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A vocação de Deus e nossa vocação

Nos últimos dois ou três anos o tema da vocação missionária voltou a ser bastante ventilado. Nunca ficou muito distante da preocupação e preparo missionários, mas o assunto recebe bem mais destaque recentemente. Em muitos dos estudos e palestras uma vocação “geral” é distinguida de uma “específica”, e por boas razões. Na ufania do desafio missionário pode se interessar muito mais em saber onde se deve “ir” (denominado frequentemente como “vocação específica”, mas que considero melhor denominado como “direção específica”) do que como se deve se conformar à imagem de Cristo e refletir as características de Cristo na própria vida (“vocação geral”). A distinção entre “geral” e “específica” trata disto e assim faz muito bem. Entretanto, há mais duas questões envolvidas no assunto da vocação que não recebem a atenção que merecem: primeiro, o lugar da “nossa” vocação dentro da vocação de Deus, e segundo, o desenvolvimento da nossa vocação ao longo da vida. Vamos considerar cada uma destas duas questões, a primeira nesta reflexão e a segunda posteriormente… Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 2

Na última reflexão consideramos uma “primeira” fase da vocação de Paulo. Coloco a palavra “primeira” entre aspas porque é a primeira fase que conseguimos reparar nos seus escritos e não necessariamente a primeira de fato. Agora queremos considerar uma segunda fase…

Fase da salvação avaliada: de melhor que todos para ser escolhido

Não sabemos quanto tempo demorou, mas cerca de 15 a 18 anos depois da sua conversão, no ano 48 d.C, encontramos Paulo não mais silenciado e pasmado pela sua conversão. Ele já havia passado para uma nova fase, a fase da conversão avaliada. Veja como Paulo entendia, 15 a 18 anos depois, a sua conversão, especialmente o que ele era antes de conhecer Cristo. Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Part 1

Tendemos a ter uma visão bem estática da nossa vocação “geral”, a vocação de nos assemelharmos a Cristo. Tendemos a pensar, ou pelo menos agir, como se a conversão ocorre de uma só vez e de maneira quase total, a ideia da transformação de vil pecador em santo discípulo de Jesus. Certamente este é o nosso alvo, mas a Bíblia fala do desenvolvimento da nossa salvação, ou podemos pensar igualmente na nossa vocação nestes termos (Filipenses 2.12), o que os teólogos chamam de “santificação”, algo que tendemos a separar da conversão, bem contrário da passagem de Paulo citada. Um famoso biblista sueco, Krister Stendahl, chamou atenção para esta mania em 1963 na sua reflexão, “O apóstolo Paulo e a consciência introspectiva do Ocidente”, hoje parte do seu livro, Paul among Jews and Gentiles (1976, em português: “Paulo entre judeus e gentios”). Ele reparou que o Ocidente deriva seu paradigma de conversão do encontro de Saulo/Paulo com Jesus no caminho para Damasco, a ideia sendo que ele a conversão veio como um relâmpago que derrubou Paulo do seu cavalo (não há cavalo no relato bíblico) e ele foi transformado uma vez para sempre. Esta visão não é o que lemos nas Escrituras, nem tampouco dos escritos de Paulo e nem tampouco do exemplo de Paulo. As suas cartas demonstram desenvolvimento da sua vocação/salvação. As passagens chaves são: Atos 8.1-3; 9.1-6; 22.3-21; 26.11-18; Gálatas 1.13-24; 1 Coríntios 9.1; 15.9; Filipenses 3.6; 1 Timóteo 1.12-17. Vejamos… Mais >

Cheios do Espírito!

Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar.  De repente, veio do céu um barulho que parecia o de um vento soprando muito forte e esse barulho encheu toda a casa onde estavam sentados.  Então todos viram umas coisas parecidas com chamas, que se espalharam como línguas de fogo; e cada pessoa foi tocada por uma dessas línguas.  Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa. — Atos 2.1-4 (NTLH)

Estes versículos iniciam a segunda divisão do Livro de Atos (2.1–8.4) que inclui, por sua vez, um apelo para todo Israel (2.1–3.26) e a vida e perseguições dos primeiros cristãos em Jerusalém (4.1–8.4). Este início relata a vinda do Espírito Santo em poder que foi antecipada pelas promessas feitas em Lucas 24.49 e Atos 1.4-5 e em cumprimento às promessas de Deus para os três pilares do judaísmo: Abraão, Moisés e Davi, sendo estes os mais notórios dos patriarcas, dos juízes e dos reis. Vejamos como este cumprimento se due em relação a cada um destes pilares. Mais >

Por que 12?

 — Portanto, precisamos escolher outro homem para pertencer ao nosso grupo e ser testemunha junto conosco da ressurreição do Senhor Jesus. Deve ser um daqueles que nos acompanharam durante o tempo em que o Senhor Jesus andou entre nós, desde que foi batizado por João até o dia em que foi levado para o céu.
E foram apresentados dois homens:José, chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias.  Em seguida oraram, dizendo:
— Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra agora qual dos dois escolheste  para trabalhar conosco como apóstolo, pois Judas abandonou este trabalho e foi para o lugar que ele merecia.
Depois fizeram um sorteio para escolher um dos dois. O nome sorteado foi o de Matias, que se juntou ao grupo dos onze apóstolos. — Atos 1.21-26

Atos 1.15-26 conta a liderança de Pedro, em uma reunião de cento e vinte discípulos, para completar o grupo de apóstolos. O grupo havia sido reduzido para onze por causa da traição e morte de Judas e agora era necessário substitui-lo e completar o grupo dos doze. Mas por que era tão importante que o grupo de apóstolos fosse doze? Por que não poderia ficar em onze? Por que não esperar a vinda do apóstolo Paulo para completar os doze? Mais >

Participe, se puder

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A Bíblia Plus

Fiquei animado de ver o lançamento pelas Sociedades Bíblicas Unidas do aplicativo para smartphone, Bíblia Plus, uma ampliação a nível global do aplicativo lançado pela Sociedade Bíblica do Brasil, A Minha Bíblia. Além de oferecer gratuitamente versões da Bíblia em diversas idiomas, também oferece por um preço bem acessível diversas Bíblias de Estudo, inclusive a Bíblia Missionária de Estudo. O novo aplicativo vai disponibilizar a Bíblia em mais que 200 línguas. Veja o video abaixo e a reportagem que reproduzo na íntegra:

Bíblia Plus: o App que disponibilizará a Bíblia
em idiomas de mais de 200 países
Com lançamento global pelas Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), o aplicativo
multilíngue chega para intensificar a disseminação das Sagradas Escrituras e
conquistar, especialmente, as novas gerações.

Neste mês de maio, as Sociedades Bíblicas Unidas (SBU) estão promovendo o lançamento global do Biblia Plus, o aplicativo que, efetivamente, coloca a tecnologia digital como suporte para levar a Palavra de Deus a todos os povos. O projeto das SBU – aliança da qual a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) faz parte e que reúne 146 Sociedades Bíblicas no mundo –, oferecerá as Escrituras em suas diferentes traduções, nos idiomas e grafias adotados em mais de 200 países, tudo em uma única plataforma, ao alcance de um smartphone ou tablet. As traduções bíblicas em diferentes línguas serão disponibilizadas em etapas. A expectativa é alcançar mais de 90 países entre 12 e 18 meses e a totalidade em no máximo três anos. Mais >

Jah, macho e fêmea

Se nós, seres humanos (o significado da palavra hebraica “ādām”) somos criados à imagem e à semelhança de Deus, e “homem (da palavra hebraica זכר ou “zācār”, literalmente “macho” ou “ser afiado”) e mulher (נְקֵבָה ou “nequēbar”, literalmente “fêmea” ou “ponto”) os criou” (Gênesis 1.27). Pois bem, então tanto as qualidades de macho quanto de fêmea espelham o Criador e os dois coabitando juntos e unidos enquanto cuidam do restante da criação, mais ainda (Gênesis 1.28; veja também a passagem paralela de Gênesis 2.15). Portanto, não nos surpreendemos quando Deus é descrito, ao longo das Escrituras, tanto com traços e figuras femininos quanto masculinos. Por exemplo…

  • Deus Jahvé conforta o seu povo como uma mãe conforta seu filho ou sua filha (Isaías 66.13)
  • Como uma mulher que jamais esquece de amamentar seu nenê, Deus Jahvé não esquecerá dos seus filhos e filhas (Isaías 49.15)
  • Deus Jahvé é como uma águia mãe protegendo os seus filhotes (Deuteronômio 32.11)
  • Deus bisca o perdido como uma mulher procurando uma moeda perdida (Lucas 15.8-10)
  • Deus El cuida do seu povo como uma parteira cuida da criança que acaba de nascer (Salmo 22.9-10; 71.6; Iaías 66.9)
  • Deus sente a fúria como uma ursa-mãe privada do seus filhotes (Oséias 13.8)
  • Jesus anseia pelo povo de Jerusalém, como uma galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas (Lucas 13.34)

As figuras masculinas de pai, guerreiro, etc. são mais conhecidas, sem necessidade de ilustrar. Fascinante que somente juntos, macho e fêmea, refletimos, mesmo que em parte, o Criador. Por isso, o respeito mútuo e o intuito de reconhecer e realizar o potencial do outro gênero está no cerne da espiritualidade.