Quando chegou o dia de Pentecostes, todos os seguidores de Jesus estavam reunidos no mesmo lugar.  De repente, veio do céu um barulho que parecia o de um vento soprando muito forte e esse barulho encheu toda a casa onde estavam sentados.  Então todos viram umas coisas parecidas com chamas, que se espalharam como línguas de fogo; e cada pessoa foi tocada por uma dessas línguas.  Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, de acordo com o poder que o Espírito dava a cada pessoa. — Atos 2.1-4 (NTLH)

Estes versículos iniciam a segunda divisão do Livro de Atos (2.1–8.4) que inclui, por sua vez, um apelo para todo Israel (2.1–3.26) e a vida e perseguições dos primeiros cristãos em Jerusalém (4.1–8.4). Este início relata a vinda do Espírito Santo em poder que foi antecipada pelas promessas feitas em Lucas 24.49 e Atos 1.4-5 e em cumprimento às promessas de Deus para os três pilares do judaísmo: Abraão, Moisés e Davi, sendo estes os mais notórios dos patriarcas, dos juízes e dos reis. Vejamos como este cumprimento se due em relação a cada um destes pilares.

Primeiro. a vinda do Espírito Santo em poder cumpre as promessas de Deus para Abraão que recebeu estas promessas pela primeira vez em Gênesis 12.1-3 como consequência do cúmulo de rebelião humana que foi se intensificando desde Gênesis 3 até o relato da Torre de Babel em Gênesis 11. Nesta ocasião os seres humanos queriam tornar célebre o seu nome (Gn 11.4). Como castigo Deus os dispersou e confundiu a sua língua em diversas línguas. Logo em seguida, na sua aliança com Abraão, Deus promete ele engrandecer o nome de Abraão e seus descendentes e por meio dele(s) abençoar todas as famílias da terra, exatamente a inversão da maldição que Deus pronunciou sobre os habitantes da Torre de Babel. O ápice do cumprimento desta promessa para Abraão e para os seus descendentes, portanto, é dramatizado no Dia de Pentecostes quando o Espírito vem e os povos que vieram para a festa e assistiram a vinda do Espírito entenderam as línguas que os cheios do Espírito começaram a falar.

Interessante que o cumprimento destas promessas ocorreu justamente na Festa de Pentecostes, celebrada 50 dias depois da Páscoa, incluindo o primeiro e último dia (Lv 23.15-21). E a Páscoa era um dos eventos mais importantes da história dos judeus quando lembravam da sua redenção por Deus. O nome “Pentecostes” (significa “quinquagésimo”) vem de grego e foi dado pelos judeus helenistas (de fala grega). Mas os judeus de fala hebraica chamavam a celebração de “Festa de Semanas” (sete semanas depois da Páscoa, Êx 34.22; Dt 16.10) comemorando a entrega dos Dez Mandamentos e a formalização da aliança de Deus com o seu povo no Monte Sinai sete semanas depois do êxodo (um cálculo baseado no Talmude, um comentário dos judeus antigos). Portanto, o Pentecostes lembrava os judeus tanto da aliança dada e das promessas de Deus para Abraão quanto a aliança formalizada e as promessas de Deus para Moisés. E quando Deus formalizou a sua aliança com Moisés, ao dar-lhe a Lei, prometeu que seria um reino de sacerdotes, ou seja intercederia a favor de todos os povos (Êx 19.1-5). E tão internacionalização das promessas de Deus se concretiza novamente a partir de Pentecostes com a compreensão das línguas pelas diversas nações presentes.

Finalmente, a vinda do Espírito no Pentecostes cumpriu as promessas dadas para Davi. E, de fato, a tradição judaica diz que o Rei Davi nasceu neste dia e Pedro, em Atos 2.14-39 conecta a morte, a vida e a ascensão de Jesus a morte, o enterramento e a esperança de imortalidade de Davi. Tudo isto tem a maior importância. Pois, de acordo com Pedro, Davi entendeu que Deus cumpriria as suas promessas feitas para ele por meio da ressurreição do messias (At 2.30-32). E quais eram as promessas de Deus para este descendente de Davi, senão que o seu domínio seria de mar a mar (Sl 72.8-11) e ele será abençoado por reis e nações do mundo inteiro (Sl 72.17-19).

Novamente, tudo isto começou com a divulgação em poder do Evangelho entre todas as nações no Dia de Pentecostes. Por isso, Pentecostes é também conhecido como a Festa da Colheita (Êx 23.16) e o Dia das Primícias (primeiro fruto, Nm 28.26).2. 1–13. Não é à toa que, como cristãos, somos exortados a procurar a plenitude do Espírito continuamente (Ef 5.18) pois é esta vida pelo Espírito que nos capacita como testemunhos eficazes de Jesus.