{"id":1587,"date":"2016-09-10T12:24:51","date_gmt":"2016-09-10T15:24:51","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=1587"},"modified":"2016-12-01T10:29:05","modified_gmt":"2016-12-01T13:29:05","slug":"a-arte-do-nao-poder-versao-completa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2016\/09\/10\/a-arte-do-nao-poder-versao-completa\/","title":{"rendered":"A arte do n\u00e3o poder (vers\u00e3o completa)"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #993300;\">artigo publicado na se\u00e7\u00e3o \u201cPonto Final\u201d<br \/>\nrevista Ultimato 362<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1591\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/08\/ult_362_ponto_final.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1591\" class=\"wp-image-1591\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/08\/ult_362_ponto_final.jpg\" alt=\"Marco Zuchi\" width=\"250\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/08\/ult_362_ponto_final.jpg 594w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/08\/ult_362_ponto_final-183x300.jpg 183w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/08\/ult_362_ponto_final-92x150.jpg 92w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1591\" class=\"wp-caption-text\">Marco Zuchi<\/p><\/div>\n<p>Somos todos fracos. Nascemos amea\u00e7ados de morte. N\u00e3o somos capazes de sobreviver aos primeiros desafios de nossas vidas. Sem o cuidado de algu\u00e9m, ou o simples recurso de um fogo aceso, morremos. Se comparados a uma simples formiga, somos muito fracos. Quem de n\u00f3s \u00e9 capaz de carregar dez vezes o seu peso, por dez quil\u00f4metros? Quem de n\u00f3s \u00e9 capaz de fazer isso apenas uma hora ap\u00f3s o nascimento?<\/p>\n<p>Temos medo das amea\u00e7as de morte. Medo da fome, do frio, de animais, de insetos, de gente desconhecida, de ambientes hostis, de abismos, de assaltantes, de mar bravio \u2013 e de baratas e lagartixas. Mas isso j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o desse medo, t\u00e3o natural e corriqueiro a todos n\u00f3s, passamos a vida em busca de seguran\u00e7a. Conforto esse que vem dos \u201crecursos\u201d que amealhamos. Recursos, aqui, podem ser a ajuda dos outros, como o desvelo dos pais, ou o poder pessoal, simbolizado pelos m\u00fasculos. O sobrevivente por excel\u00eancia \u00e9 uma pessoa forte, cercada por uma rede de coopera\u00e7\u00e3o. Antigamente, ao escolher um marido, a mulher procurava para seu companheiro um homem musculoso ou h\u00e1bil guerreiro e l\u00edder de um grupo vitorioso. Algu\u00e9m que lhe garantisse a sobreviv\u00eancia da prole.<\/p>\n<p>A sofistica\u00e7\u00e3o que a vida traz a esses \u201crecursos\u201d pode nos levar a buscar diversas formas de poder, seja sobre a natureza, seja sobre as pessoas. Assim, em nossa luta pela sobreviv\u00eancia, amealhamos energias provenientes de complexos mecanismos de troca com nossos semelhantes. Essas energias e recursos, ao serem acumulados, convertem-se em alian\u00e7as, ferramentas, contas banc\u00e1rias, patrim\u00f4nio, tecnologia etc., sem mencionar os bens imateriais, tais como honra, prest\u00edgio e fama. No fundo, tudo isto se resumiria em poder, em sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Em geral, as origens de nossa busca por seguran\u00e7a s\u00e3o invis\u00edveis aos nossos olhos. S\u00e3o inconscientes. N\u00e3o distinguimos naquilo que fazemos a luta pela sobreviv\u00eancia, ou o medo da morte. Nossas inseguran\u00e7as, ansiedade, timidez, vaidade etc. s\u00e3o vistos como temperamentos e modos de ser, sem liga\u00e7\u00e3o com a forma como resolvemos os problemas b\u00e1sicos relacionados ao medo que, em \u00faltima inst\u00e2ncia ser\u00e1 medo da morte.<\/p>\n<p>Alguns passam a gostar do poder. E do complexo jogo que ele instaura. Chegam a ach\u00e1-lo um recurso necess\u00e1rio, inevit\u00e1vel. Ou uma vantagem pessoal. Como no caso da riqueza, distribu\u00edda de forma assim\u00e9trica na sociedade. Afinal, \u201cos pobres sempre os tereis convosco\u201d. N\u00e3o vou mencionar as heran\u00e7as pol\u00edticas, as dinastias ou as un\u00e7\u00f5es divinas.<\/p>\n<p>Na vida comum, o poder \u00e9 exercido para abrir uma torneira enferrujada ou para convencer um comprador a fechar o neg\u00f3cio. Ou mesmo para vencer um oponente numa modalidade esportiva. Todos os jogos s\u00e3o jogos de poder. Como se a vida fosse um \u201cjogo de dificuldades\u201d, no qual o mais h\u00e1bil ou forte vencesse e adquirisse vidas, como num videogame.<\/p>\n<p>Adormecido, por toda uma exist\u00eancia, esse assunto saltar\u00e1 \u00e0 consci\u00eancia na velhice. Seja como lembran\u00e7a do desamparo dos primeiros anos (marcas profundas, que ficam em atividade por toda a vida), seja para viver novas formas daquele mesmo medo, daquela inseguran\u00e7a. Sim, a senilidade \u00e9 tamb\u00e9m um problema de poder. O problema de n\u00e3o mais poder. Com o agravante da consci\u00eancia sobre o que se passa. E por isso, o idoso tem medo. Muito antes de ter consci\u00eancia disso, ele j\u00e1 come\u00e7a a se tornar controlador. Est\u00e1 lutando contra a perda de poder. Em \u00faltima an\u00e1lise, do poder de se manter vivo.<\/p>\n<p>Existem muitas palavras de sabedoria, nas Escrituras, para lidar com esse tema na inf\u00e2ncia, na vida adulta e na velhice. Sabendo que a fase anterior prepara para a posterior. De modo que a recomenda\u00e7\u00e3o de obedi\u00eancia \u00e0 crian\u00e7a, ou aquela de honrar pai e m\u00e3e est\u00e3o tratando da quest\u00e3o do poder. As exorta\u00e7\u00f5es contra a ansiedade tamb\u00e9m. E a recomenda\u00e7\u00e3o caminha sempre na dire\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a num Deus bom e cuidadoso e na entrega dos seus fardos a ele (sim, a luta pelo poder \u00e9 um fardo imenso). Essa sabedoria nos ensinar\u00e1 sobre o cultivo da mansid\u00e3o; da disciplina, ou da arte, do \u201cn\u00e3o poder\u201d; sobre devo\u00e7\u00e3o e entrega (Sl 37.5).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 assim o ato de adora\u00e7\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 assim o ato de contri\u00e7\u00e3o? N\u00e3o \u00e9 assim a invoca\u00e7\u00e3o do Senhor como rocha, for\u00e7a, castelo, ref\u00fagio? N\u00e3o \u00e9 essa a oferta de um jugo suave e de um fardo leve?<\/p>\n<p>Sem essa sabedoria, jamais compreenderemos a gra\u00e7a de Deus, pois, para aprender sobre ela \u00e9 preciso se colocar na posi\u00e7\u00e3o de quem recebe, uma posi\u00e7\u00e3o de fragilidade; jamais usufruiremos de sua provid\u00eancia, pois para isso, precisaremos esperar nele, atitude de grande vulnerabilidade; jamais descansaremos em seu amor, como as aves do c\u00e9u ou os l\u00edrios do campo. Sim, jamais nos far\u00e1 sentido um poder que se aperfei\u00e7oa na fraqueza.<\/p>\n<p>A sabedoria b\u00edblica nos prop\u00f5e a l\u00f3gica do Cordeiro, como objeto de imita\u00e7\u00e3o: a de que seremos t\u00e3o mais poderosos quanto menos medo da morte tivermos \u2013 porque ele cuida de n\u00f3s.<\/p>\n<p>E quando a idade chegar, n\u00e3o nos angustiaremos. Saberemos viv\u00ea-la na harmonia e confian\u00e7a de que o mesmo Deus que cuidou de nossa inf\u00e2ncia, juventude e vida adulta, livrando-nos dos perigos, cuidar\u00e1, agora, da nossa progressiva fragilidade. Teremos sido treinados, ao longo da vida, como testemunhas do Cordeiro, na arte do n\u00e3o poder.<\/p>\n<p><em>Bem-aventurados os humildes de esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o reino dos c\u00e9us. Bem-aventurados os que choram, porque ser\u00e3o consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdar\u00e3o a terra (Mt 5.3-5 \u2013 ARA).<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adormecido, por toda uma exist\u00eancia, esse assunto saltar\u00e1 \u00e0 consci\u00eancia na velhice.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[116,4226],"tags":[12095,23816,23817],"class_list":["post-1587","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog","category-principal","tag-ponto-final","tag-revista-ultimato-362","tag-ultimato-362"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1587"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1587\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1603,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1587\/revisions\/1603"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}