{"id":1565,"date":"2016-06-09T08:30:54","date_gmt":"2016-06-09T11:30:54","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=1565"},"modified":"2016-09-29T11:56:20","modified_gmt":"2016-09-29T14:56:20","slug":"fala-comigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2016\/06\/09\/fala-comigo\/","title":{"rendered":"Fala comigo!"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #993300;\"><em>Vers\u00e3o completa do artigo publicado na se\u00e7\u00e3o \u201cPonto Final\u201d da revista Ultimato 361<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/07\/ult_361_ponto_final-e1468429493280.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-1579\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2016\/07\/ult_361_ponto_final-e1468429493280.jpg\" alt=\"ult_361_ponto_final\" width=\"250\" height=\"413\" \/><\/a>Recentemente, um irm\u00e3o sentou-se ao meu lado, no culto. Ao reparar que eu fazia apontamentos do serm\u00e3o que ouv\u00edamos, perguntou-me, baixinho, em tom de gracejo: \u201cE voc\u00ea ainda tem o que anotar?\u201d. Com certeza, ele se referia ao meu \u201ctempo de estrada\u201d, a contrastar com a idade do pregador. N\u00e3o era hora de conversa, portanto a observa\u00e7\u00e3o ficou entendida como uma simp\u00e1tica sauda\u00e7\u00e3o. Ficou assim. Mas, em minha mente, guardei para depois.<\/p>\n<p>J\u00e1 em casa, lembrei-me de outro epis\u00f3dio, mais antigo. Acho que um puxou o outro. \u00a0Foi assim: um irm\u00e3o de igual modo \u201cs\u00eanior\u201d\u201d na igreja revelava que n\u00e3o gostava de ouvir jovens pregadores porque eles eram muito incipientes e pouco ou nada tinham a lhe acrescentar. Essa era a raz\u00e3o por que, ao saber quem seria o pregador da noite, algumas vezes se retirava. Agia assim tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a pregadores mais tarimbados, mas de cuja doutrina discordava, ou \u00e0queles por quem nutria \u201cantipatia teol\u00f3gica\u201d. Levantava-se e sa\u00eda porque n\u00e3o gostava do modo de pregar daquele irm\u00e3o. Uma conversa inc\u00f4moda, recordo bem.<\/p>\n<p>Sugeri ao irm\u00e3o que, talvez, um ambiente estimulante fosse a escola dominical, por causa das oportunidades de di\u00e1logo ou de participa\u00e7\u00e3o. Salas de aula costumam ser mais acolhedoras. Se voc\u00ea quer ficar quieto, pode; mas se prefere participar, sempre h\u00e1 espa\u00e7o. Eu tentava aliviar o clima da conversa. Para minha surpresa, ele retrucou que, embora nunca tivesse recebido diploma, naquela escola ele j\u00e1 era formado. Tinha, inclusive, o curso completo de teologia em um bom semin\u00e1rio da cidade, com foco em Novo Testamento. E desse ele tinha diploma.<\/p>\n<p>E a conversa foi por a\u00ed: grego <em>koin\u00ea<\/em>, hebraico, hermen\u00eautica, tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia etc. Na verdade, n\u00e3o foi exatamente uma conversa, pois o irm\u00e3o, de forma coerente, ouvia pouco.<\/p>\n<p>Bem, a vida prosseguiu. Mas aquela conversa me alarmou, ao contemplar um irm\u00e3o imperme\u00e1vel ao ensino. Como se, em sua alma, a Palavra de Deus tivesse produzido anticorpos.<\/p>\n<p>Era a li\u00e7\u00e3o que, com o passar do tempo, consolidaria-se em minha mente. Seria eu diferente dele? Para ser verdadeiro, eu n\u00e3o tinha dificuldade em enumerar as vezes em que desanimei com prega\u00e7\u00f5es e pregadores, jovens e experientes, antes mesmo de come\u00e7arem. Por qu\u00ea? Hoje, penso que Deus esteve me falando, no sil\u00eancio. N\u00e3o me deixou esquecer ou menosprezar o epis\u00f3dio do irm\u00e3o preparado. Nem me permitiu olhar somente para ele; fez-me olhar para mim mesmo.<\/p>\n<p>E o discernimento veio com o tempo. Compreendi que esses momentos ocorrem quando chego \u00e0 casa do Senhor como quem chega para um show, uma palestra, uma aula; enfim, para algum entretenimento. Quero dizer que h\u00e1 dias em que me esque\u00e7o de fazer a ora\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica de todas: \u201cFala comigo, Senhor\u201d. E se essa ora\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pelo oficiante logo no in\u00edcio do culto, eu n\u00e3o a endosso, n\u00e3o me aproprio dela. Assim, n\u00e3o predisponho meu cora\u00e7\u00e3o a ouvir a voz de Deus. Talvez nem tenha ido \u00e0 igreja para isso.<\/p>\n<p>Entretanto, ao perceber, essa frivolidade do meu cora\u00e7\u00e3o, decidi impor-me a disciplina dessa singela ora\u00e7\u00e3o. Fosse apenas dizendo am\u00e9m ao celebrante, fosse proferindo-a eu mesmo. O importante \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. E as coisas mudaram. Quando voc\u00ea se abre ao milagre da \u201cpalavra\u201d, acaba ouvindo coisas inef\u00e1veis, sejam elas exorta\u00e7\u00f5es, sejam palavras de ensino, consolo ou \u00e2nimo. Ao orar \u201cfala comigo\u201d, j\u00e1 n\u00e3o importa tanto quem vai subir ao p\u00falpito, pois sabemos e cremos que Deus fala.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que isso n\u00e3o justifica pregadores pregui\u00e7osos, mal preparados, desleixados, biblicamente equivocados e coisas assim. Mas isso \u00e9 assunto a ser resolvido entre o pregador e Deus.<\/p>\n<p>Quando o irm\u00e3o que se assentou ao meu lado perguntou-me baixinho, em tom de gracejo: \u201cE voc\u00ea ainda tem o que anotar?\u201d, ele n\u00e3o podia imaginar o quanto eu estava feliz e excitado com a perspectiva de poder ouvir, mais uma vez, a Palavra de Deus sendo proferida ao meu cora\u00e7\u00e3o. Sim, eu j\u00e1 havia orado: \u201cFala comigo, Senhor!\u201d, e agora estava de bloco de notas na m\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vers\u00e3o completa do artigo publicado na se\u00e7\u00e3o \u201cPonto Final\u201d da revista Ultimato 361<br \/>\nRecentemente, um irm\u00e3o sentou-se ao meu lado, no culto. Ao reparar que eu fazia apontamentos do serm\u00e3o que ouv\u00edamos, perguntou-me, baixinho, em tom de gracejo: \u201cE voc\u00ea ainda tem o que anotar?\u201d. 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