Semana 39: Jó 38.1

Depois disso, do meio da tempestade, o SENHOR deu a Jó a seguinte resposta:

Reflexão

Trinta e oito capítulos. Levou 38 capítulos para Deus falar com Jó. E esta é apenas a terceira conversa de Deus no Livro de Jó. (As primeiras duas foram com Satanás!) Já pensou?! Se você fosse Jó, não iria se sentir um tanto negligenciado? O cara apanhava de cada desgraça maior que outra e de Deus, nenhuma explicação! Ah sim, não faltava gente para encher a paciência de Jó, começando pela sua esposa (!) e passando pelos seus melhores amigos (mui amigos!). E de Deus, nada, nadinha de nada. Depois, a segunda dose de encheção dos seus amigos, mas de Deus, nada. Finalmente, Jó tem que engolir a auto-piedade e onisciência daquele moleque, Eliú, mas de Deus mesmo, nada! E Jó, cada vez pior e cada vez mais chateado…até capítulo 38.

Capítulo 38, entra Deus. Mas não entra calmo, tranquilo e sereno. Entra no meio duma tempestade! Muito barulho, muito vento, muita turbulência. Entra Deus e ele tem muito, mas muito para falar…(veremos nas próximas semanas)

Agora pense em você mesmo. Alguma desgraça na sua vida? Alguma chateação? Irado até com Deus? Tens um forte guarda-chuva?

Oração

Ai de mim, meu Pai, pois sou pecador! Em nome de Jesus. Amém.

Uma Nova Heresia?

Esta foi a pergunta que foi levantada para mim quando li a reflexão por Augustus Nicodemus intitulada “Uma nova heresia sobre Paulo”, se referindo a uma linha de estudos paulinos conhecida como a “Nova Perspectiva sobre Paulo” (NPP).[1] Ao ler a sua descrição das perspectivas de E. P. Sanders e de N.T. Wright, confesso que tive grande dificuldade de reconhecer estes autores. O Sanders e o Wright do articulista não são os autores dos seus próprios livros, e sim, uma construção pelo articulista, de fácil destruição. Aliás, é difícil também reconhecer como genuíno o Lutero do articulista. Pergunto, estamos mesmo lidando com uma “nova heresia a respeito de Paulo”, promovida pelo Wright? O equívoco está mesmo com Wright ou com a avaliação a seu respeito? Precisamos duma segunda olhada à controvérsia.

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Semana 38: Jó 38.1-3, 8-11

Depois disso, do meio da tempestade, o SENHOR deu a Jó a seguinte resposta:

“As suas palavras só mostram a sua ignorância; quem é você para pôr em dúvida a minha sabedoria? Mostre agora que é valente e responda às perguntas que lhe vou fazer….Quando o Mar jorrou do ventre da terra, quem foi que fechou os portões para segurá-lo? Fui eu que cobri o Mar com as nuvens e o envolvi com a escuridão. Marquei os seus limites e fechei com trancas as suas portas. E eu lhe disse: ‘Você chegará até este ponto e daqui não passará. As suas altas ondas pararão aqui.’

Reflection:

Na segunda-feira cedo foi surfar com meu amigo Neu, um shaper conhecido no sul do Brasil e membro da nossa igreja. A última vez que fui surfar com ele, em junho passado, o mar estava alto e eu velho, gordo, e fora de forma. Não tinha conseguido passar a arrebentação e vergonhosamente tinha voltado para casa. Esta vez, na segunda-feira, eu estava determinado de não passar vergonha e ele me avisou, delicadamente, “Pastor, o mar não está muito alto, não.” Só que ele se enganou. Estava alto sim, uns 2 metros na face da onda, mas consegui chegar lá fora e descer nas ondas. Mas dei um vexame após outro até tomar um caldo bem feio e abrir o meu queixo quando bati forte no pranchão.

O versículo 11 acima significa muito para mim. Deus é capaz de delimitar o mar e as suas altas ondas. Eu não consigo, mas Ele vence o mar e doma as mais altas ondas.

E quem somos nós diante da grandeza de Deus? Muita pouca coisa. Há mais que ser humilde diante de Deus, inclusive nas nossas falas a seu respeito. Jó não fora muito humilde, mesmo que fosse transparente (a transparência não é tudo!). Precisamos saber qual é o nosso lugar diante do Deus grande.

Oração

Deus grande e maravilhoso, como somos pequeninos diante de Ti. Como precisamos reconhecer a nossa completa dívida a Ti. Entreguemo-nos a Ti, tudo que somos. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 37: Jó 37.1-4

A tempestade me faz bater o coração, como se ele fosse pular para fora do peito. Escutem o estrondo da voz de Deus, o trovão que sai da sua boca. Ele solta relâmpagos por todos os lados do céu e de uma ponta da terra até a outra. Então ouve-se o rugido da sua voz, o forte barulho do trovão; e durante todo o tempo os relâmpagos não param de cair.

Reflexão

Eu tinha 20 anos. Passei o verão na praia como voluntário para uma igreja que teve um ministério com os turistas. De dia eu trabalhava como salva-vidas para me sustentar e à noite participava do ministério entre jovens e turistas.

De vez em quando surgia uma tempestade e todo o mundo saía da praia a procura de abrigo. Como salva-vidas eu era obrigado a permanecer caso  acontecesse algum problema. Sozinho na praia, adorava assistir o show de relâmpagos, vento e ondas. Eu me sentia na própria presença de Deus diante de demonstração de tanto poder.

Um dia destes, em plena tempestade, uma amiga, Betty Lou, chegou na praia para ver se eu estava bem. De repente, com Betty Lou um metro na minha frente, fui empurrado, como por uma mão gigante, nariz para o chão (areia). Quando levantei, para minha surpresa, a Betty Lou ainda estava em pé. Pensei então que não foi o vento que me derrubou. Outro detalhe. A Betty Lou estava em choque, boca aberta. Quando procurei saber o que aconteceu, ela me falou que viu uma bola de fogo cair na minha cabeça, um relâmpago, que me deixou prostrado. Duas pessoas morreram de relâmpago aquele dia no verão de 1.972, mas eu não (óbvio!).

Aprendi aquele dia a lição da passagem acima. Deus é poderoso. E tudo é sujeito a Ele, toda a criação e todas as pessoas. O mundo inteiro, se prestarmos a atenção, proclamar a sua magnitude.

Oração

Grandioso Deus, com é bom sabe que tudo está debaixo do teu controle. Adoramos-te, ó Pai. Em nome de Jesus. Amém

Semana 36: Jó 36.1-4

Eliú continuou a falar. Ele disse:

“Jó, tenha um pouco mais de paciência, pois ainda vou lhe mostrar que tenho outras coisas a dizer a favor de Deus. Usarei os meus profundos conhecimentos para mostrar que Deus, o meu Criador, é justo. Tudo o que vou dizer é verdade; quem está falando com você é realmente um sábio…

Reflexão

Sinceramente, eu não queria falar mais sobre Eliú, o jovem colega dos amigos de Jó, que havia ficado recuado durante todas as trocas entre Jó e seus amigos. Numa devocional, eu não queria enfatizar o “negativo”. Além do mais, creio que já falamos mais que suficiente a respeito da mal compreensão que os amigos de Jó tiveram dele e o equívoco maior ainda deste moço, Eliú.

Mas não dá para para não falar. O tamanho da arrogância de Eliú é simplesmente demais. Não dá para engolir. Imagine dizer: “Usarei os meus profundos conhecimentos…quem está falando com você é realmente um sábio.” Não é demais?!

Mas pergunto: porque nós temos este texto? Qual foi o propósito de Deus em incluir tantos equívocos e tanta arrogância de pessoas assim na Sua Palavra? Dito desta maneira, só consigo pensar em uma coisa. Deus deixou esta conversa, como toda a Bíblia de alguma forma, para minha edificação e para minha exortação.

E por que eu preciso saber que alguém, que pensa que fala em nome de Deus, pode estar tão errado e tão arrogante? Ópa! Sabe onde estou querendo chegar? Eu preciso saber destas pessoas porque eu posso ser uma pessoa assim também.

Oração

Deus tenha misericórdia de mim! Mostre-me quem eu realmente sou e me molde conforme a sua imagem e a sua semelhança. Em nome de Jesus. Amém

Semana 35: Jó 34.1, 5-12

Eliú continuou a falar:

Job declara: “Estou inocente; mas Deus recusa-se a fazer-me justiça. Passo por mentiroso, mesmo tendo razão; sou atingido pelas suas flechas, sem ter culpa nenhuma.” Haverá alguém semelhante a Job? Tem a boca cheia de insolências; junta-se aos malfeitores, faz companhia aos criminosos, ao dizer: “O homem não ganha nada em estar de bem com Deus.” Escutem-me então, gente insensata; nem vos passe pela ideia que Deus pratique o mal ou cometa qualquer injustiça! Deus paga ao homem conforme o que ele faz e retribui-lhe conforme o seu comportamento. A verdade é que Deus não pratica o mal e nunca distorce a justiça. (Sociedade Bíblica de Portugal)

Reflexão

Ao longo do Livro de Jó, o leitor é obrigado a lidar com uma das questões mais complicadas da teologia e da filosofia: a origem do mal e a sua ligação com Deus. A questão é complicada porque a fé cristã, como a judaica, rejeita um conceito absolutamente dualista do mal e do mal como aquele que se encontra em algumas filosofias orientais, como, por exemplo, o confucionismo onde o ying e o yang existem em perfeita harmonia. A perspectiva bíblica é dum Deus sobernano sobre tudo! Tudo, o bem e o mal. Certamente isto é uma das lições de Jó. Só que isto cria um “problema”. Se Deus é soberano sobre tudo, inclusive por seu criador de tudo, o que dizer da origem do mal e da relação contínua do mal com o soberano. Se o mal possue poder independente de Deus, o que isto diz da soberania de Deus. E de modo converso, se o mal é também subordinado ao Deus como o Soberano, o que isto diz da justiça de Deus? Entendeu o problema? (Não parece um bom assunto para levantar numa devocional!). E a solução desta “dilema”?

Não sei se vamos chegar nesta devocional à solução “correta” mas sei claramente que a solução do moço Eliú, como também dos amigos do Jó, não é a solução correto, mesmo que seja a solução mais popular e divulgada até os dias de hoje entre os seguidores de Deus! Esta solução equivocada é verbalizada por Eliú nos versículos 10-12: nem vos passe pela ideia que Deus pratique o mal ou cometa qualquer injustiça! Deus paga ao homem conforme o que ele faz e retribui-lhe conforme o seu comportamento. A verdade é que Deus não pratica o mal e nunca distorce a justiça.

Veja bem, o problema não está na afirmação em si. O problema está mais com o seu pressuposto e a sua conclusão. Claro que Deus não é o autor do mal. O pressuposto é que Deus nada tem a ver com o mal. Entretanto, quem leu o primeiro capítulo de Jó tem que admitir que Deus permitiu que Satanás usásse maldade contra Jó. Também Eliú errou na sua aplicação ao pressumir que quem é afligido pelo mal, merceu tal aflição por ter cometido alguma injustiça. Novamente, a afirmação em si é um princípio divino seguro: “Deus paga ao homem conforme o que ele faz e retribui-lhe conforme o seu comportamento” (Jó 34.11, veja também Pv 24.12; Jr 17.10; 32.19; Ez 33.20; Mt 16.27; Rm 2.6; 2Co 5.10; 1Pe 1.17; Ap 22.12 e semelhantemente Gl 6.7). Mas a aplicação do princípio por Eliú é simplesmente equivocada: de que Jó cometeu algum mal que redundou nos seus sofrimentos.

Oração

Pai bondoso, a lição de Jó é insistente. Já vimos numerosos vezes de tal modo que nos espantamos com esta Tua palavra. Agradecemos-Te ó Pai pela Tua bondade. Agradecemos-Te pelo Teu Espírito Santo que nos fortalece e conforta nas horas da aflição. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 34: Jó 32 e 33

Jó 32.1-7 (NTLH)

Jó estava convencido da sua inocência, e por isso os três amigos desistiram de continuar a discutir com ele. Acontece que ali estava um homem chamado Eliú, filho de Baraquel e descendente de Buz, do grupo de famílias de Rão. Eliú ficou muito zangado com Jó porque este dizia que era inocente e que Deus era culpado. E também ficou zangado com os três amigos porque eles não puderam responder a Jó, dando assim a idéia de que Deus estava errado. Eliú esperou para falar no fim, pois os outros eram mais velhos do que ele. Quando viu que eles não souberam como responder a Jó, Eliú ficou zangado. Então Eliú, filho de Baraquel e descendente de Buz, disse: “Eu sou moço, e vocês são idosos. Foi por isso que não me atrevi a dar a minha opinião. Pensei assim: ‘Que fale a voz da experiência, que os muitos anos mostrem a sua sabedoria!’

Jó 32.15 – 33.1 (NTLH)

“Jó, estes três estão derrotados e não têm mais palavras para continuar a discutir. Eles já pararam; não falam mais. Será que devo continuar esperando enquanto estão calados? Não! Eu darei a minha resposta agora e direi o que penso sobre o assunto. Tenho muito o que falar e já não consigo mais ficar calado. Se eu não falar, sou capaz de estourar como um odre cheio de vinho novo. Não agüento mais; preciso desabafar, quero dar a minha opinião. Não vou tomar partido nesta discussão e não vou adular ninguém. Eu não costumo bajular; e, se bajulasse, o Criador logo me castigaria. “Por isso, Jó, escute as minhas palavras e preste atenção em tudo o que vou dizer.

Jó 33.31-33 (NTLH)

“Agora, Jó, escute com atenção; fique calado, pois vou falar. Se você tem alguma coisa a dizer, responda, pois eu gostaria de lhe dar razão. Se não, fique calado e escute, que eu lhe ensinarei como ser sábio.”

Reflexão

Escolhi as passagens acima, dos capítulos 32 e 33, só para você pegar o fio da meada. Quem sabe mais tarde poderá ler a passagem toda depois. O cenário é triste…

Eliú é um moço mais novo que acompanhava o diálogo entre Jó e os seus três amigos desde o capítulo 2. Mantinha-se calado dando preferência aos mais velhos. Mas quando os três amigos de Jó finalmente se calam diante dos protestos de Jó e da sua insistência de inocência, o coitado não se consegue mais permanecer calado. Considera os três amigos de Jó como medrosos e se encarrega de “dar uma lição” tanto para os amigos de Jó quanto para o próprio Jó. Seu pressuposto é o mesmo que os amigos de Jó: que Jó é culpado, pecaminoso e mereceu a sorte que recebeu. E se considera ungido e dirigido pelo próprio Espírito de Santo na sua resposta. É um drama de pretensão e insensatez mascaradas de suposta espiritualidade. É um cenário que nos dá uma triste lição.

Hoje tenho 59 anos mas ainda corro perigo de agir e vira e mexe ainda ajo com Eliú. Especialmente desprezível  é o forte apelo ao Espírito Santo, sonhos e visões para tentar justificar a sua posição. Confesso que fico com um pezão para trás quando escuto este tipo de apologética. Quem realmente anda pelo Espírito Santo de Deus não precisa fazer propaganda disto. Antes o atitude do apóstolo Paulo: “o menor de todos os santos” (Ef 3.8) e “eu sou o maior dos pecadores” (1Tm 1.15).

Oração

Pai amado. Revista-nos do Espírito de Cristo que se humilhou ao ponto de morrer na cruz. E nos dê, sim, uma porção extraordinária do Seu Espírito Santo, não para nos orgulhamos mas para brotar em nós o Seu fruto: humildade, bondade, perseverança, os demias. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 33: Jó 31.37

Darei conta a Deus de todos os meus atos e na presença dele ficarei de cabeça erguida. (NTLH)

Reflexão

No sábado passado enterrei uma criança de um ano e oito meses, morta subitamente por uma infeção hospitalar. Dor irracional para os pais e parentes. E eu não tinha palavras. Ninguém tinha.

Logo em seguida, um casamento na igreja duma filha duma amiga muito querida nossa. Festa e bolo para todos!

Domingo no culto encontramos com duas ex-alunas de 8 anos atrás. Muita risada e boas lembranças. Mas tristes notícias de outros alunos que não permaneceram na fé ou passaram por dificuldades ruins.

Na segunda-feira, na minha caminhada na praia, avistei uma baleia durante mais que uma hora brincando e levantado a calda dentro de 100 metros de distância. Fiquei extático!

Como a vida é estranha. Mistura sem sentido de sentidos incompreensíveis, inesperados e inexplicáveis. Bons e ruins. Dádiva e dor de Deus. Tudo embrulhado no mesmo pacote.

Que tem o versículo acima a ver com isso? Faz parte da longa defesa de Jó em relação a sua retidão. É o seu resumo da defesa. Assim, Jó está afirmando que, independentemente das circunstâncias e mesmo às vezes querendo, Jó não iria chutar o balde. Continuaria a viver uma vida reta e justa sabendo que um dia ele, como nós, teria que dar conta a Deus.

A vida traz sensações estranhas e extremamente antagônicas, desde o mais horrível dor irracional até a exultação do coração. E a nossa fé? Vacilará de acordo com estas sensações. Ou podemos dizer junto com Jó e diante de Deus: “ficarei com a cabeça erguida”.

Oração

Somos gratos a Ti, SENHOR, pelo bem e pelo mal permites participar das nossas vidas. Nossa oração continua a ser: ‘livra-nos de todo mal’, mas quando vem apesar do nosso pedido continuaremos confiantes nos Teus bons designos. Em nome de Jesus Cristo. Amém