{"id":206,"date":"2010-06-19T14:53:03","date_gmt":"2010-06-19T14:53:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=206"},"modified":"2010-08-26T14:54:25","modified_gmt":"2010-08-26T14:54:25","slug":"inveja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2010\/06\/19\/inveja\/","title":{"rendered":"Inveja"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/inveja.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-207\" title=\"inveja\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/inveja.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/inveja.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2010\/08\/inveja-112x150.jpg 112w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>Ci\u00fame \u00e9 querer manter o que se tem; cobi\u00e7a \u00e9 querer o que n\u00e3o se tem;<\/p>\n<p>inveja \u00e9 querer que o outro n\u00e3o tenha (Zuenir Ventura)<\/p>\n<p>Diferentemente da ira ou da  gula, a inveja \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o emocional sorrateira. Ela queima como  fogo de palha, por baixo, sem fuma\u00e7a.<\/p>\n<p>A ira produz erup\u00e7\u00f5es  violentas; a gula compromete nosso manequim; a pregui\u00e7a faz nosso chefe  reclamar; a lux\u00faria nos afasta at\u00e9 da fam\u00edlia mais liberal; mas a inveja  dificilmente aparece, pois o comportamento de um invejoso n\u00e3o difere  muito de um cr\u00edtico, de um ressentido, de um cora\u00e7\u00e3o magoado.<\/p>\n<p>Nenhuma dessas condi\u00e7\u00f5es \u00e9,  propriamente, inveja. Mas esta pode estar \u201corquestrando\u201d a todas  aquelas, por tr\u00e1s. Ela pode at\u00e9 mesmo produzir elogios e dar presentes.  Este foi o caso de Saul, em rela\u00e7\u00e3o a Davi. O rei entregou ao rapaz um  comando em seu ex\u00e9rcito e lhe ofereceu a m\u00e3o de sua filha em casamento \u2014  na esperan\u00e7a de faz\u00ea-lo \u201cir a \u00f3bito\u201d (1Sm 18:5-29).<\/p>\n<p>Como n\u00e3o sabe criar, o  diabo distorce. Ent\u00e3o, para produzir a inveja ele corrompeu a admira\u00e7\u00e3o,  transformando-a no segundo pecado mais daninho que o ser humano j\u00e1  provou. Admirar \u00e9 a capacidade de se deixar impactar pelo excepcional,  pelo espantoso, de uma forma generosa, abnegada e contente.<\/p>\n<p>Diz-se que a inveja s\u00f3  perde para o orgulho, em poder de destrui\u00e7\u00e3o, em poder de potencializar o  que h\u00e1 de pior no ser humano. A inveja \u00e9 o maestro de nossos outros  pecados. E corta para os dois lados: o do invejado e o do invejoso. A  inveja \u00e9 potencialmente homicida e suicida, ao mesmo tempo. Esse  potencial raramente atinge seu cl\u00edmax, revelando-se apenas como  sentimento mesquinho, do tipo \u201cse n\u00e3o posso ir a esse churrasco, que  chova\u201d.<\/p>\n<p>Esse pecado adv\u00e9m de uma  necessidade de nos compararmos com os outros. E ao encontrarmos neles  motivos de admira\u00e7\u00e3o, sofremos, em vez de, simplesmente, nos alegrarmos.  E a\u00ed est\u00e1 a obra do diabo: o invejoso sempre se compara e sofre com o  bem dos outros que, para ele, \u00e9 sempre maior e melhor (um problema de  auto-estima). A grama do quintal do vizinho \u00e9 sempre mais verde.<\/p>\n<p>Assim, tudo come\u00e7a com algo  vindo de Deus: a capacidade de admirar e de se admirar. E nunca  admiramos o trivial ou mesmo algo bom que tenhamos ou sejamos.  Normalmente, s\u00f3 o narcisista admira algo que ele pr\u00f3prio tem ou \u00e9.  Admira-nos aquilo que n\u00e3o encontramos em n\u00f3s mesmos, como capacidades  art\u00edsticas, dons, beleza, intelig\u00eancia, posses etc. Em especial, quando  algu\u00e9m nos \u201cvence\u201d em algum ponto em que nos consideramos fortes.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que o inimigo semeia a  inveja, fazendo com que essa admira\u00e7\u00e3o se transforme de alegria em  sofrimento, sem muita consci\u00eancia da raz\u00e3o. Passo seguinte,  inconscientemente desejamos \u201cvencer\u201d essa competi\u00e7\u00e3o. Mas o inimigo n\u00e3o  nos d\u00e1 for\u00e7a para tal. Sugere-nos, ao contr\u00e1rio, o expediente de Caim.  Ou o de Saul; com a l\u00edngua desempenhando o papel da lan\u00e7a. Ou, se  precisarmos de ajuda, que fundemos a fraternidade dos \u201cirm\u00e3os de Jos\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>Sentir inveja \u00e9 pecado. Mas  tornar-se invejoso \u00e9 mais grave ainda. Vemos em Pv 14:30 que ela nos  faz adoecer: \u201ca inveja \u00e9 a podrid\u00e3o dos ossos\u201d. E isso acontece quando  esse pecado se instala em nossa alma. De alguma forma perversa, essa  atitude \u201cnos ajuda a viver\u201d, criando em nosso cora\u00e7\u00e3o mecanismos de  auto-justifica\u00e7\u00e3o. E o invejoso passa a achar que \u201co que fizeram com ele  justifica sua rea\u00e7\u00e3o\u201d. Afinal, todos lhe est\u00e3o devendo.<\/p>\n<p>Aninhada na placenta do  nosso cora\u00e7\u00e3o, ela agora se multiplica em ninhada. Surgem, por exemplo, o  \u00f3dio, a ira, o homic\u00eddio e uma infinidade de pequenas transgress\u00f5es  (cometidas pelo invejoso covarde), com um s\u00f3 objetivo: humilhar ou  destruir o invejado. V\u00eam, ent\u00e3o, a difama\u00e7\u00e3o, a cal\u00fania, o  desmerecimento, a cr\u00edtica destrutiva, a palavra amarga e uma  indisfar\u00e7\u00e1vel alegria com o infort\u00fanio do outro. Do \u201cinimigo\u201d.<\/p>\n<p>Resultado, esse pecado nos  lan\u00e7a num mundo de trevas. J\u00e1 n\u00e3o nos alegramos com o que temos ou somos  (a n\u00e3o ser que ningu\u00e9m mais tenha ou seja \u2014 mas a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o tem gra\u00e7a);  j\u00e1 n\u00e3o somos gratos a Deus pelo que nos deu (como p\u00f4de o Senhor aben\u00e7oar  aquela criatura!?); j\u00e1 n\u00e3o somos edificantes, e sim desconstrutores.  Passamos boa parte da vida a nos comparar com os outros. E nossa baixa  auto-estima nos faz \u201cadmirar\u201d as coisas boas que encontramos neles \u2014 e  isso nos consome! Est\u00e1 ficando pesado? Uma paradinha.<\/p>\n<p>Dois amigos passeavam na  cal\u00e7ada quando um deles chutou uma esp\u00e9cie de lata velha. Era uma  l\u00e2mpada de g\u00eanio, que, tendo sido acordado, apareceu e disse: estive  preso nessa l\u00e2mpada por muitos s\u00e9culos e estou muito cansado. Portanto,  voc\u00eas t\u00eam direito a apenas um pedido. Fa\u00e7am logo, pois n\u00e3o tenho tempo a  perder. Um dos amigos, animado, pediu para ficar rico, e foi logo  atendido pelo g\u00eanio. O segundo amigo viu aquilo tudo e pediu: quero que  meu amigo volte ao que ele era antes.<\/p>\n<p>Outra vers\u00e3o, mais  dram\u00e1tica, diz que o g\u00eanio imp\u00f4s uma condi\u00e7\u00e3o para o pedido \u00fanico: tudo o  que um deles pedisse seria dado tamb\u00e9m e em dobro para o outro. A\u00ed, o  amigo invejoso se adiantou e pediu: quero que voc\u00ea me tire um olho.<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1 a sabedoria popular  a nos ensinar que o invejoso n\u00e3o consegue construir. Bastaria  aproveitar a chance \u00fanica e ser muito feliz. Mas a felicidade do  companheiro torna-se um problema. E ele prefere destruir. Nem que  precise sofrer.<\/p>\n<p>Mas nem tudo est\u00e1 perdido.  Deus colocou recursos espirituais \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o para vencermos a  inveja. Eis alguns, encontrados na literatura como virtudes antag\u00f4nicas a  esse pecado: amor, gratid\u00e3o, compaix\u00e3o, miseric\u00f3rdia e lamento.<\/p>\n<p>Examinando cada uma delas, fa\u00e7o minha op\u00e7\u00e3o pelo amor diligente.  Aquele amor din\u00e2mico, capaz de me transformar, pela busca do poder do  Esp\u00edrito de Deus. Ou\u00e7a Jesus: \u201c&#8230;eu, por\u00e9m, vos digo: amai os vossos  inimigos e orai pelos que vos perseguem\u201d. Ou\u00e7a Paulo: \u201caben\u00e7oai os que  vos perseguem, aben\u00e7oai e n\u00e3o amaldi\u00e7oeis\u201d. Ainda Paulo: \u201c&#8230;pelo  contr\u00e1rio, se o teu inimigo tiver fome, d\u00e1-lhe de comer; se tiver sede,  d\u00e1-lhe de beber&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Se eu examinar meu pr\u00f3prio  cora\u00e7\u00e3o(*) e me descobrir invejoso e, por isso mesmo, agredido,  humilhado e perseguido por gente que, de \u201ct\u00e3o boa\u201d, se tornou meu algoz \u2014  e quiser mudar\u2014, buscarei o Senhor em meu quarto e lhe pedirei que me  ajude a aben\u00e7oar, a falar bem \u201cpelas costas\u201d, a elogiar esse \u201cinimigo\u201d. E  pedirei mais: que Deus me d\u00ea oportunidades e meios (emocionais) de lhe  \u201clavar os p\u00e9s\u201d. Sabemos que, na medida da resposta de Deus, a minha  reden\u00e7\u00e3o se manifestar\u00e1 na forma de servi\u00e7os a esse \u201cinimigo\u201d. Servi\u00e7os  que remodelar\u00e3o meu cora\u00e7\u00e3o ego\u00edsta em abnegado e generoso, capaz de,  solidariamente, alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que  choram. Servi\u00e7os como aqueles com que meu Mestre serviu. E nessa  atitude, \u201cteu Pai, que v\u00ea em secreto, te recompensar\u00e1\u201d (Mt 6: 4, 6 e  18).<\/p>\n<p>Assim, mais uma vez, da cruz de Cristo e tamb\u00e9m da minha; da humilha\u00e7\u00e3o, agora volunt\u00e1ria, h\u00e1 de vir a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<br \/>\n(*)  O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade Espiritual adverte: este texto n\u00e3o deve ser  utilizado em diagn\u00f3sticos de terceiros. Serve apenas para introspec\u00e7\u00e3o.  N\u00e3o desaparecendo os sintomas, procure seu pastor.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><img decoding=\"async\" id=\"generic-picture-attributes\" src=\"http:\/\/www.amorese.com.br\/Blog\/Entradas\/2010\/6\/19_Inveja_files\/inveja.jpg\" alt=\"\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ci\u00fame \u00e9 querer manter o que se tem; cobi\u00e7a \u00e9 querer o que n\u00e3o se tem;<br \/>\ninveja \u00e9 querer que o outro n\u00e3o tenha (Zuenir Ventura)<br \/>\nDiferentemente da ira ou da  gula, a inveja \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o emocional sorrateira. 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