{"id":427,"date":"2010-09-19T20:51:25","date_gmt":"2010-09-19T23:51:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=427"},"modified":"2010-10-07T10:44:23","modified_gmt":"2010-10-07T13:44:23","slug":"vencer-na-vida-%e2%80%94-conclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2010\/09\/19\/vencer-na-vida-%e2%80%94-conclusao\/","title":{"rendered":"Vencer na vida \u2014 conclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"file:\/\/\/C:\/DOCUME%7E1\/Usuario\/CONFIG%7E1\/Temp\/moz-screenshot.png\" alt=\"\" \/><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/09\/Vencedor.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-428\" title=\"Vencedor\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/09\/Vencedor.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/09\/Vencedor.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/09\/Vencedor-112x150.jpg 112w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>No texto anterior, eu dizia que, pelos padr\u00f5es vigentes em nossa sociedade ocidental (sempre sonhei usar essa frase), sou um vencedor. E que a aposentadoria n\u00e3o \u00e9 o topo da escada, mas uma etapa bem alta. E que a subida continua. S\u00f3 que, agora, com novos recursos, adquiridos ao longo da escalada.<\/p>\n<p>Bem, suponho que, depois de tanta subida, eu j\u00e1 esteja em condi\u00e7\u00f5es de olhar para baixo e, com as li\u00e7\u00f5es que a escada trouxe, olhar para cima com alguma vantagem sobre os novos alpinistas da vida.<\/p>\n<p>Mas voltando ao doce sabor da vit\u00f3ria, pergunto novamente: em que sentido eu venci na vida? O Google fornece milh\u00f5es de respostas. Mas nem quero olhar; quero dar a minha, sem nenhuma pesquisa. Tipo, texto absolutamente original (aquele em que voc\u00ea consegue esconder suas fontes). De repente, googlinho vai me convencer que essa vit\u00f3ria est\u00e1 ligada a autom\u00f3veis, motos, lanchas, apartamentos, j\u00f3ias, viagens, fama, prest\u00edgio, botox etc.<\/p>\n<p>Se eu estivesse come\u00e7ando a subir agora, pararia por a\u00ed. Mas como estou bem no alto, complico as coisas com mais perguntas. Talvez, ao chegar l\u00e1 em cima, descubra que perguntas demais s\u00e3o coisa de iniciante; que a vida, afinal, \u00e9 simples para quem sabe.<\/p>\n<p>Mas, de volta \u00e0 complica\u00e7\u00e3o: e felicidade, o que \u00e9? Algu\u00e9m responder\u00e1: felicidade \u00e9 ter amigos. Concordo. Outro dir\u00e1: felicidade \u00e9 um copo de \u00e1gua fresca no deserto. J\u00e1 acho um pouco afetado.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil, n\u00e3o? Talvez devamos falar por par\u00e1bolas, para simplificar as coisas. Conto, a seguir, duas; uma nova e outra antiga. Mas t\u00eam muito a ver uma com a outra. Acho que nos ajudar\u00e3o a pensar.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 atribu\u00edda a Max Gehringer, que teria escrito na Revista Exame. N\u00e3o sei. Mas gostei. Vamos l\u00e1.<\/p>\n<p>A EXECUTIVA BEM-SUCEDIDA<\/p>\n<p>Foi tudo muito r\u00e1pido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou.<\/p>\n<p>Deu um gemido e apagou.<\/p>\n<p>Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso portal.<\/p>\n<p>Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma mir\u00edade de pessoas. Todas vestindo c\u00e2ndidos camisol\u00f5es e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes.<\/p>\n<p>\u2014 Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escrit\u00f3rio, porque tenho um <em>meeting<\/em> important\u00edssimo. Ali\u00e1s, acho que fui trazida para c\u00e1 por engano, porque meu conv\u00eanio m\u00e9dico \u00e9 classe A, e isto aqui est\u00e1 me parecendo mais um pronto-socorro. Onde \u00e9 que n\u00f3s estamos?<\/p>\n<p>\u2014 No c\u00e9u.<\/p>\n<p>\u2014 No c\u00e9u?&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9.<\/p>\n<p>\u2014 Tipo assim&#8230; o c\u00e9u, C\u00c9U&#8230;? Aquele com querubins voando e coisas do g\u00eanero?<\/p>\n<p>\u2014 Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.<\/p>\n<p>Apesar das \u00f3bvias evid\u00eancias (nenhuma polui\u00e7\u00e3o, todo mundo sorrindo, ningu\u00e9m usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.<\/p>\n<p>Tentou ent\u00e3o o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infal\u00edveis t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de negocia\u00e7\u00e3o, de que aquela situa\u00e7\u00e3o era inaceit\u00e1vel. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o b\u00f4nus anual, al\u00e9m de estar fortemente cotada para assumir a posi\u00e7\u00e3o de presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>E foi a\u00ed que o interlocutor sugeriu:<\/p>\n<p>\u2014 Talvez seja melhor voc\u00ea conversar com Pedro, o s\u00edndico.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9? E como \u00e9 que eu marco uma audi\u00eancia? Ele tem secret\u00e1ria?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o. Basta estalar os dedos e ele aparece.<\/p>\n<p>\u2014 Assim? (pl\u00e9c&#8230;)<\/p>\n<p>\u2014 Pois n\u00e3o?<\/p>\n<p>A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. \u00c0 sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o pr\u00f3prio Pedro.<\/p>\n<p>Mas a executiva havia feito um curso intensivo de <em>approach<\/em> para situa\u00e7\u00f5es inesperadas e reagiu rapidinho:<\/p>\n<p>\u2014 Bom dia. Muito prazer. Belas sand\u00e1lias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 Executiva&#8230; Que palavra estranha. De que s\u00e9culo voc\u00ea veio?<\/p>\n<p>\u2014 Do 21. O distinto vai me dizer que n\u00e3o conhece o termo &#8216;executiva&#8217;?<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 ouvi falar. Mas n\u00e3o \u00e9 do meu tempo.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que a executiva bem-sucedida teve um <em>insight<\/em>. A m\u00e1xima autoridade ali no para\u00edso aparentava ser um zero \u00e0 esquerda em modernas t\u00e9cnicas de gest\u00e3o empresarial. Logo, com seu brilhante curr\u00edculo tecnocr\u00e1tico, a executiva poderia rapidamente assumir uma posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, por assim dizer, celestial ali na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Sabe, meu caro Pedro, se voc\u00ea me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo a\u00ed, s\u00f3 batendo papo e andando \u00e0 toa, para perceber que aqui no Para\u00edso h\u00e1 enormes oportunidades para dar um <em>upgrade<\/em> na produtividade sist\u00eamica.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 mesmo?<\/p>\n<p>\u2014 Pode acreditar, porque tenho PHD em  reengenharia. Por exemplo, n\u00e3o vejo ningu\u00e9m usando crach\u00e1. Como \u00e9 que a gente sabe quem \u00e9 quem aqui, e quem faz o qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 Ah, n\u00e3o sabemos.<\/p>\n<p>\u2014 Entendeu o meu ponto? Sem controle, h\u00e1 dispers\u00e3o. E dispers\u00e3o gera desmotiva\u00e7\u00e3o. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas n\u00f3s dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de <em>targets<\/em> individuais e avalia\u00e7\u00e3o de performance.<\/p>\n<p>\u2014 Que interessante&#8230;<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 claro que, antes de tudo, precisar\u00edamos de uma hierarquiza\u00e7\u00e3o e um organograma funcional, nada que din\u00e2micas de grupo e avalia\u00e7\u00f5es de perfis psicol\u00f3gicos n\u00e3o consigam resolver.<\/p>\n<p>\u2014 !!!&#8230;???&#8230;!!!&#8230;???&#8230;!!!<\/p>\n<p>\u2014 A\u00ed, contratar\u00edamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estrat\u00e9gias operacionais e estabelecer\u00edamos algumas metas fact\u00edveis de <em>leverage<\/em>, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista&#8230; Ele existe, certo?<\/p>\n<p>\u2014 Sobre todas as coisas.<\/p>\n<p>\u2014 \u00d3timo. O passo seguinte seria partir para um <em>downsizing<\/em> progressivo, encontrar sinergias <em>high-tech<\/em>, redigir manuais de procedimento, definir o <em>marketing mix<\/em> e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telest\u00e9rico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.<\/p>\n<p>\u2014 Incr\u00edvel!<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 \u00f3bvio que, para conseguir tudo isso, n\u00f3s dois teremos que nomear um <em>board<\/em> de alt\u00edssimo n\u00edvel. Com um pacote de remunera\u00e7\u00e3o atraente, \u00e9 claro. Coisa assim de sal\u00e1rio de seis d\u00edgitos e todos os <em>fringe benefits<\/em> e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que voc\u00ea vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um <em>turnaround<\/em> radical.<\/p>\n<p>\u2014 Impressionante!<\/p>\n<p>\u2014 Isso significa que podemos partir para a implementa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o. Significa que voc\u00ea ter\u00e1 um futuro brilhante&#8230; se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque voc\u00ea acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno&#8230;<\/p>\n<p>Essa executiva bem-sucedida teve sua alma requisitada &#8220;intempestiva-mente&#8221;. O que nos leva \u00e0 outra par\u00e1bola; esta de Jesus.<\/p>\n<p>Ele contou que certo homem teve uma safra excepcional. Inesperada. T\u00e3o grande que n\u00e3o tinha como guardar tudo. Estava feito na vida. Com aquela sorte incr\u00edvel em forma de gr\u00e3os, ele havia, subitamente&#8230; vencido. Planejou derrubar seus silos e construir outros, amplos o suficiente para guardar todos os seus bens. E ent\u00e3o disse para sua alma: alma, pode sossegar e se fartar, porque a felicidade bateu \u00e0 nossa porta.<\/p>\n<p>E Jesus encerra a par\u00e1bola, dizendo \u00e0quele agricultor: &#8220;louco, esta noite lhe pedir\u00e3o a sua alma; e o que voc\u00ea tem juntado, para quem ser\u00e1?&#8221; Voc\u00ea construiu sua fortuna \u00e0 m\u00edngua de relacionamentos, de amizades, de f\u00e9rias, de vida afetiva, de filhos, de pais, de Deus. E agora, n\u00e3o tem como ret\u00ea-la nem algu\u00e9m para quem deixar. Voc\u00ea acha que \u00e9 feliz mas nem sabe o que \u00e9 isso.<\/p>\n<p>Sabe por que Jesus contou essa par\u00e1bola? Porque um homem o interpelou no meio da rua e lhe pediu para dizer ao seu irm\u00e3o para repartir com ele a heran\u00e7a. Percebendo a briga feia, ponderou que felicidade, no caso, era eles conseguirem viver em harmonia, sem permitir que aquela heran\u00e7a (ou a avareza) os transformasse em inimigos e que os separasse.<\/p>\n<p>Hoje, com pensamentos desse tipo em mente, <em>elejo<\/em> o referencial que essas par\u00e1bolas estabelecem para avaliar minhas vit\u00f3rias (e derrotas). E tamb\u00e9m para planejar a pr\u00f3xima etapa. Quero buscar a\u00ed meus referenciais de sucesso.<\/p>\n<p>N\u00e3o chego a pensar em voto de pobreza; n\u00e3o estou me ligando a ascetismos mon\u00e1sticos e coisas assim. N\u00e3o critico essas op\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o foi essa a minha vida, e n\u00e3o penso em mudar agora. Apenas quero me ater \u00e0 minha modesta realidade de servidor p\u00fablico, classe m\u00e9dia, com tudo o que ela inclui e deixa exclui.<\/p>\n<p>De todo modo, se essas par\u00e1bolas ser\u00e3o meu referencial de sucesso, preciso me perguntar em que medida sou &#8220;enquadrado&#8221; por aquilo que elas condenam. At\u00e9 para saber se, do ponto de vista desse referencial, sou, de fato, um vencedor. E o ponto comum entre elas est\u00e1 na prioriza\u00e7\u00e3o do <em>ter<\/em> sobre o <em>ser<\/em>; do investimento em relacionamentos sobre o ac\u00famulo bens; bens que podem assumir tamb\u00e9m a forma de fama, prest\u00edgio, poder, carreira e coisas assim.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia de realiza\u00e7\u00e3o pessoal, pelos padr\u00f5es vigentes em nossa sociedade n\u00e3o se atrita com isolamento, com egocentrismo, com id\u00e9ias mal-compreendidas de auto-estima, que acabam se confundindo com auto-indulg\u00eancia e egolatria. Por exemplo, o homem moderno j\u00e1 n\u00e3o precisa, e nem espera, que algu\u00e9m o surpreenda com um presente. Ele mesmo se presenteia. E justifica: se eu n\u00e3o me amar, quem vai me amar? Se eu n\u00e3o me presentear, como vou esperar que algu\u00e9m o fa\u00e7a? Na sequ\u00eancia, a executiva bem-sucedida adota a seguinte postura (consciente ou inconscientemente): n\u00e3o preciso que ningu\u00e9m me d\u00ea nada; n\u00e3o preciso de favores, n\u00e3o quero miseric\u00f3rdia, n\u00e3o aceito perd\u00e3o. Quando eu quero, eu vou e compro; eu vou e conquisto. E se acontecer de ela se encontrar carente de amor, ela compra sexo.<\/p>\n<p>Acho que a &#8220;vit\u00f3ria&#8221; n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed, mas reside numa complexa engenharia pela qual voc\u00ea <em>harmoniza<\/em> as exig\u00eancias profissionais, da carreira; as necessidades de possuir bens; as necessidades de lazer etc. com as necessidades daqueles com quem voc\u00ea se encontra nessa caminhada. O modo como &#8220;os bens&#8221; interferem em seus relacionamentos torna-se, assim, fundamental. Voc\u00ea n\u00e3o as deixa se transformarem em elementos de separa\u00e7\u00e3o, mas, ao contr\u00e1rio, as transforma em instrumentos de aproxima\u00e7\u00e3o e afeto. Voc\u00ea age sob a convic\u00e7\u00e3o de que os bens n\u00e3o s\u00e3o o objetivo da vida; s\u00e3o componentes dela; s\u00e3o ferramentas dela.<\/p>\n<p>Mas falar \u00e9 f\u00e1cil. A chance de saber se esse valor \u00e9 realmente importante surge quando voc\u00ea \u00e9 apresentado \u00e0s necessidades dos outros; e entende que precisa se doar: abrir m\u00e3o de confortos e interesses pessoais por causa de necessidades &#8220;maiores&#8221;. Por exemplo, quando voc\u00ea deixa de fazer hora-extra para estar com a fam\u00edlia ou com amigos. Ou quando voc\u00ea presta servi\u00e7os volunt\u00e1rios \u00e0 sua comunidade quando poderia estar ganhando dinheiro ou investindo em sua carreira. Ou quando voc\u00ea se disp\u00f5e a doar tempo, talentos, servi\u00e7os, presen\u00e7a, afeto ou \u2014 por que n\u00e3o? \u2014 dinheiro. Ou quando voc\u00ea abre m\u00e3o de uma promo\u00e7\u00e3o que envolveria viagens al\u00e9m do aceit\u00e1vel (o mundo dos neg\u00f3cios, muitas vezes, exige essa dedica\u00e7\u00e3o) para n\u00e3o perder a inf\u00e2ncia dos seus filhos. Apenas exemplos.<\/p>\n<p>Concluindo. Outro dia, no meio de uma conversa, uma pessoa deixou escapar que t\u00ednhamos sido muito importantes na vida dela e de sua fam\u00edlia. &#8220;Nunca iremos esquecer de voc\u00eas&#8221;, disse ela, referindo-se \u00e0 minha fam\u00edlia como um todo.<\/p>\n<p>A ficha custou a cair. Levei dias para me lembrar da conversa e perceber o valor daquelas frases escondidas numa prosa animada.<\/p>\n<p>Foi quando eu me percebi aqui, onde estou agora, conversando com voc\u00ea que me l\u00ea: parado, num ponto alto da escada, olhando para baixo e para cima, a ponderar as amea\u00e7as e oportunidades da aposentadoria. E pensei: quantas vezes, durante a subida, eu ouvi uma declara\u00e7\u00e3o como essa? E a resposta, honesta, \u00e9 que n\u00e3o sei avaliar bem se foram poucas ou muitas. Imagino que sejam pouqu\u00edssimas, se comparado com a gratid\u00e3o devotada \u00e0 Madre Tereza de Calcut\u00e1. Mas essas compara\u00e7\u00f5es n\u00e3o importam muito. O \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 que importa \u00e9 que talvez, pelos crit\u00e9rios escolhidos, elas sejam tudo o que eu amealhei de real valor; talvez elas sejam meu grande tesouro.<\/p>\n<p>Muita calma, nessa hora! Respira fundo! Voc\u00ea ainda n\u00e3o apitou na curva. De repente, d\u00e1 tempo de olhar para cima e ajustar a trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p>Se por algum motivo a luta pela vida, a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, a carreira profissional, a busca de seguran\u00e7a (leia poupan\u00e7a) e outras &#8220;necessidades concretas&#8221; me &#8220;roubaram&#8221; oportunidades de ouvir mais dessas declara\u00e7\u00f5es, agora, tendo &#8220;vencido na vida&#8221;, as perspectivas s\u00e3o at\u00e9 mais favor\u00e1veis. Quem sabe n\u00e3o consigo mais alguns trof\u00e9us desse tipo? Hummm, preciso planejar o futuro. Acho que est\u00e1 nascendo um projeto de aposentadoria&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No texto anterior, eu dizia que, pelos padr\u00f5es vigentes em nossa sociedade ocidental (sempre sonhei usar essa frase), sou um vencedor. E que a aposentadoria n\u00e3o \u00e9 o topo da escada, mas uma etapa bem alta. E que a subida continua. S\u00f3 que, agora, com novos recursos, adquiridos ao longo da escalada.<br \/>\nBem, suponho que, depois [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":428,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[116],"tags":[],"class_list":["post-427","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":512,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427\/revisions\/512"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/media\/428"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}