Arquivo de fevereiro 2013

Vencendo os empecilhos: a circunspecção

Semana 61: Lucas 17.1-2

Jesus disse aos seus discípulos: — Sempre vão acontecer coisas que fazem com que as pessoas caiam em pecado, mas ai do culpado! Seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no mar com uma grande pedra de moinho amarrada no pescoço do que fazer com que um destes pequeninos peque.

Lucas 17.1-10 trata de como vencer os empecilhos aos bons relacionamentos. É um só assunto, não quatro discursos separados. As quarto partes (vv. 1-2, 3-4, 5-6, 7-10) são as “soluções”, ou melhor, as estratégias para evitar ou diminuir estes empecilhos. As quatro estratégias são a circunspecção, o perdão, a fé, e a humildade. Os primeiros dois versículos acima tratam da primeira estratégia: a circunspecção. Mais >

As pessoas continuam a não ser coisas

Semana 60: Lucas 16.19-31

— Mas Abraão respondeu: “Os seus irmãos têm a Lei de Moisés e os livros dos Profetas para os avisar. Que eles os escutem!” — “Só isso não basta, Pai Abraão!”, respondeu o rico. “Porém, se alguém ressuscitar e for falar com eles, aí eles se arrependerão dos seus pecados.” — Mas Abraão respondeu: “Se eles não escutarem Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite.”

Jesus contou um segundo estudo de caso para ilustrar o seu ensino que permeia todo o capítulo 16 do Evangelho segundo Lucas. Contou o caso de um homem rico que procurava gratificação para si (roupas e festas) (v.19). Jesus não identificou o nome do homem. Depois Jesus falou de um homem pobre e abertamente doente que ficava no portão do homem rico aguardando migalhas (vv.20-21). O homem pobre é identificado como “Lázaro”. O fato que Jesus identificou um pelo seu nome e não identificou o outro sugere que o homem rico era insignificante, e não o pobre. Mais >

As pessoas ainda não são coisas

Semana 59: Lucas 16.10-18

Quem é fiel nas coisas pequenas também será nas grandes; e quem é desonesto nas coisas pequenas também será nas grandes. Pois, se vocês não forem honestos com as riquezas deste mundo, quem vai pôr vocês para tomar conta das riquezas verdadeiras? E, se não forem honestos com o que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês? — Um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro; ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e também servir ao dinheiro. Os fariseus ouviram isso e zombaram de Jesus porque amavam o dinheiro. Então Jesus disse a eles: — Para as pessoas vocês parecem bons, mas Deus conhece o coração de vocês. Pois aquilo que as pessoas acham que vale muito não vale nada para Deus.— A Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas duraram até a época de João Batista. Desde esse tempo a boa notícia do Reino de Deus está sendo anunciada, e cada um se esforça para entrar nele. — É mais fácil o céu e a terra desaparecerem do que ser tirado um simples acento de qualquer palavra da Lei. — Se um homem se divorciar e casar com outra mulher, comete adultério. E quem casar com a mulher divorciada também comete adultério.

Nos versículos anteriores, Jesus efetivamente exortou os seus discípulos a valorizarem mais as pessoas que posses materiais ou dinheiro. Faz faz isto através de uma parábola ou um estudo de caso a respeito de um administrador desonesto. A partir disto, nos versículos acima, Jesus continuou a recomendar a postura altruísta (vv.10-13). Mas sua recomendação aborreceu um outro grupo de ouvintes (do que os discípulos, v.1): os fariseus (v.14). É importante ver estes versículos 10-13 como uma só recomendação, como um crescendo musical, uma intensificação progressiva, mas ou menos da seguinte forma: Mais >

Calvino e missões

Recentemente publiquei duas reflexões sobre a perspectiva missionária de João Calvino. Veja aqui e aqui

As pessoas não são coisas

Semana 58: Lucas 16.1-9

Jesus disse aos seus discípulos: — Havia um homem rico que tinha um administrador que cuidava dos seus bens. Foram dizer a esse homem que o administrador estava desperdiçando o dinheiro dele. Por isso ele o chamou e disse: “Eu andei ouvindo umas coisas a respeito de você. Agora preste contas da sua administração porque você não pode mais continuar como meu administrador.” — Aí o administrador pensou: “O patrão está me despedindo. E, agora, o que é que eu vou fazer? Não tenho forças para cavar a terra e tenho vergonha de pedir esmola. Ah! Já sei o que vou fazer… Assim, quando for mandado embora, terei amigos que me receberão nas suas casas.” — Então ele chamou todos os devedores do patrão e perguntou para o primeiro: “Quanto é que você está devendo para o meu patrão?” — “Cem barris de azeite!” — respondeu ele. O administrador disse: — “Aqui está a sua conta. Sente-se e escreva cinqüenta.” — Para o outro ele perguntou: “E você, quanto está devendo?” — “Mil medidas de trigo!” — respondeu ele. — “Escreva oitocentas!” — mandou o administrador. — E o patrão desse administrador desonesto o elogiou pela sua esperteza. E Jesus continuou: — As pessoas deste mundo são muito mais espertas nos seus negócios do que as pessoas que pertencem à luz. Por isso eu digo a vocês: usem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam vocês no lar eterno.

Esta é uma passagem difícil. Parece que Jesus está incentivando a corrupção. Tanto que o imperador romano Juliano, no século IV, citou esta passagem para os nobres romanos como exemplo da corrupção dos cristãos e do seu líder, Jesus. Como entendê-la? Mais >

O homem justo que teve dois filhos…

Semana 57: Lucas 15.11-32

E Jesus disse ainda: — Um homem tinha dois filhos. (v.11)

A parábola do filho perdido se encontra apenas no Evangelho de Lucas e faz parte duma trilogia que inclui também as parábolas da ovelha perdida e da moeda perdida (15.1-10). A parábola do filho perdido é talvez a mais conhecida das parábolas e por isso mesmo, a gente acaba não prestando a devida atenção para perceber o peso que esta parábola apresenta. Mais >

O bom cálculo

Semana 56: Lucas 14.25-35

Certa vez uma grande multidão estava acompanhando Jesus. Ele virou-se para eles e disse: — Quem quiser me acompanhar não pode ser meu seguidor se não me amar mais do que ama o seu pai, a sua mãe, a sua esposa, os seus filhos, os seus irmãos, as suas irmãs e até a si mesmo. Não pode ser meu seguidor quem não estiver pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhar. Se um de vocês quer construir uma torre, primeiro senta e calcula quanto vai custar, para ver se o dinheiro dá. Se não fizer isso, ele consegue colocar os alicerces, mas não pode terminar a construção. Aí todos os que virem o que aconteceu vão caçoar dele, dizendo: “Este homem começou a construir, mas não pôde terminar!” — Se um rei que tem dez mil soldados vai partir para combater outro que vem contra ele com vinte mil, ele senta primeiro e vê se está bastante forte para enfrentar o outro. Se não fizer isso, acabará precisando mandar mensageiros ao outro rei, enquanto este ainda estiver longe, para combinar condições de paz. Jesus terminou, dizendo: — Assim nenhum de vocês pode ser meu discípulo se não deixar tudo o que tem. — O sal é uma coisa útil; mas, se perde o gosto, deixa de ser sal. É jogado fora, pois não serve mais nem para a terra nem para o monte de esterco. Se vocês têm ouvidos para ouvirem, então ouçam.

Para ilustrar o seu desafio para assumir um discipulado radical, Jesus usou duas analogias, a da torre e a outra, do combate. O seu ponto era simples e patente. Ambas as comparações ilustram a necessidade de “calcular o preço” de qualquer compromisso de longo prazo, quer um compromisso com a guerra, quer com uma construção complexa. Não convém fazer estas coisas na mera empolgação. Pois corre o perigo de começar bem, e depois, descambar!

Mais >

O segundo convite

Semana 55: Lucas 14.15-24*

Um dos que estavam à mesa ouviu isso e disse para Jesus:

Felizes os que irão sentar-se à mesa no Reino de Deus!

Então Jesus lhe disse:

Certo homem convidou muita gente para uma festa que ia dar. Quando chegou a hora, mandou o seu empregado dizer aos convidados:

“Venham, que tudo já está pronto!”

Mas eles, um por um, começaram a dar desculpas. O primeiro disse ao empregado:

“Comprei um sítio e tenho de dar uma olhada nele. Peço que me desculpe.”

Outro disse:

“Comprei cinco juntas de bois e preciso ver se trabalham bem. Peço que me desculpe.”

E outro disse:

“Acabei de casar e por isso não posso ir.”

O empregado voltou e contou tudo ao patrão. Ele ficou com muita raiva e disse:

“Vá depressa pelas ruas e pelos becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.”

Mais tarde o empregado disse:

“Patrão, já fiz o que o senhor mandou, mas ainda está sobrando lugar.”

Aí o patrão respondeu:

“Então vá pelas estradas e pelos caminhos e obrigue os que você encontrar ali a virem, a fim de que a minha casa fique cheia. Pois eu afirmo a vocês que nenhum dos que foram convidados provará o meu jantar!”

Na passagem que acabamos de ler, Jesus nos conta uma parábola onde uma pessoa importante deseja uma festa cheia de alegria e cheia de pessoas. Todos que conhecem a parábola sabem que ela se refere ao grande banquete de celebração do messias. Geralmente pensamos que isto se refere a um evento no fim dos tempos. E se refere a isto. Só que pouco se percebe que a festa já se iniciou e se for ler o conto com cuidado veremos que Jesus também se referia a algo que já se iniciou. A grande pergunta que permanece através de toda a parábola é: qual é a nossa parte nesta história e qual é o seu papel na festa? Ou, para a fazer a pergunta dum jeito que já se acostumaram a ouvir: quem é você nesta história? As parábolas quase sempre nos levam a fazer esta pergunta e a pergunta é séria: quem é você nesta história? Mais >