{"id":1612,"date":"2017-04-28T00:00:45","date_gmt":"2017-04-28T03:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=1612"},"modified":"2017-05-03T12:25:09","modified_gmt":"2017-05-03T15:25:09","slug":"sola-gratia-verao-completa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2017\/04\/28\/sola-gratia-verao-completa\/","title":{"rendered":"Sola gratia [vers\u00e3o completa]"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #993300;\">Conte\u00fado de Mais da Internet, da revista Ultimato 365<\/span><\/p>\n<p>Na esteira das comemora\u00e7\u00f5es dos 500 anos da Reforma Protestante, muitas igrejas est\u00e3o estudando os &#8220;5 Solas&#8221; da Reforma: <em>Sola fide<\/em> (somente a f\u00e9), <em>Sola scriptura<\/em> (somente a Escritura), <em>Solus Christus<\/em> (somente Cristo), <em>Sola gratia<\/em> (somente a gra\u00e7a), <em>Soli Deo gloria<\/em> (gl\u00f3ria somente a Deus). Pelo que tenho podido perceber, fazem uma releitura desses temas, a partir do ponto de vista atual.<\/p>\n<p>Gostaria de participar desse movimento, pensando no &#8220;sola gratia&#8221;, a partir da par\u00e1bola do &#8220;Credor Incompassivo&#8221;. Tenho clareza de que a abordagem \u00e9 extremamente reducionista, pois restringe-se a apenas um texto b\u00edblico. Mas penso tamb\u00e9m que nem por isso ele deve ser desconsiderado. Eis a par\u00e1bola:<\/p>\n<p>Por isso, o reino dos c\u00e9us \u00e9 semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. E, passando a faz\u00ea-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. N\u00e3o tendo ele, por\u00e9m, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possu\u00eda e que a d\u00edvida fosse paga. Ent\u00e3o, o servo, prostrando-se reverente, rogou: S\u00ea paciente comigo, e tudo te pagarei. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Saindo, por\u00e9m, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem den\u00e1rios; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. Ent\u00e3o, o seu conservo, caindo-lhe aos p\u00e9s, lhe implorava: S\u00ea paciente comigo, e te pagarei. Ele, entretanto, n\u00e3o quis; antes, indo-se, o lan\u00e7ou na pris\u00e3o, at\u00e9 que saldasse a d\u00edvida.<!--more--><\/p>\n<p>Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito e foram relatar ao seu senhor tudo que acontecera. Ent\u00e3o, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela d\u00edvida toda porque me suplicaste; n\u00e3o devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como tamb\u00e9m eu me compadeci de ti? E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, at\u00e9 que lhe pagasse toda a d\u00edvida. Assim tamb\u00e9m meu Pai celeste vos far\u00e1, se do \u00edntimo n\u00e3o perdoardes cada um a seu irm\u00e3o (Mt 18:23-35).<\/p>\n<p>Meu primeiro pensamento \u00e9 que estamos, aqui, aprendendo de Jesus. N\u00e3o \u00e9 o ensino de um ap\u00f3stolo ou de um te\u00f3logo famoso. \u00c9 de Jesus, aquele que fala das coisas que viu junto ao Pai; daquele que, em sua vida e por suas palavras, nos revela o Pai.<\/p>\n<p>Jesus nos conta de um senhor que, ao cobrar uma d\u00edvida de seu servo, e percebendo a dificuldade em que se encontrava, compadeceu-se dele; e esperava que, saindo dali, ele agisse de igual modo. Entretanto, n\u00e3o vendo nele nem gratid\u00e3o nem compaix\u00e3o, chama-o de volta e aplica-lhe a pena original. E conclui dizendo que se n\u00e3o perdoarmos aos nossos irm\u00e3os, tamb\u00e9m o Pai celeste n\u00e3o nos perdoar\u00e1.<\/p>\n<p>Os ingredientes principais dessa par\u00e1bola, a meu ver, s\u00e3o <em>d\u00edvida<\/em> (significando pecado), <em>s\u00faplica<\/em> (apontando para contri\u00e7\u00e3o), <em>compaix\u00e3o<\/em> (tamb\u00e9m como sinal de arrependimento, quando se trata do servo) e <em>perd\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Somos levados a presenciar o devedor reconhecer a d\u00edvida, como forma de antecipadamente dar raz\u00e3o ao credor; talvez ecoando o Sl 51:4 &#8220;Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que \u00e9 mau perante os teus olhos, de maneira que ser\u00e1s tido por justo no teu falar e puro no teu julgar&#8221;. O que se seguir\u00e1 a esse gesto de humilde s\u00faplica ser\u00e1 ou a execu\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a ou a paci\u00eancia do credor. Sim, ele pede mais prazo. Mas a surpresa acontece na forma de gra\u00e7a inesperada: a d\u00edvida, impag\u00e1vel, \u00e9 integralmente perdoada.<\/p>\n<p>Surge, no entanto, entre todos esses ingredientes da gra\u00e7a, algo intrigante ao pensamento atual: por que raz\u00e3o teria Jesus inserido a s\u00faplica e a compaix\u00e3o no seu enredo, para nos revelar que o senhor teve compaix\u00e3o &#8220;porque me suplicaste&#8221;? De que modo a s\u00faplica teria movido o cora\u00e7\u00e3o daquele senhor? Confesso que n\u00e3o sei. Cabem aqui in\u00fameras digress\u00f5es concernentes \u00e0 onisci\u00eancia e soberania de Deus. N\u00e3o \u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Mas sei que n\u00e3o devemos suprimir esses elementos do ensino de Jesus, como se o resumo da par\u00e1bola fosse um perd\u00e3o gen\u00e9rico; que o senhor, &#8220;bonzinho&#8221;, perdoaria seu servo de qualquer modo, como perdoar\u00e1 a todos os outros devedores, independentemente da s\u00faplica ou da compaix\u00e3o encontradas\u00a0 nos seus cora\u00e7\u00f5es. Ou mesmo pensar que, tendo o Cordeiro de Deus tirado o pecado do mundo, nada mais devem os antigos pecadores. N\u00e3o podemos adaptar a par\u00e1bola \u00e0 nossa teologia. Uma gra\u00e7a assim descrita n\u00e3o faz justi\u00e7a ao ensino de Jesus.<\/p>\n<p>O Mestre nos mostra que <em>s\u00faplica<\/em> e <em>compaix\u00e3o<\/em> n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, a mesma coisa. E que o Senhor busca entre aqueles que ama a compaix\u00e3o, como sinal de arrependimento, e, secundariamente, a s\u00faplica, como sinal de contri\u00e7\u00e3o. N\u00e3o penso nelas como condi\u00e7\u00f5es para a gra\u00e7a, mas, talvez, como ingredientes dessa complexa e maravilhosa realidade. Talvez fosse o caso de pensar na gra\u00e7a de Deus sob dois aspectos complementares: como <em>processo<\/em> ou como <em>produto<\/em>.<\/p>\n<p>Costuma-se dizer que a Ci\u00eancia tem esses dois aspectos. Como processo, estamos falando do &#8220;fazer ci\u00eancia&#8221;, envolvendo estudos, pesquisas, testes, valida\u00e7\u00f5es, experimentos etc. Como produto, estamos falando dos achados, das m\u00e1quinas, dos rem\u00e9dios, das vacinas, dos computadores etc. Pegando emprestada a nomenclatura, proponho pensar na gra\u00e7a como um <em>processo<\/em>, no qual todos os ingredientes e as din\u00e2micas da par\u00e1bola acima s\u00e3o incorporados; ou como <em>produto<\/em>, ou <em>resultado<\/em>, no qual, tudo estar\u00e1 consumado, tendo o escrito de d\u00edvida sido encravado\u00a0 na cruz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conte\u00fado de Mais da Internet, da revista Ultimato 365<br \/>\nNa esteira das comemora\u00e7\u00f5es dos 500 anos da Reforma Protestante, muitas igrejas est\u00e3o estudando os &#8220;5 Solas&#8221; da Reforma: Sola fide (somente a f\u00e9), Sola scriptura (somente a Escritura), Solus Christus (somente Cristo), Sola gratia (somente a gra\u00e7a), Soli Deo gloria (gl\u00f3ria somente a Deus). 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