{"id":645,"date":"2010-11-26T09:48:01","date_gmt":"2010-11-26T12:48:01","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=645"},"modified":"2010-11-26T09:48:35","modified_gmt":"2010-11-26T12:48:35","slug":"gratidao-e-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2010\/11\/26\/gratidao-e-formacao\/","title":{"rendered":"Gratid\u00e3o e Forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/11\/Graca31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-653\" title=\"Graca3\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/11\/Graca31.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"300\" \/><\/a>Tenho observado os idosos \u00e0 minha volta, com a perspectiva do \u201ceu sou voc\u00ea amanh\u00e3\u201d. E percebo que j\u00e1 apresentamos, hoje, sinais do que seremos quando nos faltarem for\u00e7as para sermos <em>gente boa<\/em>, e sobrar apenas o que realmente somos.<\/p>\n<p>Ao fazer essa avalia\u00e7\u00e3o, vejo grande vantagem nos velhinhos sorridentes, alegres, bondosos, de f\u00e1cil trato, que gostam de gente, de crian\u00e7a, de parque, de viagens em cadeira de rodas, de empregados, de arrumadeiras, de fisioterapeutas, m\u00e9dicos, enfermeiras etc., enchem o peito com o ar da montanha dos bal\u00f5es de oxig\u00eanio e sentem carinho num banho de toalha. <em>Velhinhos gente boa<\/em>. Mesmo quando s\u00e3o maltratados e esquecidos, vivem melhor. E morrem melhor. Talvez porque tenham vivido melhor.<\/p>\n<p>O problema, a meu ver, \u00e9 como chegar a ser <em>gente boa<\/em>, de modo que, quando as for\u00e7as faltarem, sejamos naturalmente assim. Ser\u00e1 uma condi\u00e7\u00e3o que se adquira? Que se aprenda? Que se cultive? H\u00e1 alguma coisa que eu possa fazer, hoje, para ser um \u201cvelhinho gente boa\u201d amanh\u00e3?<\/p>\n<p>Pensando sobre isso, imaginei que o <strong>Dia Nacional de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as<\/strong>, celebrado ontem, 25 de novembro, seja uma resposta poss\u00edvel. Positiva, gra\u00e7as!<\/p>\n<p>\u00c9 que <em>gratid\u00e3o<\/em> traz alegria, e a alegria traz felicidade; o cora\u00e7\u00e3o alegre e feliz atrai companhia; o ingrato afasta; o cora\u00e7\u00e3o grato nos faz confort\u00e1veis no mundo; o ingrato nos faz v\u00edtimas dele; o cora\u00e7\u00e3o grato constr\u00f3i para si e para os outros; o ingrato \u00e9 sabotador de si mesmo.<\/p>\n<p>Passando de \u201cachologia\u201d para teologia, percebo que n\u00e3o existe gratid\u00e3o sem alguma gra\u00e7a. Gra\u00e7a, aqui, \u00e9 a d\u00e1diva imerecida; o presente. Gratid\u00e3o \u00e9 o resultado misterioso, em nosso cora\u00e7\u00e3o, do reconhecimento de que recebemos algo a que n\u00e3o t\u00ednhamos direito. Tipo, se voc\u00ea pagou, n\u00e3o precisa agradecer. Veja como o apostolo Paulo toca no assunto, ao dizer que Abra\u00e3o foi justificado pela f\u00e9: <em>Ora ao que trabalha, o sal\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 considerado como favor, e, sim, como d\u00edvida <\/em>(Rm 4:4). E a raz\u00e3o que apresenta para o cultivo de um cora\u00e7\u00e3o grato:<em> E que tens tu que n\u00e3o tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o n\u00e3o tiveras recebido?<\/em> (1 Co 4:7).<\/p>\n<p>De volta aos velhinhos, penso no poder formador da gratid\u00e3o. Talvez seja por isso que Paulo insista conosco, em dire\u00e7\u00e3o a Deus:<em> Em tudo, dai gra\u00e7as, porque esta \u00e9 a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco <\/em>(1 Ts 5:18). J\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas ele recomenda: <em>seja a paz de Cristo o \u00e1rbitro em vosso cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 qual, tamb\u00e9m, fostes chamados em um s\u00f3 corpo; e sede agradecidos<\/em> (Cl 3:15). Que verso interessante! O ap\u00f3stolo insere a gratid\u00e3o como \u201cingrediente\u201d de um conv\u00edvio pac\u00edfico e harm\u00f4nico no corpo de Cristo.<\/p>\n<p>E como podemos cultivar, hoje, esse cora\u00e7\u00e3o grato, de modo a que sejamos gente boa quando as for\u00e7as nos faltarem e s\u00f3 restar o que realmente somos? Deixando que a gratid\u00e3o <strong>conforme<\/strong> nossa personalidade. Talvez, num primeiro momento, buscando perceber a gra\u00e7a que existe nas coisas que nos acontecem. Ao reconhecer que coisas boas n\u00e3o vieram de n\u00f3s mesmos; ao perceber que muito pouco do que temos foi de alguma forma comprado ou pago; ao distinguirmos presentes nas alegrias e tamb\u00e9m nas limita\u00e7\u00f5es e tristezas, come\u00e7aremos a percorrer o <strong>caminho da gratid\u00e3o<\/strong>; come\u00e7aremos a desenvolver em n\u00f3s uma crescente sensibilidade para \u201co que nos \u00e9 dado\u201d, gratuitamente. O resultado \u00e9 que come\u00e7amos a agradecer. Desenvolvemos uma atitude agradecida.<\/p>\n<p>Mas talvez ainda n\u00e3o seja gratid\u00e3o. Acho que h\u00e1 o passo seguinte; o fen\u00f4meno misterioso, que simplesmente acontece em nosso cora\u00e7\u00e3o: <strong>sentimo-nos<\/strong> alegremente <strong>gratos<\/strong>.<\/p>\n<p>Claro, poder\u00edamos nos sentir incomodados; revoltados por depender tanto dos outros ou de Deus para ter nossas necessidades satisfeitas. Sim, alguns prefeririam poder adquirir tudo o que precisam, de modo a n\u00e3o dever nada a ningu\u00e9m. Muito menos a Deus. Certamente, alguns at\u00e9 tentam. (e tendo o conhecimento dele, n\u00e3o o reconhecem como Deus, nem lhe d\u00e3o gra\u00e7as. Achando-se muito espertos, tornam-se loucos\u201d \u2014 minha par\u00e1frase de Rm 1:21,22).  E, ao tentar, conscientemente ou n\u00e3o, permitem que atue em seus cora\u00e7\u00f5es o <em>poder formador da ingratid\u00e3o<\/em>. Ser\u00e3o velhinhos rabugentos. Morrer\u00e3o sozinhos e pedindo para n\u00e3o serem incomodados. Achando que o mundo lhes deve muito, porque foram injusti\u00e7ados pela vida.<\/p>\n<p>Termino tentando propor a \u00f3tica do ditado popular, que sugere \u201cfazer de um lim\u00e3o uma limonada\u201d. Ou seja, buscar dentro de si uma atitude, uma for\u00e7a capaz de transformar o azedo do lim\u00e3o, em algo doce e gostoso. O ditado n\u00e3o nos ensina como fazer isso. Tamb\u00e9m o popular n\u00e3o nos diz o \u201ccomo\u201d do ditado: \u201cpara bom entendedor, meia palavra basta\u201d, ou sua vers\u00e3o mais divertida: \u201cpara bom entendedor til \u00e9 acento\u201d. Ent\u00e3o, se n\u00e3o \u00e9 preciso explicar a bons entendedores como fazer limonadas, aqui v\u00e3o algumas frases minhas, para definir um cora\u00e7\u00e3o grato. Sem muitas explica\u00e7\u00f5es. Quero chegar a ser velhinho, com um cora\u00e7\u00e3o parecido. \u00c9 por isso que estou pensando nisso hoje.<\/p>\n<p><strong>Para um cora\u00e7\u00e3o grato<\/strong>,<\/p>\n<ul>\n<li>refei\u00e7\u00e3o \u00e9 banquete;<\/li>\n<li>barraco com teto de zinco \u00e9 um lar;<\/li>\n<li>bicicleta \u00e9 condu\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>sorriso recebido \u00e9 dia de sol;<\/li>\n<li>bolinho de chocolate \u00e9 p\u00e9tit-g\u00e2teau;<\/li>\n<li>cobertor \u201cparahiba\u201d \u00e9 edredon;<\/li>\n<li>aten\u00e7\u00e3o \u00e9 carinho;<\/li>\n<li>seu presente \u00e9 voc\u00ea, caprichosamente embalado;<\/li>\n<li>lembrancinha \u00e9 considera\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>barraco limpo \u00e9 aconchegante;<\/li>\n<li>fogueira debaixo da ponte \u00e9 lareira acesa;<\/li>\n<li>desconto \u00e9 presente;<\/li>\n<li>manh\u00e3 de chuva \u00e9 dia lindo;<\/li>\n<li>manh\u00e3 de sol \u00e9 nova vida;<\/li>\n<li>cr\u00edtica \u00e9 aula.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho observado os idosos \u00e0 minha volta, com a perspectiva do \u201ceu sou voc\u00ea amanh\u00e3\u201d. E percebo que j\u00e1 apresentamos, hoje, sinais do que seremos quando nos faltarem for\u00e7as para sermos gente boa, e sobrar apenas o que realmente somos.<br \/>\nAo fazer essa avalia\u00e7\u00e3o, vejo grande vantagem nos velhinhos sorridentes, alegres, bondosos, de f\u00e1cil trato, que [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[116],"tags":[],"class_list":["post-645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=645"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":661,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645\/revisions\/661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}