{"id":1719,"date":"2019-01-07T06:40:30","date_gmt":"2019-01-07T09:40:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=1719"},"modified":"2019-01-07T06:43:31","modified_gmt":"2019-01-07T09:43:31","slug":"lectio-divina-contemplatio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2019\/01\/07\/lectio-divina-contemplatio\/","title":{"rendered":"Lectio Divina &#8211; Contemplatio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/Lectio-Divina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1701\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/Lectio-Divina-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/Lectio-Divina-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/Lectio-Divina.jpg 500w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Assim como a fabrica\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo ou a elabora\u00e7\u00e3o de uma refei\u00e7\u00e3o t\u00eam fases e etapas distintas, tradi\u00e7\u00e3o medieval da <em>lectio divina<\/em>(que chamei de <em>leitura devocional<\/em>) caminha por fases, ou salienta, em momentos diferentes, o que chamei de componentes (para n\u00e3o tornar r\u00edgida a ordem em que aparecem). Percebe-se, assim, que esses passos se d\u00e3o mais ou menos na seguinte ordem: <em>leitura<\/em>, <em>medita\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>e <em>contempla\u00e7\u00e3o. <\/em>Refletimos, nos textos anteriores, sobre os tr\u00eas primeiros, tentando salientar alguns aspectos dessa disciplina espiritual, como um todo. Longe de querer explicar; s\u00f3 trazendo algumas ideias.<\/p>\n<p>Deste modo, o crente se acerca da B\u00edblia e j\u00e1 procura &#8220;modular o cora\u00e7\u00e3o&#8221; para a frequ\u00eancia apropriada: sil\u00eancio, tranquilidade, solitude e&#8230; tempo. Uma ora\u00e7\u00e3o pode ajudar a trazer o cora\u00e7\u00e3o para &#8220;a regulagem&#8221;; um c\u00e2ntico tamb\u00e9m. N\u00e3o estou propondo uma invers\u00e3o da ordem; essa ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a <em>oratio<\/em>; \u00e9 aquele dispor do cora\u00e7\u00e3o, normalmente acompanhado do pedido de que Deus fale. Est\u00e1 pressuposta, claro, a disposi\u00e7\u00e3o de ouvir.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, lemos o texto b\u00edblico, procurando compreend\u00ea-lo. Nesse processo, dialogamos com o pr\u00f3prio texto e com Deus, aquele que nos fala pela leitura; eventualmente, chegamos a um arrazoado com ele; apresentando a leitura que fazemos de algum aspecto de nossa vida, de nosso &#8220;discurso existencial&#8221;, com seus conflitos e suas alegrias. Na sequ\u00eancia, passamos a orar devocionalmente, com a inten\u00e7\u00e3o de nos mover adiante; de sair de situa\u00e7\u00f5es &#8220;mal paradas&#8221;, ligadas ao texto lido; reveladas por ele. Para isso, buscamos em Deus sua vontade e sua for\u00e7a. Ao nos predispor a nos ajustar \u00e0 sua &#8220;boa, perfeita e agrad\u00e1vel vontade&#8221;, fazemos votos; tomamos decis\u00f5es, suplicamos interven\u00e7\u00e3o; pedimos milagres. Assim batemos as asas da f\u00e9, como uma pequena ave que fortalece os m\u00fasculos, aguardando o momento de voar.<\/p>\n<p>Desnecess\u00e1rio lembrar que esse exerc\u00edcio todo acontece na presen\u00e7a de Deus. Eventualmente, fechada a porta do quarto, no secreto. Para que Deus, que nos v\u00ea no secreto, nos recompense. E ali o poder de Deus tem a oportunidade de transtornar todas as impossibilidades; transformar o cora\u00e7\u00e3o; libertar a alma de amarras e a nossa psiqu\u00ea de suas cegueiras, infantilidades e cercadinhos.<\/p>\n<p>Passadas essas coisas e fechada a B\u00edblia; silenciadas as falas, as exposi\u00e7\u00f5es de motivos, os argumentos, as exorta\u00e7\u00f5es; serenadas as consola\u00e7\u00f5es; confirmada a esperan\u00e7a; fechados os olhos da contempla\u00e7\u00e3o do que n\u00e3o se v\u00ea; das certezas sobre o que ainda n\u00e3o \u00e9, o que resta? Partir para a vida? Ainda n\u00e3o, por favor. Fiquemos mais um pouco. Resta a contempla\u00e7\u00e3o. E agora, nada nos cabe fazer, sen\u00e3o predispor o cora\u00e7\u00e3o a fruir da presen\u00e7a de Deus. N\u00e3o \u00e9 isso que diz nosso catecismo, quanto \u00e0 primeira pergunta? Qual \u00e9 o prop\u00f3sito da exist\u00eancia do ser humano? E o catecismo responde: &#8220;adorar a Deus e goz\u00e1-lo para sempre&#8221;.<\/p>\n<p>Olhemos, uma \u00faltima vez, para o filho pr\u00f3digo. Ele chega de volta ao pai com um discurso pronto; respons\u00e1vel, restituidor, reparador. Jesus est\u00e1 usando o conceito rab\u00ednico de arrependimento. Ele se disp\u00f5e a consertar o que for poss\u00edvel: &#8220;trata-me como um dos teus trabalhadores&#8221;. Terminamos? Encerrada a par\u00e1bola? N\u00e3o; Jesus nos oferece a oportunidade de contemplar o &#8220;momento seguinte&#8221;; como quem observa de fora o desfecho da hist\u00f3ria; uma realidade-promessa para todo aquele que se coloca nas sand\u00e1lias daquele rapaz (se descobrimos que o filho pr\u00f3digo somos n\u00f3s), que extrapola em muito as suas mais otimistas previs\u00f5es: o abra\u00e7o do pai, o anel no dedo, as sand\u00e1lias nos p\u00e9s e um novilho cevado. E a n\u00f3s nos \u00e9 dado quedar em sil\u00eancio, como quem n\u00e3o quer atrapalhar a cena, observando. Ou melhor: contemplando.<\/p>\n<p>Esse momento quase irreal; quase fora do corpo, nos \u00e9 oferecido, como o pouso sereno de um avi\u00e3o na pista, depois de longa (e eventualmente tumultuada) jornada. Sem agita\u00e7\u00e3o, sem sentimentos fortes (se \u00e9 que esses j\u00e1 passaram), aquietamo-nos, contemplando a beleza de Deus: sua santidade, seu poder, sua majestade, seu amor dadivoso, sua miseric\u00f3rdia, sua gra\u00e7a, seu perd\u00e3o, sua paci\u00eancia etc. N\u00e3o \u00e9 o caso de iniciar nova medita\u00e7\u00e3o sobre essas coisas. Nem mesmo ora\u00e7\u00e3o, no sentido <em>verbal\u00a0<\/em>da palavra. \u00c9 tempo de <em>sil\u00eancio perceptivo\u00a0<\/em>e abertura do cora\u00e7\u00e3o. Como quem diz: &#8220;fica mais um pouco, Senhor&#8221;. E dizendo assim, nem n\u00f3s &#8220;sa\u00edmos do quarto&#8221;, nem ele. Um tempo sem tempo, de dizeres sem palavras. Basta ficar. Em paz. Atento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 tempo de sil\u00eancio perceptivo e abertura do cora\u00e7\u00e3o. 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