{"id":10391,"date":"2017-11-24T15:37:45","date_gmt":"2017-11-24T18:37:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=10391"},"modified":"2017-11-24T15:47:09","modified_gmt":"2017-11-24T18:47:09","slug":"qual-o-melhor-trabalho-para-agradar-a-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/11\/24\/qual-o-melhor-trabalho-para-agradar-a-deus\/","title":{"rendered":"Qual o melhor trabalho para agradar a Deus?"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp; <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/trabalho-descanso-e-dinheiro\">Trabalho, Descanso e Dinheiro<\/a><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por Tim\u00f3teo Carriker<\/strong><\/p>\n<p>Os reformadores protestantes tinham uma vis\u00e3o do trabalho bem diferente da vis\u00e3o mon\u00e1stica. Consideravam-no como a voca\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os. Assim, rejeitavam a dicotomia entre duas atividades humanas e afirmavam que todas as formas de trabalho t\u00eam igual valor diante de Deus. Por exemplo, entre outros motivos que resultaram na acusa\u00e7\u00e3o de heresia de William Tyndale, estava sua cren\u00e7a de que:<\/p>\n<p><em>Nenhum trabalho \u00e9 melhor que outro para agradar a Deus: buscar a \u00e1gua, lavar a lou\u00e7a, ser sapateiro ou ap\u00f3stolo, tudo \u00e9 uma s\u00f3 coisa; lavar lou\u00e7a ou pregar o evangelho \u00e9 uma s\u00f3 coisa, no que se refere ao trabalho, para agradar a Deus.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/trabalho-descanso-e-dinheiro\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-10392\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_trabalho.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"238\"><\/a>Martinho Lutero acreditava que Deus, na sua provid\u00eancia, havia colocado cada pessoa na sua fun\u00e7\u00e3o na sociedade para realizar as atividades daquela fun\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o Calvino enfatizou o trabalho \u00fatil. Ele disse que Deus n\u00e3o est\u00e1 \u201ccomo os sofistas imaginavam, \u00e0 toa, desocupado e quase dormindo, mas vigilante, eficaz, operante e empenhado em a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d.5 E, em seu coment\u00e1rio sobre a par\u00e1bola das dez minas (Lc 19.11-27), Calvino relacionou os talentos ao trabalho di\u00e1rio e \u00e0 voca\u00e7\u00e3o e, assim, ditou o significado moderno das palavras talento e talentoso. Atualmente, entendemos o talento como o exerc\u00edcio de uma habilidade, frequentemente associado a uma profiss\u00e3o. [&#8230;]<\/p>\n<p><!--more-->Tanto a vis\u00e3o capitalista quanto a marxista creem que o labor cont\u00ednuo, racional e produtivo transformar\u00e1 o mundo. O trabalho, na sua \u00f3tica, \u00e9 a chave da hist\u00f3ria, a chave para uma nova sociedade, uma nova natureza e um novo homem. Enfim, \u00e9 o nosso cerne e a nossa salva\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que para o marxismo a transfor\u00adma\u00e7\u00e3o deveria ser social e igualit\u00e1ria, ao passo que para o capitalismo deveria ser individual, discriminativa e merit\u00f3ria. Em ambos os sistemas, a sociedade vive incans\u00e1vel e laboriosamente em torno de uma orienta\u00e7\u00e3o para o futuro. De acordo com essas duas filosofias, o trabalho e especificamente a produ\u00e7\u00e3o, com o aux\u00edlio da ci\u00eancia e da tecnologia, nos introduzir\u00e3o em um mundo de consumo, lazer e liberdade.<\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>A PERSPECTIVA B\u00cdBLICA DO TRABALHO<\/h4>\n<p>Para examinar a perspectiva b\u00edblica do trabalho, precisamos revisar os nossos coment\u00e1rios sobre G\u00eanesis 1 e o mandato cultural.<\/p>\n<p>Nos primeiros dois cap\u00edtulos de G\u00eanesis, j\u00e1 vimos que a cria\u00e7\u00e3o da humanidade recebe um grande destaque. No cap\u00edtulo 1 ela \u00e9 o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o, enquanto no cap\u00edtulo 2 \u00e9 o seu centro. Ambos os relatos ressaltam a posi\u00e7\u00e3o principal da cria\u00e7\u00e3o do homem. E aqui lemos tamb\u00e9m sobre o prop\u00f3sito de Deus na cria\u00e7\u00e3o da humanidade. G\u00eanesis 1.26-28 diz que a humanidade essencialmente teria dom\u00ednio sobre o resto da cria\u00e7\u00e3o. Assim, como o pr\u00f3prio Deus, ainda que em menor escala e a Ele subordinado, cabe ao ser humano a fun\u00e7\u00e3o de senhorio. Nisso ele demonstra que \u00e9 como Deus, pois foi criado parecido com Ele.<\/p>\n<p>Reparamos tamb\u00e9m a incumb\u00eancia de multiplicar-se e encher a terra. A reprodu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e a ocupa\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica da terra refletem literalmente a criatividade de Deus. O homem tamb\u00e9m seria um criador, mas, de novo, debaixo da criatividade do pr\u00f3prio Deus. Finalmente, em G\u00eanesis 2.19, aprendemos que o ser humano recebe uma terceira qualidade como caracter\u00edstica de sua heran\u00e7a de parecer-se com Deus. \u00c9 a incumb\u00eancia de dar nome \u00e0s diversas partes da cria\u00e7\u00e3o, que, de certo modo, trata n\u00e3o s\u00f3 de mera taxonomia, mas eventualmente de todo o empreendimento cient\u00edfico em geral.<\/p>\n<p>Em tudo isso, os seres humanos, diferentes das outras cria\u00e7\u00f5es de Deus, se apresentam como fazedores da hist\u00f3ria e da civiliza\u00e7\u00e3o, construindo cidades (Gn 4.17) e desenvolvendo a vida pastoril e n\u00f4made (4.20), a m\u00fasica (4.21) e a metalurgia (4.22).<\/p>\n<p>Mesmo a queda n\u00e3o anula o mandato cultural. Ad\u00e3o e Eva continuam com suas fun\u00e7\u00f5es de guardi\u00f5es, criadores e senhores da terra. No relato sobre o dil\u00favio, o mandato \u00e9 refor\u00e7ado e renovado para No\u00e9 (Gn 9.7, 19-20). A sorte do povo de Deus continua ligada \u00e0 terra e, para Abra\u00e3o e seus descendentes, a promessa de b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus inclui necessariamente a terra (Gn 12.1-3). [&#8230;]<\/p>\n<p>Tudo isso nos persuade \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o b\u00edblica do trabalho. As Escrituras est\u00e3o repletas de louvor pelo labor das m\u00e3os, cora\u00e7\u00f5es e mentes humanas. Habilidades no trabalho s\u00e3o descritas como dons de Deus, que \u00e9 um trabalhador (Gn 2.4, 7, 8, 19, 23) e um habilitador (\u00cax 35.30-32; Sl 65.9-13; 104.22-24; Gn 10.8, 9).<\/p>\n<p>N\u00e3o nos surpreendemos, ent\u00e3o, que o Novo Testamento nos apresente Jesus no meio dos problemas di\u00e1rios de gente trabalhadora. Ele mesmo era um carpinteiro e comunicava-se com trabalhadores empregando as figuras do trabalho manual (veja as par\u00e1bolas narradas em Mt 13.3, 30; 7.24; Lc 15.8, 11; Jo 4.35).<\/p>\n<p>Paulo tamb\u00e9m valorizava o trabalho. Ele criticava a pregui\u00e7a (2 Ts 3.6-12) e n\u00e3o fazia nenhuma distin\u00e7\u00e3o entre o labor f\u00edsico e o trabalho espiritual. Usou os mesmos termos para o seu trabalho manual como fazedor de tendas e seu servi\u00e7o como ap\u00f3stolo (1 Co 4.12; 15.10; 16.16; Ef 4.28; Rm 10.12; Gl 4.11; Fp 2.16; Cl 1.29; 1 Ts 5.12). Para ele, uma vida de lazer e contempla\u00e7\u00e3o religiosa, ou abdica\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica, era uma vida deficiente. Todos os membros da igreja deveriam trabalhar (2 Ts 3.10).<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo os novos c\u00e9us e a nova terra incluir\u00e3o o trabalho (Is 65.21, 22; Mq 4.3-5). O labor faz parte do galard\u00e3o divino, e n\u00e3o do seu castigo!<\/p>\n<h4>&nbsp;<\/h4>\n<h4>IMPLICA\u00c7\u00d5ES DO TRABALHO<\/h4>\n<p>De certo modo, o trabalho faz parte da manifesta\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio de Deus no mundo, pelo menos \u00e0 medida que esse dom\u00ednio se expressa por seu emiss\u00e1rio, o homem, especialmente o homem redimido. Por isso, pode-se pensar apropriadamente do labor humano, mediante o exerc\u00edcio das diversas profiss\u00f5es, como um dos meios mais significativos de derrubar as barreiras que se levantam contra o reino de Deus na terra. E, por isso, o desempenho da voca\u00e7\u00e3o profissional de cada um deve refletir os valores desse reino, valores de paz e de justi\u00e7a. Assim, o trabalho possui definitivamente uma dimens\u00e3o \u00e9tica. Envolve, entre outras coisas, a den\u00fancia do preconceito racial7, da opress\u00e3o aos pobres8, do trabalho escravo e mal remunerado9, da decad\u00eancia urbana, da corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e da imoralidade. Mas deve refletir tamb\u00e9m uma vida vivida em comunh\u00e3o com o Criador, evidenciada no culto e na compaix\u00e3o. Enfim, toda atividade humana \u00e9 d\u00e1diva de Deus e deve servi-lo e glorific\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Assim, o trabalho pode e deve ser encarado como uma extens\u00e3o da nossa espiritualidade. N\u00e3o fazemos separa\u00e7\u00e3o essencial, como \u00e9 comum em boa parte da igreja crist\u00e3, entre uma voca\u00e7\u00e3o secular e outra religiosa. Exercemos toda nossa atividade \u2014 trabalho e lazer \u2014 religiosamente, ou melhor, espiritualmente. Ningu\u00e9m se sinta inferior ou culpado pela sua profiss\u00e3o, mas cada um assuma sua fun\u00e7\u00e3o com a responsabilidade e a dignidade de ser administrador de uma tarefa dada por Deus.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que todo servi\u00e7o humano, exercido para recompensa ou n\u00e3o, diretamente na igreja ou n\u00e3o, deve ser prestado igualmente para a gl\u00f3ria de Deus e para o bem do mundo por Ele criado. O crist\u00e3o deveria se perguntar: \u201cComo meus talentos e minha profiss\u00e3o podem melhor contribuir para os des\u00edgnios de Deus e a manifesta\u00e7\u00e3o dos valores do seu dom\u00ednio?\u201d Se todos fizessem assim, o testemunho crist\u00e3o l\u00e1 na rua e em todos os lugares onde crist\u00e3os exercem suas profiss\u00f5es teria um impacto maior. N\u00e3o enquadrar\u00edamos a igreja como o \u201cverdadeiro\u201d campo onde os crist\u00e3os vivem e o \u201cmundo l\u00e1 fora\u201d como um lugar onde devemos gastar o m\u00ednimo de nosso tempo e de onde devemos fugir em toda oportunidade que tivermos. Ao contr\u00e1rio dessa perspectiva de \u201cgueto\u201d, enquadrar\u00edamos toda a cria\u00e7\u00e3o como santu\u00e1rio de Deus, estabelecido para sua honra e gl\u00f3ria, e, por isso, o lugar principal da atua\u00e7\u00e3o crist\u00e3. A igreja, sob esta \u00f3tica, seria tanto o lugar onde nos preparamos para tal atua\u00e7\u00e3o quanto o lugar onde adoramos ao Senhor e crescemos na f\u00e9 junto com outros filhos de Deus. Enfim, o trabalho n\u00e3o \u00e9 a ant\u00edtese da autorrealiza\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3. \u00c9 um dos seus principais meios.<\/p>\n<p>O trabalho n\u00e3o deve ser visto como apenas mais uma oportunidade para evangelizar os nossos colegas de trabalho. Certamente a evangeliza\u00e7\u00e3o em toda situa\u00e7\u00e3o \u00e9 nosso privil\u00e9gio e dever. Mas o trabalho deve ser compreendido de maneira mais ampla, como um dos nossos principais meios de levar adiante o prop\u00f3sito de Deus ao criar a humanidade. Ele \u00e9 nosso meio de expandir as divisas daquela parte da cria\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sujeita \u00e0 vontade de Deus e de derrotar as for\u00e7as do mal que contrariam esta vontade. \u00c9 um meio de estabelecer a confian\u00e7a e a responsabilidade m\u00fatuas entre os seres humanos e aliviar o sofrimento do homem.<\/p>\n<h6>\u2022 Trecho retirado do livro&nbsp; <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/trabalho-descanso-e-dinheiro\">Trabalho, Descanso e Dinheiro<\/a>, de Tim\u00f3teo Carriker&nbsp;(Editora Ultimato).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp; Trabalho, Descanso e Dinheiro<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor Tim\u00f3teo Carriker<br \/>\nOs reformadores protestantes tinham uma vis\u00e3o do trabalho bem diferente da vis\u00e3o mon\u00e1stica. Consideravam-no como a voca\u00e7\u00e3o de todos os crist\u00e3os. 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