e1 em algum lugar do passado: um passado pr\u00e9-urbano, pr\u00e9-industrial e pr\u00e9-democr\u00e1tico.<br \/>\nA p\u00f3s-modernidade usa instrumentos da tecnologia moderna com conte\u00fado de ideias pr\u00e9-modernas.<\/p>\n<p>Pode-se exercer o papel prof\u00e9tico da Igreja com a teologia da prosperidade, a teologia da domina\u00e7\u00e3o e a teologia da batalha espiritual?<\/p>\n<h4><strong>Dever do profetismo<\/strong><\/h4>\n<p>Uma igreja contextualizada, historicamente consciente, socialmente inserida e relevante responde \u00e0 (des)ordem do pecado e \u00e0s necessidades humanas de tr\u00eas maneiras: a) com a filantropia, ou obras de miseric\u00f3rdia diante das car\u00eancias urgentes; b) com a\u00e7\u00f5es promocionais, ou projetos de desenvolvimento, visando a organiza\u00e7\u00e3o do povo para a realiza\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es permanentes para suas necessidades priorit\u00e1rias (trabalho, moradia, sa\u00fade, seguran\u00e7a, transporte, saneamento b\u00e1sico); c) pela a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pela conscientiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o social, pela a\u00e7\u00e3o direta ou indireta sobre as institui\u00e7\u00f5es do poder pol\u00edtico, procurando alterar o desenho s\u00f3cio-econ\u00f4mico do Estado na promo\u00e7\u00e3o do bem-comum. A a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica \u00e9 parte da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, da a\u00e7\u00e3o \u00e9tica na polis.<br \/>\nUma espiritualidade integral pressup\u00f5e adora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, sem se cair nos unilateralismos do misticismo, do academicismo ou do ativismo. A miss\u00e3o integral da Igreja inclui n\u00e3o somente a proclama\u00e7\u00e3o, o ensino, a comunh\u00e3o e o servi\u00e7o, mas, tamb\u00e9m, o profetismo e o compromisso com a vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma ordem da cria\u00e7\u00e3o perdida e uma ordem da restaura\u00e7\u00e3o esperada, que inspiram e desafiam, como idealiza\u00e7\u00f5es, a a\u00e7\u00e3o do povo de Deus na ordem hist\u00f3rica. A \u201ccidade dos homens\u201d deve se aproximar da \u201ccidade de Deus\u201d e se afastar da \u201ccidade do diabo\u201d.<\/p>\n<p>O mandato cultural entregue \u00e0 humanidade, de bem gerir o mundo, descumprido ou mal cumprido em raz\u00e3o do pecado, \u00e9 retomado pelas alian\u00e7as, primeiro com Israel e por fim com a Igreja.<br \/>\nMas um profetismo que \u00e9 den\u00fancia e que \u00e9 proposta pelo reino e para o reino no meio do mundo e em luta com o antirreino, que ultrapassa o mero espa\u00e7o individual ou das microrrela\u00e7\u00f5es e abarca a totalidade da vida e da organiza\u00e7\u00e3o social. Profetismo que pressup\u00f5e os agentes humanos (individuais e coletivos) chamados e enviados, uma Palavra revelada e uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o, ilumina\u00e7\u00e3o e poder: o Esp\u00edrito Santo. Profetismo que pressup\u00f5e mensagem, convic\u00e7\u00e3o, coragem e vis\u00e3o, em que os poderes s\u00e3o relativizados e os riscos do mart\u00edrio sempre presentes.<br \/>\nA miss\u00e3o prof\u00e9tica da Igreja encontra amplo respaldo nas Sagradas Escrituras e em escritos, pronunciamentos e epis\u00f3dios de sua hist\u00f3ria. O seu n\u00e3o-exerc\u00edcio, como podemos analisar em retrospectiva, tem significado uma desobedi\u00eancia ao seu mandato e uma mutila\u00e7\u00e3o em seu conte\u00fado mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ainda assim, amplas s\u00e3o as resist\u00eancias a esse minist\u00e9rio, por parte de crist\u00e3os t\u00edmidos, temerosos ou privilegiados. A a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica \u00e9 sempre desinstaladora, questionadora e, ao absolutizar o reino, relativiza o status quo. Em uma sociedade capitalista, a institui\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica e os seus funcion\u00e1rios s\u00e3o mantidos, em grande parte, pelas contribui\u00e7\u00f5es do capital, que repassa uma parcela da acumula\u00e7\u00e3o social. Essa vincula\u00e7\u00e3o implica uma redu\u00e7\u00e3o da capacidade cr\u00edtica da Igreja. Nesse caso, os ministros n\u00e3o remunerados poderiam ter melhores condi\u00e7\u00f5es para expressarem opini\u00f5es independentes.<\/p>\n<p>Como demonstra a hist\u00f3ria de Israel, o profetismo tem, tamb\u00e9m, uma dimens\u00e3o para dentro, para o interior do pr\u00f3prio espa\u00e7o do povo da alian\u00e7a, no exerc\u00edcio iluminado de constante autocr\u00edtica ou necess\u00e1ria discord\u00e2ncia e sinaliza\u00e7\u00e3o de novos rumos.<\/p>\n<p>O mart\u00edrio dos profetas n\u00e3o tem sido sempre nas m\u00e3os de C\u00e9sar. Somos herdeiros de uma hist\u00f3ria de inquisi\u00e7\u00f5es, em que a intoler\u00e2ncia \u00e0 discord\u00e2ncia parte dos dom\u00e9sticos da f\u00e9.<br \/>\nProfetas se sentem abandonados pelos seus irm\u00e3os quando obedecem \u00e0 voz do Senhor, ou s\u00e3o v\u00edtimas de alian\u00e7as esp\u00farias entre tronos e altares.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de uma teologia do profetismo e o neo-herodianismo t\u00eam dificultado o exerc\u00edcio das voca\u00e7\u00f5es prof\u00e9ticas.<\/p>\n<h4><strong>Modos prof\u00e9ticos<\/strong><\/h4>\n<p>A atividade prof\u00e9tica, em primeiro lugar, nasce de uma consci\u00eancia interna na Igreja: a consci\u00eancia da humanidade dos crist\u00e3os, a consci\u00eancia dos nossos deveres de \u00e9tica social e a consci\u00eancia da a\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel da cidadania como express\u00e3o de santidade. Isso pressup\u00f5e: a) uma tarefa did\u00e1tica: o ensino de todo conselho de Deus, todo conte\u00fado \u00e9tico social das Sagradas Escrituras, relacionando-o com o nosso tempo e lugar, e o conhecimento da hist\u00f3ria pol\u00edtica do cristianismo nas diversas \u00e9pocas e regi\u00f5es (autores, obras, pensamentos, exemplos e epis\u00f3dios); b) uma tarefa intercess\u00f3ria: a inclus\u00e3o na agenda das ora\u00e7\u00f5es pessoais, familiares e eclesiais dos assuntos pol\u00edticos mais prementes.<\/p>\n<p>A atividade prof\u00e9tica, em segundo lugar, se volta para uma a\u00e7\u00e3o externa, que poder ser: a) de den\u00fancia contra institui\u00e7\u00f5es, pr\u00e1ticas, princ\u00edpios e pol\u00edticas p\u00fablicas, que sejam aberra\u00e7\u00f5es ou imperfei\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, que entrem em conflito com os valores do reino de Deus ou fiquem aqu\u00e9m deles, trazendo danos para as pessoas, as comunidades e as na\u00e7\u00f5es; b) de propostas alternativas e substitutivas, sem entrar em detalhes t\u00e9cnicos ou op\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, mas que, em forma de contribui\u00e7\u00e3o e subs\u00eddio, sinalizem e ampliem horizontes, devolvendo esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Essas a\u00e7\u00f5es podem se dar: a) de forma institucional: reuni\u00f5es, pronunciamentos, documentos, comiss\u00f5es oficiais das denomina\u00e7\u00f5es, igrejas locais, miss\u00f5es, semin\u00e1rios, conselhos de pastores etc., que expressem o consenso, a convic\u00e7\u00e3o generalizada ou maioria expressiva dos seus membros sobre determinada quest\u00e3o; b) de forma individual: crist\u00e3os doutrinariamente instru\u00eddos e espiritualmente apoiados por seus pastores e comunidades, no exerc\u00edcio de suas l\u00edcitas voca\u00e7\u00f5es, que participem dos \u00f3rg\u00e3os do governo, dos partidos pol\u00edticos, dos sindicatos, dos movimentos sociais, de prefer\u00eancia junto com outros crist\u00e3os de opini\u00f5es assemelhadas, procurando encarnar, sempre que poss\u00edvel (respeitando-se as obje\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia), as orienta\u00e7\u00f5es emanadas das institui\u00e7\u00f5es crist\u00e3s; c) de forma org\u00e2nica: por meio de movimentos, comit\u00eas e organiza\u00e7\u00f5es, sem v\u00ednculos oficiais com as institui\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas, mas que ultrapassem o individualismo e que aglutinem, de forma sistem\u00e1tica, crist\u00e3os da mesma op\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, na promo\u00e7\u00e3o de temas espec\u00edficos, como ecologia, direitos humanos, classe, regi\u00e3o, etnia etc.<\/p>\n<p>Entrevistas e publica\u00e7\u00f5es de documentos na m\u00eddia religiosa ou secular, passeatas, com\u00edcios, abaixo-assinados, visitas \u00e0s autoridades, dissemina\u00e7\u00e3o de boletins, cartazes externos, revistas, livros, s\u00e3o alguns dos canais l\u00edcitos que podem ser empregados, com compet\u00eancia, sensibilidade, senso de oportunidade e criatividade, para o exerc\u00edcio da a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica da Igreja.<\/p>\n<p>A tarefa pode, eventualmente, incluir a cria\u00e7\u00e3o de \u201claborat\u00f3rios sociais\u201d ou projetos experimentais\/did\u00e1ticos de comunidades alternativas ou modos de produ\u00e7\u00e3o alternativos (fazendas comunit\u00e1rias, f\u00e1bricas autogestionadas, por exemplo).<\/p>\n<p>Vale ressaltar o papel das ci\u00eancias humanas como aux\u00edlio instrumental para os profetas na compreens\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das Escrituras. O preconceito evang\u00e9lico contra as ci\u00eancias sociais \u00e9 algo lament\u00e1vel e que deve ser superado. As ideologias seculares podem ter, tamb\u00e9m, um valor instrumental, mas n\u00e3o devem ser absolutizadas. As utopias humanas, por melhores que sejam n\u00e3o podem, em raz\u00e3o das suas limita\u00e7\u00f5es, ser identificadas com a parousia, mas podem vir a se constituir em avan\u00e7os poss\u00edveis e sinais antecipados do reino na hist\u00f3ria.<br \/>\nEm nossa atividade prof\u00e9tica, deve-se manter atual o m\u00e9todo proposto pela A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica no p\u00f3s-guerra: ver \u2014 julgar \u2014 agir.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O evangelicalismo tem deixado de ser o que deveria ser em ess\u00eancia \u2014 uma leitura da f\u00e9 e um discurso sobre a f\u00e9 do Evangelho \u2014, para se tornar em uma subcultura, uma das \u201ctribos\u201d do multiculturalismo da p\u00f3s-modernidade: uma das mais ex\u00f3ticas e das mais antiquadas. Temos deixado de propor, e nos tornamos apenas reativos ao secular e ao teologicamente liberal.<br \/>\nO nosso crescimento quantitativo nem sempre tem correspondido ao aumento do nosso impacto e influ\u00eancia na vida social. N\u00e3o pode haver influ\u00eancia quando n\u00e3o se quer ou n\u00e3o se sabe o que influenciar e como faz\u00ea-lo. Uma s\u00e9ria inclus\u00e3o do profetismo no conte\u00fado da nossa miss\u00e3o contribui para a consolida\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria identidade, pois n\u00e3o podemos nos contentar em sermos apenas a ala \u201cmoderada\u201d ou \u201ccivilizada\u201d do fundamentalismo.<\/p>\n<p>A Igreja Reformada n\u00e3o somente deve constantemente se reformar, mas constantemente reformar. Entende-se a Igreja Reformada como uma comunidade da liberdade e uma ag\u00eancia de transforma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Os conflitos entre Estado e Igreja s\u00e3o inevit\u00e1veis; e a colabora\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, uma necessidade poss\u00edvel de atender. \u00c9 preciso discernimento para o modo de conflitar e o modo de colaborar. Por outro lado, nos debilitamos para a tarefa prof\u00e9tica em virtude dos nossos pr\u00f3prios conflitos internos.<\/p>\n<p>Oremos para que a Igreja seja uma comunidade de estadistas do reino de Deus.<\/p>\n<p>O \u201cprinc\u00edpio protestante\u201d, como nos chamava a aten\u00e7\u00e3o Paulo Tillich, \u00e9 de uma dupla voca\u00e7\u00e3o: criar sempre, questionar o criado sempre.<\/p>\n<p>Na presente crise da civiliza\u00e7\u00e3o, com o esgotamento do ceticismo liberal e o risco da tenta\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria, a hist\u00f3ria pode estar concedendo a palavra ao profetismo evang\u00e9lico.<\/p>\n<p>Que sejamos sens\u00edveis, obedientes e competentes para interpretarmos o discurso do c\u00e9u que faz sentido na terra.<\/p>\n<h6><strong>\u2022 Trecho retirado do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/a-igreja-o-pais-e-o-mundo\">A Igreja, o Pa\u00eds e o Mundo &#8211; desafios a uma f\u00e9 engajada<\/a>, de Robinson Cavalcanti&nbsp;(Editora Ultimato).<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp;A Igreja, o Pa\u00eds e o Mundo<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOs conflitos entre Estado e Igreja s\u00e3o inevit\u00e1veis; e a colabora\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado, uma necessidade poss\u00edvel de atender. \u00c9 preciso discernimento para o modo de conflitar e o modo de colaborar. Por outro lado, nos debilitamos para a tarefa prof\u00e9tica em virtude dos nossos [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5153],"tags":[32198],"class_list":["post-10486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-prateleira","tag-livro-da-semana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10486"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10495,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10486\/revisions\/10495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}