Semana 52: Jó 42.16-17

Depois disso, Jó ainda viveu cento e quarenta anos, o bastante para ver netos e bisnetos. E morreu bem velho. (NTLH)

Reflexão

Chegamos no final de Jó e no final do ano ano de meditações. Sinceramente, eu achava que não ia dar 52 meditações! Mas que livro cheio de lições. E que livro cheio de dores. Que bom que terminou tão bem. Sinal de abençoado por Deus: os filhos os bens e a sua longa vida: 140 anos, o suficiente para ver netos e bisnetos, e lembra… duma nova leva de filhos e filhas pois os primeiros morreram, igual nos fala o Salmo 128.6.

No fim, Jó foi vindicado. E foi vindicado por Deus. É possível tirar uma conclusão de tudo isto? Creio que sim. Algo como:

Pois o SENHOR dirige e abençoa a vida daqueles que lhe obedecem, porém o fim dos maus são a desgraça e a morte. (Salmo 1.6)

Este é o Deus Criador que servimos, o Deus que cuida de nós mesmo quando pareça bem distante e até ausente. Deus cuida do justo. Jó tinha razão de não dar ouvidos para a sua esposa que queria que ele amaldiçoasse Deus (Jó 2.9). Certo que Jó resmungou, reclamou, se chateou e quis mesmo “chutar o balde”. Mas não chutou e quando Deus finalmente fala com ele, Jó baixa bem a bola e se entrega a Deus.

Que nós pudessémos fazer igual!

Oração

Altíssimo Deus. Graças ti damos pela tua misericórdia e pelo teu cuidado de nós. Em Cristo Jesus. Amém.

Semana 51: Jó 42.14-15

À primeira deu o nome de Jemima; à segunda chamou de Cássia; e à terceira, de Querém-Hapuque. No mundo inteiro não havia mulheres tão lindas como as filhas de Jó. E o pai as fez herdeiras dos seus bens, junto com os seus irmãos.

Reflexão

Ainda falando da maneira que Deus abençoou Jó no final da sua vida, encontramos a descrição acima. Como homem, confesso, se é para confessar, que gosto de mulheres lindas. Entretanto, tendo a associar esta atração não como algo de Deus, e sim, da carne ou até mesmo do diabo! E lógico, o ensino bíblico é claríssimo a respeito do carácter pecaminoso da sedução e cobiça. Mas me ocorre, ao ler esta passagem, que a beleza em si não é coisa ruim, não, é característica da bênção de Deus, como a boa saúde, o boa razão e assim adiante. O problema, obviamente, está com o uso e destino destas coisas boas que nós, pessoas que sofremos o efeito do pecado, fazemos delas.

Outra curiosidade desta passagem é a menção da herança pelas filhas, junto com os filhos, dos bens do pai, Jó. Para nós isto é normal. No mundo antigo, entretanto, era fora do comum. Mas a situação do Jó não era nada comum. E ele ficou tão agradecido que deu a estas lindas filhas, nomes que demonstraram a sua gratidão: Jemima (“o dia”), porque a noite escura de sofrimento se findou; Cássia (uma erva muito fragante), porque Deus sarou as úlceras que fediam tanto; e Querém-Hapuque (“abudância restorada” ou “chifre de tinta”), porque Deus secou as suas lágrimas do seu rosto envermelhado de tristeza (16.16). Ou seja, marcou definitivamente a mudança da sua sorte.

E tu, já marcou definitivamente a mudança da sua sorte, quando Deus te abençou abundantemente? Como marcar, não sei. Mas vale à pena uma marcação inesquecível, como Jó fizera.

Oração

Graças Ti dou, amado Deus, por ter mudado a minha sorte. Em Cristo Jesus. Amém.

Semana 50: Jó 42.12b -13

Ele chegou a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, dois mil bois e mil jumentas. Também foi pai de sete filhos e três filhas. (NTLH)

Reflexão

Lembra do início deste livro, Jó 1.2-3, que descreve as riquezas de Jó? Aqui, no final da sua vida, Deus restaura a sorte de Jó. Novamente ele tem sete filhos e três filhas, um total de dez, que é um sinal de perfeição. Mas o seu rebanho, no início “perfeito” (múltiplos de 10) agora é exatamente em dobro! Isto é, as suas riquezas era perfeitas dobrado! Mais adiante (42.16) veremos que a sua vida também foi dobrada (para 140 anos) porque a expectativa de uma vida normal era de 70 anos (veja Salmo 90.10). Tudo em dobro (42.10) do que era antes e antes já era o homem mais rico e abençoado!

Como se dobra a perfeição? Somente Deus, e sim, é algo inconcebível, mesmo que quantificável. Inconcebível porque a perfeição já ultrapassa os nossos limites de compreensão sem pensar em dobrá-la. Quantificável porque poderia literalmente contar os seus bens.

Esta é uma história bem oito ou oitenta, não é? Ou as vacas são bem magras mesmo ou são gordas além do que imaginamos. Deus permite desertos terríveis nas nossas vidas e Deus também abençoa. Aliás, toda esta história de desastres e sofrimentos caminha nesta direção dos propósitos ultimamente abençoadores de Deus que caminha pelo auto-conhecimento da fragilidade humana e o reconhecimento humano da soberania e bondade últimas de Deus.

Deus é bom, sim, mesmo quando não parece.

Oração

Bondoso Pai, somos imensamente gratos pela tua graça. Louvado seja o teu santo nome. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 49: Jó 42.12a

O SENHOR abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira. (NTLH)

Reflexão

Deus não nos trata da mesma maneira sempre. O versículo acima diz que abençoou a última parte da vida de Jó mais do que a primeira. A nossa noção doutrinária da imutabilidade de Deus nos leva a conclusões equivocadas. Leva-nos a pensar que Deus sempre tem que nos tratar da mesma forma como tem que tratar todas as pessoas de maneira igual (como base, a gente costuma citar: “Deus não faz acepção de pessoas”). Mas o testemunho bíblico não confirma nenhuma destas duas conclusões. A imutabilidade de Deus, a sua constância, se refere a seu carácter, não à sua reação conforme as circunstâncias (estas últimas que nunca sabemos por completo). Ou seja, Deus é sempre justo, mas conforme as circunstâncias e coisas que jamais saberemos necessariamente, às vezes a sua justiça se expressa como compaixão e misericórdia e às vezes se expressa em termos de julgamento e castigo.

Por isto mesmo (e por outros motivos além da nossa visão) passamos períodos da vida quando experimentamos mais ou menos a bênção de Deus sobre as nossas vidas. O que poderemos ter certeza é que “Deus, que começou esse bom trabalho na vida de vocês, vai continuá-lo até que ele esteja completo no Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6). E por isso, como o apóstolo Paulo, e quem sabe, também eventualmente Jó, podemos concluir:

Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco. Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação. (Filipenses 4.12-13 NTLH)

Citar estas passagens não é difícil. Vivê-las é tão difícil para mim que é para você.

Oração

Bondoso Pai. Não é nada fácil confiar em Ti quando as circunstâncias não parecem promissoras. Preferimos um caminho mais fácil para crescer, amadurece, aprender. Mas ajuda MUITO saber que teu caminho para nós é melhor que o nosso. Muito obrigado por cuidar tanto da gente. Em nome de Cristo Jesus. Amém.

Semana 48: Jó 42.10-11

Depois que Jó acabou de orar pelos seus três amigos, o SENHOR fez com que ele ficasse rico de novo e lhe deu em dobro tudo o que tinha tido antes. Todos os seus irmãos e irmãs e todos os seus amigos foram visitá-lo e tomaram parte num banquete na casa dele. Falaram de como estavam tristes pelo que lhe havia acontecido e o consolaram por todas as desgraças que o SENHOR havia feito cair sobre ele. E cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro. (NTLH)

Reflexão

Na reflexão anterior reparamos que Deus avisou os amigos de Jó que deveriam pedir para Jó orar por eles. E na passagem acima é exatamente isso que Jó fez. Orou pelos seus amigos. Fácil? Tenho a impressão que não.

Pense bem. Estes “amigos” haviam aborrecido Jó extensiva e profundamente durante boa parte do Livro de Jó. Pior, haviam feito isto com ar de piedade. Sabe como é quando alguém fala contigo “em nome de Deus” e você sabe muito bem que é papo furado? Jó poderia ter guardado muito rancor. Poderia, mas evidentemente não fez. A passagem acima não nos dá os detalhes e nem precisamos. O importante é saber que Jó “perdoou” os seus amigos ao ponto de recebê-los para um grande banquete. Não é incrível isso? Não muito bonito? Podemos fazer igual?

Um “pequeno” detalhe, não que isto deve ser a nossa principal motivação: primeiro, Jó perdoou os seus amigos e somente depois, Deus restaurou a sua sorte. Aliás, não só restaurou como multiplicou, e multiplicou muito.

Coincidência?

Oração

Pai, somos bem frágeis. Queremos mesmo felicidade e paz. Tememos dificuldades e sofrimentos. Pior ainda é quando somos acusados religiosa e falsamente de sermos pecadores pelo nosso sofrimento. Não deixes que nosso coração endureça. Conceda-nos um espírito de misericórdia e compaixão como vemos em Jesus. Pelo poder do Teu Espírito Santo e em nome de Jesus. Amém.

Semana 47: Jó 42.7-9

Depois que acabou de falar com Jó, o SENHOR disse a Elifaz, da região de Temã: — Estou muito irado com você e com os seus dois amigos, pois vocês não falaram a verdade a meu respeito, como o meu servo Jó falou. Agora peguem sete touros e sete carneiros, levem a Jó e ofereçam como sacrifício em favor de vocês. O meu servo Jó orará por vocês, e eu aceitarei a sua oração e não os castigarei como merecem, embora vocês não tenham falado a verdade a meu respeito, como Jó falou. Então Elifaz, que era da região de Temã, Bildade, que era da região de Sua, e Zofar, que era da região de Naamá, foram e fizeram o que o SENHOR havia mandado, e ele aceitou a oração de Jó.

Reflexão

O perigo de falar (errado!) em nome de Deus. Este é o subtítulo que eu daria para a passagem acima. Não duvido que Elifaz e os outros dois amigos de Jó, Bildade e Zofar, eram bem-intencionados. Achavam que falavam as verdades de Deus. Achavam-se teologicamente corretos. Achavam que avaliaram corretamente a desgraça de Jó como consequência de algum pecado. E por isso, falavam, falavam e falavam. Dos 42 capítulos de Jó, estes três “amigos” gastaram 12 para dar os seus conselhos, e o outro sujeito, Eliú, gastou mais 6, um total de 18 capítulos. Mais de 43% do Livro de Jó são de conselhos grandemente furados, pelo menos de acordo com o testemunho de Deus em Jó 42.7. Quais lições podemos tirar disto? Sugiro algumas:

  1. Cuidado quando citamos Jó como bom conselho para os aflitos. 42% é conselho furado!
  2. Não é pelo volume de fala que “se ganha” um argumento. No Livro de Jó, quem menos falou foi Deus, esporadicamente nos primeiros 2 capítulos e no final, nos capítulos 38-42! Semelhantemente, não é porque se usa muita linguagem “religiosa” que se tem a razão. Se não souber discernir a situação do outro, é melhor ouvir muito e com muita simpatia do que falar logo e já julgando.
  3. Nós que somos “conselheiros”, ao dar o conselho errado e depois, saber disto, precisamos corrigir a situação, fazendo duas coisas importantes: primeiro, pedir desculpas devidamente para a pessoa que aconselhamos mal e segundo, pedindo que aquela pessoa ore a Deus pela sua misericórdia (veja a passagem de novo)!

Puxa! Esta terceira lição é difícil mesmo. Será que somos capazes?

Oração

Eterno, Pai. Graças de damos pela Tua misericórdia. Como somos presunçosos quando falamos de Ti para os outros. Tenha misericórdia de nós. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 46: Jó 42.1-6

Então, em resposta ao SENHOR, Jó disse:

“Eu reconheço que para ti nada é impossível e que nenhum dos teus planos pode ser impedido. Tu me perguntaste como me atrevi a pôr em dúvida a tua sabedoria, visto que sou tão ignorante. É que falei de coisas que eu não compreendia, coisas que eram maravilhosas demais para mim e que eu não podia entender. Tu me mandaste escutar o que estavas dizendo e responder às tuas perguntas. Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos. Por isso, estou envergonhado de tudo o que disse e me arrependo, sentado aqui no chão, num monte de cinzas.”

Reflexão

É a segunda e última resposta de Jó para a segunda pergunta de Deus neste livro. Belo de chorar. Realmente chorar. Jó passara pelas piores situações de privação e sofrimento imaginável. Sentia-se injustiçado. Quem não iria sentir igual! Igual!

Mas Deus se revela para Jó como Criador e como Soberano. Jó fica mudo. Não há o que dizer. Deus se dá como satisfeito? Não. Continua a interrogar Jó. E do silência Jó passa para a extrema vergonha e humilhação. Chegou onde precisava, onde nós precisamos, prostrados, humilhados e humildes, esvaziados de qualquer percepção de ter conhecido Deus antes em toda a sua piedade anterior. Piedade transformara em humildade, humildade em incompreensão, e incompreensão no lugar certo de criado, servo, arrependido, cinzenta. E assim, somente assim assim e nada menos, Jó está preparado para a última cena do livro logo a seguir (na próxima reflexão) e nós para a graça de Deus nas nossas vidas.

Oração

Tu, somente tu és o nosso Deus, o eterno e único Deus, Deus de tudo e Deus sobre tudo. Nós somos teus criados, prontos e dispostos  ao Teu querer. Em Cristo. Amém.

Semana 45: Jó 40.6-9, 15-16; 41.1

Então, do meio da tempestade, Deus respondeu a Jó assim:

“Mostre agora que é valente e responda às perguntas que lhe vou fazer. Será que você está querendo provar que sou injusto, que eu sou culpado, e você é inocente? Será que a sua força pode ser comparada com a minha? Será que você pode trovejar com voz tão forte como eu?

….Olhe para o monstro Beemote, que eu criei, como também criei você. Ele come capim como o boi, mas veja quanta força tem e como são poderosos os seus músculos!

….E, quanto ao monstro Leviatã, será que você pode pescá-lo com um anzol ou amarrar a sua língua com uma corda?”

Reflexão

leviatã

beemote

Lendo esta parte de Jó me lembra dos gibis! Especialmente Conan que sempre estava lutando contra os piores monstros. Leviatã era um enorme e terrível monstro dos mares e Beemote da terra. O exagero das ilustrações aumenta mais ainda a imaginação.

E é basicamente isto que Deus faz com Jó. Como se Ele falasse: “Jó, considere o monstro mais terrível que consegue imaginar. Quem, você acha, criou estes monstros? E quem é capaz de dominá-los. Será que realmente entende com quem está falando?”

E esta é a segunda fala de Deus com Jó. A primeira também o deixou muito sem graça. E os pormenores desta segunda resposta surtem o mesmo efeito.

Enfim, quem somos nós diante do Criador dos céus e da terra, das coisas mais belas e das coisas mais terríveis que se pode imaginar?

É quem devemos não só amar como também temer. É quem diante de quem somente podemos nos prostrar e se humilhar. É quem é capaz de transformar as nossas piores situações em sonhos… e vice versa! É quem para quem prestamos culto.

Oração

Grande és, Deus Criador. Grande és, Eterno Pai. Digno és de todo o nosso louvor e honra. Magnífico és em toda a terra e acima de todos os céus. Amém.