{"id":10085,"date":"2017-09-30T00:00:14","date_gmt":"2017-09-30T03:00:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/?p=10085"},"modified":"2017-09-29T17:01:30","modified_gmt":"2017-09-29T20:01:30","slug":"a-historia-por-tras-das-95-teses-de-lutero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/2017\/09\/30\/a-historia-por-tras-das-95-teses-de-lutero\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria por tr\u00e1s das 95 teses de Lutero"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp; Conversas com Lutero &#8211; Hist\u00f3ria e Pensamento<\/strong><\/span><\/p>\n<h3>&nbsp;<\/h3>\n<h3>Lutero n\u00e3o afixou as suas 95 teses*<\/h3>\n<h4><em>&gt; Uma entrevista com o Reformador<\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> O doutor come\u00e7ou a ganhar notoriedade na Alemanha por conta das famosas Noventa e Cinco Teses, escritas em latim. O que o senhor chama de tese?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> A palavra tese \u00e9 originalmente uma palavra grega (th\u00e9sis), que significa, ao p\u00e9 da letra, o \u201cato de p\u00f4r\u201d. Nesse sentido, tese e proposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. Eu preparei um trabalho sobre a quest\u00e3o das indulg\u00eancias por meio de frases curtas e enumeradas. Cinco delas t\u00eam apenas duas linhas em letras de imprensa. A maior parte tem tr\u00eas e quatro linhas (\u00e9 o caso de 76 proposi\u00e7\u00f5es). A maior de todas tem apenas oito linhas.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Qual era a sua idade na \u00e9poca?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Dez dias depois de tornar conhecidas as 95 teses, comemorei meu 34o anivers\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Segundo eu saiba, parece que o doutor j\u00e1 tinha escrito uma outra cole\u00e7\u00e3o de teses.<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> De fato, dois meses antes, entre 21 de agosto e 4 de setembro daquele mesmo ano (1517), eu havia escrito 97 teses a respeito da teologia escol\u00e1stica \u2014 aquele conjunto de doutrinas e sistemas teol\u00f3gico-filos\u00f3ficos que at\u00e9 ent\u00e3o exerceu uma grande influ\u00eancia sobre a Igreja.1 No meu entender, a teologia precisava ser libertada, sobretudo da ditadura de Arist\u00f3teles, aquele palha\u00e7o que, com sua m\u00e1scara grega, tanto enganou a Igreja, como escrevi ao meu amigo Jo\u00e3o Lang, de Erfurt. Nosso compromisso com o famoso fil\u00f3sofo, que nasceu quase quatro s\u00e9culos antes de Cristo, era t\u00e3o grande que se dizia entre n\u00f3s que sem Arist\u00f3teles ningu\u00e9m se tornaria te\u00f3logo. Ent\u00e3o eu afirmei o contr\u00e1rio: Ningu\u00e9m se torna te\u00f3logo a n\u00e3o ser sem Arist\u00f3teles (44a tese). Pois Arist\u00f3teles est\u00e1 para a teologia como as trevas est\u00e3o para a luz (50a tese).<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/conversas-com-lutero\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-10086\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_conversas_lutero.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_conversas_lutero.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/files\/capa_conversas_lutero-209x300.jpg 209w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Julgava que essa primeira cole\u00e7\u00e3o de teses era para a Universidade de Wittenberg conferir o grau de bacharel em Estudos B\u00edblicos ao seu aluno Francisco G\u00fcnther.<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Essa foi a primeira finalidade das Teses sobre a Teologia Escol\u00e1stica (Disputatio Contra Scholasticam Theologiam). Sob minha presid\u00eancia, como decano da Faculdade de Teologia de Wittenberg, uma banca de professores ouviu o candidato Francisco G\u00fcnther a respeito do assunto e lhe conferiu, por unanimidade, no dia 4 de setembro, o desejado t\u00edtulo.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Suas proposi\u00e7\u00f5es de setembro foram bem recebidas?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Mandei c\u00f3pias dessas teses para meus ex-professores da Universidade de Erfurt e tamb\u00e9m para Nuremberg. Coloquei-me \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para ir a Erfurt e discutir publicamente o assunto. Mas eles n\u00e3o me responderam diretamente e me taxaram de arrogante e precipitado. Soube, todavia, que, entre os jovens, minhas teses foram recebidas como um ato de liberta\u00e7\u00e3o das verdades b\u00edblicas de seu cativeiro aristot\u00e9lico-escol\u00e1stico. Isso me foi suficiente.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Deixemos de lado as 97 teses de setembro e voltemos para as 95 teses de outubro. Se as primeiras foram contra a escol\u00e1stica, as segundas foram contra o papa?2<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> N\u00e3o necessariamente contra o papa, mas contra o mercado das indulg\u00eancias. Trato o Santo Padre com respeito. Digo que, se o papa tivesse conhecimento da trafic\u00e2ncia dos apregoadores de indulg\u00eancia, ele mesmo preferiria ver a bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas (50a tese). Afirmo tamb\u00e9m que s\u00e3o inimigos de Cristo e do papa aqueles que por causa da pr\u00e9dica de indulg\u00eancias pro\u00edbem a Palavra de Deus nas demais igrejas (53a tese). Naquela \u00e9poca eu ainda era muito ing\u00eanuo e at\u00e9 acreditava que teria o apoio do papa para combater tamanha simonia.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Mas, na 86a tese, o doutor afirma que a fortuna do papa \u00e9 maior do que a de qualquer Creso, o poderoso rei da L\u00edbia, e que ele deveria construir a bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro com dinheiro de seu pr\u00f3prio bolso e n\u00e3o com o dinheiro dos crist\u00e3os pobres&#8230;<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Talvez tenha exagerado um pouco. Todavia, todo mundo sabe que de alguns anos para c\u00e1 a Igreja perdeu por completo aquele estilo de vida simples da era apost\u00f3lica e dos primeiros s\u00e9culos de sua hist\u00f3ria. H\u00e1 mais de trezentos anos, desde quando recebemos dota\u00e7\u00f5es em quantidade excessiva nos s\u00e9culos 11 e 12, adotamos uma cristocracia de dinheiro e propriedade. Atualmente, muitos abra\u00e7am a carreira eclesi\u00e1stica n\u00e3o por voca\u00e7\u00e3o nem para servir a Deus, mas para possuir parte dos bens e do poder da Igreja. Os papas portam-se como pr\u00edncipes seculares e mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com outras pot\u00eancias. O bispo, em geral, \u00e9 um absente\u00edsta inveterado: deixa sua diocese para servir ao rei ou para fazer carreira na corte pontif\u00edcia. Temos bens demais e poder espiritual de menos.3 N\u00e3o faz muito tempo, o clero da Inglaterra, com um por cento da popula\u00e7\u00e3o, dispunha de 25 por cento do produto interno bruto. Em algumas partes da Fran\u00e7a e aqui da Alemanha, a Igreja possui entre um ter\u00e7o e metade de todos os im\u00f3veis. Nossa imagem \u00e9 financeira, n\u00e3o espiritual. A Igreja tem inventado muitas maneiras de levantar dinheiro, inclusive as tristes famosas taxas mortu\u00e1rias. Quando os fi\u00e9is morrem sem pagar todos os seus d\u00edzimos, a fam\u00edlia do morto \u00e9 obrigada a passar para a Igreja sua segunda melhor propriedade como compensa\u00e7\u00e3o. Outro dia, algu\u00e9m afirmou, com justi\u00e7a, que os curas t\u00eam mais amor \u00e0s mortu\u00e1rias que \u00e0s pr\u00f3prias vidas.4<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> E quanto ao com\u00e9rcio de indulg\u00eancias? Seria outra inven\u00e7\u00e3o da Igreja para obter dinheiro?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> N\u00e3o resta a menor d\u00favida. As indulg\u00eancias t\u00eam destacada import\u00e2ncia sob o aspecto financeiro. A C\u00faria e o Estado papal dependem em grande parte das rendas auferidas com esse mercado.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Por que o povo compra as indulg\u00eancias?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Porque os fi\u00e9is veem na indulg\u00eancia uma oportunidade de se protegerem do purgat\u00f3rio e do ju\u00edzo eterno. Em alguns casos, os pregadores de indulg\u00eancia d\u00e3o serm\u00f5es horrorizantes sobre o fogo do inferno por raz\u00f5es \u00f3bvias. Acontece, ent\u00e3o, o perfeito casamento entre a vontade de vender e a vontade de comprar.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> O doutor se refere a Jo\u00e3o Tetzel?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Esse homem morreu aos 54 anos, em 1519, dois anos depois das 95 teses. Ele era meu conterr\u00e2neo e pertencia \u00e0 ordem fundada por S\u00e3o Domingos no despontar do s\u00e9culo 13. Dedicou os \u00faltimos 15 anos de sua vida \u00e0 prega\u00e7\u00e3o e \u00e0 venda de indulg\u00eancias. Foi tamb\u00e9m inquisidor para a Pol\u00f4nia e Sax\u00f4nia. Jo\u00e3o Tetzel garantia a plenos pulm\u00f5es que \u201ca alma sai do purgat\u00f3rio no preciso momento em que a moeda ressoa na caixa\u201d.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Ent\u00e3o os certificados assinados e promulgados pelo papa e vendidos pelos pregadores de indulg\u00eancias beneficiam tamb\u00e9m os mortos?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Os breves de indulg\u00eancia promovem a remo\u00e7\u00e3o da culpa daquele que ainda est\u00e1 vivo e daquele que j\u00e1 morreu. No primeiro caso, o fiel adquire a indulg\u00eancia para si; no segundo, para algu\u00e9m da fam\u00edlia ou de seu c\u00edrculo de amizade que n\u00e3o est\u00e1 mais entre os vivos. A indulg\u00eancia se apoia numa doutrina solidamente arquitetada: em virtude da comunh\u00e3o dos santos e da reversibilidade dos m\u00e9ritos, a Igreja se considera uma esp\u00e9cie de banco espiritual. Ela ajunta todo o excedente dos m\u00e9ritos de Cristo e dos santos e vende esse tesouro para os que precisam dele. Em outras palavras: a igreja ensina que alguns santos que j\u00e1 morreram fizeram mais obras boas do que as necess\u00e1rias para se salvarem. Ent\u00e3o, ela administra esse excedente em benef\u00edcio de outros pecadores ainda em d\u00e9bito diante de Deus, por meio das indulg\u00eancias, que o papa n\u00e3o distribui graciosamente, mas vende.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> O doutor condena apenas o com\u00e9rcio das indulg\u00eancias?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Deploro tanto o mercado como o esquema das indulg\u00eancias. Na 52a tese, afirmo que esperar ser salvo mediante breve de indulg\u00eancia \u00e9 vaidade e mentira, mesmo se o comiss\u00e1rio de indulg\u00eancias e o pr\u00f3prio papa oferecessem suas almas em garantia. Numa tese anterior (36\u00aa), eu j\u00e1 havia explicado que todo crist\u00e3o que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados e sente pesar por ter pecado, tem pleno perd\u00e3o da pena e da d\u00edvida, mesmo sem ter adquirido seu breve de indulg\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Se algu\u00e9m lhe solicitasse a men\u00e7\u00e3o de uma s\u00f3 das 95 teses como resumo de tudo, que proposi\u00e7\u00e3o o doutor citaria de imediato?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> A 62a tese: O verdadeiro tesouro da Igreja \u00e9 o sant\u00edssimo evangelho da gl\u00f3ria e da gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Por que o povo n\u00e3o lan\u00e7a m\u00e3o desse tesouro e abandona as indulg\u00eancias?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> O verdadeiro tesouro \u00e9 muito desprezado e odiado porque faz com que os primeiros sejam os \u00faltimos (63\u00aa tese), enquanto que o tesouro das indulg\u00eancias \u00e9 notoriamente o mais apreciado porque faz com que os \u00faltimos sejam os primeiros (64\u00aa tese).<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Ou\u00e7o falar que o doutor afixou ostensivamente com prego e martelo as 95 teses \u00e0 porta da Igreja de Wittenberg, pouco depois do meio-dia de 31 de outubro de 1517. \u00c9 verdade?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> \u00c9 lenda. O que eu fiz de fato foi enviar as ditas teses ao arcebispo Alberto de Mog\u00fancia, comiss\u00e1rio dos indultos, um jovem de apenas 27 anos, e ao meu bispo diocesano Jer\u00f4nimo Schulz, de Brandemburgo.5<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> No dia 31 de outubro?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Sim, no dia 31 de outubro de 1517, na v\u00e9spera do Dia de Todos os Santos.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Por que n\u00e3o incluiu o dominicano Jo\u00e3o Tetzel entre os destinat\u00e1rios das teses?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> N\u00e3o valeria a pena gastar mais tinta e papel com esse mercen\u00e1rio. Mas ele n\u00e3o demorou a ler o material, pois eu o fiz publicar e espalhar, depois de esperar em v\u00e3o alguma rea\u00e7\u00e3o dos bispos.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Houve algum reboli\u00e7o em Wittenberg com a publica\u00e7\u00e3o das teses?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Em toda a Alemanha e, pouco depois, em toda a Europa. Elas foram imediatamente traduzidas para v\u00e1rias l\u00ednguas. Primeiro para o alem\u00e3o, e depois para o espanhol, o holand\u00eas e at\u00e9 para o italiano. O doutor em teologia Conrado Wimpina, professor e reitor da Universidade de Frankfurt, escreveu em nome de Jo\u00e3o Tetzel 156 teses e ant\u00edteses em defesa das indulg\u00eancias e da autoridade papal, em janeiro de 1518. Nessa mesma cidade, o cabe\u00e7a-dura dominicano, armou um cadafalso e nele queimou minhas teses, dizendo que o autor delas teria a mesma sorte&#8230;<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> A inten\u00e7\u00e3o do doutor era causar uma ruptura na Igreja?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Dou a minha palavra de que n\u00e3o tinha essa inten\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, eu queria que o papa tomasse as devidas provid\u00eancias para acabar com o escandaloso abuso das vendas das indulg\u00eancias. Ali\u00e1s, a essa altura, eu ainda n\u00e3o conhecia toda a amplitude dos males que assolavam a Igreja. At\u00e9 ent\u00e3o, eu chamava o Santo Padre de \u201ccordeiro entre lobos\u201d. N\u00e3o me dei conta que eu estava mexendo numa caixa de marimbondos. O Senhor Jesus \u00e9 testemunha de que eu, bem consciente de minha pr\u00f3pria mis\u00e9ria e indignidade, desde muito estava protelando o que naquele m\u00eas de outubro cumpri com ousadia. N\u00e3o me era poss\u00edvel calar mais tempo diante daquela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Foi para evitar essa ruptura na Igreja que o doutor n\u00e3o afixou literalmente as teses na Igreja de Wittenberg, como dizem por a\u00ed?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Se eu tivesse feito isso, n\u00e3o teria dado tempo aos bispos para responder.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Mas eles n\u00e3o lhe responderam&#8230;<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Certo. Mas eu fiz a minha parte. O que eu mais queria era uma reforma de dentro para fora.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> O papa Le\u00e3o X tomou alguma provid\u00eancia contra o doutor a prop\u00f3sito de suas teses?<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> O papa foi informado de tudo pelo arcebispo Alberto de Mog\u00fancia, mas, a princ\u00edpio, n\u00e3o se preocupou demasiadamente com o assunto. Deixou o problema nas m\u00e3os da ordem dos monges agostinianos, a qual eu pertencia. Em abril de 1518, eles me chamaram a Heidelberg, me ouviram e apoiaram. Isso trouxe um grande embara\u00e7o para o papa, que, ent\u00e3o, resolveu tomar o caso em suas m\u00e3os. Fui chamado a Roma, mas n\u00e3o fui. Ent\u00e3o, Le\u00e3o X enviou \u00e0 Alemanha o rec\u00e9m-nomeado cardeal Tom\u00e1s de Vio, mais conhecido como Caetano, na esperan\u00e7a de me fazer calar e me desculpar por ter escrito as Noventa e Cinco Teses. Caetano deixou bem claro que a paci\u00eancia do papa estava quase no fim e que terr\u00edveis castigos j\u00e1 estavam a caminho. Todavia eu n\u00e3o capitulei. No m\u00eas seguinte, escrevi uma carta ao Beat\u00edssimo Pai, Le\u00e3o X, o Sumo Pont\u00edfice, dando-lhe conhecimento da minha n\u00e3o-retrata\u00e7\u00e3o e colocando-me \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dele para o que desse e viesse: \u201cProstrado aos p\u00e9s de Vossa Beatitude, ofere\u00e7o-me com tudo o que sou e tenho\u201d.<\/p>\n<p><strong>Rep\u00f3rter \u2013<\/strong> Parece que o doutor publicou um livro sobre as indulg\u00eancias.<br \/>\n<strong>Lutero \u2013<\/strong> Trata-se do volume Explica\u00e7\u00f5es do Debate sobre o Valor das Indulg\u00eancias (Resolutiones Disputationum de Indugentiarum Virtute), publicado em agosto de 1518, dez meses depois das Teses. Nesse livro, de 127 p\u00e1ginas, eu explico cada uma das 95 teses, fundamentando-as teol\u00f3gica e juridicamente. Pela primeira vez na vida usei a palavra reforma no que diz respeito \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p><strong>Leia Mais:<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/lutero-nao-afixou-as-suas-95-teses\">Lutero n\u00e3o afixou as 95 teses<\/a><\/strong><br \/>\n<strong> <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/conversas-com-lutero\">Conversas com Lutero &#8211; hist\u00f3ria e pensamento<\/a><\/strong><\/p>\n<h4>Notas<\/h4>\n<h5>1. LUTERO, Martinho. Martinho Lutero; obras selecionadas. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, Porto Alegre: Conc\u00f3rdia, 1987. v. 1. p. 15-20.<br \/>\n2. Id. Ibid. p. 22-29. ; BETTENSON, Henry. Documentos da igreja crist\u00e3. S\u00e3o Paulo: Associa\u00e7\u00e3o de Semin\u00e1rios Teol\u00f3gicos Evang\u00e9licos, 1967. p. 231-238. ; HASSE, R.F. Frei Martinho \u2014 restaurador da verdade eterna. Porto Alegre: Conc\u00f3rdia, s \/d. p. 35-49.<br \/>\n3. BIDEG\u00c1IN, Ana Mar\u00eda. Hist\u00f3ria dos crist\u00e3os na Am\u00e9rica Latina. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1993. p. 83-85.<br \/>\n4. JOHNSON, Paul. Hist\u00f3ria do cristianismo. Rio de Janeiro: Imago, 2001. p. 264-266.<br \/>\n5. At\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo 20, acreditava-se piamente no ato ostensivo e heroico de Lutero ao afixar as Noventa e Cinco Teses \u00e0 porta da igreja de Wittenberg. Hoje o assunto \u00e9 pol\u00eamico, gra\u00e7as \u00e0s pesquisas de dois historiadores cat\u00f3licos alem\u00e3es, Erwin Iserloh e Klemus Honselmann. Eles n\u00e3o acharam nenhuma refer\u00eancia a esse fato na volumosa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Lutero. (Veja ISERLOH, E., MEYER, Harding. Lutero e luteranismo hoje. Petr\u00f3polis: Vozes, 1969. p. 17, 28-30. ; LIENHARD, Marc. Martin Lutero \u2014 tempo, vida e mensagem. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 1998. p 341-347. ; HENDRIX, H. Scott. Legends about Luther. Christian History, Minneapolis, MN, Estados Unidos, v. XI, n. 2, p. 15, 1992. p 47-49).<\/h5>\n<h6>\u2022 Trecho retirado do livro&nbsp;<span style=\"color: #0000ff;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/conversas-com-lutero\">Conversas com Lutero &#8211; hist\u00f3ria e pensamento<\/a><\/strong><\/span>, de Elben C\u00e9sar (Editora Ultimato).<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Livro da Semana &nbsp;|&nbsp; Conversas com Lutero &#8211; Hist\u00f3ria e Pensamento<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nLutero n\u00e3o afixou as suas 95 teses*<br \/>\n&gt; Uma entrevista com o Reformador<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRep\u00f3rter \u2013 O doutor come\u00e7ou a ganhar notoriedade na Alemanha por conta das famosas Noventa e Cinco Teses, escritas em latim. O que o senhor chama de tese?<br \/>\nLutero \u2013 A palavra tese \u00e9 originalmente [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5153],"tags":[],"class_list":["post-10085","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-prateleira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10085"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10085\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10093,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10085\/revisions\/10093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/blogdaultimato\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}