Um dia, quando estava com os apóstolos, Jesus deu esta ordem:

— Fiquem em Jerusalém e esperem até que o Pai lhes dê o que prometeu, conforme eu disse a vocês.   Pois, de fato, João batizou com água, mas daqui a poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo.

Certa vez, os apóstolos estavam reunidos com Jesus. Então lhe perguntaram:

— É agora que o senhor vai devolver o Reino para o povo de Israel?

Jesus respondeu:

— Não cabe a vocês saber a ocasião ou o dia que o Pai marcou com a sua própria autoridade.   Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra. — Atos 1.4-8

Na última reflexão observamos que Lucas inicia o seu relato com o aparecimento de Jesus para os discípulos durante 40 dias, em que ele lhes ensinava sobre o projeto do governo de Deus. Fizemos a comparação deste tempo com os nossos congressos atuais. Coloquei a palavra “congresso” entre aspas de propósito pois obviamente não havia congresso algum, e sim, vários encontros. Antes de prosseguir com o nosso estudo de Atos, convém esclarecer a cronologia de eventos, pois lendo Atos na sequência do Evangelho de João, ou até mesmo como um segundo volume das obras de Lucas (o primeiro sendo o seu Evangelho), é fácil entender que os eventos de Atos simplesmente seguem os eventos dos Evangelhos. Mas não é exatamente assim. O início de Atos relata parte do final dos Evangelhos também, da seguinte forma: Continue lendo →

Opi_03_16_15_matoHá diversas referências na Bíblia para mundo criado por Deus. As mais notórias incluem as palavras hebraicas do Antigo Testamento shāmim e ’erets para “céus” e “terra”; e as palavras gregas do Novo Testamento ktisis para a “criação/criatura”, kosmos para o “mundo”, e ouranos kai para “céu e terra”. Às vezes estes termos são qualificados com a palavra kainos para “novo” (Gl 6.15; 2Co 5.17; Ap 21.1): “novo céu e nova terra” ou “nova criação/criatura”.

Quando alguém procura dizer algo a respeito da perspectiva bíblica sobre o mundo, normalmente procura fazê-lo a partir destes termos. Veja, por exemplo, o excelente estudo de Juan Stam, As boas novas da criação ou o meu mais resumido e-book, Teologia da Criação: passado, presente e futuro. Assim é possível elaborar uma perspectiva bíblica a respeito da criação como essencialmente boa (mesmo atingida e “tingida” pelo pecado) e alvo da redenção de Deus.1 Esta perspectiva já é uma grande correção da perspectiva popular, com base em uma leitura equivocada de 2 Pedro 3.6-10. Digo “equivocada” porque em 2 Pedro a destruição do mundo pelo fogo no futuro é explicitamente comparada com a destruição do mundo pelas águas (o dilúvio) no passado. Ora, o mundo na época de Noé foi “destruído” sim, no sentido de ser varrido por uma calamidade catastrófica. Mas o que surgiu depois não foi um outro mundo, e sim, o mesmo mundo renovado. Semelhantemente quando alguém se converte, se torna “nova criatura”, mas com os mesmos corpo, mente e coração. Somos transformados, e não aniquilados. O “velho homem” morreu para que nasça um homem novo, mas de novo, isto não implica trocar de corpo. Continue lendo →

Prezado Teófilo,

No primeiro livro que escrevi, contei tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo do seu trabalho  até o dia em que ele foi levado para o céu. Antes de ir para o céu, ele deu ordens, pelo poder do Espírito Santo, aos homens que ele havia escolhido como apóstolos.  Depois da sua morte, Jesus apareceu a eles de muitas maneiras, durante quarenta dias, provando, sem deixar dúvida nenhuma, que estava vivo. Os apóstolos viram Jesus, e ele conversava com eles a respeito do Reino de Deus.


Atos 1.1-3 (NTLH)

Há cinco anos escrevo pequenas reflexões bíblicas do estilo mais devocional. Primeiro, em 2010, usei como base a Carta aos Romanos. Depois, em 2011 escrevi sobre o Livro de Jó e nos anos 2012 até 2014, o Evangelho segundo Lucas. Achei que havia encerrado, mas alguns amigos tem me encorajado a continuar. Nos últimos meses tenho pensado sobre isto e resolvi dar continuidade aos estudos no Evangelho de Lucas com uma nova série de reflexões no Livro de Atos. Por que Atos? Parte da resposta é óbvia: o Livro de Atos é a continuação do Evangelho de Lucas. Lucas escreveu o seu Evangelho para relatar a história  de Jesus e sua significância, culminando com a promessa da vinda do Espírito Santo.  Escreveu Atos para relatar como esta promessa se cumpriu na vida da igreja. Mas há pelo menos mais dois motivos… Continue lendo →

 Mas o Espírito de Deus produz o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade,  a humildade e o domínio próprio. — Gálatas 5.22-23 (NTLH)

Recentemente fiz um estudo sobre o fruto do Espírito de Gálatas 5. Não esperava grandes surprezas, pois é uma passagem bastante batida. Entretanto, a observação do fruto ser singular e não plural (“fruto” e não “frutos”) em Gálatas 5 enquanto os dons do Espírito (Rm 12.6-8; 1Co 12.8-11) serem plural começou a me intrigar. A observação habitual se segue: a palavra “dons” está no plural porque nem todo cristão possue todos os dons. Eles pertencem na sua totalidade ao corpo de Cristo todo, a igreja, enquanto o “fruto” do Espírito deve se manifestar, sim, em todos os discípulos de Cristo. Até então, tudo bem Sem novidades… Continue lendo →

Recemente recebi diversos comentários a respeito de uma publicação anterior: “10 nomes de Deus e 18 de Jesus“. O nome próprio mesmo (todos os outros mencionados em referida publicação são ou nomes genêricos ou títulos), geralmente representado sem as vogais como YHWH ou YHVH, é o que dá mais confusão e causa mais polêmica. Por isto, resolvi publicar abaixo parte da introdução que escrevi para A Torá Bilingue, uma publicação da Abba Press de 2010. Um vídeo sobre os recursos da Torá Bilingue se encontra aqui:

E o texto reproduzido se segue… Continue lendo →

Não canso de dizer que a Bíblia Missionária de Estudo (BME) não é uma Bíblia de Estudo para missionários — pelo menos, não exclusivamente. Em vez de objetivar o ministério em terras alheias — por sinal, esperamos que sirva para estimular e dar recursos aos missionários –, é a própria Bíblia em si que entendemos como “missionária”. O simples fato da existência da Bíblia é o maior indício que Deus queira comunicar-se conosco e, ao ler o que está escrito, nela sobressai um plano, um objetivo para o povo que ele chamou e para o mundo que criou. É isso que entendemos de “missão” (eis o título). Por isso, o público da BME são todos aqueles que fazem parte desta missão da divulgação das boas-novas — enfim, todo o povo de Deus.

Por causa desta abrangência maior, a gestão da BME, de certo modo, pertence a todos nós que ouvimos a voz de Deus por meio desta Sua Palavra e nos engajamos em uma missão, mesmo uma missão com diversas incumbências específicas de acordo com o chamado e os dons de cada um. No meu caso, eu me lembro de ter ouvido a pregação simples do meu avô aos 5 anos sobre o papel da fé na vida e ter crido. Naquela tarde, em meu quarto, me lembro de ter entregue a vida a Cristo e iniciado uma vida de oração. Mas tarde, na época da faculdade e por meio da leitura e estudo da Bíblia, eu entendi que ser discípulo de Jesus significava assumir a missão de Deus para a minha vida. Eu ainda não sabia como isto iria se traduzir em termos de carreira profissional, mas no meu caso desconfiava de uma vocação como missionário em outro país. Quatro ou cinco anos depois, aos 25 anos de idade, eu já estava no Brasil e recebi da minha denominação a designação de “evangelista urbano”, que significava plantar igrejas nas cidades do interior do Centro-Oeste do Brasil. Eu fiz isso nos meus primeiros seis anos no Brasil, porém, desde o início com a consciência que a igreja brasileira, grosso modo, sabia melhor evangelizar e plantar igrejas que os meus conterrâneos. Diante desta observação, eu e minha esposa Marta (que conheci no meu primeiro dia no Brasil!), começamos a orar durante aqueles anos para que Deus nos usasse no preparo de brasileiros para o ministério transcultural. Enquanto isto, eu comecei a estudar missiologia (a “ciência” de missões) com o objetivo de me tornar professor. Foi nesta época que a minha atenção voltou-se para o conceito de missão na Bíblia. Este foi assunto da minha tese de mestrado e eventual doutorado. Sem saber, e em retrospectiva, acredito que Deus estava me preparando para a produção da BME.

A minha visão de “missões”, então, foi se voltando cada vez mais para suas bases bíblicas. Quando eu tinha oportunidade de falar sobre missões, falava quase sempre sobre suas bases bíblicas. Foi isso que aconteceu em 1983, quando o Rev. Elben César me convidou para pregar na conferência missionária da Igreja Presbiteriana de Viçosa (MG). Dei três palestras sobre as bases bíblicas de missões que se tornaram, por sua vez, três artigos na revista Ultimato. Depois recebemos o convite para morar em Viçosa e dar início ao Centro Evangélico de Missões. Aqueles estudos e, eventualmente as teses e pesquisas de mestrado e doutorado, transformaram-se ao longo dos 30 anos seguintes em centenas de palestras e sete livros que destacam a missão de Deus por meio da Palavra de Deus.

Com tanta ênfase nesta dimensão missionária da Bíblia durante o meu ministério, alguém poderia imaginar que a produção de uma Bíblia Missionária seria algo inevitável, mas não foi. Deus havia dado a visão desta produção para outra pessoa que eu conhecia quando ele era jovem e participou de uma Conferência Missionária na Assembleia de Deus em Jundiaí onde eu havia pregado. Jamierson conta que esta visão veio em 2001. Nos anos seguintes, ele consultava algumas pessoas sobre o projeto, que mesmo assim não decolou. Em 2007, ele me telefonou, se reapresentou, e me perguntou o que achava da ideia. Por um lado, eu o máximo, mas por outro, certa estranheza. “Por que nunca pensamos nisto antes?”. Assim, então, em 2007, o projeto começou concretamente e, em 2011, passou a ser um projeto abraçado entusiasmadamente pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).

Prontamente, coloquei-me a trabalhar nos seis meses posteriores, escrevendo notas para os primeiros oito livros da Bíblia, de Gênesis a Rute. Diante da grandeza do projeto, percebi a necessidade de montarmos uma equipe maior de autores de notas, reflexões temáticas e apêndices. Conseguimos uma boa e diversificada equipe de cerca de 50 pessoas, de boa reputação e que sabiam fazer a leitura “missionária” da Bíblia. Pessoas como: Bárbara Burns, Carlos Queiroz, Edison Queiroz, Elben César, Hernandes Dias Lopes, Ronaldo Lidório, Russell Shedd, Samuel Escobar, Silas Tostes e Valdir Steuernagel.

Continue lendo →

Finalmente no seu quarto estudo, o tema do Chris Wright foi “Obedecendo ao mandato de Deus” com base em Mateus 28.16-20. Deixou esta passagem por último justamente porque se encontra no final do Evangelho como o clímax de tudo que o precedeu. A passagem é a seguinte…

Seguiram os onze discípulos para a Galileia, para o monte que Jesus lhes designara. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram. Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Enfatizou que a passagem começa falando da autoridade de Cristo derivada e sobre todas as coisas: os céus e a terra, semelhante a postura de Paulo em Efésios 1.9-10 e Colossenses 1.16-17… Continue lendo →