{"id":1177,"date":"2012-11-20T17:05:28","date_gmt":"2012-11-20T20:05:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/?p=1177"},"modified":"2012-11-20T17:05:28","modified_gmt":"2012-11-20T20:05:28","slug":"depressao-neonatal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/2012\/11\/20\/depressao-neonatal\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o Neonatal"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2012\/11\/mao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-1178\" title=\"Infant Grabbing Man's Finger\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2012\/11\/mao-289x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2012\/11\/mao-289x300.jpg 289w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2012\/11\/mao-144x150.jpg 144w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/amorese\/files\/2012\/11\/mao.jpg 463w\" sizes=\"auto, (max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ouvi recentemente, no r\u00e1dio, uma entrevista com famosa obstetra sobre <em>depress\u00e3o neonatal<\/em>. Ela apresentava ma abordagem diferente dos costumeiros crit\u00e9rios de Apgar, causas de problemas p\u00f3s-parto. Dizia que os rec\u00e9m-nascidos podem ficar t\u00e3o deprimidos que t\u00eam apneias ou at\u00e9 \u00a0paradas card\u00edacas, al\u00e9m de dist\u00farbios de sono, falta de fome etc., problemas que podem lev\u00e1-los \u00e0 morte.<\/p>\n<p>Me impressionaram as causas \u201csociais\u201d apresentadas pela doutora. Enquanto no \u00fatero, a crian\u00e7a est\u00e1 na penumbra, aquecida, com liberdade de movimentos, ouvindo a voz e os sons da m\u00e3e. Ao nascer, se \u00e9 separada da m\u00e3e por problemas, tais como incubadora ou tratamento de alguma complica\u00e7\u00e3o, deixa de ouvir a voz da m\u00e3e, perde os movimentos, \u00e9 manipulada por estranhos, ao ser amamentada; n\u00e3o enxerga o rosto da m\u00e3e, nem ouve a sua voz.<\/p>\n<p>Esse estado de abandono lhe causa uma apatia, uma desist\u00eancia de viver, e ela pode ir a \u00f3bito. Nas palavras da doutora: &#8220;ela j\u00e1 n\u00e3o olha para quem a alimenta, j\u00e1 n\u00e3o procura por comida, com aquele grito forte; no m\u00e1ximo chora baixinho, ou geme&#8221;.<\/p>\n<p>Depress\u00e3o. Pode?<\/p>\n<p>E eu fico pensando se a humanidade n\u00e3o desenvolveu na alma uma depress\u00e3o parecida, oriunda da nossa expuls\u00e3o do \u00c9den, que entendo como o parto da humanidade. Uma esp\u00e9cie de falta de \u00e2nimo existencial. Ou uma falta de alma, se preferir.<\/p>\n<p>Sim, j\u00e1 n\u00e3o estamos mais naquele ambiente de amor, de ouvir a voz do Criador (metaforicamente nossa m\u00e3e); j\u00e1 n\u00e3o temos a liberdade de movimentos que t\u00ednhamos antes da trag\u00e9dia. Agora estamos amarrados por panos que nos tolhem at\u00e9 os sonhos; muitos j\u00e1 n\u00e3o ouvem mais aquela voz \u00e0 qual estavam acostumados desde que &#8220;se entendem por gente&#8221;; muitos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais acalentados por ela, mas por outras vozes (na maioria eletr\u00f4nicas); e adormecem ouvindo as &#8220;cantigas do Egito&#8221;.<\/p>\n<p>Agora precisamos &#8220;ir \u00e0 luta&#8221; e comer do suor do nosso rosto. Agora estamos sozinhos, em meio a estranhos. Muitas vezes sendo cuidados por eles. Para fazer contato temos que superar muitas barreiras, al\u00e9m do nosso pr\u00f3prio sil\u00eancio; al\u00e9m da nossa pr\u00f3pria inabilidade cong\u00eanita, proveniente da desconfian\u00e7a. J\u00e1 aprendemos que o amor nos torna vulner\u00e1veis. Algumas dessas barreiras simulam a pr\u00f3pria vida, com intervalos comerciais, claro.<\/p>\n<p>Talvez seja por isso que \u00e0s vezes sonhamos com o c\u00e9u. Ou que sentimos saudade dele. Talvez seja por isso que certos momentos familiares como os encontros do Natal; ou eclesi\u00e1sticos como reuni\u00f5es com irm\u00e3os, com quem tenhamos desenvolvido longa e profunda amizade, nos falem tanto de eternidade. E chegamos a dizer (e cantar): &#8220;\u00e9 c\u00e9u aqui&#8221;. Estamos dizendo: &#8220;\u00e9 o \u00c9den de volta&#8221;. Claro, um vislumbre da gl\u00f3ria; passada e futura. Da passada, temos saudade; em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 futura, temos esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o produz efeitos variados nas pessoas. Mas um sintoma comum \u00e9 o des\u00e2nimo. Perde-se a vontade de levantar pela manh\u00e3. Tudo fica dif\u00edcil; nada vale a pena.<\/p>\n<p>Houve um tempo em que tomei a famosa &#8220;Erva de S\u00e3o Jo\u00e3o&#8221;. \u00c9 o Hip\u00e9rico, um anti-depressivo natural. Ele atua de tal forma que certas motiva\u00e7\u00f5es, que come\u00e7avam a esmorecer, retornam, e os projetos e ideias voltam a valer a pena. E a gente se lan\u00e7a a eles, empreendendo esfor\u00e7os e mantendo o \u00e2nimo por longo tempo. Tornamo-nos long\u00e2nimos.<\/p>\n<p>Penso que o Evangelho atua assim, tamb\u00e9m, sobre nossa depress\u00e3o existencial. Entretanto, ele vai mais fundo que o Hip\u00e9rico; ele restaura a &#8220;esperan\u00e7a da gl\u00f3ria&#8221;. Mais que isso, ele nos traz de volta muito do que foi perdido no \u00c9den. E nos aponta para a plenitude de sua restaura\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 n\u00e3o o antigo \u00c9den natural; porque a ordem das coisas \u00e9 essa: primeiro o natural; depois o espiritual. De modo que a segunda cria\u00e7\u00e3o, em Cristo, seja em tudo superior \u00e0 primeira.<\/p>\n<p>At\u00e9 que nossas almas, saciadas de intimidade, j\u00e1 n\u00e3o sintam mais a separa\u00e7\u00e3o. Porque, no seio de Abra\u00e3o, esta j\u00e1 n\u00e3o existir\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nOuvi recentemente, no r\u00e1dio, uma entrevista com famosa obstetra sobre depress\u00e3o neonatal. Ela apresentava ma abordagem diferente dos costumeiros crit\u00e9rios de Apgar, causas de problemas p\u00f3s-parto. 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