Timóteo Carriker

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Artigos por Timóteo Carriker

Semana 11: Romanos 3.7-8

Mas digamos que a minha mentira faz com que a verdade de Deus fique mais clara, aumentando assim a glória dele. Nesse caso, por que é que devo ainda ser condenado como pecador?  Então por que não dizer: “Façamos o mal para que desse mal venha o bem”? Na verdade alguns têm me caluniado, dizendo que eu afirmo isso. Porém eles serão condenados como merecem. (NTLH)

Reflexão

Fico impressionado com a maneira como Paulo se expressava, especialmente quando penso em como os oradores se expressam na igreja…eu inclusive. No caso acima, Paulo se utiliza duma ironia ferrenha que propõe o ridículo. Quantas vezes eu queria fazer o mesmo numa pregação ou num estudo escrito! Mas pelo medo de ser mal entendido, sempre desisto, a não ser quando dirijo um estudo bíblico mais informal, de vez em quando. Mesmo assim, a ironia não nos parece fazer parte do repertório de técnicas de comunicação aceitáveis no meio da igreja. Por que? Provavelmente porque a ironia é uma forma de mentira e crente não mente!

Mas a ironia é um jeito tão forte de se comunicar e é tão facilmente gravada, que a gente, acredito eu, deveria explorar um pouco mais este jeito de falar, se não por outro motivo, pela razão de ser bem lembrado. Sim, é uma comunicação arriscada, mas vale o risco.

É possível criar ironias a respeito da nossa incumbência de cuidar da criação de Deus? Pode sugerir alguma ironia para destacar a urgência do momento ou a importância do nosso papel? “Já que o mundo vai à descarga, vamos acelerar o processo!” (Não sou muito bom neste negócio de ironia. A casca santa de crente impede a facilidade). Usar a ironia para a educação ambiental é sacrilégio mesmo?

Terias alguma sugestão?

Oração

Pai amado, como pensamos que somos bons. Como pensamos que entendemos bem. Como pensamos que somos a solução! Pai, nos dê a noção apenas do próximo passo a tomar, sem grandes pretenções. Em nome de Jesus. Amém.<!–

Semana 10: Romanos 3.4

De modo nenhum! Que Deus continue a ser verdadeiro, mesmo que todas as pessoas sejam mentirosas. Como dizem as Escrituras Sagradas a respeito dele: “Que fique provado que tu tens razão quando falas e que sejas vencedor quando fores julgado.” (NTLH)

Reflexão

Não acha este versículo estranho? É quase impossível explicá-lo, sem colocá-lo dentro do seu contexto. Também é crucial que reparemos que Paulo está usando um jeito de desenvolver o seu pensamento bem específico da sua época. Chama-se retórica. Uma vez que entendemos como funciona este jeito antigo de escrever, a retórica, as idéias de Paulo fazem mais sentido.

Outra coisa: Paulo fala dum grande problema desde o início do capítulo 2 até o capítulo 3, versículo 20. E o problema é a propensão que cada um de nós tem de fazer o mal e o consequente julgamento de Deus que segue esta situação de maldade. Mas, é importante também reparar que a partir de 3.21 até o final do capítulo 11, Paulo vai falar da grande solução. Um capítulo e meio para tratar do problema e oito capítulos e meio para tratar da solução! Será que aqui temos um bom modelo para a educação ambiental? Primeiro, e primeiro mesmo, o problema. O problema dum jeito claro e convincente. Sem dúvida, este é o primeiro passo. Mas o segundo passo ocupa mais a nossa atença ainda: a solução. A solução exposta, explicitada, elaborada e estendida até as suas consequências mais abrangentes.

Ah é, mais uma coisa! Tudo isso usando a linguagem que se entenda. No caso de Paulo escrevendo para os romanos, era a linguagem da retórica. No nosso caso, é a linguagem da ciência e da sensibilização. Pelo menos, quando se trata da educação ambiental. Mas, poderíamos aplicar os mesmos princípios (primeiro problema, depois e mais extensivamente a solução, e tudo isso dentro da linguagem que se entende) a outras aplicações, como a evangelização de todos os povos… o assunto mais imediato de Paulo em Romanos.

Oração

Maravilhoso Deus. Conceda-nos palavras apropriadas que fluam com facilidade das nossas bocas para falar convincentemente do seu plano de redenção para o mundo todo, tudo que o Senhor criou. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 9: Romanos 2.11

Pois ele [Deus] trata a todos com igualdade. (NTLH)
Porque para com Deus não há acepção de pessoas. (RA)

Reflexão

Esta frase é citada quase sempre para dizer que Deus aceita todas as pessoas igualmente. Entretanto, no contexto de Romanos, a frase diz exatamente o contrário: Deus julga todos igualmente (leia antes e depois do versículo 11). Tudo bem que em outros lugares a mesma frase pode ter uma conotação positiva (ex. Tiago), mas não aqui. E quem gosta, afinal, de falar sobre o julgamento de Deus? Muito mais preferimos falar da sua graça e do seu amor. Entretanto, a graça existe justamente por causa do julgamento, especificamente para escapar das consequências do julgamento.

E lembram-se que a redenção humana é conectada à redenção da criação (Romanos 8)? Pois bem, também é o caso do julgamento. Eis a preocupação cristã com o meio ambiente. Pois, tendemos a enxergar mais o perigo iminente do julgamento da criação por causa da perversidade humana do que da sua redenção por causa da conversão humana.

Se for ler o resto do capítulo 2, verá que o importante é o coração humano, pois se fosse pela “lei” ninguém realmente pratica a fio aquilo que prega. Por isso, precisamos não somente boas intenções e nem mesmo apenas boas orientações, mas precisamos de novos corações transformado pelo Espírito.

De alguma forma, este mesmo princípio deverá reger as ações daqueles que são chamados como agentes de transformação da criação toda. Como traduzir este “princípio” em orientação mestra para a Rocha?

Oração

Pai. Dá-nos olhos para ver, coração para sentir, e bons sentidos para sentir o toque do Teu Espírito e transforme-nos, Senhor, para que sejamos instrumentos da Tua transformação nesta terra. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 8: Romanos 2.6

…pois ele [Deus] recompensará cada um de acordo com o que fez. (NTLH)

Reflexão

Capítulo 2 de Romanos trata dum aviso acerca do julgamento de Deus. O princípio básico, citado acima e elaborado nos versículos 7-10, é universal. Parece se contrapor à graça de Deus como o único meio de salvação e à justificação pela fé, grandes temas desta Carta aos Romanos. Mas não é o caso.. Fato é que as nossas ações têm consequências (1 Coríntios 3.10-15), consequências para nós individualmente, consequências que atingem as pessoas mais próximas a nós, e consequências que alcançam até mesmo o ambiente que nos cerca. Tudo isso a própria experiência também nos diz, não é?

A mensagem, “as ações humanas tem consequências abrangentes”, é o bê-a-bá da ética cristã, inclusive da educação ambiental, e poderemos apontar para esta passagem entre outras para sustentar a sua base bíblica. Mais adiante em Romanos (capítulo 8), lemos que a redenção da criação também decorre das ações, neste caso, especificamente das ações do povo de Deus. Esta última afirmação, entretanto, não é óbvia como a primeira. Tendemos a pensar que o nosso papel é mínimo e essencialmente se reduz à conscientização da população maior. Ninguém duvida que devemos conscientizar a população maior, utilizando todos os meios à nossa disposição. Não tenho dúvida disto e dou graças a Deus pelos políticos e outros setores que lutam tão bravamente. Mas quero deixá-los com este pensamento…

Qual é o papel (ou papéis) específico tão notável do povo de Deus na redenção da criação? A resposta para mim não é muito clara. Fascino-me pela perspectiva de Romanos 8, do Livro de Apocalipse, das passagens proféticas de modo geral, todas que apontam para a realização do papel nos dado em Gênesis 1 e 2. Mas confesso que ainda não consigo entender muito bem porque o nosso papel é tão especial

… confissões dum “teologo” e capelão dum ONG cristã ambiental

Oração

Pai. Nos ajude a agir de modo agrável a Ti. Mostre-nos o nosso papel, ações específicas. Em nome de Jesus. Amém.

Semana 7: Romanos 1.21…32

Eles sabem quem Deus é, mas não lhe dão a glória que ele merece e não lhe são agradecidos. Pelo contrário, os seus pensamentos se tornaram tolos,  e a sua mente vazia está coberta de escuridão…

Eles sabem que o mandamento de Deus diz que aqueles que fazem essas coisas merecem a morte. Mas mesmo assim continuam a fazê-las e, pior ainda, aprovam os que fazem as mesmas coisas que eles fazem. (NTLH)

Reflexão

Estes dois versos enquadram uma longa descrição da depravação humana. E é importante dizer que é a condição de todos nós sem Deus. É relatório sóbrio, que nos obriga, Deus queira (!), a ter bastante humildade quanto às mudanças socio-ambientais que tanto desejamos incentivar. Caros colegas, precisamos de muita humildade muita perseverança. Celebramos com muitíssima alegria “pequenas” vitórias e jamais nos desanimamos quando não encontramos “grandes” conquistas.

Outra grande lição destes versos é a ênfase na condição humana. Não faz muito tempo—e os brasileiros contribuíram muito para esta nova perspectiva—que paramos de falar exclusivamente de problemas “ambientais” e começamos a falar dos desafios “socio-ambientais”. A reflexão de Paulo nos obriga a dar muita atenção à parte “socio”. Por isso, enquanto a abrangência do projeto de Deus de estabelecer a sua justiça é nada menos que a criaçõ toda (Romanos 8), não é à toa, que Paulo concentra a sua atenção à condição humana. Afinal, se fomos criados como mordomos e jardineiros sobre a criação toda, somos os grande responsáveis.

Quer dizer que precisamos continuar a buscar meios de levar o povo de Deus a ver o seu papel como catalisadores duma nova sociedade, duma vida alternativa, dum compromisso radical. Utopia? Sem dúvida. Mas prefiramos a nomenclatura: “reino de Deus”… ou que tal, “novos ceús e nova terra”?

Oração

Pela tua graça, somente pela tua graça, ó Pai, somo povo teu. Enche-nos do Teu Espírito e concede-nos sabedoria para seguir a Jesus e assim liderar num mundo perdido. Em nome de Jesus. Amém.

*Poderá imprimir esta reflexão clicando no botão abaixo e procurando “Printfriendly” no final da lista.

Semana 6: Romanos 1.20

Desde que Deus criou o mundo, as suas qualidades invisíveis, isto é, o seu poder eterno e a sua natureza divina, têm sido vistas claramente. Os seres humanos podem ver tudo isso nas coisas que Deus tem feito e, portanto, eles não têm desculpa nenhuma. (NTLH)

Reflexão

Numa longa passagem que vai de Romanos 1.18 até 2.16 Paulo explica porque a justiça de Deus precisava se manifestou no evangelho acerca de Jesus Cristo: para tratar da maldade nata das pessoas mesmo elas sabendo o que é certo a respeito das coisas de Deus (v.20 citado acima). Como sabem? Simplesmente “observando” a criação! Eu tive um amigo na época dos meus estudos universitários, muito inteligente, que se converteu simplesmente meditando nos campos as coisas lá que observava. Parece extraordinário, mas conforme o testemunho de Paulo todos nós temos embutido uma espéce de deusômetro que especialmente dispara quando em contato com a obra de Deus.

Imagine as implicações disto em termos do nosso testemunho pessoal. Precisa ter uma boa dosagem de “eco-testemunho”…huum…pano para manga, não? E imagine as implicações para uma organização como a Rocha? Que nossa “educação ambiental” precisa se dirigir especialmente ao coração e à consciência interior das pessoas. A ciência nos auxilia certamente. Mas temos que chegar no botão que dispara o deusômetro das pessoas…e isto por meio das conversas e e amostras acerca da criação.

Interessante? O que acham? Sério. Escrevam…

Oração

Deus criador. Agora entendi porque a visão, a audição e o gosto da sua criação despertam não só o meu coração mas o coração de todo o mundo. Muito obrigado por esta magnífica “casa” que nos deu para morar. Ajude-nos a cuidar dela e falar da sua glória por meio dela. Em nome de Cristo. Amém.

*Poderá imprimir esta reflexão clicando no botão abaixo e procurando “Printfriendly” no final da lista.

Semana 5: Romanos 1.17

…visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé. (RA)

Reflexão

Normalmente eu prefiro uma tradução mais contemporânea, principalmente porque o texto original do Novo Testameto foi escrito usando uma versão popular de grego, mais ou menos a linguagem da rua, não uma linguagem formal, muito menos uma linguagem “religiosa”. Entretanto, às vezes, uma tradução contemporânea, na tentativa de usar palavras mais “fáceis”, acaba passando por cima dum termo mais técnico. É o caso do termo, dikaiosún?, que seria melhor traduzir como “justiça” ou “retidão”.

O evangelho revela a justiça de Deus, isto é, um Deus justo ou certo. Mas justiça em relação ao quê. Normalmente pensamos, e acredito que nesta passagem Paulo também pensa, em relação ao ser humano, mais especificamente a todas as raças (por isso Paulo disse “gregos e bárbaros” no v. 14 e “judeus e gentios” no v. 16). Entretanto, o contexo da justiça de Deus revelada “no evangelho”, isto é, revelada na ressurreição de Jesus (Rm 1.3-5), é a sua intenção de “endireitar” (fazer justo) toda a sua criação, o que logicamente inclui a humanidade. Este é o contexto maior desta idéia na Bíblia em geral e é o contexto maior até de Romanos (veja capítulo 8).

Tudo bem, mas da nossa parte, como vivenciamos esta manifestação da justiça de Deus? Paulo cita a situação antiga de Israel prestes a ser levado para o exílio quando Deus falou efetivamente por meio do seu profeta Habacuque: “paciência, muita paciência”, ou se preferir, “o justo (quem experimenta a justiça ou o endireitamento de Deus) viverá por fé.” Por que? Porque o endireitamento por Deus da sua criação se revela pouco a pouco, ou se preferir, “de fé em fé”. Logo, o ministério cristão da defesa e da boa mordomia da criação é ministério de muita paciência e de longo prazo, mesmo diante da urgência da questão. O que você pensa?

Oração

Pai, dê-nos paciência. Dê-nos fé para continuar a lavrar o solo e cuidar do jardim. Amém.

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Semana 4: Romanos 1.16

Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. (NVI)

Reflexão

Nunca “se envergonhou” do evangelho? Alguma vez, teve uma conversa com um amigo, ou professor, ou estranho, e na conversa teve oportunidade boa de dar testemunho da sua fé, mas teve vergonha? Eu já tive.

E Paulo, é isso que ele queria dizer? Afinal, diz a tradição antiga que ele era um baixinho feio com sobrancelhas grossas, pernas tortas (cambaio), meio careca, nariz torto, sem uma boa visão e sem uma boa oratória. E agora estava diante de gente muito importante–cristãos de Roma–e, de certo modo, diante do poderoso império do mundo! Como no filme, O Gladiador. Mesmo assim, não acredito que Paulo estava se referindo ao seu embaraço e até mesmo à falta dele. O que então?

Dentro da cultura judaica, uma cultura de honra e de vergonha, como as culturas orientais até hoje, e de acordo com o uso desta linguagem por Paulo  em outras passagens,  Paulo está dizendo que ele não será envergonhado pelo evangelho. Veja, por exemplo, a maneira que ele cita o profeta Isaías em Romanos 9.33:

Como está  escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair; e aquele que nela confia jamais será  envergonhado” . (citando Isaías 28.16; veja também  Isaías 50.7-8; Salmo 25.2; 44.9)

Efetivamente Paulo está contrastando, com flagrante coragem, a justiça de Deus (v.17) com a injustiça e a impiedade do império (vv.18-32). A mensagem da justiça de Deus que se manifestará em todas as dimensões é uma mensagem segura. Há de acontecer porque o próprio Deus promete, e ele cumpre as suas promessas. Não nos envergonhará.

Oração

Agradecemos a Ti, poderoso Deus, porque a mensagem que nos deste não nos deixará  indefesos. É a maior honra sermos Teus embaixadores. Ajuda-nos a cumprir tão grande incumbência diante dos poderes humanos que pleiteiam soberania. Em nome do Rei, Teu filho, nosso Senhor Jesus. Amém.

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