do Ultimato Online

Hoje recebi uma notícia que “aguardo” faz alguns anos. A morte do conhecido pastor e evangelista Billy Graham.

É como se tivesse falecido um membro da minha família. Mas é quase impossível ficar triste. Afinal de contas, ele próprio disse que ao morrer apenas mudaria de endereço. Mesmo assim, vou sentir muito a sua falta. E com certeza esta data vai marcar o final de uma época na história da evangelização do mundo.

Talvez, por ser nascido e criado na mesma cidade, Charlotte (EUA), sinto que conheço bem a sua história. Sendo também do “Cinturão da Bíblia” sinto que conheço um pouco a sua formação na fé. Mas nada disso explica a singularidade deste homem. Simples, com uma mensagem simples, que batia na mesma tecla, talvez a tecla da mensagem mais importante que precisa ser ouvida: “entregue a sua vida a Cristo”. Mensagem que atingiu o coração de milhões de pessoas.

Tive a oportunidade de ver Billy Graham diversas vezes. Quando era jovem fui a duas de suas campanhas evangelísticas. Na última, trabalhei como conselheiro. Todo ano meu avô, um pastor — e meu herói —, recebia um cartão de natal dele. Ele como eu admiramos Billy Graham, talvez, mais do que qualquer outro homem vivo neste século. Certa vez, com meus 20 e poucos anos, numa conferência na cidade onde ele morava, Montreat, ele apareceu no fundo de um grande auditório para ouvir o preletor convidado. Algumas pessoas, inclusive eu, olhamos para trás e vimos Billy Graham sentado ouvindo aquele pregador. Ao final do culto, muito discreto, ele saiu de fininho e alguns de nós o seguimos. Ele não fugiu. Pelo contrário, recebeu cada um com muita graça e cordialidade. Isso me impressionou muito sabendo que ele era assediado por muitos no mundo inteiro e o tempo todo.

Foi o seu cunhado, Leighton Ford, que me acompanhou durante toda a minha vida profissional. Uma vez, ele me convidou para o acompanhar numa campanha evangelística e me ensinou como aquecer a voz. Foi meu primeiro mentor. O ano retrasado almocei com Leighton em Charlotte, para conversar sobre sua participação na produção da “Bíblia Missionária de Estudo”, em inglês. Ele me falou da saúde cada vez mais precária do seu cunhado. A família de Billy Graham, sua esposa Ruth, seus filhos, sua irmã e seu cunhado todos tinham a mesma convicção e o mesmo alvo de servir a Deus na evangelização do mundo.

Também Maury Scobee, assistente pessoal de Billy Graham, se tornou cedo meu amigo e nos acompanhou no ministério durante os últimos 40 e poucos anos.

Billy Graham movia o coração das pessoas. Eu me ajoelhei várias vezes diante da televisão ouvindo as suas mensagens para entregar novamente minha vida a Jesus. Mais tarde me formei no Seminário Gordon-Conwell, onde ele fazia parte da diretoria. O então presidente deste seminário, Harold Okenga, nos contava a história de como ele convidou Billy, com seus 22 anos para pregar em uma campanha evangelística em Boston, onde milhares foram tocados e alguns visionários resolveram organizar a Associação Evangelística Billy Graham. E logo em seguida o “lançaram” numa grande campanha em Los Angeles.

Até chegar ao Brasil, as nossas famílias permaneciam muito próximas. E, no meu primeiro período em Goiás, como jovem missionário, fui enviado para trabalhar junto com Etelberto Gartrell e Sandy, logo ela, que havia sido dama de honra no casamento de Billy e Ruth Graham. Quanto mais histórias ouvia, mais crescia minha admiração.

Durante toda minha vida, mesmo à distância, Billy Graham estava próximo, servindo como modelo. Tenho profundo amor por ele, pela vocação que recebeu e cumpriu. Desejo cumprir um dia a vocação que Deus também me deu. Quando esse dia chegar, eu estarei nas sombras de muita gente, inclusive e especialmente de Billy Graham.

Muito obrigado, Jesus, por esta vida preciosa.

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