A nova Encíclica Papal Laudato Sì («Louvado sejas»), comunicada na semana passada, no dia 18 de junho, é uma contribuição muito importante não só para católicos romanos e até mesmo para todos os cristãos, mas é dirijida e relevante para pessoas de qualquer religião, a comunidade científica e todas as organizações governamentais,  todos os que vivem debaixo do mesmo teto… este teto que denominamos “Planeta Terra”. Aliás, o Papa Francisco toma o devido cuidado de convidar todos a refletir e se engajar novamente em um debate, justamente por causa da importantíssima reunião das Nações Unidas em dezembro de 2015 para negociar ações concretas a nível mundial. Claro que  já aconteceram muitos debates nas últimas décadas em escolas, governos, indústrias e insitituições religiosas em todos os níveis, e assim, este é mais um entre muitos a nível mundial. E é justamente porque as ações em cooperação entre os países, especialmente os mais ricos, ainda estão muito aquém de deter a deterioração do meio ambiente, que o papa vem com um apelo tão forte.

Trata-se de 191 páginas bem elaboradas de apelo, reflexão e propostas, e por isso mesmo prefiro me abster de uma análise mais detalhada, pois a minha própria conclusão é que o documento merece primeiro sua própria leitura e estudo demorados. Apenas reparo a sequência das suas ideias…

No início, o documento recapitula as principais afirmações anteriores pelos papas João XXIII, Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. Depois inclui as observações do Patriarca Ecumênico Bartolomeu, da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, especialmente o seu apelo para se “aprender a dar e não simplesmente renunciar”  sempre ao consumo. E por fim, lembra durante várias páginas de enclíclica, o exemplo, o ensino e o espírito de Francisco de Assis, de quem o papa assumiu o seu nome. Aliás, a enclíclica recebeu o seu nome, “Louvado sejas” do hábito de Francisco de Assis de cantar louvores a Deus pela sua criação e convidar todas as criaturas a cantarem junto com ele. Logo em seguida, vêm as partes principais da encíclica…

  • capítulo 1: uma análise da atual crise em termos da poluição e das mudanças climáticas, problemas de água, a perda da biodiversidade, a deterioração da qualidade de vida humana, a desigualdade plantetária e a diversidade de opiniões
  • capítulo 2: uma excelente análise da contribuição das Escrituras para a conscientização socio-ambiental caminhando em direção a ações concretas
  • capítulo 3: uma análise das causas humanas da crise atual em termos de políticas da tecnologia, a globalização de um paradigma tecnocrático e alguns valores da modernidade e pós-modernidade
  • Capítulo 4: um apelo a favor de uma perspectiva ecológica integral que leve em conta a diversidade social, valores culturais, as rotinas diárias das pessoas, o princípio do bem comum e da justiça intergeracional
  • capítulo 5: uma proposta de linhas de orientação e ação
  • capítulo 6: uma reflexão sobre a relevância da educação e espiritualidade ecológicas

Confesso que depois de uma leitura inicial e mais rápida, vejo a necessidade de uma segunda leitura mais atenciosa. Pela importância do papa como líder religioso de ampla abrangência e mesmo com as diferenças significantes entre o mundo protestante e o mundo católico, entendo este documento como um instrumento muito importante para todos discutirem, inclusive para podermos articular melhor nas bases os pleitos que podem ser encaminhados formalmente ou via as redes sociais, para a reunião das Nações Unidas no final do ano.

Por fim, A Rocha publicou uma nota sobre o documento aqui.

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