Arquivo de novembro 2016

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 4

Continuando as nossas três reflexões anteriores…

Fase da salvação entregue: de vida antes de conhecer Cristo para vida de blasfemo e infiel

Nesta quarta fase, Paulo havia esquecido que antes de conhecer Cristo, vivia uma vida boa. Esqueceu ou reavaliou radicalmente. A vida anterior não era mais boa virada lixo. Ela simplesmente deixou de ser boa. Veja como Paulo falava da sua vida anterior a Cristo…

Agradeço a Cristo Jesus, o nosso Senhor, que me tem dado forças para cumprir a minha missão. Eu lhe agradeço porque ele achou que eu era merecedor e porque me escolheu para servi-lo. Ele fez isso apesar de eu ter dito blasfêmias contra ele no passado e de o ter perseguido e insultado. Mas Deus teve misericórdia de mim, pois eu não tinha fé e por isso não sabia o que estava fazendo…. O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. – 1 Timóteo 1.12-13,16 (cerca de 65-66 d.C) Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 3

Esta é a terceira parte da nossa série sobre as fases da vocação ou “salvação” de Paulo…

Fase da salvação reconsiderada: de perfeito para o lixo

Muitos discípulos de Cristo, talvez a maioria, só Deus sabe, passam a vida toda ou na primeira ou na segunda fase da sua salvação. E não digo isto a título de crítica. Apenas, muitos não imaginam que há algo mais. Mas há, e Paulo descobriu isto quando ele reconheceu que toda aquela bondade, piedade, fidelidade e herança na fé, diante da sua caminhada dia-a-dia com Jesus, a vida cheia do Espírito, não passava de lixo. Em algum momento entre a hora que escreveu a Carta aos Gálatas e as suas Cartas aos Coríntios 5 a 7 anos depois, e a Carta aos Filipenses uns 10-12 anos depois de ter escrito a Carta aos Gálatas, Paulo reconheceu o seu devido tamanho diante de Deus e reconheceu que tudo que ele realizava antes era nada diante daquilo que Deus havia feito na sua vida. Vamos ler os textos… Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Parte 2

Na última reflexão consideramos uma “primeira” fase da vocação de Paulo. Coloco a palavra “primeira” entre aspas porque é a primeira fase que conseguimos reparar nos seus escritos e não necessariamente a primeira de fato. Agora queremos considerar uma segunda fase…

Fase da salvação avaliada: de melhor que todos para ser escolhido

Não sabemos quanto tempo demorou, mas cerca de 15 a 18 anos depois da sua conversão, no ano 48 d.C, encontramos Paulo não mais silenciado e pasmado pela sua conversão. Ele já havia passado para uma nova fase, a fase da conversão avaliada. Veja como Paulo entendia, 15 a 18 anos depois, a sua conversão, especialmente o que ele era antes de conhecer Cristo. Mais >

O desenvolvimento da nossa vocação: Part 1

Tendemos a ter uma visão bem estática da nossa vocação “geral”, a vocação de nos assemelharmos a Cristo. Tendemos a pensar, ou pelo menos agir, como se a conversão ocorre de uma só vez e de maneira quase total, a ideia da transformação de vil pecador em santo discípulo de Jesus. Certamente este é o nosso alvo, mas a Bíblia fala do desenvolvimento da nossa salvação, ou podemos pensar igualmente na nossa vocação nestes termos (Filipenses 2.12), o que os teólogos chamam de “santificação”, algo que tendemos a separar da conversão, bem contrário da passagem de Paulo citada. Um famoso biblista sueco, Krister Stendahl, chamou atenção para esta mania em 1963 na sua reflexão, “O apóstolo Paulo e a consciência introspectiva do Ocidente”, hoje parte do seu livro, Paul among Jews and Gentiles (1976, em português: “Paulo entre judeus e gentios”). Ele reparou que o Ocidente deriva seu paradigma de conversão do encontro de Saulo/Paulo com Jesus no caminho para Damasco, a ideia sendo que ele a conversão veio como um relâmpago que derrubou Paulo do seu cavalo (não há cavalo no relato bíblico) e ele foi transformado uma vez para sempre. Esta visão não é o que lemos nas Escrituras, nem tampouco dos escritos de Paulo e nem tampouco do exemplo de Paulo. As suas cartas demonstram desenvolvimento da sua vocação/salvação. As passagens chaves são: Atos 8.1-3; 9.1-6; 22.3-21; 26.11-18; Gálatas 1.13-24; 1 Coríntios 9.1; 15.9; Filipenses 3.6; 1 Timóteo 1.12-17. Vejamos… Mais >