{"id":214,"date":"2010-06-19T15:03:47","date_gmt":"2010-06-19T15:03:47","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=214"},"modified":"2010-08-26T15:04:59","modified_gmt":"2010-08-26T15:04:59","slug":"gente-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2010\/06\/19\/gente-da-palavra\/","title":{"rendered":"Gente da Palavra"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/LivRicardo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-215\" title=\"LivRicardo\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/LivRicardo.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/LivRicardo.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/LivRicardo-112x150.jpg 112w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>No  princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.  Ele estava no princ\u00edpio com Deus. Todas as coisas foram feitas por  interm\u00e9dio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava  nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as  trevas n\u00e3o prevaleceram contra ela \u2014 Jo\u00e3o 1:1-5<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os se orgulham de ser gente de palavra: gente que diz a verdade; gente que n\u00e3o gosta de mentir nem da mentira.<\/p>\n<p>Mais que uma imagem, mais  que uma marca do Cristianismo, esse \u00e9 um valor crist\u00e3o. E, de fato, ele  prov\u00e9m tanto de recomenda\u00e7\u00f5es b\u00edblicas, sobre um sim que seja sim e um  n\u00e3o que seja n\u00e3o, sem subterf\u00fagios, quanto do elogio b\u00edblico \u00e0quele que  jura com dano pr\u00f3prio e n\u00e3o se retrata. O dever de dizer a verdade e a  condena\u00e7\u00e3o da mentira s\u00e3o temas b\u00edblicos.<\/p>\n<p>Essa tradi\u00e7\u00e3o de ser gente  de palavra pode vir, tamb\u00e9m, do simples fato de prezarmos a Palavra de  Deus, que se prop\u00f5e como \u201ca verdade\u201d. Ser\u00edamos, ent\u00e3o, gente da Palavra.<\/p>\n<p>Vale considerar,  entretanto, uma outra origem para essa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3: a pr\u00f3pria  identidade de Jesus. Ele era a palavra. Mais precisamente, o Verbo de  Deus. Uma palavra din\u00e2mica, com poder de criar, iluminar, corrigir,  trazer vida, reordenar o caos. Ela estava presente na cria\u00e7\u00e3o e fez-se  necess\u00e1ria novamente, quando essa cria\u00e7\u00e3o se corrompeu, pela  desobedi\u00eancia. Foi quando ela habitou entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Se cremos que somos  crist\u00e3os por sermos seguidores de Cristo, tendo recebido dele mesmo  nossa identidade mission\u00e1ria: \u201cassim como o pai me enviou eu vos envio a  v\u00f3s\u201d, ent\u00e3o devemos fazer o que ele fez e derivar nossa miss\u00e3o da dele.  O que dizer, ent\u00e3o, dessa sua natureza de \u201cVerbo de Deus\u201d? Talvez,  aqui, dev\u00eassemos tomar cuidado, pois ser o Haja de Deus era uma  prerrogativa exclusiva da divindade que residia nele.<\/p>\n<p>Bem, com todo o cuidado,  gostaria de propor o pensamento de que o pr\u00f3prio Jesus nos ensinou sobre  o poder da nossa palavra, fosse para expulsar dem\u00f4nios, fosse para  curar, fosse para confortar, profetizar, admoestar etc. E ouso pensar  que Deus nos deu esse minist\u00e9rio, o mesmo que incumbiu ao seu Filho, a  saber, o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o. Recebemos ent\u00e3o, na condi\u00e7\u00e3o de  colaboradores, o mesmo minist\u00e9rio que Deus exerceu em seu Filho (2Co 5:  18, 19). E certamente os mesmos recursos espirituais para o exercer.<\/p>\n<p>Ouso lembrar que, como  Jesus, recebemos a palavra da reconcilia\u00e7\u00e3o \u2014 \u201cE nos confiou a palavra  da reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o \u00e9 assim que se entende que a f\u00e9 venha do ouvir a  palavra de Deus? E como ouvir\u00e3o se n\u00e3o a proferirmos? E quem haver\u00e1 de  preg\u00e1-la, sen\u00e3o os crist\u00e3os, as testemunhas do Cordeiro?<\/p>\n<p>N\u00e3o quero dar a estes  pensamentos um tom ufanista. Ao contr\u00e1rio, meu sentimento \u00e9 de temor  pela responsabilidade implicada. Aquele a quem muito foi dado muito ser\u00e1  cobrado. Talvez seja tamb\u00e9m por isso que Jesus tenha dito que  prestar\u00edamos conta, no Dia do Ju\u00edzo, de toda a palavra fr\u00edvola que  profer\u00edssemos (Mt 12:36, 37).<\/p>\n<p>Se existe, ent\u00e3o, poder em  nossas palavras, torna-se imprescind\u00edvel resgatarmos o cuidado com o que  dizemos. Gente da palavra n\u00e3o diz frivolidades, n\u00e3o mente, n\u00e3o se salva  de situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis com meias-verdades, n\u00e3o pragueja, n\u00e3o fala  palavr\u00e3o, n\u00e3o blasfema, n\u00e3o conta anedotas indecentes. Por qu\u00ea?  Primeiro, porque tem mandamentos expressos a esse respeito. Segundo,  porque agora entende que suas palavras t\u00eam o poder de mediadoras da  realidade. Ou seja, certas realidades, ao serem nomeadas, ao serem  reveladas pelas palavras que as descrevem, s\u00e3o trazidas \u00e0 vida; \u00e0  consci\u00eancia; \u00e0 exist\u00eancia. N\u00e3o me refiro a milagres e muito menos a  m\u00e1gicas. Refiro-me ao processo de conscientiza\u00e7\u00e3o que a linguagem  permite. Em especial, por meio das palavras. Elas n\u00e3o somente nos  desvendam o mundo como nos inserem nele.<\/p>\n<p>Exemplificando com a lista  acima, a respeito de coisas que gente de palavra n\u00e3o faz, dir\u00edamos que  uma piada indecente traz \u00e0 luz uma pervers\u00e3o (normalmente sexual), com  conota\u00e7\u00e3o humor\u00edstica. E o car\u00e1ter engra\u00e7ado torna aceit\u00e1vel a imagem  indecente. Ao introduzi-la numa conversa, estamos dizendo \u201chaja\u201d a um  monstro bonito; estamos dizendo, tamb\u00e9m, que ele \u00e9 inofensivo porque \u00e9  engra\u00e7ado e, portanto, aceit\u00e1vel, como ferramenta de socializa\u00e7\u00e3o, e que  pode viver entre n\u00f3s, desde que fa\u00e7amos aquela express\u00e3o de  divertidamente escandalizados com a ousadia de quem trouxe o monstro \u00e0  exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Do lado positivo, gente da  palavra profere palavras de vida e n\u00e3o de morte; palavras de  reconcilia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o; palavras de santidade e n\u00e3o de  pervers\u00e3o; palavras de \u00e2nimo, de conforto, de alegria, de f\u00e9, de  sabedoria, de perd\u00e3o, de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Gente da palavra aben\u00e7oa.  At\u00e9 aos seus inimigos. Gente da palavra nunca define um filho com  palavras do tipo: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o presta!\u201d, \u201cvoc\u00ea n\u00e3o vai dar nada na vida!\u201d.  Na verdade, n\u00e3o diz isso para ningu\u00e9m. Nunca menospreza, diminui,  calunia, ridiculariza. Para Jesus, isso \u00e9 uma forma disfar\u00e7ada de  homic\u00eddio. \u201c&#8230;e quem lhe chamar: Tolo, estar\u00e1 sujeito ao inferno de  fogo\u201d (Mt 5:22).<\/p>\n<p>No programa \u201cToma L\u00e1, D\u00e1  C\u00e1\u201d, da TV Globo, uma das cenas \u201chil\u00e1rias\u201d que n\u00e3o podem faltar \u00e9 o  momento em que M\u00e1rio Jorge olha para sua filha Isadora \u2014, uma jovem de  poucos recursos intelectuais, sempre envolvida com pequenos delitos e  encarregada das falcatruas da fam\u00edlia \u2014, e repete o bord\u00e3o: \u201cMau  car\u00e1ter!\u201d A parte vari\u00e1vel, que se segue, \u00e9 algo assim: \u201cQuando voc\u00ea  nasceu, eu sabia que voc\u00ea ia ser uma delinquente compulsiva. Eu peguei  voc\u00ea no colo, vi seus olhinhos juntos e falei pra sua m\u00e3e: isso vai ser  um grande problema!\u201d. \u00c9 bom lembrar que a arte imita a vida, tamb\u00e9m no  que ela tem de mais sombrio.<\/p>\n<p>Se entendemos que a palavra  \u00e9 mediadora (construtora ou destruidora) da realidade humana; que \u00e9  capaz de iluminar ou de trazer trevas, se o seu uso \u00e9 t\u00e3o s\u00e9rio ao ponto  de ser a l\u00edngua que a profere o leme do navio, ent\u00e3o, ser gente da  palavra \u00e9 ser gente que a preza, como Jesus o fazia. \u00c9 ser gente que  sabe que n\u00e3o deve ter na boca palavras torpes, \u201ce sim unicamente a que  for boa para edifica\u00e7\u00e3o, conforme a necessidade, e, assim, transmita  gra\u00e7a aos que ouvem\u201d (Ef 4:29).<\/p>\n<p>Ao povo da Palavra; a essa  gente de palavra, deixo uma par\u00e1frase do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cFinalmente,  irm\u00e3os, tudo o que \u00e9 verdadeiro, tudo o que \u00e9 respeit\u00e1vel, tudo o que \u00e9  justo, tudo o que \u00e9 puro, tudo o que \u00e9 am\u00e1vel, tudo o que \u00e9 de boa fama,  se alguma virtude h\u00e1 e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o  vosso pensamento e o que saia da vossa boca\u201d (Fp 4:8).<\/p>\n<p>Que  Deus tenha miseric\u00f3rdia de n\u00f3s e nos anime a revitalizar t\u00e3o caro e  elevado padr\u00e3o. Que sejamos capazes, cada vez mais, \u201cde falar entre n\u00f3s  com salmos, entoando e louvando de cora\u00e7\u00e3o ao Senhor com hinos e  c\u00e2nticos espirituais, dando sempre gra\u00e7as por tudo a nosso Deus e Pai,  em nome de nosso Senhor Jesus Cristo\u201d (Ef 5:19,20). Sabendo que essas  palavras podem lan\u00e7ar as bases de uma nova civiliza\u00e7\u00e3o: o reino de Deus  entre n\u00f3s, navegantes do S\u00e9culo XXI.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No  princ\u00edpio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.  Ele estava no princ\u00edpio com Deus. Todas as coisas foram feitas por  interm\u00e9dio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. 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