Timóteo Carriker

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Artigos por Timóteo Carriker

8 “novidades” do Novo Testamento…

Sabes por que o Novo Testamento recebeu o seu nome? Desculpe aparecer muito elementar, mas você provavelmente já advinhou, inclusive pelo título dado a esta reflexão: isto é, a igreja primitiva entendeu que aquilo que Deus fez em Jesus era novidade e que a natureza do cumprimento das promessas de Deus, feitas para Israel e realizadas em Jesus, se constituía não numa realização estreita do jeito esperado, mas uma verdadeira inovação. Por isso, os escritos a respeito destas coisas (o Novo Testamento) passaram a ser entendidos como novidade e, por sua vez, as Escrituras Hebraicas, como são conhecidas até hoje pelos judeus, passaram a ser conhecidos como “Velho” Testamento. Não que o Velho é ultrapassado, irrelevante e sem aplicação. Se bem que alguns cristãos no início da história da igreja entenderam que era irrelevante sim, e assim nasceu uma das primeiras “heresias”. O “Velho” continua sendo relevante, atual, e aplicável, entretanto não da mesma forma. A partir de Cristo, o Velho Testamento é sempre interpretado à luz do Novo Testamento. Na prática, isto significa que dentro duma teologia cristã, todas as nossas doutrinas e práticas oriundas do Antigo Testamento precisam duma apreciação à luz do Novo Testamento: grandes instituições como o sistema de sacrifícios e a lei, celebrações como a páscoa, rituais de iniciação como a circuncisão, a ética moral como a fidelidade conjugal e o homicídio, e práticas religiosas como a observância do sábado e a entrega de dízimos. Em ocasiões oportunas (talvez próximas reflexões no boletim), vou elaborar um pouco mais cada um destes, mas por enquanto queremos apenas ilustrar a NOVIDADE do Novo Testamento.Agostinho de Hipo falou,

No Velho Testamento o Novo Testamento se esconde, no Novo Testamento o Velho se revela.

Do Novo Testamento, O QUE É NOVO?

  1. Um novo mandamento: Amar como Cristo nos ama! – João 13.34; 1João 2.7-8; 2João 5
  2. Uma nova criação: Uma nova maneira de viver! – 2 Coríntios 5.17; Gálatas 6.15
  3. Um novo céu: Um mundo de justiça! – 2Pedro 3.13; Apocalipse 21.1
  4. Uma nova humanidade: União em paz entre as pessoas! – Efésios 2.15
  5. Um novo “eu”: santo e justo! – Efésios 4.24
  6. Uma nova aliança: com base em Cristo – Lucas 22.20
  7. Um novo Jerusalém: lar, doce lar! – Apocalipse 21.2
  8. Uma nova canção: tão bela que nossas canções anteriores se desatualizam! – Apocalípse 5.9; 14.3

A antiga aliança era mediada por Moisés (Êxodo 19; Gálatas 3.19), a nova aliança por Jesus (Hebreus 9.15; João 1.17).
A antiga aliança era condicional (Deuteronômio 28), a nova, incondicional (Hebreus 8.9).
A antiga aliança era irrealizável (Hebreus 8.9), a nova, realizável (Hebreus 8.10).
A antiga aliança era escrita em pedra (Êxodo 32.15), a nova, em corações humanas (Hebreus 8.10)

7 coisas que Deus odeia…

Sempre queremos pensar positivamente sobre a maneira que a igreja deve agir, pensar, ou se comportar. Afinal, queremos ser povo AMADO e ABENÇOADO por Deus! Mas se fosse contrário? Se a gente quisesse o contrário? Como seria? Bem, um bom ponto de partida se encontra em Provérbios 6.16-19:

O SENHOR odeia seis coisas, e o seu próprio interior detesta:

  1. o orgulhoso cheio de si
  2. o mentiroso
  3. o assassino
  4. o safado calculista
  5. quem não vê a hora de fazer maldade
  6. quem mente que viu e
  7. quem provoca brigas entre irmãos.” (tradução minha)

Pronto. Queres invocar sobre ti o ódio do Deus criador de tudo? Basta um pouquinho de orgulho (freqüente e popularmente conhecido como “minha honra”). Ou prefere “esticar” um pouquinho a verdade quando “necessário”? E assim vai. O que todos estes males têm em comum é isso: todos são auto-afirmativos, ou violentos e quebram o elo de confiança e lealdade que existe entre os seres humanos.

Interessante que o pior deles, a “sétima coisa” efetivamente resume os demais: “aquele que semeia contendas entre irmãos”. Este Deus detesta. Se quiseres deixa deixar Deus irado mesmo, inclines o teu coração para bela discórdia e uma boa disputa. Afinal, discordar é direito do nosso individualismo. “Cada um tem a sua opinião”. Mais ainda, discordar é pré-requisito do homem moderno, pois a crítica é a pedra fundamental da ciência (aqui falo sério, sem sarcasmo). Por fim, a discórdia é para o bem daquele com o qual discordamos, porque só assim poderá ser corrigido. Espero que eu tenha conseguido convencê-lo da importância e propriedade de discordar, por estas três razões: nossa constituição de indivíduos, a exigência da modernidade, e o nosso “amor” pelo outro que queremos iluminar pela nossa briguinha.

Três motivos a favor da discórdia, e só um contra. Qual era mesmo o motivo contra? Deus DETESTA. Consegui convence-lo?

7 profetas fizeram…

Frequentemente pensa-se dos profetas do Antigo Testamento como extremistas esquisitos. Mas o seu zelo, e seu amor, e a sua devoção a Deus eram sem limites. Veja como estes sete profetas agiram diante dos desafios da sua época:

  1. Nata repreendeu o rei Davi pelo seu adultério com Batseba (2Samuel 12.1-14)
  2. Elias confrontou e derrotou os profetas de Baal no Monte Carmelo (1Reis 18.1-15)
  3. Elias, o tesbita, condenou o rei Acabe por ter matado Nabote e tomado posse da sua vinha (1Reis 21)
  4. Isaías, contra todos os obstáculos, previu a retirada das tropas da Assíria (2Reis 19)
  5. Jeremias era preso por prever a queda de Jerusalém (Jeremias 37-38)
  6. Daniel interpretou os sonhos de Nabudonossor (Daniel 2, 4)
  7. Amós condenou o povo pela sua exploração dos pobres (Amós 8)

Embora Deus chame, de modo especial, algumas pessoas para falar coisas duras diante de pessoas importantes e até a igreja, de certo modo, todos nós precisamos estar dispostos a falar em prol da verdade de Deus diante das pessoas que Deus colocou na nossa vida. Exige coragem e ousadia. Ao mesmo tempo, exige um espírito de humildade. Também exige muita oração e meditação, da nossa parte, antes de falar.

Durante os próximos sete dias, leia os relatos mencionados acima de coragem e ação dos profetas. Pense e ore se há maneiras que você pode “profetizar” em nome de Deus nas situações em que você vive. Como fazê-lo com coragem e humildade? Peça a Deus a Sua ajuda.

7 “eu sou”s de Jesus…

João era um discípulo especial. Talvez mais que todos os seus companheiros ele tenha deixado a realidade de Jesus penetrar além da admiração e até do compromisso de segui-lo. Para João Jesus penetrara lá dentro nas profundezas do seu coração. Deve ser por isso que Jesus o apelidava “o discípulo amado” (João 21.20) e permitia que João repousasse a cabeça sobre o seu peito (13.25). O Evangelho de João também se distingue dos outros três Evangelhos, quem sabe pelo mesmo motivo. Esta diferença já foi reparada por Clemente de Alexandria, em cerca de 200 d.C., que disse que João, “por fim, sabendo que os fatos ‘materiais’ estavam esclarecidos nos outros Evangelhos, compôs um Evangelho ‘espiritual’, incentivado por outros discípulos e inspirado pelo Espírito”. João queria comunicar o “espírito” ou o “coração” de Jesus e assim mostra que escreveu com um propósito em mente, o propósito de incentiva a fé:

Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. — João 20.30-31

Assim conhecendo um pouco o coração e a intenção deste discípulo amado, João, pode-se entender como ele lembrou e fez questão de registrar o que os outros Evangelhos não registraram sobre a auto-identidade de Jesus. Ao adotar a linguagem, “eu sou”, Jesus se identificou intimamente ousada e escandalosamente com o Deus supremo, cujo nome próprio é Javé, que por sua vez significa: “Eu sou quem eu sou” (João 8.23-29, 58).

Será que é possível ter um relacionamento tão íntimo e tão de coração com Jesus que nós também podemos nos transformar de seguidores de Jesus em discípulos amados que repousamos as nossas cabeças sobre o seu peito? Quem sabe uma pista para tal transformação é a meditação lenta e sentida sobre estas afirmações por Jesus e a apropriação das conseqüências delas para a nossa peregrinação:

  1. Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e que crê em mim nunca mais terá sede. – João 6.35, pode ler até v.58
  2. Eu sou a luz do mundo. Quem me segue nunca andará na escuridão, mas terá a luz da vida – João 8.12
  3. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo. Poderá entrar e sair e achará comida…. eu vim para que as ovelhas tenham vida, a vida completa. – João 10.9-10
  4. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas…. Assim como o Pai me conhece, e eu conheço o Pai, assim também conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem…. Tenho outras ovelhas que não estão neste curral. Eu preciso trazer essas também, e elas ouvirão a minha voz. – João 10.11-16
  5. Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá, e que vive e crê em mim nunca morrerá. – João 11.25-26
  6. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim. – João 14.6
  7. Eu sou a videira verdadeira, e o meu Pai é o lavrador. Todos os ramos que não dão uvas ele corta, embora eles estejam em mim. Mas os ramos que dão uvas ele poda a fim de que fiquem limpos e dêem mais uvas ainda. – João 15.1-2, pode ler até v.10

Finalmente, repare o PROPÓSITO de tudo isto:

Eu estou dizendo isso para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa -assinado, Jesus, pela ótica do discípulo AMADO.

Quer 15 “EU SOU”s do Evangelho de João em forma de marcador de livro? Pode baixar AQUI

2 receitas de oração…

baseado em Mateus 6.5-13

Uma boa receita possui duas partes: ingredientes e instruções de composição. O mesmo ocorre com a oração. Uma boa oração possui os seus ingredientes e as suas instruções de composição. Você pode protestar. Afinal, existe uma fórmula fixa de orar? Bem, fórmula fixa, talvez não. Mas existem várias receitas detalham bem tanto o conteúdo quanto a “entrega” das nossas orações. Vejamos, por exemplo, a instrução simples do nosso Senhor e comparemos com o procedimento que muitos entendem como a oração “abençoada” e “poderosa”. Qual é qual?

Você decide!

Primeira Receita:

Ingredientes:
Saudação:
1 dosagem de intimidade (“pai”)
1 dosagem de personalidade (“nosso”)
1 dosagem de ser direto (é a primeira frase)
1 dosagem de brevidade (sem mais adjetivos)
não esquece do endereço (“que estás no céu”)
Miolo:
Grande dosagem de enfoque em Deus primeiro (“santificado o teu nome”, “venha o teu reino”, “seja feita a tua vontade”)
Dosagem média de enfoque em nós segundo (“nos dá pão”, “livra-nos do mal)
Dosagem proporcional nos nossos relacionamentos (“perdoa-nos assim como nós perdoamos o próximo”)
Fecho:
Uma dosagem de propriedade (“teu é o reino…”)
Uma dosagem de perspectiva (“reino, glória e poder”)
Instruções de Composição

  1. Misture os ingredientes de modo pausado para não repetir as dosagens
  2. Empregue um volume baixo de voz, simples, e sem entonação diferente ou “espiritual”
  3. Acima de tudo, não chame atenção para si, pela intensidade de voz ou elaboração excessiva.
  4. Não faça demandas, apenas afirme sua confiança

Segunda Receita:

Ingredientes:
Saudação:
Grande dosagem de formalidade (pense em todos os nomes de Deus)
Grande dosagem de impersonalidade (tipo “Criador do universo”)
Grande dosagem de repetição (insistência!)
Grande dosagem de elaboração (vá fundo com os adjetivos: “maravilhoso”, “poderoso” …)
Esqueça do endereço (Deus onipresente)
Miolo:
Grande dosagem de pedir tudo que tem direito, pois você é “filho do Rei”
Fecho:
Não há um jeito certo mas, na dúvida, fale sempre “em nome de Jesus” com bastante fervor.
Instruções de Composição

  1. Fale rápido para enfiar o máximo de adjetivos possíveis
  2. Empregue um volume alto de voz, falando complicado, e com aquele entonação “sagrada”
  3. Fique em pé onde todos podem vê-lo, e mostre intensidade de voz, elaborando tudo que diz.
  4. Reivindique as “promessas” de Deus para sua vida e exija mesmo

Nova tradução da Carta aos Efésios

Em 2003 iniciei uma tradução do Novo Testamento do grego, começando com a carta de Paulo aos efésios. Ainda traduzi a Carta aos Filipenses, mas perdi todo o trabalho deste último quando o meu laptop foi roubado. Não tive mais tempo de voltar ao projeto e como português não é a minha língua materna, não recebi muito encorajamento de continuar 🙁

Mas aqui está o resultado daquele esforço. Publico aqui especialmente para uma amiga e colega de longa data, Dra. Sherron George:

Carta aos Efésios

1 De: Paulo, enviado especial de Cristo Jesus, pelo desejo de Deus

Para: os cristãos comprometidos, que vivem em Éfeso e são fiéis na sua caminhada com Cristo Jesus

2 Que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo dêem para vocês graça e paz.

(Veja a tradução completa aqui)

A inspiração e autoridade das Escrituras: uma perspectiva missiológica

Uma das “reformas” mais marcantes da Reforma Protestante foi no seu conceito das Sagradas Escrituras. O grito protestante (era mesmo um protesto!), sola Scriptura, era o anúncio inequívoco da suprema autoridade e plena inspiração da Bíblia e, ao mesmo tempo, uma denúncia da autoridade da tradição eclesiástica que se colocava no mesmo pé de igualdade com as Escrituras. O discurso reformado a respeito das Escrituras foi tão marcante que surtiu vários efeitos significantes. Por exemplo, transformou o conceito e a ordem da liturgia cristã. Com a ênfase no sola Scriptura destacava-se a pregação da Palavra, ao invés da celebração da ceia como na missa católica. Também a ênfase na autoridade suprema das Escrituras contribuiu para mudanças no governo da igreja. E assim as igrejas reformadas se distanciaram dum sistema de governo estreitamente hierárquico. É possível dizer que o respaldo de sola Scriptura despertou um novo interesse na exegese e menor interesse na dogmática ou na teologia histórica que, até hoje, são exploradas mais no meio católico (talvez os nossos teólogos discordem comigo!). Além destas transformações inteiras, a doutrina da autoridade e inspiração da Bíblia influenciou significantemente até mesmo na organização social e cultural dos povos mais atingidos pela Reforma Protestante. Por exemplo, por valorizar a leitura, foram especialmente os protestantes, por meio do movimento missionário, que promoveram cada vez mais a alfabetização, o ensino popular e até mesmo a ciência. Também contribuiu para o nascimento e promoção dos conceitos democráticos de governo. Logo a “reforma” no conceito das Escrituras foi incalculável dentro e fora da igreja, e permenece um dos assuntos mais importantes no meio evangélico.

Por isso mesmo, resolvi escrever sobre este assunto sob uma nova ótica, a da missiologia. A missiologia, diferente da teologia, é uma reflexão dinâmica a partir da tarefa da igreja no mundo. Disto, eventualmente nasce a sua filha, a teologia, que procura sistematizar as reflexões missiólogicas além do seu contexto original e aplicá-las de modo mais geral. A reflexão que encontramos no Novo Testamento, por exemplo, é “missiológica”. Podemos também chamá-la de teologia de praxis. Foram os apologistas dos séculos posteriores que produziram as primeiras “teologias” como conhecemos hoje, em forma mais sistemática. Mais >

Novos recursos na área da hermenêutica

Na página, – Estudo – , se encontra duas apresentações em PowerPoint dos principais “eixos” e “planos” dos paradigmas hermenêuticos. São modelos geomêtricos de duas dimensões, o primeiro sendo uma tipologia das perspectivas hermenêuticas das diversas ciências, e o segundo se baseando nas observações de Paulo Ricoeur, pai da hermenêutica moderna.

Eixos hermenêuticos

Planos hermenêuticos

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