{"id":230,"date":"2010-06-19T15:13:51","date_gmt":"2010-06-19T15:13:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=230"},"modified":"2010-08-26T15:17:06","modified_gmt":"2010-08-26T15:17:06","slug":"sermao-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2010\/06\/19\/sermao-emocional\/","title":{"rendered":"Serm\u00e3o Emocional"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/SermEmoc.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-231\" title=\"SermEmoc\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/SermEmoc.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/SermEmoc.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/SermEmoc-112x150.jpg 112w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>Tenho  recebido muita propaganda de cursos de orat\u00f3ria, prometendo ajuda para  falar em p\u00fablico com efici\u00eancia. Uma delas me pareceu curiosa.  Propunha-se a ensinar orat\u00f3ria emocional.  Procurei mais informa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o havia; era preciso ir \u00e0 secretaria do  curso, no endere\u00e7o indicado, para saber mais. Desanimei e deixei de  lado. Mas lembro-me de ter pensado: h\u00e1 momentos em que minha orat\u00f3ria \u00e9  emocional, pois falo emocionado. Mas procuro evitar pelo receio de  ultrapassar a fronteira da irracionalidade. Tenho medo de parecer  manipulador. Um velho mestre de Homil\u00e9tica (a arte da prega\u00e7\u00e3o)  brincava, sugerindo a seguinte anota\u00e7\u00e3o em um esbo\u00e7o de serm\u00e3o: &#8220;neste  ponto, levantar a voz e dar um murro na mesa, porque o argumento \u00e9  fraco&#8221;.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o objetivo dessa orat\u00f3ria anunciada \u00e9 apenas emocionar? Parece que sim, em grande medida.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que esse componente \u00e9 essencial na m\u00fasica e nas artes, pois estes s\u00e3o, por natureza, meios de express\u00e3o emocional.  Mas vejo que, hoje em dia, esse componente come\u00e7a a contaminar todas as  formas de discurso. Em tempos p\u00f3s-modernos, mais que convencer,  pretende-se emocionar. E esse elemento (agora de convencimento)  transforma-se no crit\u00e9rio de sucesso para oradores e audit\u00f3rios,  comunicadores e p\u00fablico, vendedores e compradores, acusadores e  defensores. Se emocionar, vence, vende, convence.<\/p>\n<p>Nesse momento, revejo meus  pudores e penso que o fator emocional precisa estar presente em um bom  serm\u00e3o. Nem tanto em uma aula, mas em um serm\u00e3o n\u00e3o deve faltar. Talvez  por isso haja quem se refira \u00e0 arte da orat\u00f3ria, \u00e0 arte de pregar  serm\u00f5es. Porque arte \u00e9 quase sin\u00f4nimo de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De fato, a Homil\u00e9tica  ensina que o objetivo principal do serm\u00e3o \u00e9 despertar aten\u00e7\u00e3o para um  tema e provocar uma resposta do ouvinte \u2014 de prefer\u00eancia, a resposta  esperada. Essa modalidade de orat\u00f3ria teria fun\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 de um  cartaz, em que um t\u00edtulo em letras grandes diz o principal. Se o leitor  parar e se aproximar, ler\u00e1 informa\u00e7\u00f5es complementares, em letras  menores. Assim seria o serm\u00e3o, stricto sensu.<\/p>\n<p>Claro, a cada dia surgem  novas formas e defini\u00e7\u00f5es. O serm\u00e3o expositivo, por exemplo, \u00e9 de grande  valia na edifica\u00e7\u00e3o da igreja, pois trabalha diretamente sobre o texto  b\u00edblico. Pode conter uma orat\u00f3ria emocional ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Penso que embora haja  muitas formas de ensinar as escrituras na igreja, cumprindo fun\u00e7\u00f5es  diferentes e complementares, n\u00e3o deve haver melhor momento para um  discurso emocional do que um serm\u00e3o. Nesse caso, &#8220;serm\u00e3o emocional&#8221;  seria quase um pleonasmo.<\/p>\n<p>Consideremos que temos uma  carta de amor aberta diante da igreja; uma carta pessoal e \u00edntima,  deixada por um Pai aos seus filhos. L\u00ea-la e consider\u00e1-la friamente pode  ser uma op\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, ou mesmo uma necessidade t\u00e9cnica, mas nada nos  deve fazer esquecer que ela foi escrita afetuosamente. Se nos imbuirmos  da condi\u00e7\u00e3o de destinat\u00e1rios e filhos, seu conte\u00fado nos provocar\u00e1  alegria, exulta\u00e7\u00e3o, choro, riso, arrependimento, esperan\u00e7a, canto e at\u00e9  dan\u00e7a. Sim, a B\u00edblia \u00e9 uma carta apaixonada. Retiremos dela a paix\u00e3o e  restar\u00e1 algo como o manual de instru\u00e7\u00f5es de um eletrodom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Se a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo  aconteceu &#8220;porque Deus amou o mundo de tal maneira&#8221; que nos enviou seu  Filho, ent\u00e3o tudo o que ali se expressa est\u00e1 contaminado por esse  incompreens\u00edvel amor. E n\u00e3o consigo imaginar esse discurso destitu\u00eddo de  forte emo\u00e7\u00e3o. Assim tamb\u00e9m os discursos que se edificarem sobre essa  base.<\/p>\n<p>Mais que emocionante,  portanto, um serm\u00e3o precisa ser uma pe\u00e7a afetiva, seja para aprovar seja  para condenar. Mas, em termos de objetivo final, sempre uma pe\u00e7a de  proximidade, de compaix\u00e3o; uma pe\u00e7a apaixonada. E aqui, olho para minhas  pr\u00f3prias defici\u00eancias e me conforto em pensar que h\u00e1 muitas formas de  expressar essa paix\u00e3o. Formas essas que variar\u00e3o conforme a  personalidade e as compet\u00eancias do orador. Mas n\u00e3o tenho d\u00favidas de que a  mensagem que venha do cora\u00e7\u00e3o chegar\u00e1 com mais facilidade a outro  cora\u00e7\u00e3o. As informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas t\u00eam seu lugar, claro; mas esse lugar \u00e9 o  c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Neste momento, ocorre-me o  contraste de um orador magoado com Deus: Jonas. E fico intrigado,  imaginando como teria sido sua orat\u00f3ria aos ninivitas. \u00c9 claro, n\u00e3o  sabemos se o profeta j\u00e1 estava irado com Deus, ao tentar fugir para  T\u00e1rsis, ou se seus melindres surgiram porque o fogo do c\u00e9u n\u00e3o desceu  como ele anunciara. Por isso, uso seu exemplo apenas para trazer a  imagem de um profeta magoado com Deus. O que algu\u00e9m, nessas condi\u00e7\u00f5es,  dir\u00e1 ao seu audit\u00f3rio? Como ser\u00e1 sua orat\u00f3ria, em termos de proximidade  emocional? Como ser\u00e1 esse falar de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o? Sabemos que Jonas  tinha um discurso correto at\u00e9 mesmo quando contendia com Deus:<\/p>\n<p>Ah! Senhor! N\u00e3o foi isso o  que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me adiantei,  fugindo para T\u00e1rsis, pois sabia que \u00e9s Deus clemente, e misericordioso, e  tardio em irar-se, e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.  Pe\u00e7o-te, pois, \u00f3 Senhor, tira-me a vida, porque melhor me \u00e9 morrer do  que viver. (Jn 4:2,3)<\/p>\n<p>Sim, Jonas est\u00e1 pedindo a  morte, em gesto de triste autocomisera\u00e7\u00e3o. Interpreto essa situa\u00e7\u00e3o da  seguinte forma: Jonas foi capaz de proferir, eficazmente, um discurso de  condena\u00e7\u00e3o; ele era capaz de amea\u00e7ar e de vociferar o fogo do c\u00e9u  porque esse tipo de palavra e sua correspondente orat\u00f3ria eram  compat\u00edveis com seu estado emocional. Mas n\u00e3o estava ao seu alcance  proferir uma palavra de esperan\u00e7a, de perd\u00e3o, de conforto ou de amor.  Ent\u00e3o, Deus usa esse seu estado de alma \u2014 de quem \u00e9 capaz de louvar, mas  n\u00e3o de adorar \u2014 para salvar N\u00ednive. Aleluia! E depois, vai atr\u00e1s do seu  profeta. Mas isto j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Tenho pena de Jonas. E de  todos os pregadores que, eventualmente, encontrem-se em condi\u00e7\u00e3o  parecida. Por raz\u00f5es que variam do simples cansa\u00e7o \u00e0 &#8220;decep\u00e7\u00e3o com  Deus&#8221;, esse estado de alma entre pastores e mestres da palavra \u00e9 mais  comum do que se sup\u00f5e. Dur\u00edssima coisa \u00e9 subir ao p\u00falpito para enaltecer  aquele com quem se est\u00e1 zangado. Esse discurso ter\u00e1 a beleza e o  perfume do cravo-de-defunto. As palavras ter\u00e3o o brilho de um  dispositivo legal. E ser\u00e3o t\u00e3o confortantes quanto um verbete de  dicion\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9  confortante pensar que Deus usa at\u00e9 cora\u00e7\u00f5es fragilizados para levar a  bom termo seus prop\u00f3sitos. Acho que ele honra a obedi\u00eancia.  Curiosamente, se preciso, ele trabalhar\u00e1 essa \u00e1rea tamb\u00e9m (Jn 4:4), com a  eventual ajuda de um grande peixe. Mas o serm\u00e3o emocional requer que o  orador v\u00e1 al\u00e9m do ensino correto. Sua orat\u00f3ria se torna eficiente quando  estabelece uma ponte de racionalidade, para que a mensagem seja  compreendida, e de afeto, para que essa mesma palavra chegue ao cora\u00e7\u00e3o.  Porque um mesmo cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue produzir \u00e1guas doces e amargas. Em  tempos de estiagem afetiva, nossas bocas, se obedientes, falar\u00e3o do que  deve ser dito. Mas em tempos de paix\u00e3o proclamar\u00e3o, em prosa e verso,  que o Senhor \u00e9 bom.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tenho  recebido muita propaganda de cursos de orat\u00f3ria, prometendo ajuda para  falar em p\u00fablico com efici\u00eancia. Uma delas me pareceu curiosa.  Propunha-se a ensinar orat\u00f3ria emocional.  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