Fé e Missão

Amanhã, no Rio…

Amanha, estarei entre doze representantes de religiões participam de encontro ‘Fé no clima’. Veja as informações abaixo e venha participar…

Fé no Clima – Comunidades religiosas debatem mudanças climáticas Evento inédito reúne 12 lideranças nacionais e internacionais de comunidades religiosas diversas para discutir mudanças climáticas e assinar a Declaração Fé no Clima. Tendo como pano de fundo a Encíclica Papal “Laudato Si – Sobre o cuidado da casa comum” e a 21a Conferência da ONU do Clima em Paris (COP-21), em dezembro deste ano, o ISER (Instituto de Estudos da religião – www.iser.org.br) em parceria com o GIP (Gestão de Interesse Público – www.gip.net.br) realizam o Encontro Internacional Fé no Clima, no dia 25 de agosto de 2015, no Rio de Janeiro. O Evento contará com a presença de 12 lideranças religiosas de expressão nacional e internacional, engajados com o tema socioambiental, que irão expor suas visões sobre os fundamentos sagrados de sua tradição religiosa que versem sobre a relação de cuidado da humanidade com a criação. Também serão apresentadas as ações concretas que suas comunidades religiosas têm tomado diante do tema da ecologia e, mais especificamente, das mudanças climáticas. A expectativa é que os desdobramentos do encontro gerem uma ação concertada entre essas lideranças em prol da conscientização de suas comunidades sobre a importância de se lidar com o tema das mudanças climáticas. Os convidados confirmados são: André Trigueiro (espírita e jornalista), Ariovaldo Ramos (pastor evangélico), Mãe Beata de Yemanjá (Iyalorixá do Ilê Omi Ojuarô), Dolores (Inkaruna) Ayay Chilón, professor de Quechua, da tradição Andina, Mãe Flávia Pinto (umbandista), Rv. Fletcher Harper (pastor episcopal norte americano), Pe. Josafá Carlos de Siqueira S.J (Igreja Católica), Kola Abimbola (Babalorixá Yorubá e acadêmico nigeriano), Léo Yawabane (tradição indígena Huni Kuin, do Acre), Lama Padma Samten (monje budista), Rabino Nilton Bonder (tradição judaica) e Timóteo Carriker (pastor presbiteriano). No final do evento será assinada pelas lideranças a Declaração Fé no Clima, que reunirá as convergências entre as falas dos participantes e será encaminhada à Presidência da República e ao Ministério de Meio Ambiente, com o intuito de posicionar as comunidades religiosas diante desse importante tema da agenda política nacional e internacional. O Encontro Internacional é uma das atividades da iniciativa Fé no Clima, promovida pelo ISER e o GIP, que busca criar mais espaço para comunidades religiosas de tradições diversas interagirem e evidenciarem suas próprias experiências de engajamento com o tema das mudanças climáticas. Histórico da iniciativa – Em 2008, o ISER realizou uma pesquisa de opinião intitulada “O que as lideranças brasileiras pensam sobre mudanças climáticas e o engajamento do Brasil?”, reunindo percepções de 120 lideranças de diversos segmentos da sociedade brasileira (mídia, congresso, empresas, academia, ONGs e governo) especialistas em temas correlatos (energia, agronegócio, florestas e educação). Em 2009, foi a vez de escutarem o que lideranças religiosas tinham a dizer sobre o tema. Como parte daquela iniciativa, o ISER organizou um encontro multireligioso no qual os participantes compartilharam e conheceram iniciativas de adaptação e educação em curso no Brasil (link para o vídeo do encontro: https://www.youtube.com/watch?v=F3a2KfCjIlo). Encontro Internacional Fé No Clima Data: 25 de agosto de 2015 Local: Rio de Janeiro Mais informações: Sites:

http://fenoclima.strikingly.com/

https://www.facebook.com/pages/F%C3%A9-no-Clima/731154213662921?fref=ts

http://www.observatoriodoclima.eco.br/comunidades-religiosas-debatem-mudancas-climaticas-em-encontro-no-rio/

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/andre-trigueiro/2015/08/22/DOZE-REPRESENTANTES-DE-RELIGIOES-PARTICIPAM-DE-ENCONTRO-FE-NO-CLIMA.htm

 

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Onde está o céu?

No processo de estudar e ponderar alguma passagem bíblica costumo consultar alguns comentários. Favoreço especialmente N. T. Wright tanto pelo seu conhecimento técnico da língua e cultura antigas e a sua perspicácia teológica mais abrangente quanto pela sua facilidade de comunicação. Normalmente procuro sintetizar as suas ideias com as contribuições de outros para chegar às minhas, mas quando li o comentário de Wright sobre Atos 1.9-14 achei que valia à pena, especialmente pela sua explicação de “céus” e “terra”, simplesmente traduzir e passar adiante. O que se segue, portanto, é a minha tradução do seu comentário sobre a passagem unto com a minha tradução da tradução dele da passagem…

9Quando Jesus falou isto, ele foi elevado enquanto eles estavam olhando, e uma nuvem o encobriu da sua vista. 10Eles estavam olhando para o céu quando ele desapareceu. Então, bem aí, dois homens apareceram, vestidos de branco, em pé ao lado deles.

11“Galileus”, eles falaram, “por que vocês estão aqui olhando para o céu? Este Jesus, que foi levado de vocês para o céu, voltará do mesmo jeito que vocês o viram indo para o céu.”

12Então eles voltaram para Jerusalém do monte chamado Monte das Oliveiras, que era perto de Jerusalém, mais ou menos a distância você iria viajar num sábado. 13Eles então (“eles” aqui significa Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago o filho de Alfeu, Simão o nacionalista, e Judas o filho de Tiago) entraram na cidade e foram para a sala no andar superior onde estavam hospedados. 14Eles todos se dedicaram de todo o coração à oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e os seus irmãos.

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A Encíclica Papal Laudato Sì

A nova Encíclica Papal Laudato Sì («Louvado sejas»), comunicada na semana passada, no dia 18 de junho, é uma contribuição muito importante não só para católicos romanos e até mesmo para todos os cristãos, mas é dirijida e relevante para pessoas de qualquer religião, a comunidade científica e todas as organizações governamentais,  todos os que vivem debaixo do mesmo teto… este teto que denominamos “Planeta Terra”. Aliás, o Papa Francisco toma o devido cuidado de convidar todos a refletir e se engajar novamente em um debate, justamente por causa da importantíssima reunião das Nações Unidas em dezembro de 2015 para negociar ações concretas a nível mundial. Claro que  já aconteceram muitos debates nas últimas décadas em escolas, governos, indústrias e insitituições religiosas em todos os níveis, e assim, este é mais um entre muitos a nível mundial. E é justamente porque as ações em cooperação entre os países, especialmente os mais ricos, ainda estão muito aquém de deter a deterioração do meio ambiente, que o papa vem com um apelo tão forte.

Trata-se de 191 páginas bem elaboradas de apelo, reflexão e propostas, e por isso mesmo prefiro me abster de uma análise mais detalhada, pois a minha própria conclusão é que o documento merece primeiro sua própria leitura e estudo demorados. Apenas reparo a sequência das suas ideias… Mais >

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Abraão, o Pai de “Missões”

Mais uma prévia da Bíblia Missionária de Estudo que será lançada pela Sociedade Bíblica do Brasil por ocasião do Congresso Brasileiro de Missões em outubro deste ano. Segue-se uma curiosidade:

Então o que é que podemos dizer de Abraão, o antepassado de nossa raça? O que foi que ele conseguiu? Se foi por causa das coisas que ele fez que Deus o aceitou, então ele teria motivo para se orgulhar, mas não para se orgulhar diante de Deus. Pois o que é que as Escrituras Sagradas dizem? Elas dizem:“Abraão creu em Deus, e por isso Deus o aceitou.” Romanos 4.1-3

Paulo escolheu Abraão como o seu “estudo de caso”, por vários motivos. Primeiro, Abraão foi o primeiro de receber a incumbência de “abençoar todas as famílias da terra”, que para Paulo e a igreja primitiva significa que Abraão é o pai não só dos judeus, pela bênção prometida de Deus para os seus descendentes, mas também é pai de todos aqueles que põe a sua fé em Deus inclusive os não judeus. E porque a fé de Abraão precedia a lei, Paulo argumenta que os não judeus não precisam das “marcas” principais naquela época da lei como a observância da circuncisão, do sábado e das lei alimentícias.

Segundo, porque Abraão era o pai fundador de Israel (Isaías 51.1-2; Gênensis 12.1-3) e por isso serve de paradigma para todos os judeus. E Paulo sabia que nem sempre os judeus entenderam direito a história de Abraão. Os rabinos viam em Abraão o maior exemplo de retidão e justiça e o consideravam o “amigo” especial de Deus (2 Crônicas 20.7; Is 41.8; Tiago 2.23). Entenderam que Abraão mereceu este favor de Deus pela sua retidão durante a vida toda (Gênesis 15.6; compare Jubileu 23.10; 24.11; Siraque 44.20-21; 1 Macabeus 2.52), ou que Abraão era justo porque Deus havia escrito a Lei no seu coração antes (2 Baruque 57.2; Qumrã Documento da Comunidade 3.2-3; Mishná Kiddushin 4.14). Até citaram as Escrituras para dizer que Deus o abençoou porque obedeceu a Deus (Gênesis 22.15-18; 26.2-5), sem perceber que estes versos falam da obediência de Abraão depois da sua justificação (veja Tiago 2.17-21; Efésios 2.10). Paulo entendeu a importância de Abraão na auto identidade dos judeus e queria contar direito a sua história, o que nos leva ao terceiro motivo por que Paulo cita Abraão.

Paulo cita Abraão, em terceiro lugar, porque o plano de Deus de reverter o efeito do pecado na história da criação começou com o chamado de Abraão. E isto Deus fez prometendo abençoar Abraão e todos os seus descendentes (os judeus) e, por meio deles, abençoar todas as famílias da terra (gentios). Logo, a história de Abraão tem tudo a ver com a justificação de judeus e gentios que Paulo expõe nesta carta.

Em quarto lugar, ao contar a história de Abraão, Paulo ilustra a maneira como se deve ler as Escrituras, com os olhos da fé e não o esforço humano de ganhar favor de Deus, uma distinção que Paulo apresentou no capítulo 3. Paulo propõe um jeito de ler as Escrituras que está servindo bem até os dias de hoje:

  • lendo com grande abrangência (ao longo das Escrituras) e
  • procurando o cumprimento das promessas de Deus mais adiante (o que chamamos de “revelação progressiva”), acima de tudo, cumprimento na pessoa de Jesus Cristo.

Erramos muito hoje quando lemos e aplicamos textos, por exemplo do Antigo Testamento, sem este simples procedimento: perguntar como estas coisas se cumprem adiante, qual o seu “destino” no tempo de Jesus ou nos tempos de hoje ou mais adiante, e acima de tudo, perguntando se e como estas coisas são cumpridas ou não em Cristo Jesus.

E em quinto lugar e ligado ao motivo anterior, Paulo, ao citar Abraão e Davi, novamente quer demonstrar que a sua perspectiva não era novidade, e sim, simplesmente a perspectiva das Escrituras, lidas com os olhos da fé e devidamente arrazoadas.

 

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As distâncias viajadas por Paulo

Mais uma prévia da Bíblia Missionária de Estudo que será lançada pela Sociedade Bíblica do Brasil por ocasião do Congresso Brasileiro de Missões em outubro deste ano. Segue-se uma curiosidade:

Local Via terra Via mar Subtotal
Arábia 300 km (12 dias) 300 km (12 dias)
Síria/Cilícia 1.800 km (70 dias) 1.800 km (70 dias)
Jerusalém 1.080 km (45 dias) 1.080 km (45 dias)
Galátia 1.440 km (60 dias) 980 km (10 dias) 2.420 km (70 dias)
Jerusalém 1.080 km (45 dias) 1.080 km (45 dias)
Macedônia/Acaia 3.110 km (125 dias) 2.060 km (20 dias) 5.170 km (145 dias)
Ásia 2.900 km (115 dias) 3.210 km (35 dias) 6.110 km (150 dias)
Espanha 1.000 km (40 dias) 1.800 km (15 dias) 2.800 km (55 dias)
Creta 120 km (5 dias) 1.300 km (14 dias) 1.420 km (19 dias)
Últimas viagens 900 km (35 dias) 1.700 km (17 dias) 2.570 km (52 dias)
Total 13.730 km (552 dias) 11.050 km (111 dias) 24.780 km (663 dias)

Fonte: Eckhard J. Schnabel. Paul the Missionary. Downers Grove: InterVarsity Press, 2008. p. 122.

 

Observações: Primeiro, as viagens de Paulo para Síria e Cilicia ocuparam 10 anos de sua vida e por isto, o cálculo de distância é baixo, pois certamente viajou mais durante este período. Segundo, uma viagem para a Espanha não é confirmada no Novo Testamento (veja a intenção da viagem em Rm 15.23-29) mas é fortemente sugerida pelo bispo Clemente em 95 d.C., e na tradição antiga. Paulo menciona a viagem para Creta na sua Carta a Tito e outras viagens nas suas outras cartas. Em comparação, Alexandre o Grande viajou cerca de 32.000 quilômetros, com toda a parafernália de líder mundial de Guerra e as regalias do maior governante de sua época.

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As viagens missionárias em Atos

Resolvi dar uma prévia da Bíblia Missionária de Estudo que será lançada pela Sociedade Bíblica do Brasil por ocasião do Congresso Brasileiro de Missões em outubro deste ano. Segue-se uma das reflexões que escrevi:

A natureza do evangelho é que seja divulgado. Não se guarda boas novas para si. Divulga-se em alta voz. No século I quando ainda não existiam os meios eletrônicos de comunicação, isto implica na divulgação verbal, ou ao vivo ou por meio de documentos escritos. E a divulgação maior se fazia por meio de viagens. Por isto, tanto os Evangelhos quanto o Livro de Atos relatam a divulgação do evangelho por meio de viagens. Jesus deixava claro que as suas viagens eram necessárias e vinculava esta necessidade a sua vocação do Pai (Lc 4.43). Por isso, nos Evangelhos, Jesus sempre se encontra em movimento. Sempre se encontra numa viagem. Não se surpreende, portanto, que o evangelho se divulga no Livro de Atos também por meio de viagens.

O Livro de Atos destaca as viagens missionárias de Filipe, Pedro e especialmente Paulo, todos a partir de Jerusalém como previsto pelo Senhor antes da sua assunção (1.8). Filipe partiu para Sebaste, a capital da Samaria (8.4-40).  Sua pregação era acompanhado de grandes sinais que causavam muita admiração e conversões, inclusive Simão, um mágico notório. Depois, Deus o dirigiu para o sul em direção a Gaza onde pregou para o eunuco etíope, um temente a Deus e oficial real que creu e foi batizado. Ainda prossegui para Azoto onde pregou e continuou o seu ministério até Cesareia.

Pedro viajou de Jerusalém até Lida onde curou um paralítico, o que levou muitos na região a crer (8.32-35). Depois, foi para Jafa onde ressuscitou uma mulher da morte (8.36-43). Enquanto Pedro foi hospedado na casa de Simeão, o centurião romano, Cornélio, mandou buscá-lo para ir a Cesareia (cap.10) o que abriu um novo capítulo na evangelização com a inclusão dos gentios.

Mas Paulo batia todos os récordes no Livro de Atos que consta um total de seis viagens, todas a partir de Jerusalém conforme o próprio punho de Paulo (Rm 15.19). Tantos os testemunhos de Paulo no Livro de Atos (22.21; 26.7, 17-18; 28.20.) quanto às suas próprias palavras nas suas cartas (Gl 1.15-16; Rm 15.19-21) ressaltam a significância destas viagens dentro do grande esquema de salvação por Deus dos judeus e dos não-judeus.

As viagens missionárias eram essenciais para a divulgação do evangelho no século I. Hoje ainda exercem um papel importante, mas também temos outros meios de comunicação mais abrangentes, penetrantes, rápidos e econômicos. As viagens missionárias da Bíblia servem de modelo de como devemos explorar com integridade os meios de comunicação a nossa disposição.