Calvino e missões

Recentemente publiquei duas reflexões sobre a perspectiva missionária de João Calvino. Veja aqui e aqui

As pessoas não são coisas

Semana 58: Lucas 16.1-9

Jesus disse aos seus discípulos: — Havia um homem rico que tinha um administrador que cuidava dos seus bens. Foram dizer a esse homem que o administrador estava desperdiçando o dinheiro dele. Por isso ele o chamou e disse: “Eu andei ouvindo umas coisas a respeito de você. Agora preste contas da sua administração porque você não pode mais continuar como meu administrador.” — Aí o administrador pensou: “O patrão está me despedindo. E, agora, o que é que eu vou fazer? Não tenho forças para cavar a terra e tenho vergonha de pedir esmola. Ah! Já sei o que vou fazer… Assim, quando for mandado embora, terei amigos que me receberão nas suas casas.” — Então ele chamou todos os devedores do patrão e perguntou para o primeiro: “Quanto é que você está devendo para o meu patrão?” — “Cem barris de azeite!” — respondeu ele. O administrador disse: — “Aqui está a sua conta. Sente-se e escreva cinqüenta.” — Para o outro ele perguntou: “E você, quanto está devendo?” — “Mil medidas de trigo!” — respondeu ele. — “Escreva oitocentas!” — mandou o administrador. — E o patrão desse administrador desonesto o elogiou pela sua esperteza. E Jesus continuou: — As pessoas deste mundo são muito mais espertas nos seus negócios do que as pessoas que pertencem à luz. Por isso eu digo a vocês: usem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam vocês no lar eterno.

Esta é uma passagem difícil. Parece que Jesus está incentivando a corrupção. Tanto que o imperador romano Juliano, no século IV, citou esta passagem para os nobres romanos como exemplo da corrupção dos cristãos e do seu líder, Jesus. Como entendê-la? Mais >

O homem justo que teve dois filhos…

Semana 57: Lucas 15.11-32

E Jesus disse ainda: — Um homem tinha dois filhos. (v.11)

A parábola do filho perdido se encontra apenas no Evangelho de Lucas e faz parte duma trilogia que inclui também as parábolas da ovelha perdida e da moeda perdida (15.1-10). A parábola do filho perdido é talvez a mais conhecida das parábolas e por isso mesmo, a gente acaba não prestando a devida atenção para perceber o peso que esta parábola apresenta. Mais >

O bom cálculo

Semana 56: Lucas 14.25-35

Certa vez uma grande multidão estava acompanhando Jesus. Ele virou-se para eles e disse: — Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Se um de vocês quer construir uma torre, primeiro senta e calcula quanto vai custar, para ver se o dinheiro dá. Se não fizer isso, ele consegue colocar os alicerces, mas não pode terminar a construção. Aí todos os que virem o que aconteceu vão caçoar dele, dizendo: “Este homem começou a construir, mas não pôde terminar!” — Se um rei que tem dez mil soldados vai partir para combater outro que vem contra ele com vinte mil, ele senta primeiro e vê se está bastante forte para enfrentar o outro. Se não fizer isso, acabará precisando mandar mensageiros ao outro rei, enquanto este ainda estiver longe, para combinar condições de paz. Jesus terminou, dizendo: — Assim nenhum de vocês pode ser meu discípulo se não deixar tudo o que tem. — O sal é uma coisa útil; mas, se perde o gosto, deixa de ser sal. É jogado fora, pois não serve mais nem para a terra nem para o monte de esterco. Se vocês têm ouvidos para ouvirem, então ouçam.

Para ilustrar o seu desafio para assumir um discipulado radical, Jesus usou duas analogias, a da torre e a outra, do combate. O seu ponto era simples e patente. Ambas as comparações ilustram a necessidade de “calcular o preço” de qualquer compromisso de longo prazo, quer um compromisso com a guerra, quer com uma construção complexa. Não convém fazer estas coisas na mera empolgação. Pois corre o perigo de começar bem, e depois, descambar!

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O segundo convite

Semana 55: Lucas 14.15-24*

Um dos que estavam à mesa ouviu isso e disse para Jesus:

Felizes os que irão sentar-se à mesa no Reino de Deus!

Então Jesus lhe disse:

Certo homem convidou muita gente para uma festa que ia dar. Quando chegou a hora, mandou o seu empregado dizer aos convidados:

“Venham, que tudo já está pronto!”

Mas eles, um por um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse ao empregado:

“Comprei um sítio e tenho de dar uma olhada nele. Peço que me desculpe.”

Outro disse:

“Comprei cinco juntas de bois e preciso ver se trabalham bem. Peço que me desculpe.”

E outro disse:

“Acabei de casar e por isso não posso ir.”

O empregado voltou e contou tudo ao patrão. Ele ficou com muita raiva e disse:

“Vá depressa pelas ruas e pelos becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.”

Mais tarde o empregado disse:

“Patrão, já fiz o que o senhor mandou, mas ainda está sobrando lugar.”

Aí o patrão respondeu:

“Então vá pelas estradas e pelos caminhos e obrigue os que você encontrar ali a virem, a fim de que a minha casa fique cheia. Pois eu afirmo a vocês que nenhum dos que foram convidados provará o meu jantar!”

Na passagem que acabamos de ler, Jesus nos conta uma parábola onde uma pessoa importante deseja uma festa cheia de alegria e cheia de pessoas. Todos que conhecem a parábola sabem que ela se refere ao grande banquete de celebração do messias. Geralmente pensamos que isto se refere a um evento no fim dos tempos. E se refere a isto. Só que pouco se percebe que a festa já se iniciou e se for ler o conto com cuidado veremos que Jesus também se referia a algo que já se iniciou. A grande pergunta que permanece através de toda a parábola é: qual é a nossa parte nesta história e qual é o seu papel na festa? Ou, para a fazer a pergunta dum jeito que já se acostumaram a ouvir: quem é você nesta história? As parábolas quase sempre nos levam a fazer esta pergunta e a pergunta é séria: quem é você nesta história? Mais >

O grande e piedoso eu!?

Semana 54: Lucas 14.1-11

Num sábado, Jesus entrou na casa de certo líder fariseu para tomar uma refeição. E as pessoas que estavam ali olhavam para Jesus com muita atenção. Um homem, com as pernas e os braços inchados, chegou perto dele. E Jesus perguntou aos mestres da Lei e aos fariseus: — A nossa Lei permite curar no sábado ou não? Mas eles não responderam nada. Então Jesus pegou o homem, curou-o e o mandou embora. Aí disse: — Se um filho ou um boi de algum de vocês cair num poço, será que você não vai tirá-lo logo de lá, mesmo que isso aconteça num sábado? E eles não puderam responder. Certa vez Jesus estava reparando como os convidados escolhiam os melhores lugares à mesa. Então fez esta comparação: — Quando alguém convidá-lo para uma festa de casamento, não sente no melhor lugar. Porque pode ser que alguém mais importante tenha sido convidado. Então quem convidou você e o outro poderá dizer a você: “Dê esse lugar para este aqui.” Aí você ficará envergonhado e terá de sentar-se no último lugar. Pelo contrário, quando você for convidado, sente-se no último lugar. Assim quem o convidou vai dizer a você: “Meu amigo, venha sentar-se aqui num lugar melhor.” E isso será uma grande honra para você diante de todos os convidados. Porque quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha será engrandecido.

No Evangelho de Lucas, há muitas refeições. Isto já nos diz algo sobre como poderemos conceber a vida cristã: algo do cotidiano, que todos fazem, algo que fazemos juntos, algo com uma dimensão de gostoso, nutritivo mas onde também pode haver atrito e disputa pela “melhor” parte. Tudo isto faz parte da caminhada da fé. E na passagem acima encontramos uma parábola (vv.7-11; ou “comparação”, dita em v.7) e como todas as parábolas tem significado além do óbvio. O “óbvio”, por sinal, já é uma boa “lição” de boa etiqueta: não se procura o melhor lugar para sentar quando chega a uma casa como convidado, mas deixa-se que o hospedeiro o honre, conforme queira. Mas há mais… Mais >

A tragédia de um incêndio

Semana 53: Lucas 13.31-35

Naquele momento alguns fariseus chegaram perto de Jesus e disseram: — Vá embora daqui, porque Herodes quer matá-lo. Jesus respondeu: — Vão e digam para aquela raposa que eu mandei dizer o seguinte: “Hoje e amanhã eu estou expulsando demônios e curando pessoas e no terceiro dia terminarei o meu trabalho.” E Jesus continuou: — Mas eu preciso seguir o meu caminho hoje, amanhã e depois de amanhã; pois um profeta não deve ser morto fora de Jerusalém. — Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os mensageiros que Deus lhe manda! Quantas vezes eu quis abraçar todo o seu povo, assim como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! Agora a casa de vocês ficará completamente abandonada. Eu afirmo que vocês não me verão mais, até chegar o tempo em que dirão: “Deus abençoe aquele que vem em nome do Senhor!”

Não aparece a palavra “fogo” ou “incêndio” nesta passagem mas a sua referência é clara na imagem da galinha. O comportamento da galinha diante de um incêndio é bem conhecido para quem foi criado no sítio ou na fazenda. Não é raro, depois de uma incêndio, achar uma galinha morta carbonizada e os pintinhos sãos e salvos debaixo das suas asas…

É impossível, até escandoloso, refletir sobre este texto sem se horrizar pelos fatos da segunda maior tragédia de incêndio na história do Brasil ocorrida anteontem à noite em Santa Maria. Fiquei espantado ao assistir as cenas naquela cidade onde eu e a minha esposa labutamos para estabelecer uma igreja entre 1982 e 1983. Profundo lamento e tristeza pelos pais e amigos das vítimas e indignação pelos reponsáveis, donos e autoridades civis, que permitiram de uma forma ou outra tamanho descaso.

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Exclusão

Semana 52: Lucas 13.22-30

Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando na sua viagem para Jerusalém. Alguém perguntou: — Senhor, são poucos os que vão ser salvos? Jesus respondeu: — Façam tudo para entrar pela porta estreita. Pois eu afirmo a vocês que muitos vão querer entrar, mas não poderão. — O dono da casa vai se levantar e fechar a porta. Então vocês ficarão do lado de fora, batendo na porta e dizendo: “Senhor, nos deixe entrar!” E ele responderá: “Não sei de onde são vocês.” Aí vocês dirão: “Nós comemos e bebemos com o senhor. O senhor ensinou na nossa cidade.” Mas ele responderá: “Não sei de onde são vocês. Afastem-se de mim, vocês que só fazem o mal.” Quando vocês virem Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus e vocês estiverem do lado de fora, então haverá choro e ranger de dentes de desespero. Muitos virão do Leste e do Oeste, do Norte e do Sul e vão sentar-se à mesa no Reino de Deus. E os que agora são os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.

Que palavras duras! Falam do julgamento final e daqueles que serão incluídos no reino de Deus e daqueles que serão excluídos, São palavras duras tanto hoje e quanto nos dias de Jesus. Quem serão os incluídos e quem serão os excluídos? A passagem não os identifica com todas as letras, mas dá algumas boas pistas… Mais >