Lançamento

Esta semana, por ocasião do VI Congresso Brasileiro de Missões, um enxerto (Livro de Atos) da Bíblia Missionária de Estudo será lançado pela Sociedade Bíblica. Mais um ano e sai a Bíblia toda, se Deus quiser!

Semana 40: Jó 38-39

Onde é que você estava quando criei o mundo? Se você é tão inteligente, explique isso. (Jó 38.4 NTLH)

Reflexão

Na semana passada observamos, meio embuchado, que tivemos que esperar 38 capítulos para ver finalmente uma conversa de Deus com Jó. Parecia demais. E quando Deus respondeu, deu um show: tempestade e tudo! Mas hoje quero chamar atenção não para a demora da sua resposta para Jó, e sim, para o cumprimento e um pouquinho, o conteúdo.

A resposta mesma ocupa dois capítulos inteiros, capítulos 38 e 39, um total de 71 versículos. Que resposta! Demorou mas falou, e falou para valer! E o que disse?

Basicamente Deus conversa com Jó por meio de perguntas, perguntas que seguem o padrão daquela transcrita acima (38.4). Alías, esta pergunta é a primeira de 32 perguntas dirigidas para Jó (para deixá-lo bem sem graça!). Veja se você consegue achar cada uma. Se for, terá uma surpresa. Cada uma, sem exceção, descreve a magnificência de Deus na criação! Cada uma. Deus, como Criador e Soberano sobre este mundo orgânico e inorgânico é a “resposta” para as angústias, as perplexidades, a chateação e ultimamente a fé desgastada de Jó.Sabe o que é mais incrível para mim? A criação que é mencionada em Jó 38-39 não é a criação de Gênesis 1-2. Pelo menos, não está no mesmo estado. A criação de Jó 38-39 é a criação já debaixo da pena e peso do pecado, certo? Mesmo assim, sim, mesmo assim, Deus é Soberano sobre tudo, sustenta tudo e faz tudo funcionar de modo tão maravilhoso que toda a criação conclame gritando o cuidado dum Deus bondoso e justo.

Agora, vou parar e pedir que você leia e enumere na sua Bíblia as perguntas que Deus faz. Medite em cerca de cinco destas perguntas cada dia. São perguntas para mastigar e contemplar mesmo. Perguntas a respeito da beleza da criação e da magnitude do Criador. Quem ouse ficar “para baixo” depois de completar este exercício?

Oração

Belo, forte, amoroso, cuidadoso, justo, médico dos médicos, cientista do cientistas, mordomo-mor, tudo isso Tu és e muito mais. Minhas angústias dissipam como o orvalho da manhã diante da percepção da tua presença ao meu redor e na minha vida. Alelúia, alelúia. Amém.

Semana 39: Jó 38.1

Depois disso, do meio da tempestade, o SENHOR deu a Jó a seguinte resposta:

Reflexão

Trinta e oito capítulos. Levou 38 capítulos para Deus falar com Jó. E esta é apenas a terceira conversa de Deus no Livro de Jó. (As primeiras duas foram com Satanás!) Já pensou?! Se você fosse Jó, não iria se sentir um tanto negligenciado? O cara apanhava de cada desgraça maior que outra e de Deus, nenhuma explicação! Ah sim, não faltava gente para encher a paciência de Jó, começando pela sua esposa (!) e passando pelos seus melhores amigos (mui amigos!). E de Deus, nada, nadinha de nada. Depois, a segunda dose de encheção dos seus amigos, mas de Deus, nada. Finalmente, Jó tem que engolir a auto-piedade e onisciência daquele moleque, Eliú, mas de Deus mesmo, nada! E Jó, cada vez pior e cada vez mais chateado…até capítulo 38.

Capítulo 38, entra Deus. Mas não entra calmo, tranquilo e sereno. Entra no meio duma tempestade! Muito barulho, muito vento, muita turbulência. Entra Deus e ele tem muito, mas muito para falar…(veremos nas próximas semanas)

Agora pense em você mesmo. Alguma desgraça na sua vida? Alguma chateação? Irado até com Deus? Tens um forte guarda-chuva?

Oração

Ai de mim, meu Pai, pois sou pecador! Em nome de Jesus. Amém.

Uma Nova Heresia?

Esta foi a pergunta que foi levantada para mim quando li a reflexão por Augustus Nicodemus intitulada “Uma nova heresia sobre Paulo”, se referindo a uma linha de estudos paulinos conhecida como a “Nova Perspectiva sobre Paulo” (NPP).[1] Ao ler a sua descrição das perspectivas de E. P. Sanders e de N.T. Wright, confesso que tive grande dificuldade de reconhecer estes autores. O Sanders e o Wright do articulista não são os autores dos seus próprios livros, e sim, uma construção pelo articulista, de fácil destruição. Aliás, é difícil também reconhecer como genuíno o Lutero do articulista. Pergunto, estamos mesmo lidando com uma “nova heresia a respeito de Paulo”, promovida pelo Wright? O equívoco está mesmo com Wright ou com a avaliação a seu respeito? Precisamos duma segunda olhada à controvérsia.

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Semana 38: Jó 38.1-3, 8-11

Depois disso, do meio da tempestade, o SENHOR deu a Jó a seguinte resposta:

“As suas palavras só mostram a sua ignorância; quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria? Mostre agora que é valente e responda às perguntas que lhe vou fazer….Quando o Mar jorrou do ventre da terra, quem foi que fechou os portões para segurá-lo? Fui eu que cobri o Mar com as nuvens e o envolvi com a escuridão. Marquei os seus limites e fechei com trancas as suas portas. E eu lhe disse: ‘Você chegará até este ponto e daqui não passará. As suas altas ondas pararão aqui.’

Reflection:

Na segunda-feira cedo foi surfar com meu amigo Neu, um shaper conhecido no sul do Brasil e membro da nossa igreja. A última vez que fui surfar com ele, em junho passado, o mar estava alto e eu velho, gordo, e fora de forma. Não tinha conseguido passar a arrebentação e vergonhosamente tinha voltado para casa. Esta vez, na segunda-feira, eu estava determinado de não passar vergonha e ele me avisou, delicadamente, “Pastor, o mar não está muito alto, não.” Só que ele se enganou. Estava alto sim, uns 2 metros na face da onda, mas consegui chegar lá fora e descer nas ondas. Mas dei um vexame após outro até tomar um caldo bem feio e abrir o meu queixo quando bati forte no pranchão.

O versículo 11 acima significa muito para mim. Deus é capaz de delimitar o mar e as suas altas ondas. Eu não consigo, mas Ele vence o mar e doma as mais altas ondas.

E quem somos nós diante da grandeza de Deus? Muita pouca coisa. Há mais que ser humilde diante de Deus, inclusive nas nossas falas a seu respeito. Jó não fora muito humilde, mesmo que fosse transparente (a transparência não é tudo!). Precisamos saber qual é o nosso lugar diante do Deus grande.

Oração

Deus grande e maravilhoso, como somos pequeninos diante de Ti. Como precisamos reconhecer a nossa completa dívida a Ti. Entreguemo-nos a Ti, tudo que somos. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 37: Jó 37.1-4

A tempestade me faz bater o coração, como se ele fosse pular para fora do peito. Escutem o estrondo da voz de Deus, o trovão que sai da sua boca. Ele solta relâmpagos por todos os lados do céu e de uma ponta da terra até a outra. Então ouve-se o rugido da sua voz, o forte barulho do trovão; e durante todo o tempo os relâmpagos não param de cair.

Reflexão

Eu tinha 20 anos. Passei o verão na praia como voluntário para uma igreja que teve um ministério com os turistas. De dia eu trabalhava como salva-vidas para me sustentar e à noite participava do ministério entre jovens e turistas.

De vez em quando surgia uma tempestade e todo o mundo saía da praia a procura de abrigo. Como salva-vidas eu era obrigado a permanecer caso  acontecesse algum problema. Sozinho na praia, adorava assistir o show de relâmpagos, vento e ondas. Eu me sentia na própria presença de Deus diante de demonstração de tanto poder.

Um dia destes, em plena tempestade, uma amiga, Betty Lou, chegou na praia para ver se eu estava bem. De repente, com Betty Lou um metro na minha frente, fui empurrado, como por uma mão gigante, nariz para o chão (areia). Quando levantei, para minha surpresa, a Betty Lou ainda estava em pé. Pensei então que não foi o vento que me derrubou. Outro detalhe. A Betty Lou estava em choque, boca aberta. Quando procurei saber o que aconteceu, ela me falou que viu uma bola de fogo cair na minha cabeça, um relâmpago, que me deixou prostrado. Duas pessoas morreram de relâmpago aquele dia no verão de 1.972, mas eu não (óbvio!).

Aprendi aquele dia a lição da passagem acima. Deus é poderoso. E tudo é sujeito a Ele, toda a criação e todas as pessoas. O mundo inteiro, se prestarmos a atenção, proclamar a sua magnitude.

Oração

Grandioso Deus, com é bom sabe que tudo está debaixo do teu controle. Adoramos-te, ó Pai. Em nome de Jesus. Amém

Semana 36: Jó 36.1-4

Eliú continuou a falar. Ele disse:

“Jó, tenha um pouco mais de paciência, pois ainda vou lhe mostrar que tenho outras coisas a dizer a favor de Deus. Usarei os meus profundos conhecimentos para mostrar que Deus, o meu Criador, é justo. Tudo o que vou dizer é verdade; quem está falando com você é realmente um sábio…

Reflexão

Sinceramente, eu não queria falar mais sobre Eliú, o jovem colega dos amigos de Jó, que havia ficado recuado durante todas as trocas entre Jó e seus amigos. Numa devocional, eu não queria enfatizar o “negativo”. Além do mais, creio que já falamos mais que suficiente a respeito da mal compreensão que os amigos de Jó tiveram dele e o equívoco maior ainda deste moço, Eliú.

Mas não dá para para não falar. O tamanho da arrogância de Eliú é simplesmente demais. Não dá para engolir. Imagine dizer: “Usarei os meus profundos conhecimentos…quem está falando com você é realmente um sábio.” Não é demais?!

Mas pergunto: porque nós temos este texto? Qual foi o propósito de Deus em incluir tantos equívocos e tanta arrogância de pessoas assim na Sua Palavra? Dito desta maneira, só consigo pensar em uma coisa. Deus deixou esta conversa, como toda a Bíblia de alguma forma, para minha edificação e para minha exortação.

E por que eu preciso saber que alguém, que pensa que fala em nome de Deus, pode estar tão errado e tão arrogante? Ópa! Sabe onde estou querendo chegar? Eu preciso saber destas pessoas porque eu posso ser uma pessoa assim também.

Oração

Deus tenha misericórdia de mim! Mostre-me quem eu realmente sou e me molde conforme a sua imagem e a sua semelhança. Em nome de Jesus. Amém

Semana 35: Jó 34.1, 5-12

Eliú continuou a falar:

Job declara: “Estou inocente; mas Deus recusa-se a fazer-me justiça. Passo por mentiroso, mesmo tendo razão; sou atingido pelas suas flechas, sem ter culpa nenhuma.” Haverá alguém semelhante a Job? Tem a boca cheia de insolências; junta-se aos malfeitores, faz companhia aos criminosos, ao dizer: “O homem não ganha nada em estar de bem com Deus.” Escutem-me então, gente insensata; nem vos passe pela ideia que Deus pratique o mal ou cometa qualquer injustiça! Deus paga ao homem conforme o que ele faz e retribui-lhe conforme o seu comportamento. A verdade é que Deus não pratica o mal e nunca distorce a justiça. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Ao longo do Livro de Jó, o leitor é obrigado a lidar com uma das questões mais complicadas da teologia e da filosofia: a origem do mal e a sua ligação com Deus. A questão é complicada porque a fé cristã, como a judaica, rejeita um conceito absolutamente dualista do mal e do mal como aquele que se encontra em algumas filosofias orientais, como, por exemplo, o confucionismo onde o ying e o yang existem em perfeita harmonia. A perspectiva bíblica é dum Deus sobernano sobre tudo! Tudo, o bem e o mal. Certamente isto é uma das lições de Jó. Só que isto cria um “problema”. Se Deus é soberano sobre tudo, inclusive por seu criador de tudo, o que dizer da origem do mal e da relação contínua do mal com o soberano. Se o mal possue poder independente de Deus, o que isto diz da soberania de Deus. E de modo converso, se o mal é também subordinado ao Deus como o Soberano, o que isto diz da justiça de Deus? Entendeu o problema? (Não parece um bom assunto para levantar numa devocional!). E a solução desta “dilema”?

Não sei se vamos chegar nesta devocional à solução “correta” mas sei claramente que a solução do moço Eliú, como também dos amigos do Jó, não é a solução correto, mesmo que seja a solução mais popular e divulgada até os dias de hoje entre os seguidores de Deus! Esta solução equivocada é verbalizada por Eliú nos versículos 10-12: nem vos passe pela ideia que Deus pratique o mal ou cometa qualquer injustiça! Deus paga ao homem conforme o que ele faz e retribui-lhe conforme o seu comportamento. A verdade é que Deus não pratica o mal e nunca distorce a justiça.

Veja bem, o problema não está na afirmação em si. O problema está mais com o seu pressuposto e a sua conclusão. Claro que Deus não é o autor do mal. O pressuposto é que Deus nada tem a ver com o mal. Entretanto, quem leu o primeiro capítulo de Jó tem que admitir que Deus permitiu que Satanás usásse maldade contra Jó. Também Eliú errou na sua aplicação ao pressumir que quem é afligido pelo mal, merceu tal aflição por ter cometido alguma injustiça. Novamente, a afirmação em si é um princípio divino seguro: “Deus paga ao homem conforme o que ele faz e retribui-lhe conforme o seu comportamento” (Jó 34.11, veja também Pv 24.12; Jr 17.10; 32.19; Ez 33.20; Mt 16.27; Rm 2.6; 2Co 5.10; 1Pe 1.17; Ap 22.12 e semelhantemente Gl 6.7). Mas a aplicação do princípio por Eliú é simplesmente equivocada: de que Jó cometeu algum mal que redundou nos seus sofrimentos.

Oração

Pai bondoso, a lição de Jó é insistente. Já vimos numerosos vezes de tal modo que nos espantamos com esta Tua palavra. Agradecemos-Te ó Pai pela Tua bondade. Agradecemos-Te pelo Teu Espírito Santo que nos fortalece e conforta nas horas da aflição. Em nome de Jesus. Amém.